AEB Modifica Nova Carteira de Projetos

Olá leitor!

Nem bem apresentei aqui dias atrás a nova carteira de projetos da Agência Espacial Brasileira (AEB), descobrir navegando na internet outro arquivo PDF (Power Point) do Sr. José Monserrat Filho (Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB), apresentando uma nova carteira de projetos com algumas modificações, provavelmente exibida em alguma dessas reuniões intermináveis em Brasília, ou em algum lugar do mundo.

Confesso leitor que a cada dia que passa minha crença no PEB diminui rapidamente junto com a minha esperança. Das três uma, ou essa gente é movida a droga e estão alucinados, ou estão brincando de fazer Programa Espacial ou então não são pessoas sérias.

Mal apresentaram a carteira de projetos e modificações já foram introduzidas, algumas nas datas de lançamento dos satélites e foguetes, e ao que parece também no projeto do VLS Beta que aparece com uma configuração diferente da até aqui divulgada.

Compare as modificações da nova carteira de projetos com a carteira anterior e tire as suas próprias conclusões.

Carteira de Projetos anterior apresentada
no blog dia 12/12/2012

Nova carteira apresentada pelo Sr. José Monserrat Filho

Seria bom até que algum engenheiro leitor do blog desse sua contribuição explicando o que pode ser essa modificação no Projeto do VLS Beta, que parece ter ganho um motor ainda maior em seu primeiro estágio do que o anterior previsto, ou seja, o Motor-Foguete Sólido P40 de 40 toneladas. Será?

Duda Falcão

Comentários

  1. Com relação ao VLS-Beta ocorreu um aumento significativo no diâmetro do primeiro estágio, mas não ocorreu aumento na carga útil......é muito estranho mesmo, necessitamos maiores esclarecimentos....será que estão subestimando nossa capacidade intelectual.....vale lembrar que papel aceita tudo........

    Eng. Miraglia
    www.edgeofspace.org

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  2. Não sei porque, mas acho a carteira mais antiga mais confiável. Existe um desentendimento no PEB quanto aos prazos e realizações.

    Duda e demais leitores, pretendo fazer um video explicativo sobre a evolução dos foguetes no Brasil, e também dos motores-foguetes. Se conseguirem indicar uma planilha de evolução dos motores-foguetes agradeceria. O video não contará com grandes promenores técnicos mas explicará de forma sucinta de como passamos de um projeto para o outro, e como se pretende evoluir para os futuros foguetes.

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    1. Tem um site chamado Encyclopedia Astronautica (http://www.astronautix.com/) onde você encontrará listados todos os motores-foguetes sólidos desenvolvidos no Brasil, e para facilitar sua busca lembre-se que os motores brasileiros são sempre nomeados inicialmente pela letra "S", ou seja, S30, S31, S43, e por ai vai.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Na verdade a segunda carteira é mais realista. O titulo da primeira "nova carteira de projetos" levou-me ao equivoco.

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  4. Uma "nova carteira" com realizações em 2012 que não devem acontecer nem em 2013...

    E outro destaque é essa de ficar mudando os projetos. No PP é moleza, eles criam um motor de 40 toneladas facinho, facinho.

    É espantoso! E mais ainda, o fato de ninguém "de dentro do sistema", faz nada. deixam por isso mesmo, e vida que segue.

    Tava mais do que na hora de alguem fazer uma greve para fechar essa "torneira de absurdos", mas acho que é pedir muito...

    Abs.

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  5. Há modificações também no alfa. Os motores do segundo estágio parecem mais compactos e o motor central não esta visível, também não se nota mais o afunilamento do inter estagio do L75 e o S43.

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    1. Olá Daniel!

      Bem observado amigo, talvez tenha também havido aí alguma modificação.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  6. Talvez tenha havido uma troca de motor do segundo estágio,do S43 pelo S50?.

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  7. Caro senhores!

