Bento-Gonçalvense é a Primeira Engenheira Aeroespacial do Estado

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (03/02) no site do “Jornal Semanário (JS)” da cidade de Bento Gonçalves (RS), destacando uma jovem Bento-Gonçalvense é a primeira engenheira aeroespacial do estado.

Duda Falcão

Bento-Gonçalvense é a Primeira Engenheira Aeroespacial do Estado

Edição: Por Mônica Rachele
Jornal Semanário
3 de fevereiro de 2020

Contemplar estrelas e “viajar” pelo infinito é algo que todos nós fazemos. A lua encanta multidões, assim como o majestoso sol, principalmente quando ele surge, no amanhecer, e quando se põe. A distância em que estão de nós, meros mortais, é inatingível. Mas não para a jovem bento-gonçalvense Fernanda Signor, primeira Engenheira Aeroespacial graduada no Estado, por consequência, de Bento Gonçalves .

Aos 25 anos, Fernanda Signor, filha de Augusto Roberto Signor e Dolores Maria Greselle Signor, não conseguiu esconder a alegria quando chamaram por seu nome, na cerimônia de colação de grau, ocorrida no dia 24 de janeiro, em Santa Maria. “A emoção de receber o título de engenheira já foi demais. Foram cinco anos de estudo, de dedicação e de muito trabalho. Passa, sem dúvidas, um filme na cabeça. O primeiro dia de aula, os amigos que fiz, o pouco tempo que pude estar com a minha família, a dedicação dos meus pais que trabalharam muito para que eu pudesse estar estudando longe de casa, o apoio das pessoas que estão sempre ao meu lado e o quanto foi gratificante chegar ao final da graduação e ver o sorriso de todos que se importam comigo. Quando eu colei grau, olhei para a plateia e vi a alegria das pessoas que eu amo. Isso fez cada dia desses cinco anos valerem a pena. Eu não posso deixar de destacar o papel dos meus pais não só na minha formação, mas também na do meu irmão. Eles passaram quase dois anos sustentando os dois filhos fora de casa, cada um em uma cidade, se dedicaram em tempo integral para que nós estudássemos e deixaram de lado desejos deles para nos dar educação. Fizeram além do que estava ao alcance. Eles são os verdadeiros heróis. Mas o maior orgulho quem sente sou eu, por eles serem tão bons para nós dois”, relata a jovem, dividindo a conquista com a família.

Foto: Arquivo Pessoal
Fernanda Signor vibra com a conquista do diploma pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Mas para chegar até o dia 24 de janeiro de 2020, o percurso foi longo. Fernanda sempre estudou em escola pública. O ensino fundamental foi na Escola Estadual Irmão Egídio Fabris e, o médio, na Visconde de Bom Retiro. Um ano de curso preparatório para o vestibular foi suficiente para que ela conquistasse uma vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e também na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na UFRGS, ela foi aprovada em Engenharia Física e, na UFSM, em Engenharia Aeroespacial, curso que optou quando ficou na dúvida entre este e o de Engenharia de Telecomunicações, ambos novos, com primeiro ingresso no ano de 2015. 

Engenharia Era o Foco 

Fernanda conta que a ideia da engenharia em si surgiu por causa do irmão, Felipe Signor, que é Engenheiro Eletricista, formado pela UFRGS. “Ele é autodidata, aprende tudo muito rápido e, quando éramos crianças, vivia criando projetos em casa. Eu sempre admirei as invenções dele e, quando prestou vestibular, escolheu engenharia elétrica. Além de irmãos, somos muito amigos. Ele me aconselhava e eu me espelhava nas atitudes e escolhas dele. Por isso minha opção por engenharia foi tão fácil e certeira. Eu sabia que era uma boa escolha e que ele iria me apoiar e me ajudar em todo processo”, salienta.

A escolha pela área aeroespacial surgiu quando Fernanda decidiu se preparar melhor para o vestibular da UFRGS. “Já que eu ia ter que mergulhar nos livros, busquei também um curso da UFSM que me interessasse. Com o passar dos dias, fui pesquisando mais sobre as opções oferecidas, principalmente os dois cursos novos: Engenharia Aeroespacial e Engenharia de Telecomunicações. A Aeroespacial me chamou mais atenção, me pareceu bastante desafiador e tecnológico. Quando passei na UFRGS e na UFSM, conversei com o meu irmão e, juntos, decidimos que a melhor opção era mesmo Engenharia Aeroespacial”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal
Fernanda (d) e a outra formanda da turma, Katia Maier dos Santos (e), com Todd Barber (c) da NASA, palestrante do I Congresso Aeroespacial Brasileiro.

O curso tem 10 semestres. Esse foi o tempo que Fernanda levou para se formar. “Entrei em 2015 com a primeira turma, na qual éramos cerca de 40 alunos. Mas no dia 24 de janeiro deste ano, se formaram sete. Duas engenheiras e cinco engenheiros aeroespaciais. Pela ordem alfabética, eu fui a primeira mulher. E isso foi dito no momento em que chamaram meu nome. A emoção é indescritível”, diz a jovem, que pretende continuar os estudos. “Farei isso antes mesmo de ingressar no mercado de trabalho, pois acredito que, com uma especialização, possa oferecer ainda mais para a empresa onde irei atuar. Já no final da graduação, no segundo semestre de 2019, enquanto eu realizava o estágio obrigatório na ALA 4 de Santa Maria, participei do processo de seleção do Mestrado em Engenharia Mecânica, no qual passei em primeiro lugar. Em março deste ano vou continuar os estudos na linha de pesquisa de Projeto e Análise de Sistemas Mecânicos e pretendo continuar trabalhando em prol da Universidade. Tenho professores de uma qualidade incrível, que além de conhecimento técnico e científico são orientadores excepcionais”, relata. 

