Foguetes de Sondagem do Brasil Voam Alto na Europa

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na Revista Espaço Brasileiro (Jan – Jun de 2013), destacando que foguetes de sondagem brasileiros estão voando alto na Europa.

Duda Falcão

IAE

Foguetes de Sondagem do Brasil
Voam Alto na Europa

Os veículos são essenciais para os estudos em ambiente
de microgravidade e para pesquisas científicas em alta
atmosfera, de ionosfera e de reentrada

Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Veículos suborbitais das famílias Sonda e VS

O Brasil, graças ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e à industria nacional, produziu um conjunto de veículos suborbitais, incluindo a série SONDA e a série VS. Esse foguete proporcionaram a realização de inúmeros experimentos científicos e tecnológicos por universidades e centros de pesquisa brasileiros e têm atraído a atenção de usuários estrangeiros interessados na utilização do ambiente de microgravidade, proporcionado pelos voos suborbitais, para suas pesquisas. Além de servirem aos estudos em ambiente de microgravidade, os foguetes de sondagem são utilizados em pesquisas científicas em alta atmosfera, de ionosfera e de reentrada.

O sucesso dos veículos suborbitais brasileiros pode ser atestado pela utilização dos VS-30, VSB-30 e VS40 pelo Programa Espacial Europeu. Esses foguetes já voaram na Europa, a partir dos Centros de Lançamento de Esrange (Kiruna, Suécia) e de Andoya (Andenes, Noruega), transportando cargas de grande valor científico. O êxito foi alcançado após o processo de certificação do VSB-30 perante à Agência Espacial Europeia (ESA), em 2005, ao Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), em 2009, que atendeu às exigências de desempenho e de segurança. Outro fator relevante é o índice de sucesso de 100% em 14 lançamentos.

As principais características que distinguem os foguetes de sondagem de outros veículos de acesso ao espaço são: baixo custo de desenvolvimento, simplicidade de lançamento, rapidez no cumprimento da missão, reutilização de foguete com recuperação do experimento e flexibilidade do local do lançamento.

Por essa razão, esses veículos servem à grande diversidade de aplicações, além de propiciar um ambiente de microgravidade por vários minutos, o que proporciona oportunidades de pesquisa em uma grande variedade de disciplinas, como ciência dos materiais, física dos fluídos, biologia, astronomia, geofísica, ciências atmosféricas, entre outras. Estima-se que os Programas de Foguetes de Sondagem da Agência Espacial Americana (NASA) e de Microgravidade da ESA realizem mais de 50 lançamentos de veículos suborbitais por ano, apoiando investigações científicas e tecnológicas. Quantidade equivalente de missões é conduzida pelos demais países, incluindo o Brasil.

No Brasil, os foguetes da família Sonda serviram como plataforma de teste de tecnologias utilizadas em veículos lançadores, como sistema de controle de atitude nos três eixos, ensaio de propulsores em ambiente de vácuo e qualificação de componentes e sistemas completos em voo. Os veículos da família VS surgiram a partir do interesse do IAE em disponibilizar seu uso para experimentos de microgravidade, além de continuar testando novas tecnologias.

VS-30

VS-40 - Shefex-II
Desde 1999, foram lançados oito foguetes VS-30, transportando experimentos brasileiros e alemães. Foram realizados três voos a partir do Centro de Lançamento de Andoya (Noruega), três do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Maranhão, e dois lançamentos do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. O último realizou-se a partir do CLBI durante a “Operação Brasil-Alemanha”, em 2011, com carga útil do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Dessas operações, duas atenderam ao Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).

VS-40

O desenvolvimento do VS-40 teve início na década de 90, para testar e qualificar em voo (ambiente de vácuo) o propulsor do quarto estágio do VLS-1.  No entanto, devido ao seu expressivo desempenho, tempo de voo em ambiente de microgravidade e grande capacidade de carga útil, estudos demonstraram que ele seria promissor na condução de experimentos de grande volume e massa ao espaço. Até o momento, foram realizados três lançamentos, sendo o último em proveito do experimento europeu Sharp Edge Flight Experimet (Shefex) em junho de 2012. O Objetivo do Centro Espacial Alemão (DLR na sigla em inglês) com o experimento Shefex II foi testar tecnologias (matérias, controle, aerodinâmica, entre outros) a serem utilizadas em futuras cápsulas espaciais para reentrada atmosférica.

VSB-30

VSB-30 - Texus 49
O VSB-30 foi desenvolvido com a Alemanha para transportar plataformas de microgravidade dos programas Technology Experiments Under Microgravity (TEXUS). O veículo serviu também para levar experimentos da Suécia e do Brasil. Seu uso está previsto para missões brasileiras da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM) e, ainda em 2013, do Hypersonic  International Flight Research Experimentation Program, projeto conjunto dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão.