    Algo me chamou atenção agora. Como já havíamos notado pelo desenho do VLS-Beta, o diâmetro do motor do primeiro estágio aumentou, até ai nada de novo. Agora notem que o aumento do diâmetro desse motor ficou muito parecido com o diâmetro dos motores do foguete Cyclone-4. Hummmmmmm, nesse angu tem coisa. Quando estive em SJC recentemente o comportamento de uma pessoa que respeito muito me chamou atenção, e sair de lá com a forte impressão de que ele sabia de algo que não quis me dizer. Durante a recente entrevista do blog com o Brig. Kasemodel, ele disse que uma das expectativas do IAE para 2013 era justamente a realização do ante projeto do VLS-Beta. Até onde eu sei o Brasil já consegue fabricar envelopes motores com o diâmetro de 1.40m (para quem não sabe, o envelope-motor do S43 do VLS-1 é de 1.00m), justamente o diâmetro do envelope-motor do S50 que está sendo desenvolvido para o VLM-1, mas já tendo a capacidade de chegar a 2.00m para acomodar o terceiro e quarto estágio do VLS-Alfa. Não sei bem qual é o diâmetro dos envelopes-motores do Cyclone-4, e o Eng. Miraglia poderia nos ajudar com isso, mas está claro que os diâmetros desses envelopes-motores são bem similares e isso pode significar o envolvimento dos ucranianos nesse projeto. Senhores nesse angu tem coisa e pode ser que o parceiro do Brasil no Programa Cruzeiro do Sul já não fale russo e sim ucraniano. Será?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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    1. Duda, esse conceito de Envelope Motor não se aplica diretamente a foguetes liquidos como o Cyclone-4. Um Aumento do dimetro do Alfa nao nessesariamente tem relacao direta com o Cyclone. Alem do mais o diametro desse Alfa gordinho (1.4m) ainda eh bem menor que o do Cyclone (3m)

      Pedro K

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    2. Olá Pedro!

      Não falei do Alfa e sim do BETA e a semelhança da espessura desse novo primeiro estágio com a espessura do motor do Cyclone-4. Entretanto, já surgiu um outra possibilidade, ou seja, talvez o mesmo seja um motor desenvolvido em parceria com os italianos da AVIO, mas enfim, vamos aguardar os acontecimentos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  8. Caros senhores!

    Outra coisa a se notar no projeto do veículo VLS-Beta é a altura do mesmo. Está claro que para o Brasil lançá-lo em 2020 como prevê essa nova carteira de projetos da AEB, será necessário até lá construir uma nova estrutura de lançamento, já que a nova TMI (Torre Móvel de Integração) do VLS-1 / VLM-1 / VLS-Alfa não comportaria esse foguete e talvez estaria ai outra brecha para a indústria ucraniana e sua solução de integração horizontal do foguete.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  9. Caros senhores!

    Outra coisa que eu quero chamar a atenção, pois pode ter passado despercebido pela maioria de nossos leitores, é que segundo esse cronograma apresentado por essa nova carteira de projetos da AEB, a primeira chance que o Brasil terá de colocar um satélite no espaço será com o "VLS-1 V04" em 2015, pois como foi anunciado o primeiro vôo do VLM-1 será o da Operação SHEFEX III, que segundo o DLR só ficará pronta em 2016, e vale lembrar que essa missão será suborbital. A não ser que o IAE resolva agora fazer um vôo de qualificação orbital do VLM-1 antes do lançamento da Operação SHEFEX III, a nossa primeira chance será mesmo com o "VLS-1 V04" em 2015. Isto é, se a DILMA e seus Blue Cats não atrapalharem. Outra coisa, voltando ao VLS-Beta, notem amigos que quem apresentou essa nova carteira de projetos da AEB foi o Sr. José Monserrat Filho, ou seja, ninguém menos que o "Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB". Em outras palavras, aparentemente as peças do quebra-cabeça começam a se encaixar.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  10. Opa!