As Dificuldades 

Além da adaptação numa cidade nova, longe da família, o curso também era novo e sua implementação se tornou um desafio para a Universidade e para os alunos, segundo explica a jovem. “Não havia uma estrutura física adequada e nem mesmo os professores das disciplinas mais avançadas. Então, logo no segundo semestre de 2015, entrei para o Diretório Acadêmico do Centro de Tecnologia (DACTEC), que representa os cursos de Engenharias Aeroespacial, Civil, de Computação, de Telecomunicações, Elétrica e Mecânica. Minha perspectiva era conseguir auxiliar o máximo na estrutura do curso. No ano seguinte me tornei coordenadora geral do DACTEC, em que pude representar a grande maioria dos alunos do Centro de Tecnologia (CT), os auxiliando em diferentes situações e transmitindo as necessidades dos cursos representados. Nesse momento foi possível aumentar a representatividade estudantil no CT da UFSM. Conseguimos verba para computadores, abertura de concursos para professores dos cursos, auxílios para apresentações de trabalhos, bolsas de formação e tantas outras ajudas fundamentais para a formação da primeira turma de cada curso”, enfatiza Fernanda. 

Mercado de Trabalho 

Apesar de ser um curso bem específico, a engenheira pontua que ele possibilita uma ampla fatia do mercado de trabalho. Durante a graduação, são estudadas diversas áreas de conhecimento. De maneira específica Fernanda pode atuar nos setores de aeronáutica, espaço e defesa. “O enfoque do curso se deu em projetos aeronáuticos e espaciais, mas, para chegar em algo tão específico, tivemos uma base forte. Contamos com disciplinas de outras engenharias como, por exemplo, mecânica e elétrica. A maioria do mercado de trabalho no setor é ocupada por homens, mas essa é uma realidade que está mudando. Cada vez mais as mulheres vêm se destacando em áreas de tecnologia e buscando seu espaço. Durante a graduação, tivemos oportunidades de conhecer pessoas da área, momento em que percebi que há uma busca por pessoas que tenham conhecimento, independentemente do sexo”, destaca.

De qualquer forma, Fernanda quer atuar visando beneficiar a sociedade, trazendo inovações que permitam facilidades para as pessoas. “Pensando num enfoque em aeronáutica, a Embraer/Boeing, a Airbus e a Sikorsky são um sonho. Todas são empresas de elevada importância no setor. Já na área de espaço, acredito que seria muito gratificante auxiliar a Agência Espacial Brasileira, mas também, a troca de conhecimento com a NASA seria fundamental. Quando criança eu me interessava em leituras que envolvessem planetas e estrelas, então a NASA vem como uma inspiração desde sempre, pois o homem pisou na lua. Outro lugar que eu teria interesse em trabalhar seria na Estação Espacial Internacional, que é um dos maiores centros de inovações tecnológicas, envolvendo profissionais de muitas nacionalidades, o que se torna um ganho enorme para a humanidade”, diz ela.

As expectativas da jovem, neste sentido, são as melhores. “A área é de extrema importância para o país e está se expandindo. No futuro, o campo aeroespacial deve se alastrar ainda mais e, algumas ações nesse sentido, vêm sendo tomadas já há alguns anos no país. Além de poder atuar dentro do Brasil, há oportunidades no exterior, já que a área é internacional, o que aumenta as possibilidades de ingresso”, finaliza.

Foto: Arquivo Pessoal 
Fernanda na apresentação do estágio obrigatório final, que foi realizado na ALA 4, em Santa Maria.

Onde Estudar 

A UFSM criou o curso em 2015. Antes disso, as universidades que ofereciam a graduação de Engenharia Aeroespacial eram o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São Paulo, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal do ABC Paulista (UFABC), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UNB), no Distrito Federal. Após a criação do curso na UFSM, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a UNIAMERICA, no Paraná, também passaram a oferecer o curso.


Fonte: Site do Jornal Semanário (JS) - https://jornalsemanario.com.br

Comentário: Pois é leitor, o blog parabeniza o grande esforço da jovem Fernanda Signor que fez por merecer o momento que viveu no dia 24 de janeiro passado em santa Maria da. Well Done Fernanda, parabéns. Entretanto a jovem gaúcha está mal informada sobre o setor espacial brasileiro, afinal o mesmo na verdade não tem se expandido como ela disse, apesar dos cursos universitários surgidos no país nos últimos anos, muito pelo contrário, tem sim encolhido ano após ano e se tornado cada vez mais insignificante junto ao Governo Federal, tendo a sua Agencia Espacial se transformado uma tremenda piada nacional. A expansão do setor espacial tem sim ocorrido rapidamente fora do Brasil, onde este setor é conduzido com a seriedade estratégica e a competência necessária que se espera. Na verdade leitor, esses cursos de Engenharia Aeroespacial das universidades federais públicas brasileiras estão formando profissionais para o setor espacial de outras nações do planeta e não o do Brasil. Lamentável!

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