Proton, Cyclone 4 e os Riscos de Falhas

Olá leitor!

Segue abaixo um interessantíssimo artigo escrito pelo companheiro André Mileski e postada dia (06/07) no seu blog “Panorama Espacial”, dando destaques aos riscos que estamos correndo com o lançamento do Brasil desse trambolho tóxico ucraniano.

Duda Falcão

Proton, Cyclone 4 e os Riscos de Falhas

André Mileski
06/07/2013

Em artigo publicado no blog Panorama Espacial há 4 anos, o especialista em propulsão espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Dr. José Nivaldo Hinckel, citou como um dos argumentos contrários à utilização do foguete Cyclone 4 pela Alcântara Cyclone Space (ACS) para lançamentos a partir do solo brasileiro, o risco ambiental e risco para habitantes próximos à base de lançamento representado pela falha do foguete nos instantes iniciais do lançamento.

Foi colocada também a seguinte questão: Porque o Brasil vai buscar o Acesso ao Espaço, seguindo uma trilha que está sendo progressivamente abandonada pelos outros programas?

A falha do foguete Proton, ocorrida na última segunda-feira (01), demonstra que este risco não é apenas hipotético. Coincidentemente, na edição desta mesma segunda-feira, a publicação especializada The Space Review divulgou a primeira parte de um artigo relatando ocorrência semelhante com um foguete Longa Marcha 3B, em 1996. A segunda parte do artigo será publicada na próxima segunda-feira. No episódio do lançador chinês, houve um número considerável de vítimas fatais. Dados oficiais reconhecem um número de vítimas da ordem de dezenas. Entretanto, há relatos que elevam este número para meio milhar. No último voo do foguete Titan IV, dos Estados Unidos, em 1998, houve outro incidente semelhante. Neste caso, a falha ocorreu a uma altura de alguns quilômetros. Em comum, todos estes foguetes tem a utilização de propelentes altamente tóxicos, uma mistura de hidrazinas e o tetróxido de dinitrogênio.

Neste tipo de incidente o risco imediato é a ocorrência de incêndio e explosões violentas resultante da queima parcial das centenas de toneladas de propelentes armazenadas nos tanques de propelentes que se se rompem. O risco remanescente é a contaminação ambiental relacionada à parcela sustancial dos propelentes não consumidos no incêndio local. Estes propelentes, principalmente o tetróxido que é mais volátil, formam uma nuvem tóxica de coloração alaranjada que se difunde no ar e é carregada e espalhada pelos ventos, ameaçando e destruindo plantações, animais e populações nas proximidades da base de lançamento.

Em função destes riscos, os programas que utilizam ou utilizaram estes propelentes foram e vão progressivamente abandonando o seu uso: a Agência Espacial Europeia e a Arianespace aposentaram os foguetes Ariane 2, 3 e 4 no início da década passada. Os Estados Unidos descontinuaram a utilização dos foguetes Titan 2 e 4 ainda na década de noventa e suspenderam a produção de novos foguetes Delta 2, restando um reduzido número de foguetes para atender a algumas missões da NASA e do Departamento de Defesa. A Rússia vem desenvolvendo os foguetes da família Angara com propelentes não tóxicos com a finalidade de substituir o venerável Proton. O primeiro testes de foguetes desta família está programado para ocorrer ainda este ano. A China igualmente desenvolve foguetes utilizando propelentes não tóxicos para substituir seus foguetes atuais que utilizam a mesma mistura de propelentes tóxicos. A Coréia do Sul busca o seu foguete utilizando propulsores baseados no foguete russo da família Angara.

Este tipo de acidente, falha nos instantes iniciais do lançamento, pode evidentemente ocorrer, e ocorre, com foguetes utilizando outros tipos de propelentes. Porém, os riscos ambientais e pessoais são muito maiores quando ocorre com foguetes carregados com centenas de toneladas de líquidos altamente inflamáveis e tóxicos.

Considerando os riscos acima expostos, a fragilidade dos planos de negócios e de implantação sustentado pela ACS, assim como a inadequação do envelope de lançamento do Cyclone 4 à demanda de lançamentos, é pertinente repetir a questão colocada há 4 anos: continuará o Brasil a busca do “Acesso ao Espaço” seguindo uma trilha evidentemente  traiçoeira e que está sendo abandonada por todos os outros programas?