Os foguetes brasileiros VSB-30 dentro do Programa TEXUS levaram ao espaço desde experimentos para estudo das propriedades termofísicas de ligas metálicas de interesse da indústria aeronáutica até experimentos médicos/biológicos que investigam o sistema imunológico humano em microgravidade. Diversos experimento suecos e alemães foram recentemente transportados por um VSB-30. Com intuito de testar novas tecnologias do projeto Cryogenic Upper Stage Technologies (CUST), da Agência Espacial Europeia (ESA), experimentos foram instalados na plataforma TEXUS para investigar soluções tecnológicas que serão empregadas no veículo sucessor do europeu Ariane 5.

VS-30/Orion

A cooperação Brasil-Alemanha possibilitou também que foguetes VS-30/Orion fossem lançados do Brasil e da Europa. O VS-30/Orion é um foguete cujo primeiro estágio é um motor brasileiro S30. O segundo é um foguete americano denominado Orion e fornecido pelo DLR.

No voo mais recente, a partir do CLA, foram embarcados experimentos para “Estudos da Ionosfera e Alta Atmosfera com Experimentos Embarcados a Bordo de Foguetes e Satélites” (INPE), para o desenvolvimento de sistema GPS para uso espacial (UFRN). Outros dois também foram acoplados a essa carga útil: um eletrônico e outro mecânico. Desenvolvidos pelo IAE, servirão para auxiliar no desenvolvimento de sistemas de segurança utilizados em veículos aeroespaciais.

VS-30/Orion – Operação Iguaíba (CLA)

Há grande perspectiva de que foguetes brasileiros sejam cada vez mais empregados nessas missões , em razão da crescente demanda por veículos suborbitais. Atualmente, essa demanda é de 100 lançamentos por ano, para cargas úteis (experimentos científicos e tecnológicos) na faixa de 50 a 200 kg de massa e em altitudes de mais de 100 km, considerando somente aplicações civis.

VS-30 - Operação Iguaíba


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 15 - Jan a Jun de 2013 - págs. 20 e 21

Comentário: Pois é leitor, é inegável o sucesso internacional de nossos foguetes de sondagem, e esse sucesso deverá se ampliar nos próximos anos sem dúvida nenhuma. O próximo lançamento da Europa de um foguete brasileiro será o de um VS-30, com a carga útil alemã Mapheus-4, que deverá acontecer até o final desse mês de julho. Entretanto, mais cinco outras cargas úteis deverão ser lançadas da Europa ainda esse ano, tendo como veículos lançadores os foguetes brasileiros. São elas: TEXUS-51 (VSB-30), HIFIRE-7 (VSB-30), Scramspace-I (VS-30/Orion), ICI-4 (VS-30/Orion), Cryofenix (VSB-30). Vale lembrar que duas cargas úteis já foram lançadas com sucesso este ano da Europa com foguetes brasileiros. Foram elas: TEXUS 50 (VSB-30) e WADIS-1 (VS-30), totalizando 8 missões no ano de 2013, representando assim verdadeiramente um grande sucesso internacional da nossa tecnologia de foguetes de sondagem desenvolvida no nosso valoroso Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Comentários

  1. Só tenho uma pergunta. Porque os experimentos (não ligados diretamente ao setor espacial) precisam do ambiente de microgravidade? Em quê a falta de gravidade ajuda?

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    1. Essa é um boa pergunta Israel, mas eu não tenho uma resposta para você. Entretanto, vamos aguardar para vê se alguém entre nossos leitores responde a sua pergunta.

      Abs

      Duda Falcão
      (blog Brazilian Space)

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    2. Fazendo uma analogia (talvez incorreta, não sei), os astronautas quando estão no espaço perdem densidade óssea mais rapidamente pelo fato de não estarem sujeitos a uma gravidade tão forte quanto na superfície terrestre. Essa perda de densidade óssea ajuda a estudar a osteoporose. Creio que a microgravidade funciona como um "catalisador" em experiências científicas feitas em foguetes de sondagem, assim como nas feitas na ISS.

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    3. Alguns fenômenos, como por exemplo o crescimento de cristais, ocorrem com mais precisão e perfeição na ausência de forças, incluindo aí a força gravitacional.

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    4. O autor, no terceiro parágrafo, cometeu um grave erro ao falar em reutilização do foguete. Recuperação e reutilização da carga útil, tudo bem; mas desconheço que algum motor-foguete brasileiro seja reutilizado.

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    5. Valeu Hugo.

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    6. Olá Anônimo!

      Também achei estranho essa afirmação do autor do artigo, mas enfim...

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Obrigado pela explicação também Anônimo. Paz!

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  3. porque os lançamentos são na Europa e não no Brasil? Será que nós não temos estrutura para isso?

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