Vida Extraterrestre na Universidade – Parte 4
Olá leitor!
Segue abaixo o quarto e último artigo de uma série postados
dia (05/07) no site da “Universidade de São Paulo (USP)” dando destaque a vida
extraterrestre. Vale a pena conferir esse último artigo dessa interessante série.
(veja aqui o terceiro artigo clicando aqui)
Duda Falcão
Especiais
Discos Voadores: Imprensa e Debate
Público no Brasil dos
Anos 1940-50
Luiza Caires
USP Online
30/07/2013
Foto: Reprodução
Não faz tanto tempo que os discos voadores estão por aí.
Para sermos exatos, eles “chegaram” em 1947. Foi neste ano que o piloto
norte-americano Kenneth Arnold relatou relatou ter visto algo que não pôde
compreender. Ele teria observado aeronaves semelhantes a “um prato de torta
cortado no meio com um tipo de triângulo convexo na traseira”. Tais objetos
“voavam de maneira ondulante, como um disco se você o joga sobre a água”.
Embora
Arnold não tenha utilizado o termo disco para falar da forma dos
objetos, sua descrição foi levemente modificada pela imprensa e, dessa
confusão, surgiu a expressão “disco voador”. O termo pegou e passou a ser usado
desde então para designar os objetos e fenômenos aéreos que não são
imediatamente reconhecidos pelas pessoas.
Curiosamente,
depois desse episódio, várias pessoas disseram ter tido visões parecidas nos
Estados Unidos e, após a chegada da notícia ao Brasil, 28 casos foram
informados também no país, em apenas dois meses. Se a hipótese de vida
alienígena já era um prato cheio para a literatura e para o cinema, os
tais discos voadores que surgiram em 1947 acabaram se tornando uma verdadeira
febre na imprensa – séria ou sensacionalista – ao longo da década de
1950.
Esta é uma
história muito bem contada no trabalho de mestrado defendido pelo historiador
Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos no Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas (IFCH) da Unicamp: A invenção dos discos voadores: Guerra Fria,
imprensa e ciência no Brasil (1947-1958).
Em palestra
no Instituto de Psicologia (IP) da USP, o professor do Centro Universitário
Araraquara (Uniara) falou um pouco sobre a pesquisa onde investigou, em
particular, as percepções da população sobre o tema e a influência da imprensa,
da ciência e da Guerra Fria em tais concepções.
Naquela
época, diz Rodolpho, as ideias a respeito de discos voadores ainda “eram
capazes de provocar pânico, choro, risos e grandes discussões que consumiram
muito papel”. Mais do que isso, “simbolizavam anseios e preocupações de toda
uma geração”, descreve.
As fontes
escolhidas para estudo foram, principalmente, as da imprensa. A escolha, de
acordo com o pesquisador, foi baseada no fato de a mídia escrita ter sido uma
grande arena de debate público a respeito. “Através desse material, examinamos
o comportamento da própria imprensa, da comunidade científica nacional e, quando
possível, de outros atores da sociedade brasileira”, explica, acrescentando que
assim foi possível reconstituir parcialmente as lutas e tensões entre os
diferentes grupos sociais neste processo histórico.
O Debate
A própria
imprensa organizou a discussão, estruturada a partir de uma pergunta principal:
os discos voadores existem de fato? De acordo com o historiador, dois grupos se
destacaram: quem acreditava que os casos eram “fruto de algum fenômeno
psicológico individual ou coletivo” ou mero “resultado de confusões com objetos
e fenômenos conhecidos”; e aqueles que defendiam que os discos voadores eram
aeronaves reais, mas provavelmente armas secretas secretas soviéticas ou
norte-americanas. Embora o mundo vivesse o início da Guerra Fria, “a maioria dos
cientistas consultados pelas agências de notícias internacionais defendeu a
primeira hipótese”, relata Rodolpho. Inicialmente, a possibilidade de seres
extraterrestres quase não era cogitada.
Foto: Reprodução
Ao longo
da década, continuaram ocorrendo ondas de relatos de discos voadores no Brasil
e em outros países. Aos poucos, começaram a aparecer também os defensores de
que os discos não seriam armas das superpotências, mas visitantes
extraterrestres. O desenvolvimento tecnológico das décadas anteriores já
permitia aos humanos sonhar com viagens espaciais num futuro próximo. Isso
atiçava a imaginação das pessoas, e foi muito bem aproveitado nos inúmeros
produtos da indústria cultural.
No
Brasil, o jornal O Globo assumiu a posição de associar os
discos voadores à tendência humana de acreditar em mistérios e superstições:
“os homens são inclinados a crer nas coisas vagas, misteriosas e imprecisas (…)
Os homens sempre viveram à custa desses pequenos romances. Mais um, menos um,
não alteram os ritmos da vida”, afirmou o editorial de 11 de julho 1947.
Mas o
tema continuou ganhando destaque na pauta popular, e chegou ao auge a partir o
caso da Barra da Tijuca, em 1952. Jornalistas da revista O Cruzeiro
deram testemunho de que viram discos voadores, ilustrando o depoimento com
fotos. Somente vários anos depois, análises mostrariam que as imagens eram uma
fraude. Na década de 1950, a mesma revista divulgou 58 matérias sobre o tema,
contribuindo para suscitar discussões em todo o país.
Em
território nacional, os cientistas tiveram tímida participação nos debates da
imprensa. “Poucos membros da comunidade científica brasileira expressaram sua
opinião. Os que falaram, em sua maioria, não permitiram que sua identidade
fosse revelada”, detalha Rodolpho. O físico César Lattes, por exemplo,
depois de muita insistência, declarou a um repórter da Folha da Manhã em
1952: “nada tenho a dizer. Nada poderia dizer, mesmo que quisesse. Os
cientistas somente acreditam naquilo que vêem”.
Ainda
assim, pelo menos nesta época, a hipótese extraterrestre sai vencedora da
disputa, gozando de credibilidade no imaginário popular brasileiro e
internacional. Segundo o pesquisador, em termos gerais, isso pode ser explicado
pelo interesse econômico da indústria cultural em um assunto que mobilizava públicos;
pelo baixo nível de conhecimento científico da população; pelo apelo
daquilo que não podia ser explicado pela ciência; e pelo forte interesse que a
ideia de visitantes alienígenas causava.
Para o
estudioso, o progresso tecnológico pós Segunda Revolução Industrial abriu um
precedente em termos de imaginário. “Afinal, se os humanos podiam agora sonhar
com as viagens espaciais, não era difícil pensar que seres de outros planetas
já possuíam tal tecnologia. Nenhum outro período histórico esteve tão ligado
culturalmente ao que existe além da Terra quanto o século XX”, conclui.
Fonte: Site da Universidade de São Paulo (USP)


Comentários
Postar um comentário