    Se o Miráglia estiver lendo esse artigo, favor responder também a minha pergunta de um artigo anterior, sobre se o Brasil teria condições de lançar um satélite de uns 2 kg usando apenas recursos próprios atualmente disponíveis, ou seja, os motores de combustível sólido que já existem e foram testados por aqui e os sistemas de controle.

    Apenas como um exercício de "estudo de caso extremo", caso esses planos muito bem elaborados pela AEB no PP, por algum motivo inesperado, não deem muito certo...

    Abs.

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  11. Não me admiro de tudo mudar tão rápido, o governo não leva nada a sério e o IAE não está nem aí. Nessa época do ano todo mundo lá é dispensado meio período durante 3 meses, quem produz algo de valor desse jeito? por isso reitero aqui meu respeito pelo Dr. Waldemar, um dos poucos que fogem à regra e faz o time trabalhar período integral mesmo quando os outros se dispensam!

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  12. O PEB esta para o mundo dos programas espaciais, assim como um desfile de escola de samba com passistas russos em plena praça vermelha esta para o mundo do carnaval.

    Aos russos que nada entendem de carnaval, pode impressionar. Aos morros carioca, especialistas no tema, será motivo de piada.

    O PEB só impressiona quem nada entende de programas espaciais, ou seja 99% dos brasileiros incluindo ai sua classe politica, sociedade organizada e imprensa.

    No mundo real o PEB é uma piada ridícula.

    Fico triste em ver o Monserrat, uma pessoa séria e lúcida, aderindo à fantástica fabrica de power point.



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  13. Duda, o motor do VLS BETA desta ilustração, esta me parecendo o P80 do lançador VEGA, europeu. Partindo do principio que seja o P80 do VEJA este desenho me parece altamente problemático, explico porque.

    O VEGA possui capacidade de satelitização de 1500Kg para 750Km. Este VLS BETA possui capacidade de 800Kg x 800Km, ou seja aproximadamente a metade da capacidade.

    Porem ambos possuem (por hipótese) o mesmo motor de primeiro estagio e por conseqüência o mesmo empuxo. Porem o VLS BETA possuiria muito menos massa nos estágios superiores (já que possui menor capacidade de carga).

    Então assumam a seguinte hipótese didática.

    Um VEGA e um VLS BETA são lançados simultaneamente. O VLS BETA ganharia os céus muito mais rapidamente, porque apesar do mesmo empuxo que o VEGA possui muito menos massa em estágios superiores.

    Como em ambos os foguetes no primeiro estagio não haveria possibilidade de controle do empuxo, o foguete brasileiro vibraria muito mais durante as fases iniciais de vôo e principalmente no seu MAX Q.

    E vibração é uma variável altamente critica na engenharia de foguetes.

    A NASA anos atrás mostrada sua cápsula ORION associada a um lançador solido derivado dos atuais SRB do Space Shuttle.

    Ai fizeram as contas, simularam com precisam e verificaram que um foguete tão potente com estágios superiores tão leves seria um inferno em vibração e estresse estrutural, hoje admite-se por lá que um Atlas-5, Falcon-9 ou Delta-IV é a melhor saída para lançar tripulantes na ORION.

    Este slide pra mim é uma “brincadeira”, o Brasil deveria ter UM foguete recebendo recursos, , chama-se VLS-1, o foco do pais deveria ser lançá-lo com sucesso.

    Ai depois disto parte-se para outras empreitadas.

    Mais vale um foguete na plataforma do que 10 foguetes no Power Point.

    Abs

    Eng João Dallamuta

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    1. Oi João,

      Aproveitando a sua intervenção, poderia responder a minha pergunta aí em cima?

      Seria possível hoje o Brasil lançar um satélite de uns 2 kg em órbita, contando apenas com os motores de combustível sólido que temos disponíveis?

      Tipo um VS-30 em cima de um VS-40.

      Abs.

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  14. o que resultaria boosters p40 no cyclone 4?

