No Espaço, Brasil Fica à Mercê do Espião

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada ontem (13/07) no site do jornal “O Globo” destacando que no espaço o Brasil fica á mercê da espionagem mesmo tendo o país investido na última década R$ 1,5 milhão para ter seus próprios foguetes e satélites, sem contudo ter uma missão que chegasse ao seu fim.

Duda Falcão

MUNDO - ESPIONAGEM

No Espaço, Brasil Fica à Mercê do Espião

País investiu R$ 1,5 bilhão para ter próprios foguetes
e satélites, mas nenhuma missão chegou ao fim

Roberto Maltchik
Publicado: 13/07/13 - 21h12
Atualizado: 13/07/13 - 22h03

Divulgação/IAE/DCTA
Três décadas de atraso VLS-1, no Centro de Lançamento de Alcântara.
Missão começou em 1979, porém ainda não houve lançamento bem
sucedido Divulgação Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)/DCTA.


RIO - O Brasil não apenas tem ferramentas insuficientes para conter ações de espionagem operadas por satélites como está muito longe de conhecer os meios pelos quais informações estratégicas são capturadas pelos Estados Unidos ou por qualquer outra nação. Todas as missões de tecnologia de ponta “made in Brazil” para captar do espaço dados e imagens na Terra estão pelo caminho ou convivem com atrasos simbólicos de um programa que se notabiliza pela falta de planejamento de longo prazo.

Levantamento inédito feito pelo GLOBO permite afirmar que as cinco principais operações lançadas na última década para construir satélites ou foguetes — única fórmula para o teste completo de uma nova tecnologia no setor aeroespacial — já receberam R$ 1,5 bilhão. Porém, nenhuma missão foi concluída até hoje, o que torna o país incapaz de fabricar equipamentos que, ao menos, identificariam a localização do espião.

Como resultado, além da obsolescência de componentes e desperdício de tempo e dinheiro, o país é refém de quem o espiona para monitorar o que ocorre em território nacional. Pior: depende da boa vontade — ou não — de outros países para dar seguimento aos principais projetos neste setor, cuja marca é o rigor técnico e o controle de falhas.

Defeito Difícil de Justificar

Foi exatamente a falta de competência técnica que levou o Brasil a comprar dos americanos uma espécie de transformador que regula a energia de um satélite que deveria ter sido lançado no ano passado. Trata-se do satélite Cbers 3, o quarto de uma família de cinco equipamentos produzidos em cooperação com a China para o registro de dados e imagens da Terra.

Ocorre que este “transformador de energia” apresentou sérios defeitos. O lançamento está atrasado em pelo menos um ano. E fonte graduada do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) afirma: a compra do equipamento talvez “não tenha sido a melhor escolha” e “é difícil encontrar justificativa” para a quantidade de defeitos identificada nesse componente vital.

Curiosamente, o Brasil lançou há pouco menos de dez anos um projeto chamado de Plataforma Multimissão (PMM), cujo objetivo é exatamente o desenvolvimento do componente de suprimento de energia. Mas a missão da PMM ainda repousa em solo, dentro do INPE.

O nó tecnológico se repete em sistemas ainda mais sensíveis, como a correção do rumo de uma câmera de vídeo a bordo de um satélite, que depende de um dispositivo para controle de atitude e órbita. Este mecanismo permite que o “dono do satélite” mude a rota de sua abordagem. Um sistema como esse, por exemplo, fez com que, na Guerra das Malvinas, os americanos mudassem o curso de um satélite e suspendessem o serviço de dados meteorológicos para o Brasil durante alguns dias. Só este ano o Brasil testará seu componente.

O ministro da Ciência e Tecnologia admite, sem rodeios, que o Brasil enfrentou graves dificuldades — seja por pressão externa ou por desorganização interna — para fazer engrenar o programa. E afirma que o país demorou muito a compreender que cabe à iniciativa privada, induzida pelo Estado, tocar os projetos que incorporam novas tecnologias.