Fonte: Blog “Panorama Espacial“ - André Mileski

Comentário: Que bom que finalmente o companheiro André Mileski vem se juntar em nossa luta de forma mais aberta. Veja você leitor que o que estamos tentando fazer com a nossa Petição da ACS (única ação efetiva de combate a esse desatino atualmente em curso no Brasil) é evitar que algo de muito ruim possa acontecer em território brasileiro. É inadmissível que esse governo irresponsável siga em frente com esse acordo desastroso sem as devidas modificações, ou o encerramento do acordo caso essas modificações não sejam aceitas pelo governo ucraniano. O Acordo que gerou essa empresa é um desastre por completo, seja na área tecnológica, como também nas áreas comercial e ecológica, não trazendo nenhum benefício a nossa sociedade, mas em contrapartida, trazendo enormes benefícios à sociedade ucraniana. Portanto, volto a solicitar o apoio de vocês para que assinem e divulguem a nossa Petição da ACS e assim combater essa ação desastrosa capitaneada por de..loides de plantão com endosso dessa presidentA irresponsável. 

Comentários

  1. Qual a toxicidade do combustível dos foguetes nacionais para comparação com o usado no Cyclone?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Anônimo!

      Isso eu não sei lhe responder, mas acredito que um de nossos leitores engenheiros do setor possa. Fique atento. Entretanto, posso lhe afirmar que numa comparação direta com esse trambolho tóxico ucraniano, a toxicidade dos foguetes nacionais é desprezível.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
  2. O Perclorato de amônio não é um exemplo de combustível limpo. Na verdade tirando o Hidrogênio liquido combinado com oxigênio liquido cujo produto da combustão é vapor dá agua, não existe combustível muito "limpo" em foguetes.

    Os mais detalhistas irão lembrar que mesmo o hidrogênio liquido ainda é sujo, porque sua extração normalmente é realizada de combustível fósseis (e libera muito CO2), aquela coisa de eletrólise que a gente faz na feira de ciências do colégio, para grandes quantidades é antieconômico.

    Voltando ao Perclorato de amônio + alumínio. Ele produz alguns óxidos durante a combustão que são poluentes, mas no geral é bastante seguro para manuseio. Nem de longe se compara a Hidrazina + Tetróxido de nitrogênio.

    Querem um bom combustível de foguetes na minha opinião? Querosene mais oxigênio liquido. Seguro, simples, baixa toxidade, econômico. A boa engenharia espacial esta voltando para ele, Atlas-5, Angara são felizes exemplos de foguetes com esta tecnologia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Eng. Dallamuta!

      Agradeço ao senhor pelos esclarecimentos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
  3. Ezequiel São Luis MA! uma coisa eu sei GENTE O LANÇAMENTO DE UM FOGUETE É LINDO, O PENULTIMO VLS ANTES DAQUELE DESASTRE ELES EXPLODIRAM NO AR FOI LINDO! A DECOLAGEM É CLARO KKKKKK

    ResponderExcluir
  4. Pelo que vi então pela análise de um especialista é que não existe um foguete limpo. Não adianta falar de uma família de foguetes limpos sendo que ainda estão em desenvolvimento. O Brasil tem mais de 50 anos tentando desenvolver um foguete a combustível sólido e não conseguiu então acho absurdo querer já começar com um foguete limpo sendo que ele ainda não existe nem nos países com lançadores. Desastres existiram em todos os países e vão continuar a existir, é obvio que isto faz parte da atividade (infelizmente). Eu vi que o cyclone-3, que á a base para o cyclone-4, tem confiabilidade de 0.98, onde o máximo é 1. De 125 lançamentos foram apenas 5 sem alcançar o objetivo, o que é excepcional. Alguém sabe me dizer o índice de outros foguetes com tantos lançamentos quanto o do cyclone-3? Se o Brasil não consegue fazer um lançador útil sozinho então demorou décadas para fazer um acordo deste tipo. O que eu sei é que precisamos de uma alavancagem urgente nesta área para não ficarmos na mão de nações espiãs e sabotadoras.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acabei de pesquisar e vi que o cyclone-2 que foi a base para o cyclone-3 teve 105 lançamentos e todos com sucesso. Acho que de uma família de lançadores esta á a melhor escolha. Espero que o cyclone-4 tenha o mesmo índice de confiabilidade do seu avô.

      Excluir

Postar um comentário