Evolução Histórica da Certificação de Sistemas de Gestão

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (07/10) no site do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) destacando a evolução histórica da “Certificação de Sistemas de Gestão (CSG)”.

Duda Falcão

Evolução Histórica da Certificação
de Sistemas de Gestão - (CSG)

Relações Públicas - IFI
07/10/2011

O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), Organização do Comando da Aeronáutica (COMAER), especializada no campo da Ciência e Tecnologia, subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) tem por finalidade prestar serviços tecnológicos especializados na área aeroespacial e realizar pesquisa científica nos campos de sua atuação conforme Planos e Programas estabelecidos pelo Diretor-Geral do DCTA. Tem como missão, contribuir para a garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas aeroespaciais de interesse do Comando da Aeronáutica, prestando serviços nas áreas de Normalização, Metrologia, Certificação, Propriedade Intelectual, Transferência de Tecnologia e Coordenação Industrial, fomentando assim o complexo científico-tecnológico aeroespacial brasileira.

Á Divisão de Certificação de Sistemas de Gestão (CSG/IFI) compete, nos campos aeronáuticos, espacial e de defesa, certificar sistemas de gestão de acordo com os requisitos e diretrizes estabelecidos por órgãos competentes, qualificar pessoal, prestar serviços na área de Ensaios Não Destrutivos (END) e da qualidade no âmbito aeronáutico, e atividade de verificação da qualidade governamental. Sua estrutura organizacional conta com Assessoria Técnica, Subdivisão de Certificação, de Verificação da Qualidade, de Certificação, Ensaios Laboratoriais e, de Apoio.

Em 1950, foi criado o CTA – Centro Técnico de Aeronáutico, hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), seguindo a evolução tecnológica espacial brasileira.

Na base da sua criação, estavam as seguintes metas: ensino, pesquisa e desenvolvimento. Com este alicerce, nas décadas de 60 e 70 se desenvolveu a indústria aeroespacial do Brasil.

Não resta dúvida de que a implantação e o avanço da indústria automobilística resultaram num processo notável da tecnologia industrial brasileira. A necessidade da fabricação, em grandes séries, de veículos com características uniformes, de desempenho e durabilidade confiáveis, forçou os montadores e fornecedores a um desenvolvimento prioritário de todos os fatores que influenciassem na Qualidade do Produto Final. Surgiram assim novos conceitos, tais como: Inspeção de Recebimento; Inspeção na Fabricação, Aferição de Instrumentos de Medição; e o Controle de Processos Especiais e dos seus Operadores. Cada vez mais, Planejamento e Controle dessas funções e respectivas instalações passaram a ser reunidos em um Departamento de Controle da Qualidade.

Porém, os requisitos muito elevados da técnica industrial aeroespacial causou grande mudança nesses conceitos relativamente avançados. Surgiu à época um termo novo no vocabulário técnico brasileiro: Garantia da Qualidade. Tal expressão foi introduzida no Brasil a partir de 1974, simultaneamente nas áreas da energia nuclear e da indústria aeronáutica, surgindo nesta última o desenvolvimento do Sistema da Garantia da Qualidade Aeronáutica, denominado então SGQA.

Naquela época, o PMA (Projeto de Motores Aeronáuticos) era a divisão do CTA responsável por tratar de assuntos relacionados à Qualidade, através do Departamento de Engenharia da Qualidade, com a motivação de que os materiais usados na indústria aeroespacial, ênfase sendo dada aos metais empregados, deveriam ser desenvolvidos, fabricados, tratados, ensaiados, identificados, manuseados e, finalmente, estocados em conformidade com os requisitos da Garantia da Qualidade Aeronáutica.

Surge a AVH - Divisão de Homologação Aeronáutica, com o objetivo de garantir o grau máximo de segurança em todas as fases do projeto, desenvolvimento e construção dos materiais, acessórios e equipamentos, que, após a produção em série de aeronaves, elabora e emite o então RBHA – Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica. Tal documento estabelece o sistema da qualidade para a indústria aeronáutica brasileira.

