Pesquisadora Realiza Estudo no CLBI
Olá leitor!
Segue abaixo um
artigo publicado na Revista Espaço Brasileiro (Jan – Jun de 2013), destacando
que a pesquisadora Aylla Santos realizou um estudo no “Centro de Lançamento da
Barreira do Inferno (CLBI)” visando proporcionar um sistema
para avaliação e melhoria contínua de comportamentos relativos à prevenção de
acidentes, por meio da gestão efetiva de perigos e de riscos no trabalho.
Duda Falcão
CLBI
Pesquisadora Realiza Estudo no CLBI
Estudo visa proporcionar sistema para avaliação e melhoria
contínua de comportamentos relativos à prevenção de acidentes,
por meio da gestão efetiva de perigos e de riscos no trabalho
Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)
A pesquisadora Aylla Santos realizou, no Centro de Lançamento
da Barreira do Inferno (CLBI), estudo de caso descritivo exploratório de
natureza aplicada e caráter qualitativo que constitui parte do projeto de
pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da
Agência Espacial Brasileira (CNPq/AEB). O título do estudo é “Implementação e
Integração de Sistemas de Gestão de Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde
do Trabalho em organização do Sistema Nacional de Desenvolvimento de Atividades
Espaciais (SINDAE)”.
O CLBI, instituição integrante do Departamento de Ciência e
Tecnologia Aeroespacial (DCTA), tem como missão executar e fornecer apoio às
atividades de lançamento, rastreamento, coleta e processamento de dados de
veículos aeroespaciais em consonância com o Programa Nacional de Atividades
Espaciais (PNAE). Parceiro do Programa Ariane da Agência Espacial Europeia (ESA),
o CLBI atua com estação remota rastreando os veículos lançados a partir da
Guiana Francesa. Esse escopo credenciou o centro a ser o campo empírico para o
desenvolvimento do projeto de Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho (SGSST).
Com objetivo de ter um sistema para avaliação e melhoria
contínua de comportamentos relativos à prevenção de acidentes, por meio da
gestão efetiva de perigos e riscos no trabalho, o projeto utilizou o SGSST como
uma ferramenta lógica e flexível que deve ser adequada à dimensão e à atividade
do CLBI.
Para o delineamento do SGSST, foi utilizada metodologia estruturada
por técnicas e ferramentas da Ergonomia e da Análise Ergonômica do Trabalho. As
etapas da pesquisa foram: Análise Global, Análise das Demandas e Proposição da estrutura
do SGSST com soluções adaptadas à organização.
Na etapa de Análise Global, as atividades de trabalho foram
apreciadas considerando a expansão de informações sobre seus principais
processos – a população de trabalhadores e os elementos da organização do
trabalho. Os instrumentos de coleta de dados utilizados nessa fase foram a Ação
Convencional e Observação Sistemática
das Atividades. Nessa fase, foram realizadas 26 visitas às seções do CLBI, que
permitiram conhecer o contexto de desenvolvimento dos processos de trabalho,
bem como direcionar as etapas seguintes.
A construção de um plano de intervenção para tratar com
eficiência os problemas organizacionais, foi possível com a Análise da Demanda,
cujo escopo é a compreensão da natureza e da dimensão dos problemas da
Organização. Essa etapa foi desenvolvida por meio da Análise Coletiva do
Trabalho, método que permite diagnosticar problemas e identificar soluções, a
partir das falas que emergem dos trabalhadores durante reuniões com a equipe de
pesquisa. Para realização dessa parte, selecionaram-se 14 seções, de acordo com
a criticidade dos aspectos de segurança e saúde identificados na Análise
Global.
Os resultados oriundos da Análise das Demandas foram abordados
junto ao nível estratégico da organização, por meio de análises críticas
realizadas em reuniões da equipe com o diretor e chefes de divisões e seções,
em um processo de Restituição e Validação de dados. Esse processo resultou em
um diagnóstico das reais necessidades de melhoria do CLBI no contexto da gestão
de segurança e saúde, e na construção de propostas de soluções adaptadas. Com a
hierarquização das demandas identificadas, destacou-se a necessidade de
utilização de um método sistemático para gestão de segurança em operações de
lançamento de veículos aeroespaciais.
Como as operações do CLBI são divididas em três fases distintas
(pré-lançamento, lançamento e pós-lançamento), foi proposto um método composto
por um conjunto de análises direcionadas que consideraram os parâmetros de:
documentação (procedimentos operacionais, analise preliminar de risco, plano de
gerenciamento e crises e atendimento à emergências, etc); meios materiais e
infraestrutura (garantia de integridade de máquinas, equipamentos e ferramentas,
estrutura física dos ambientes de trabalho); recursos humanos (equipes
operacionais de segurança e saúde, capacitação e treinamentos, práticas de
trabalho seguro); e equipamentos de proteção.
Com a aplicação do método, esses aspectos passam a ser
avaliados de acordo com sua importância relativa à segurança global da
operação, por meio de uma análise centrada na tolerabilidade dos riscos. Essa
avaliação deve considerar a conformidade de todas as variáveis em cada um dos
quatro parâmetros citados anteriormente, e permitirá a realização de
encaminhamentos para correções e ajustes de possíveis falhas ao longo da fase
de pré-lançamento.
As considerações acerca da confiabilidade operacional,
realizadas por meio do método, devem ser inseridas em uma análise conjunta
feita pela coordenação geral das operações, e julga a conformidade de todos os
subsistemas necessários para a efetivação das fases de lançamento e
pós-lançamento. Por meio desse processo emergem as definições finais acerca da
continuidade ou suspensão das operações de lançamento de veículos
aeroespaciais.
Os resultados da pesquisa para a utilização das ferramentas da
Ergonomia e da Análise Ergonômica do Trabalho para a construção de um SGSST mostrou-se
pertinente no processo de investigação de demandas, na construção de soluções
viáveis, e na transformação positiva do trabalho. Com essa abordagem,
vislumbrou-se os parâmetros que devem ser contemplados em um método para gestão
de segurança em operações de lançamentos de veículos aeroespaciais, cuja
aplicação pode viabilizar ganhos com confiabilidade operacional, através da
redução das falhas que podem gerar acidentes.
Para a evolução da gestão de riscos na indústria aeroespacial ,
essa abordagem deve ser combinada aos princípios da Engenharia de Resiliência
que preconiza a importância dada pela liderança à cultura de prevenção; a aprendizagem
organizacional, através da retroalimentação contínua de informações dos
processos gerenciais de segurança; a flexibilidade, pela qual a organização
consegue responder a mudanças de demanda sem deteriorar suas defesas, e; a
consciência organizacional acerca dos limites do trabalho seguro.
Os resultados do trabalho foram apresentados no Simpósio
SHO2013, na Universidade do Minho, em Guimarães (Portugal).
Fonte: Revista Espaço
Brasileiro - num. 15 - Jan a Jun de 2013 - págs. 24 e 25


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