— A marca do Programa Espacial Brasileiro é o atraso, não só na área de lançadores (foguetes) como de satélites. O CBERS está atrasado. Outros projetos estão atrasados. A minha opinião é que nós não temos um sistema eficaz de operacionalizar esse processo. Trata-se de repartições públicas de administração direta. O input de recursos é falho. Você não entrega os recursos na hora em que são necessários — afirmou ao GLOBO o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp.

Oportunidade Única Perdida

Enquanto o Brasil patinou, China, Índia e Coreia do Sul fizeram seu dever de casa e usaram o que os técnicos chamam de “janela de oportunidade”, criada com o fim da Guerra Fria, para se aproximar minimamente dos grandes detentores de tecnologia espacial: EUA, Rússia, França e Japão.

Como ilustração, não há exemplo melhor do que o antigo projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS), cuja marca é um incêndio sem explicação determinada que matou 21 especialistas no Centro de Lançamento de Alcântara, há dez anos.

O projeto foi aprovado em 1979, como parte de um ambicioso plano para que o Brasil ingressasse no seleto grupo de países que dominam a tecnologia de uso do espaço para fins pacíficos. O VLS daria ao Brasil o conhecimento necessário para posicionar equipamentos no espaço, a chamada tecnologia de controle de órbita. Sem isso, não há voo espacial para pôr satélites em funcionamento.

Porém, passados 34 anos, o Brasil já aplicou cerca de R$ 350 milhões no VLS e ainda não domina essa tecnologia. O orçamento claudicou e equipamentos deixaram de ser comprados ou ficaram obsoletos a ponto de perder a garantia operacional. O projeto passou a respirar por aparelhos.

— Considerando-se a pressão do mercado externo e a busca por resultados efetivos, é cada vez mais difícil a manutenção do projeto com recursos esparsos, os quais causam constantes atrasos e até retrocesso no desenvolvimento do veículo — admitiu o gerente do VLS-1 no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), coronel Alberto Walter da Silva Melo Júnior.

O cronograma indica que o VLS será acionado entre 2015 e 2016. Para tanto, será preciso planejamento contínuo. Caso contrário, o atraso continuará sendo a única certeza constante.


Fonte: Site do Jornal O GLOBO – 13/07/2013 - http://oglobo.globo.com/

Comentário: Bom leitor, eu li com atenção esse artigo enviado ao blog pelo jovem Eng. Eduardo Jourdan, ao qual eu agradeço, e em minha opinião o senhor Roberto Maltchik só pode ter sido orientado por pessoas tendenciosas que tentam esconder a verdade ou então a mesma é fruto de matéria paga visando transferir responsabilidades. Entretanto se o senhor Roberto foi enganado por essa gente, como jornalista o mesmo deveria ter desconfiômetro e pesquisar melhor. Primeiramente senhor Roberto o Programa Espacial Brasileiro é um programa governamental e como tal para que funcione depende que o Governo (leia-se Presidência da República, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e o Congresso) estejam tão antenados e comprometidos com os seus objetivos quantos os órgãos gestores, planejadores e executores do programa (leia-se MCTI, MD, COMAER, DCTA, IAE, IEAv, INPE) coisa que desde o governo COLLOR de MELLO não acontece, chegando atualmente a uma situação insustentável. Planejamento Sr. Roberto sempre foi realizado pelos órgãos do governo desde mesmo antes dos governos civis, entretanto nunca foram cumpridos adequadamente porque as dificuldades impostas ao setor são quase que intransponíveis e não se limitam ao orçamento baixo e descontínuo imposto pode sucessivos governos, mas também a uma lei estúpida e inadequada ao setor de ciência e tecnologia, a falta de interesse do próprio governo e com isso a falta de cobrança por resultados (lembre-se Sr. Roberto, Programa Espacial não tem apelo popular e consequentemente na gera voto), a falta de responsabilidade com o quadro de pesquisadores, técnicos e cientistas no que diz respeito a baixos salários e falta de reposição do quadro de servidores que com o passar do anos um programa espacial exige, entre outros problemas, e ai sim, se inclui alguns erros cometidos que poderiam ser evitados em minha opinião, como no caso do satélite CBERS-3. Entretanto Sr. Roberto, daí insinuar que a responsabilidade pelo fracasso do programa ter sido dos técnicos, pesquisadores e cientistas é de uma covardia indescritível e só pode ter como origem uma pessoa ou um grupo de pessoas que certamente não tomaram em suas infâncias uma boa sova. Além do mais Sr. Roberto se o senhor tivesse pesquisado melhor descobriria que R$ 1,5 milhão em 10 anos é um investimento ridículo quando se fala em programa espacial, principalmente se levarmos em conta os objetivos previstos em nosso PEB. Somente a Índia Sr. Roberto, investe anualmente em seu programa espacial civil US$ 1.2 bilhão. Assim sendo senhor Roberto, sugiro ao senhor que antes de escrever algo sobre o PEB, procure se informar melhor, ou se abstenha de falar sobre o assunto e, por favor, jamais escreva matéria paga, seja sobre o PEB, ou sobre qualquer outro assunto, pois só assim o senhor realmente estará prestando um bom serviço ao seu país. 