Assim, o Ex- Departamento de Aviação Civil, por não possuir pessoal especializado e em número suficiente para atender as empresas de manutenção de aeronaves, transporte aéreo regular e transporte aéreo regional, solicitou ao CTA para que, através da AVH, fizesse, por delegação, o serviço de fiscalização, monitoramento e certificação das empresas fabricantes de partes e peças aeronáuticas: Celma, Rolls-Royce e GoodYear.

Naquele contexto, surge a Metal Leve (que fabrica os pistões aeronáuticos) como a primeira empresa certificada, dentre aquelas que foram fomentadas pelo PMA para a fabricação de partes do Programa Lycoming e Pratt & Whitney. Muitas outras empresas foram auditadas e certificadas, dentre aquelas que forneciam partes para exportação do motor e também aquelas que forneciam produtos para a Embraer. Tais empresas para receberem os certificados emitidos pelo IFI, através da AVH, precisavam ter pelo menos um produto aeronáutico homologado. A Divisão de Homologação fornecia um documento chamado APAA (Atestado de Produto Aeronáutico Aprovado), com cópia enviada para o ex- DAC. As empresas que fabricavam peças ou partes, que não possuíam o APAA, recebiam uma carta de autorização para a fabricação do SIF – Sistema de Inspeção da Fabricação. Assim elas eram auditadas, e os lotes tinham que ser aprovados para receberem uma etiqueta de aprovação do CTA, cuja inspeção era feita pelos técnicos inspetores da Seção de Certificação. Além das empresas que fabricavam produtos para a aviação civil, a Subdivisão de Certificação também auditava e certificava empresas que fabricavam produtos militares, segundo o RBIA (Regulamentos Brasileiros para a Indústria Aeroespacial).

Após o Acordo Bilateral com o FAA (Federal Aviation Regulation), ficou facilitada a exportação de partes do motor Lycoming, assim como as aeronaves fabricadas pela Embraer e Aeromot.

É claro que, na década de 70, as empresas, de um modo geral, não aceitavam de bom grado a implantação do sistema de controle da qualidade, pois afirmavam que isso iria aumentar os custos e demandava contratação de mais pessoas. Com o passar dos anos, essa mentalidade mudou.

Seguindo a evolução, surgiu a Qualidade Total, a Garantia da Qualidade, a NBR ISO 9001 e a NBR 15100. Portanto, o SGQ, atualmente implantado nas empresas, que demonstrou ser uma ferramenta para melhoria contínua, para remoção das causas dos problemas, reduzindo os custos e melhorando a lucratividade, resultando na segurança de vôo.

Até 1994, a Subdivisão de Certificação emitia certificado com base nos RBHA para a área civil e com base nos RBIA para a área militar. A partir de 1997, a Divisão obteve a acreditação do INMETRO para ser um Organismo de Certificação de Sistemas de Gestão – OCS - 0016. A ELEB foi a primeira empresa certificada com tal certificação ISO.

Alguns anos depois, a Divisão também obteve a acreditação do INMETRO para ser um Organismo de Certificação Aeroespacial – NBR 15100. A ELEB também se tornou a primeira empresa certificada pelo IFI já como OCE - 0001.

Atualmente, a Divisão de Certificação de Sistemas de Gestão emite certificados para organizações do escopo de aviação, espaço e defesa, realiza ensaios laboratoriais, qualifica e requalifica mão-de-obra técnica especializada, e ministra os seguintes cursos: Ultra-som, Raios-X, Líquido Penetrante, Partículas Magnéticas,no níveis 1, 2 e 3, Sistemas de Gestão da Qualidade, Qualificação de Auditores da Qualidade e Normalização.

Por toda sua vasta experiência e história de sucesso é que a CSG coloca-se à disposição de todas as organizações, na certeza de poder contribuir para atingir a Qualidade, através da melhoria contínua de nossos processos.



Fonte: Site do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)

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