Na ICRANet, Brasil Amplia Formação de Douts. em Astrofísica
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria postada dia (07/07) no “Portal
TERRA” destacando que com a eleição do pesquisador do INPE, João Braga, para
presidente do comitê científico da “International Center for Relativistic
Astrophysics Network (ICRANet)”, o Brasil ampliará a formação de novos doutores
em Astrofísica.
Duda Falcão
ESPAÇO
Na ICRANet, Brasil Amplia Formação
de Doutores em
Astrofísica
João Braga, do INPE, foi eleito presidente do comitê
científico da rede de cooperação entre pesquisadores
GHX Comunicação
07 de Julho de 2013 - 10h02
Foto: INPE /
Divulgação
![]() |
O físico João Braga, pesquisador do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), foi eleito em junho presidente do comitê científico
da International Center for Relativistic Astrophysics Network (ICRANet), rede
de cooperação mundial entre universidades e grupos de pesquisa em Astrofísica,
com sede em Pescara, na Itália.
Além do reconhecimento ao papel de Braga na entidade e da
representatividade da pesquisa brasileira no cenário mundial, a sua escolha -
de forma unânime pelos membros do comitê - aproxima o País e seus cientistas
das oportunidades de qualificação na área. Uma de suas principais atividades da
ICRANet é a coordenação de um programa internacional de doutorado em
Astrofísica Relativística (International Relativistic Astrophysics PhD Program -
IRAP), um pós-graduação que integra a relação de cursos oferecidos pela Agência
de Educação da União Europeia, por meio do programa Erasmus Mundus.
Embora já acessível aos pesquisadores brasileiros, o
programa deverá ter novidades na gestão de Braga, em razão de um acordo
anteriormente firmado entre ICRANet e INPE. As vagas são oferecidas anualmente
e, após seleção de alunos, o doutorado se inicia em uma das instituições que
integram o consórcio, como as universidades de Estocolmo, de Michigan e de
Roma.
Com os acordos recentes, as aulas poderão ser realizadas
no Brasil: no INPE, em São José dos Campos (SP), ou no Centro Brasileiro de
Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro. Além disso, a iniciativa
possibilitará o intercâmbio com pesquisadores de todo o mundo. Conforme Braga,
quando o curso estiver operacional no país, também será possível supervisionar
teses.
Com duração de três anos, o programa é realizado no
formato presencial em um dos centros da rede. Uma vez por ano, ocorre um
encontro com a participação de todos os doutorandos em uma das instituições
cooperadas, momento em que ocorre uma capacitação especial.
Aproximação
A eleição de Braga consolida a aproximação da ICRANet com
o Brasil. Em 2010, o físico tornou-se membro do comitê científico por indicação
do governo brasileiro e, mais recentemente, foi fundamental para a inclusão do INPE
na rede de cooperação. Seu mandato vai até 2013 e pode ser renovado a critério
dos membros do conselho.
Braga assume o cargo que era ocupado por Riccardo Giacconi,
italiano que, em 2002, foi premiado com o Nobel de Física. Seu nome foi
sugerido pelo diretor geral da rede, Remo Ruffini, que alegou que o Brasil tem
sido um membro ativo, contribuindo muito com as iniciativas do centro. A função
do brasileiro é acompanhar e avaliar os resultados científicos. Anualmente, ele
preside a reunião do comitê, direcionando as discussões sobre os rumos da rede
e suas prioridades.
Como centro de pesquisas, a ICRANet possui uma equipe
permanente de pesquisadores na Itália. Uma das principais linhas de pesquisa
aborda as explosões cósmicas de raios gama. “Ainda existem muitas dúvidas do
que as produz”, afirma. Membros da rede discutem e propõem teorias alternativas
àquela predominante na literatura. A teoria mais próxima do consenso, segundo
Braga, é de que sejam estrelas de grande massa, que evoluem rápido e, ao
término de seu combustível, implodem e formam um buraco negro.
Concomitantemente, haveria uma grande explosão que se manifestaria,
principalmente, em raios gama, uma radiação eletromagnética de altíssima
frequência.
Outros estudos do centro estão relacionados à
relatividade geral em seus vários aspectos. Há pesquisas sobre buracos negros e
explosões de supernovas (estrelas de duração limitada). Os resultados são
publicados em jornais como o Astrophysical Journal e o Physical Review. Hoje
atuando como um centro estritamente teórico, a ICRANet terá seu escopo
ampliado. Braga informa que a ideia é trabalhar com análise de dados e dar
suporte a iniciativas experimentais.
Sede Brasileira
A ICRANet ganhará uma sede no Brasil, provisoriamente
instalada em um conjunto de salas do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
(CBPF), no Rio. A oficialização deve ocorrer durante cerimônia na sede da
embaixada brasileira em Roma. O sonho de Braga, contudo, é instalá-la em um
local de importante contexto histórico para a astrofísica: o antigo Cassino da
Urca, tradicional bairro carioca.
De acordo com Braga, ali foi batizada a ação que permitiu
entender o colapso de estrelas supernovas: o Processo Urca. Sua construção se
deu em parceria do cosmologista soviético George Gamow com o físico brasileiro
Mário Schenberg. Eles estudavam a geração de energias no interior das estrelas
e, certa noite, visitaram o Cassino da Urca.
Conta Braga que a esposa de Gamov jogava na roleta com
empolgação e que, a todo momento, interrompia a conversa entre os cientistas
para pedir mais dinheiro. Num rápido raciocínio, o soviético estabeleceu uma
analogia: a velocidade com que seu dinheiro era gasto no cassino assemelhava-se
à da perda de energia no centro das estrelas supernova. "Uma das razões
mais emocionais de colocar a sede de um centro de astrofísica no cassino da
Urca é essa curiosidade sobre a origem do processo", revela Braga.
A pretensão, no entanto, depende de um acordo com a
associação de moradores local (que vetaria atividades de grande fluxo de
pessoas em razão das características do bairro, entre o mar e a montanha) e com
um instituto de design de Milão, que teria um acordo para utilizar ao menos
parte do prédio onde funcionou o cassino.
Fonte: Portal Terra -07/07/2013 - http://noticias.terra.com.br/

Comentários
Postar um comentário