Comentários

  1. Parabéns pelo seu comentário Duda.....
    Realmente, esse repórter foi completamente infeliz nessa reportagem, demonstrando completo desconhecimento dos fatos....

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  2. Acredito que em algum momento os EUA tentaram sim sabotar nosso programa, porem hoje eles não devem dar mais atenção a isso devido a própria sabotagem feita pelo governo, estamos condenados a ser pequenos.

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  3. Nessa hora em que o país está atento, a Dilma tenta encontrar um pretexto para desviar de si os maus olhares, o mais rápido possível. Mas sua "fantástica" gestão mostra que para onde quer que se vire encontra algum pepino político. Noutro dia ela culpou o regime militar pela Educação atual, mas começam a escassear alternativas, principalmente que o regime militar já foi a 30 anos...

    Agora tentou desviar a atenção contra os EUA, mas mais uma vez aparecem as incompetencias do seu governo nessa área. Sempre quis torturar os militares com o terrorismo financeiro, e agora se vê aflita e sem ter para onde se virar. Vira-se para o setor de espionagem, para dar a entender ao país que sua posição naquele assento político é essencial, mas até mesmo esse setor de espionágem reclama da falta de estruturação, de leis, de recursos, e de vontade política. A Globo tem se mostrado muito ao lado do governo nesse tempo, mas mesmo uma noticia tendenciosa como essa não faz o governo aparecer melhor na fita.

    A Europa e os EUA estão saindo da crise através da tecnocracia,e não diminuiram o seu vasto apoio aos seus programas espacias, e no Brasil vêm dizer que "na última década para construir satélites ou foguetes [...] já receberam R$ 1,5 bilhão", dando aos incautos a impressão de que essa soma é enorme em termos de investimento em tecnologia espacial. Agora as más atitudes e o revanchismo infantil deste governo está se tornando contra ele. Alguns especialistas disseram que as manifestações podem piorar. Tudo veio a luz, e o fato é que os políticos atuais nunca souberam fazer em prol do país, e por isso nesse tempo de pressão simplesmente não sabem o que fazer, tentanto tapar buracos e consertar suas falhas para parecer menos mal a uma população já enraivecida. Veremos o que se segue!

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  4. Caro Duda,
    Não é possível tanto desconhecimento do assunto pelo Roberto Maltchik. Mesmo considerando que ele tenha uma vivência maior nos meios políticos, acostumado com inverdades deslavadas, trata-se de um jornal de grande envergadura. Além do que, ele tem um editor que avaliza a matéria, é o padrão nos grandes jornais, é impensável que não haja algum cuidado de verificar as informações e a fonte. Isso nos leva a concluir que é de propósito essa "desinformação" da sociedade. Resta saber a serviço de quem está esse "peão".

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