EUA e Brasil Planejam Satélite Conjunto

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (24/10) no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando que o Brasil e o EUA planejam o desenvolvimento de um satélite conjunto para observar 'Ecosistemas' do planeta.

Duda Falcão

Ciência

EUA e Brasil Planejam Satélite Conjunto
para Observar Ecossistemas do Planeta

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON
24/10/2011 - 19h47

Cientistas do Brasil e EUA apresentaram hoje a proposta de um satélite para entender melhor a dinâmica entre a atmosfera e os ecossistemas do planeta. O projeto ajudará, no Brasil, a determinar com mais precisão como a Amazônia está reagindo ao aquecimento global e ao seu próprio encolhimento.

O satélite, batizado de GTEO (Observatório Global de Ecossistemas Terrestres), terá uma câmera infravermelha capaz de separar dados com uma precisão sem precedentes. Enquanto satélites de observação brasileiros captam esse tipo de radiação em dez faixas de freqüência diferentes, o novo instrumento seria capaz de enxergá-las em 250 faixas distintas.

Segundo um relatório-proposta que os centros de pesquisa brasileiro e americano prepararam, o novo satélite seria a primeira missão global de mapeamento "biogeoquímico" da terra. O custo estimado do projeto é de US$ 250 milhões. A contraparte brasileira do projeto, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), providenciaria US$ 100 milhões, e a NASA (agência espacial dos EUA), providenciaria US$ 150 milhões.

O documento afirma que os instrumentos do novo satélite têm precisão suficiente para "estabelecer uma medida de linha de base da composição bioquímica do ecossistema terrestre". Os dados ajudariam a "reduzir a incerteza em prever as reações do ciclo de carbono e de ecossistemas à variabilidade climática".

Ao enxergar emissões de radiação infravermelha com detalhamento, o satélite poderia medir aspectos da vegetação como a concentração de clorofila e de celulose nas folhas, a umidade, a concentração de nitrogênio nas copas das árvores e as emissões de carbono.

"Isso vai permitir ver o nível de estresse sob o qual a vegetação está", diz Gilberto Câmara, diretor do INPE. Segundo o cientista, será possível determinar com mais precisão se existe um ponto-de-virada do desmatamento -- a quantidade de floresta que pode ser extraída sem que o bioma da Amazônia seja comprometido como um todo. Não existe consenso hoje na academia sobre se esse ponto existe ou não, e qual é o seu valor.

Pela proposta inicial, o GTEO decolaria em 2016 e permaneceria em órbita por dois anos. A NASA seria a responsável por construir os instrumentos científicos do satélite. O INPE fabricaria a estrutura do satélite e seu sistema de posicionamento. O lançamento seria feito em um foguete "de aluguel" russo.

Câmara afirma que a resposta sobre o projeto está agora nas mãos da NASA, mas declara que a chance de aprovação é "maior do que 50%". Segundo Robert Green, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, uma reposta deve sair até abril do ano que vem.

A agência americana, porém, ainda está se desdobrando para encaixar outros projetos em seu orçamento científico, que teve de ser refeito após um estouro de gastos com o Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Hubble.

Charles Bolden, administrador-chefe da NASA, visita o Brasil na quinta-feira, onde deve falar sobre esse e outros projetos de colaboração.


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 24/10/2011

Comentário: Que esse exemplo sirva de lição para os mais jovens que acreditaram na divulgação da mídia (na semana passada) de que o diretor da NASA, o ex-astronauta Charles Bolden, viria ao Brasil para uma visita de cortesia. A sociedade americana jamais permitiria que o diretor de sua agência espacial viesse ao Brasil para fazer turismo, já que na verdade é o que significa essas viagens chamadas de cortesia. Tudo na vida tem um razão de ser, um motivo, um interesse qualquer, seja ele nobre ou não, e nada acontece por acaso. Agora analisando a notícia em si, não obstante a relevância do projeto apresentado pelo INPE/NASA me parece que esse projeto de agora só faz aumentar ainda mais a perda de foco do nosso programa espacial. Estamos em fase final de desenvolvimento do CBERS-3 e do Amazônia-1, na fila já se encontram os satélites Lattes-1, GPM-BR, Sabia-Mar, CBERS-4, Flora-1, IBSA-1 e IBSA-2, o Satélite Radar (que já mudou de nome inúmeras vezes), o SGB-1, entre outros. Sejamos realistas, o orçamento do nosso programa espacial e a infra-estrutura física e humana atual não tem com atender essa demanda toda, além de que não existe qualquer compromisso do governo com o programa espacial do país. Assim sendo, apresentar mais um projeto, só vem dificultar ainda mais a realização dos projetos já em curso e os que já estavam na fila. Lamentável. Querem desenvolver um projeto de satélite com a NASA? Pois então, sigam avante com o projeto do satélite meteorológico GPM-BR, que inclusive já havia sido objeto de negociações e esperado há décadas.

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