Vida Extraterrestre na Universidade – Parte 2
Olá leitor!
Segue abaixo o segundo artigo de uma série de artigos
postados dia (30/06) no site da “Universidade de São Paulo (USP)” dando
destaque a vida extraterrestre. Vale a pena conferir os artigos dessa série que
continuarei postado nos próximos dias. (veja a primeira parte clicando aqui)
Duda Falcão
Especiais
Astrobiologia, nas Fronteiras do
Conhecimento e do Universo
Luiza Caires
USP Online
30/07/2013
Foto: Wikimedia Commons
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| Galáxias Antennae |
Em muitos
aspectos, o químico Fabio Rodrigues corresponde ao que imaginamos de um típico
cientista: trabalho árduo, fascinação pelo conhecimento, e uma boa dose de
prudência cética.
Mas duas
coisas – além, é claro, da carreira promissora – o destacam em meio a outros
pesquisadores. Uma delas é o tema que investiga: astrobiologia, área ainda
relativamente nova no país. A outra é a vontade de popularizar o conhecimento –
para nossa sorte, já que é o que vai nos ajudar a entender do que se trata seu
incomum objeto de pesquisa.
A
astrobiologia, explica o pós-doutorando do Instituto de Química (IQ) da USP,
tem como objetivo entender origem, evolução, distribuição e futuro da vida na
Terra e, eventualmente, fora dela. Estas são perguntas já bem antigas, mas que
pedem uma abordagem multidisciplinar – o que faz da astrobiologia muito mais um
“novo enfoque de antigos temas” do que propriamente uma nova disciplina. E é
por isso que entre a comunidade de astrobiólogos encontramos físicos, químicos,
biólogos, astrônomos, geólogos, cientistas planetários e, inclusive, filósofos.
Pesquisador
do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) em Astrobiologia, Fabio conta um pouco das
origens deste novo enfoque, explicando que, no século XX, os avanços na
microbiologia ajudaram a delimitar melhor os limites da vida. “Não era mais
preciso ver num local um cachorro ou uma planta, por exemplo, para dizer que lá
havia vida, e em locais considerados impossíveis de ter vida, descobriu-se
haver uma interessante diversidade microbiana”, diz.
Durante o
avanço espacial, muitas missões foram lançadas, sobretudo a Marte, que era um
planeta próximo à Terra e considerado passível de abrigar vida. Paralelamente,
o desenvolvimento da medicina espacial se deu no sentido de conhecer os efeitos
dos ambientes localizados fora da Terra no ser humano. “A NASA concluiu que era
necessária a investigação do efeito de ambientes espaciais em organismos vivos,
e incluiu nessa tarefa a busca por vida extraterrestre, tanto para efeitos de
proteção da Terra quanto para evitar a contaminação cruzada”, conta o
astrobiólogo.
É aí que,
para se diferenciar da biologia convencional, nasce a exobiologia, que mais
tarde se desenvolveria como astrobiologia. “Para alguns autores, a vida não só
é possível fora da Terra, como é um ‘imperativo cósmico’. A química, a física,
a geologia, entre outros, é universal. Não haveria, então, razões para a
biologia também não ser”, justifica.
Desde o último século, diversos cientistas têm dado cada
vez mais credibilidade ao tema da vida extraterrestre, entre os quais se
destacam J. Carl Gauss, Nikola Tesla, Svante Arrhenius, Erwin Schröredinger, e
EnricoFermi. Somado a isso, enraizamento desse tema na cultura popular motiva
as buscas e o investimento.
Foto: Divulgação
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| Observatório W. M. Keck no Havaí |
O que? Onde?
Para encontrar algo, primeiro é preciso definir o que se
está procurando. O que à primeira vista parece uma afirmação óbvia, não é tão
simples assim. Primeiro porque não existe um conceito fechado para determinar o
que é vida. “O único consenso é a respeito do que a vida como a conhecemos
precisa para se desenvolver na Terra: os elementos básicos, as fontes de
energia, e como funciona o metabolismo dos seres vivos aqui”, explica o
cientista. Assim, se outras formas de vida forem muito diferentes da que
conhecemos na Terra, podemos nem conseguir identificá-las.
Parte-se então para as próximas perguntas: quais corpos
celestes podem abrigar vida? E como encontrar um deles com condições de
abrigá-la? Para respondê-las, criou-se o conceito de zona de habitabilidade,
região ao redor de uma estrela com condições para a vida se desenvolver – ou
seja, cuja temperatura permita a existência de água líquida. “Não é um conceito
absoluto, mas serve para nortear as buscas por vida, sobretudo fora do Sistema
Solar”, ressalva Fabio. Em nosso sistema, pode-se dizer que o planeta Marte e a
lua Europa são dois fortes candidatos a serem ou terem sido habitados no
passado.
Bioassinaturas
Foto: Wikimedia Commons
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| Veículo explorador em Marte |
Particularmente
em seus estudos, Fabio tem procurado entender a resposta metabólica de
diferentes seres vivos a diferentes condições ambientais. Os principais microrganismos
utilizados como modelo são os extremófilos, aqueles que sobrevivem a ambientes
extremos da Terra.
“As
condições de outros planetas ou luas não são tão amenas quanto as da Terra,
então precisamos entender as estratégias de sobrevivência destes extremófilos,
para transpor à vida fora da Terra.”, explica. A ideia é relacionar as
características da vida em locais como o deserto do Atacama com Marte, ou a as
profundidades das fossas oceânicas com os prováveis mares existentes em Europa.
“Sabendo como a vida responde na Terra, podemos procurar possíveis moléculas de
origem biológica, as bioassinaturas”. Estas podem ser detectadas remotamente ou
por meio de sondas enviadas aos ambientes, como a Curiosity, atualmente
estudando a superfície marciana.
A identificação
pode ser realizada com o uso da espectroscopia, método que se baseia na
interação da luz com uma amostra de material. Como diferentes faixas de energia
causam diferentes efeitos nos átomos e moléculas, há um grande números de
técnicas que podem ser usadas para se obter informações a respeito de uma
estrela ou de um planeta. E assim, de buscar sinais de planetas habitáveis,
entendendo sua geologia e procurando as bioassinaturas.
Fonte: Site da Universidade de São Paulo (USP)
Comentário: Bom, essa série de artigos seguira nos
próximos dias.



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