Vida Extraterrestre na Universidade – Parte 1
Olá leitor!
Segue abaixo o primeiro artigo de uma série de artigos postados
dia (05/07) no site da “Universidade de São Paulo (USP)” dando destaque a vida
extraterrestre. Vale a pena conferir os artigos dessa série que continuarei postando nos
próximos dias.
Duda Falcão
Especiais
Vida extraterrestre na Universidade –
Entre o Possível e
o Imaginável
Luiza Caires
USP Online
05/07/2013
Ilustração:
Alessandra Miranda
Falar em algo que
ainda figura no terreno do hipotético não é exatamente uma heresia no meio
científico. A ciência se assenta justamente na formulação e verificação de hipóteses.
Mas se as ciências biológicas e
as exatas lidam com a vida alienígena como uma hipótese ainda não comprovada, e
cuja pesquisa de baseia principalmente na busca por indícios, algumas vertentes
das ciências humanas tratam os óvnis e seres extraterrestres como uma ‘realidade’.
Isso porque, com existência objetiva
ou não, tais entidades fazem parte e influenciam na cultura, assim como na
psique de quem alega avistá-los e de quem ouve tais histórias.
São, assim, um tema de pesquisa
impossível de ignorar.
Embora nem sempre vista com bons
olhos por todos os acadêmicos, felizmente há cada vez menos preconceito em
relação à pesquisa que envolve este tema, seja do ponto de vista das humanas –
ou das chamadas ciências duras, como a química, a física e a biologia.
Esta série de
reportagens conta um pouco do que se anda pesquisando a respeito nas universidades,
especialmente na USP. Se há vida – inteligente ou não – fora do planeta, ainda
não podemos dizer. Mas no mínimo podemos ter certeza que está ai um assunto
riquíssimo para a vida inteligente terráquea estudar.
Quatro Milênios Pensando na Vida Lá Fora
Luiza Caires
Colaborou: Gabriela Malta
Félix
30/06/2013
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
No dia 15 de fevereiro deste ano, um enorme meteoro
explodiu a 24 quilômetros de altura sobre a cidade russa de Chelyabinsk. Foi
uma surpresa total para a comunidade científica, que aguardava para o mesmo dia
a aproximação máxima com a Terra do asteróide 2012DA14, apenas 27 mil
quilômetros acima de Sumatra – na verdade a maior aproximação de um
asteróide já registrada. E os dois eventos não eram relacionados. Uma
coincidência cósmica! O asteróide tinha um diâmetro de 30 metros e uma massa de
40 mil toneladas. Já o meteoro era bem menor – 11 mil toneladas e um diâmetro
de 18 metros. Mesmo assim, a energia de sua explosão foi imensa: 440 ktons.
Mas o que tudo isso tem a ver com vida extraterrestre?
“Estes fatos têm importância para a astrobiologia, que estuda, entre outras
coisas, o impacto dos eventos cósmicos sobre a vida terrestre”, explica Amâncio César Santos Friaça. Professor
do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP,
Friaça tem a astrobiologia entre suas áreas de pesquisa – e foi convidado pelo
Centro Interunidade de História da Ciência (CHC) a falar sobre a história do
pensamento relacionado à vida alienígena.
“Eventos
catastróficos interagem com a Terra e a evolução da vida no planeta. Isso pode
representar tanto processos de extinção, quanto transporte de material de um
planeta para outro”, completa o pesquisador.
De acordo
com o professor, a ideia de destruição recorrente é algo desagradável ao
pensamento ocidental desde que adotamos a visão gradualista das coisas, e por
muito tempo ficou restrita aos escritores de ficção científica. Até que, em
1980, o físico estadunidense Luis Alvarez e seu filho, Walter Alvarez, propõem
a hipótese de que a destruição dos dinossauros tenha sido causada pela queda de
um asteróide. Desde então, passou-se a reconhecer a importância de eventos de
extinção globais para a evolução da vida na Terra. “O que antes era ficção
científica se tornou ciência”, diz.
Panspermia
A panspermia
é uma teoria sobre a difusão da vida por toda a parte, e foi sugerida por
Anaxógoras (500 – 428 aC). “Ele propôs uma cosmografia em que o Sol seria uma
bola de fogo. E que haveriam sementes de vida transmitidas de uma parte a outra
do corpo. Tal proposta foi incorporada posteriormente por Arrhenius, Prêmio
Nobel de química. Segundo este cientista, existe o transporte de material de
uma parte a outra do Universo, e o germes seriam impulsionados pela luz.
Friaça conta
que a hipótese ganhou uma forma propagandística em 1996, com o anúncio feito
pela NASA da descoberta de supostos microfósseis de organismos no cometa
ALH84001. “Muitas críticas foram feitas porque se tratava apenas de uma
semelhança morfológica superficial. Foi uma informação precipitada”, avalia.
Mais
recentemente, o âmbito da panspermia aumentou. Os meios de transporte, além de
meteoritos, podem ser cometas e até poeira interplanetária. “Ao invés de termos
uma forma de vida, poderíamos simplesmente ter moléculas biogênicas”, comenta.
