EUA Boicotaram o Programa Espacial Brasileiro nos Anos 90

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (09/10) no site “Folha.com” do “Jornal Folha de São Paulo” destacando que os EUA boicotaram o Programa Espacial Brasileiro nos anos 90.

Duda Falcão

CIÊNCIA

EUA Boicotaram o Programa
Espacial do Brasil nos Anos 90

RUBENS VALENTE
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA
09/10/2011 - 09h48

Telegramas confidenciais do Itamaraty revelam que os EUA promoveram embargo e "abortaram" a venda, por outros países, de tecnologia considerada essencial para o programa espacial brasileiro na década de 1990.

Em um dos telegramas, o Itamaraty associou a ação norte-americana a um atraso de quatro anos na produção e lançamento de satélites.

O projeto Folha Transparência divulga em seu site a partir de hoje 101 telegramas confidenciais inéditos da diplomacia brasileira, que tratam dos programas brasileiros espacial e nuclear.

A pressão norte-americana sobre o projeto espacial já foi ressaltada por especialistas brasileiros ao longo dos anos, e um telegrama do Wikileaks divulgado em 2010 indica que ela ainda ocorria em 2009. Os documentos agora liberados permitem compreender a origem e o alcance do embargo, assim como a enérgica reação do Brasil.

Em despacho telegráfico de agosto de 1990, o Itamaraty afirmou que a ação norte-americana começara três anos antes, por meio de "embargos de venda de materiais", impostas pelos países signatários do RCTM (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis) --um esforço voluntário entre países, de 1987, para coibir o uso de artefatos nucleares em mísseis.

O Itamaraty incluiu o bloqueio dos EUA como um dos motivos para o atraso na entrega do VLS (Veículo Lançador de Satélites), que deveria estar pronto em 1989. O primeiro teste de voo foi em 1997.

Lucas Lacaz Ruiz - 22.ago.08/Folhapess
Réplica do VLS (Veículo Lançador de Satélites) exposto
no MAB (Memorial Aeroespacial Brasileiro)

Além do VLS, o programa espacial previa a construção de quatro satélites, dois para coleta de dados e dois para sensoriamento remoto.

O Brasil só aderiu ao acordo em 1995. Os telegramas revelam que, um ano depois, o diretor do CTA (Centro Técnico Aeroespacial) da Aeronáutica, Reginaldo dos Santos, atual reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), informou ao Itamaraty que os EUA negaram o pedido para importar transmissores para uso em foguetes brasileiros.

O Itamaraty orientou seu embaixador em Washington, Paulo Tarso Flecha de Lima, a manifestar "estranheza e preocupação" ao governo dos EUA. A medida dos EUA só foi revista meses depois.

José Israel Vargas, ministro da Ciência e Tecnologia entre 1992 e 1998, confirmou à Folha as gestões dos EUA para prejudicar o programa espacial brasileiro.

"Houve sim pressão americana para qualquer desenvolvimento de foguetes, contra nós e todo mundo [que o fizesse]." Segundo ele, países avançados na área, que ajudavam outros a criar seus programas espaciais, como a França fez com o Brasil, também eram pressionados.

A Embaixada dos EUA em Brasília, quando procurada em agosto pela Folha, não comentou os telegramas do Itamaraty, mas elogiou a divulgação dos documentos.


Fonte: Site Folha.com - 09/10/2011

Comentário: Transferir responsabilidades é uma pratica muito comum na política Brasileira e não seria diferente nesta questão do Programa Espacial. O que se tem de entender aqui é que esse boicote dos americanos não era para o Brasil e sim incluía o Brasil, ou seja, era uma política de governo adotada pelo americanos para com todos os países do mundo que tentavam adquirir tecnologia espacial, não só pela sua dualidade, mas também pela sua questão comercial. A verdade é que desde que a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) foi lançada no inicio da década de 80, faltou visão e comprometimento dos governos subseqüentes, e cortes constantes de orçamento e ainda há. Apostou-se ingenuamente que parte da tecnologia não dominada pelo Brasil poderia ser adquirida em outros países sem a interferência americana e pior, continuaram acreditando nessa possibilidade durante anos, quando deveriam sim fazer como fizeram a Índia, o Iran, o Paquistão, entre outros, países que adotaram o modelo do desenvolvimento próprio. Perdeu-se muito tempo acreditando em contos da carochinha e a verdade é que não houve vontade política. O resultado disso no levou no governo do irresponsável Fernando Henrique ao desastre que matou os 21 de Alcântara. Querem culpar alguém pelo nosso atrasado programa espacial, culpem os energúmenos de Brasília, os americanos só fizeram a parte deles como era previsível acontecer, cabia a nós fazer a nossa parte como ocorreu com outros países que hoje dominam o ciclo completo do acesso ao espaço.

Comentários

  1. Comcordo! Os políticos brasileiros, que só visam o próprio bolso, não precisam de pressões externas para avacalhar o Brasil!
    Note-se o número de "ministros" com "M" minúsculos que foram expulsos, ( o correto é serem presos e considerados traidores da pátria para mim, e qualquer pessoa de bom senso!)
    Nossos políticos tem feito o "jogo" dos estados unidos!
    Repito: NOSSO FOGUETE JA ESTÁ PRONTO DESDE O NUMERO 1.
    Alguém já viu algum vsb30 falhar no acendimento dos motores? pois é, mas o VLS falhou!!!! VS40 também não!
    Todos os outros, também acenderam.....

    Agora vamos perder mais tempo lançando um VLS que não vai subir completo!!
    Perda de tempo e dinheiro dos mais suados do mundo!!!

    Temos que fazer como a SpaceX, juntar duas missões em uma, o dinheiro é escaço demais para brincarmos de "meio VLS"....

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  2. Pois é Paulo tens razão. Entretanto amigo, permita-me discordar da sua comparação do VLS e dos foguetes de sondagem. Não é tão simples assim, já que a possibilidade de erro é enorme no caso de um lançador de satélites ainda em desenvolvimento. Diferentemente do VSB-30 e do VS-40, o primeiro e segundo estágios do VLS-1 constituídos pelos 5 motores-foguete S-43 são montados em cacho o que dificulta em muito a sua operacionalização. A opção adotada agora pelo IAE (sugerida pelos Russos) de lançá-lo em dois vôos tecnológicos antes do quarto vôo de qualificação, é a mais acertada e deveria ter sido adotada desde o início, pois certamente teria diminuído bastante as chances de falha de pelo menos do segundo vôo de qualificação (Operação Almenara). Já o terceiro vôo (Operação São Luiz) ainda está envolto em dúvidas quanto ao que realmente ocorreu, mas certamente o enorme corte de recursos no orçamento do PEB adotado no ano anterior (2002) pelo irresponsável Fernando Henrique, aliado ao grande sonho dos técnicos envolvidos na época (idealistas e patriotas) com o projeto de dotar o Brasil de um veículo lançador de satélites, contribuíram significamente para o desastre ocorrido em 2003, já no governo do humorista Lula.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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