ELAT Reg. Mais Raios Ascendentes do que a Média Mundial
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria postada hoje (04/12) no site da
“Agência FAPESP” destacando que segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica
(ELAT) do INPE, o Pico do Jaraguá (ponto
culminante da cidade de São Paulo) que se encontra 1.135 metros acima do nível
do mar, registrou no período de janeiro a outubro deste ano mais Raios Ascendentes
do que a média mundial.
Duda Falcão
Especiais
Pico do Jaraguá Registra Mais Raios
Ascendentes do que a Média Mundial
Por Elton Alisson
04/12/2012
![]() |
Número de descargas
atmosféricas que partem do
solo e se
propagam em
direção a nuvens registrado
em um mês é superior ao
observado
durante um ano
no Empire State Building,
em Nova York (ELAT/INPE)
|
Agência FAPESP –
Pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE) registraram no período de janeiro a outubro deste
ano a ocorrência de 35 raios ascendentes no Pico do Jaraguá – o ponto
culminante da cidade de São Paulo, que está a 1.135 metros acima do nível do
mar.
De acordo
com os pesquisadores, o número é superior à média de outros lugares no mundo
onde foi observada a ocorrência desse tipo de raio que, em vez de descer das
nuvens de tempestade e atingir o solo – como ocorre com a maioria das descargas
atmosféricas –, parte de algo na superfície e se propaga em direção à nuvem.
“Só no mês
de outubro registramos no Pico do Jaraguá o mesmo número de raios ascendentes
observados durante um ano no Empire State Building, em Nova York, que registra
anualmente, em média, 22 raios ascendentes”, disse Marcelo Magalhães Fares
Saba, pesquisador do ELAT, à Agência FAPESP.
O grupo de
pesquisadores do ELAT registrou em janeiro, pela primeira vez no Brasil, a ocorrência desse
tipo de raio originado por estruturas altas, como torres de telecomunicação ou
para-raios de edifícios altos que, em função de suas altitudes, podem
concentrar em seus topos grande quantidade de carga elétrica induzida e de
sinal oposto à carga da base de uma nuvem de tempestade.
Por meio de
um sistema de detecção adquirido com apoio da
FAPESP, que conta com uma câmera de alta velocidade capaz de registrar 4
mil quadros por segundo, os pesquisadores gravaram no início de 2012, durante
uma tempestade, a formação de quatro raios ascendentes, partindo de uma torre
de transmissão de 130 metros no Pico do Jaraguá, onde ocorrem, praticamente,
três vezes mais raios do que no restante da cidade.
No início de
março, voltaram a registrar a ocorrência de mais três raios ascendentes,
originados do mesmo ponto da primeira observação, em apenas 7 minutos – o que é
considerado um número muito alto, principalmente quando considerado o curto
intervalo de tempo.
Em julho, durante uma
tempestade de inverno, registraram mais um raio ascendente, que partiu de uma
das torres de telecomunicações instaladas no Pico do Jaraguá.
No dia 23 de
outubro, durante uma tempestade em São Paulo, os pesquisadores registraram nove
raios ascendentes em um intervalo de apenas 37 minutos também no Pico do
Jaraguá. A sequência de descargas elétricas em um curto intervalo de tempo
provocou um princípio de incêndio em um dos equipamentos instalados no local.
“Essa
frequência de raios ascendentes em uma mesma estrutura é muito superior à
observada em outros lugares no mundo. Em Rapid City, em Dakota do Sul, nos
Estados Unidos, por exemplo, onde também foram instaladas câmeras de alta
velocidade para registrar a ocorrência de raios ascendentes desencadeados por
dez torres de telecomunicação instaladas no local, foram registradas cinco
descargas atmosféricas desse gênero nos últimos dois anos”, disse Saba.
De acordo
com Saba, ainda não se sabe por que o Pico do Jaraguá registra um número de
raios ascendentes maior do que a média de outros lugares no mundo e o que
favorece a formação desse tipo de descarga elétrica. “Algo de especial, que
ainda não foi descoberto, ocorre na tempestade que favorece a ocorrência rápida
e sequencial de raios para cima”, disse.
O grupo do
ELAT observou que, enquanto o impacto de um raio descendente é mais distribuído
– metade das descargas toca pontos diferentes no solo –, o dos raios
ascendentes acaba sendo sempre em um mesmo ponto, o de partida, que pode ser
uma torre de televisão ou celular, por exemplo. E que essas descargas
atmosféricas podem ocorrer em intervalos muito curtos de tempo, de um minuto ou
menos.
“Isso é algo
extremamente preocupante para os sistemas de proteção convencionais, que foram
projetados para raios descendentes”, disse Saba.
Fonte: Site da Agência FAPESP

Comentários
Postar um comentário