Experimentos
têm tentado descobrir quais formas de vida seriam capazes de sobreviver no
espaço e à entrada na Terra. Cianobactérias não resistiram à reentrada na
Terra, mas vários outros microorganismos sobreviveram no espaço por longos
períodos.
Era clássica
Segundo o
filósofo Epicuro, a vida deve estar presente em todas as partes do universo. A
sua “Carta para Heródoto” diz que, se existem sementes para a vida na Terra,
não há por que não existirem em outros lugares.
Aceitando a
universalidade da vida, obras de outros autores clássicos se aproximam da
ficção científica. Luciano de Samósata (125 – 180 dC – data incerta) escreveu,
em “História Verdadeira”, a história de uma expedição em que um navio vai parar
na Lua. Lá, descobre-se que existe uma guerra cósmica entre o Império do Sol e
o Império da Lua por causa da colonização de Vênus. “É uma obra satírica, que
traz elementos que são encontrados na ficção científica: viagens espaciais,
encontros com alienígenas, colonização de planetas e desejo pela exploração do
universo”, afirma o professor.
Em o “O Sonho de Cipião” (54-51 aC, parte de “A
República”), de Cícero (106 – 43 aC) o avô adotivo do Cipião, o Jovem,
aparece-lhe em um sonho e o leva para uma viagem extraterrestre. O avô adverte
que a Terra, comparada com as outras esferas, é diminuta, e vai destruindo
qualquer vaidade que o neto poderia ter. A obra exibe uma noção de imensidão do
Universo, que foi transmitida para a Idade Média.
Ilustração: Alessandra Miranda
O Outro Cósmico
Em 1543, com
a publicação da obra magna de Copérnico, “Da Revolução dos Orbes Celestes”,
acontece a planetarização da Terra. No sistema heliocêntrico, a Terra é vista
como um planeta. Assim, os planetas podem ser “outras Terras”. Inaugura-se a
revolução copernicana, a mãe de todas as revoluções, como celebra 420 anos
depois o “Da Revolução” de Hannah Arendt. O “Da Revolução” copernicano dá
origem ao otimismo cósmico e surge uma série de obras que visitam planetas
habitados: “Somnium”, de Kepler, e “L’Autre Monde”, de Cyrano de Bergerac,
entre outras.
Desde essa
época questiona-se sobre quem seria o outro cósmico. “Nós estamos acostumados
com a ideia de uma superinteligência, mas também há visões satíricas. Pode-se
imaginar um outro cósmico absolutamente estúpido. Um ser longevo e senil que
fica parado e não pensa. O outro cósmico pode ir do anjo cósmico ao predador
high-tech. Todas as possibilidades estão presentes”, diz Friaça.
Guerra Fria
No século
XX, o questionamento que surge é ‘onde está todo mundo?’. A ideia de Império
contra Império em um nível cósmico é muito anterior à Guerra Fria, mas é nesse
período em que a noção ganha apelo popular. Enquanto isso, na ciência, a ideia
de vida extraterrestre passa a ser vista com ceticismo.
Em 1950, no
auge dos relatos de avistamento de discos voadores, surge o Paradoxo de Fermi.
O físico italiano calcula qual a dificuldade que a vida extraterrestre, se
existisse, teria para entrar em contato com vida em outros lugares. “A escala
de tempo típica em astronomia e astrobiologia é o bilhão de anos. Então, a
possibilidade de você estar em uma janela de comunicação é extremamente
restrita”, explica.
Em relação à
localização dessas inteligências, o professor cita a “hipótese do zoológico”.
Segundo essa teoria nós estaríamos vivendo em um zoológico preservado.
“Parece um
termo meio estúpido, mas é possível fazer contas a respeito disso, ou seja, é possível
verificar a possibilidade disso ser verdade. É por isso que ultimamente a
exploração da vida extraterrestre se deslocou da procura por inteligência para
ideias bem mais modestas”, diz.
“Os Humildes
Herdarão o Universo”: Extremófilos
O
extremófilo arquetípico é o Deinococcus radiodurans, que primeiro foi
notado como um limo crescendo no interior de reatores nucleares. É uma bactéria
que consegue sobreviver em ambientes onde outras formas de vida morrem. “Essa
capacidade é essencial quando consideramos os processos envolvidos na
panspermia”, ressalta o pesquisador. Algumas bactérias, por exemplo, podem
ficar dormentes entre 20 e 40 milhões de anos. Entram no estado desidratado e
depois voltam à vida. “A busca pela vida extraterrestre agora se concentra
nessas pequenas criaturas”, afirma.
Há também a
possibilidade de que exista uma biosfera paralela à nossa. Basta que haja uma
biosfera paralela com uma bioquímica distinta da nossa forma de vida para que
não seja mais possível reconhecê-la. “Aí vem a sombra da ficção científica, que
traz a ideia de que o alien não está lá fora, mas dentro de nós. E que
os nossos testes para identificar a vida não conseguem identificar essas
formas”. Um outro modo de estudar a vida extraterrestre, segundo o pesquisador,
poderia ser reconhecer “as visitas que ela já nos fez e poderia estar nos
fazendo agora”, conclui.
Fonte: Site da Universidade de São Paulo (USP)
Comentário: Bom, essa série de artigos seguirá nos próximos
dias.



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