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  15. Oi Marcos Ricardo;

    Dá uma procurada no Google sobre um foguete japonês chamado Lambda 4S. Ele foi responsável pela primeira satelitização japonesa em meados dos anos de 1960. Era um foguete de 9400Kg com capacidade LEO de 26Kg.

    Eu acredito que um Sonda-IV cuja massa de lançamento era 7400Kg, mas poderia ser aumentada em função do empuxo disponível de mais de 20.000 Kgf, associado a um segundo estagio com empuxo vetorado (coisa que o ultimo dos 4 Sonda-IV possuía) e um terceiro estágio estabilizado por spin (como no VLS) poderia sim ser um pequeno lançador até uns 20Kg.

    Pequenos foguetes se dividem em dois tipos.

    Os com controle de atitude ativo, como o SONDA-IV (que tem controle do vetor empuxo) e os estabilizados por aerodinâmica e/ou rotação como o Lambda-4S, Sondas, I, II e III, VS- 30 VS-40 entre outros.

    Este segundo grupo não é ideal para lançadores, uma vez que precisam deixar a plataforma e ganhar velocidade muito rápido para que suas aletas tenham autoridade aerodinâmica na estabilização, são verdadeiros tiros de canhão.

    Daí todos eles, inclusive o Lambda-4S que era lançador, ter um trilho de lançamento para que o guie pelos primeiros metros até ele ter alguma velocidade.

    Já o Sonda-IV era lançado de uma mesa, sem trilhos, como um foguete de grande porte.

    João Dallamuta

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    Respostas
    1. Oi João,

      Grato pela resposta. Entendi sua argumentação, mas a minha pergunta é mais para um estudo de caso entre nós sobre a possibilidade de estabelecer um marco.

      O Sonda-IV, sem dúvida poderia ter evoluído e ser a resposta, mas ele simplesmente não foi adiante...

      Ao que me parece, o VS-40, é uma versão mais recente do mesmo motor do primeiro estágio do Sonda-IV e o VS-30, uma versão mais moderna do motor do segundo estágio do Sonda-IV.

      Então, em termos bem claros: se houvesse a decisão técnica de juntar um VS-30, sobre um VS-40, usando tudo que temos disponível localmente em termos de sistemas de controle, seria possível essa combinação colocar em órbita um Cubesat de uns 2 kg?

      Gostaria de vislumbrar uma solução bem simples para isso, sem motores auxiliares laterais como o VLS. Uma solução a mais simples possível, entende?

      Grande abraço.

      Excluir
  16. O mais importante são as mudanças de cronograma, para pior.

    Quanto aos desenhos, acho que são meramente ilustrativos, sem nenhum compromisso muito sério com escalas etc.

    Este primeiro estágio mais 'gordo' do VLS-Beta me parece com uma proposta da Avio, não me lembro em que site está o PDF, mas é de um evento recente, de se instalar um motor de propelente sólido italiano no nosso foguete.


    abraços

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  17. Oi Marcos,

    Empilhar um VS-40 com um VS-30 em teoria é até possível. Vai funcionar? Não sei, teria que colocar tudo em um simulador e estudar os resultados.

    Os japoneses demonstraram que é possível lançamentos com métodos rudimentares de controle. Embora os tempos que queima do Lambda-4S eram menos severos do que dos VS-40 e VS-30 que como falei são verdadeiros canhões na forma de foguete.

    Eu só insisti na questão de foguetes controlados x não controlados, porque normalmente em engenharia não se renuncia ao controle de um sistema, especialmente quando a quantidade de energia envolvida é muito elevada como em um lançador.


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    Respostas
    1. Opa! então cabe a pergunta.

      Os nossos motores a combustível sólido não são técnicamente a melhor opção nem mesmo na categoria de foguetes a combustível sólido. Deveriam ser desenvolvidos de forma diferente para uso em foguetes lançadores de satélite. e talves até para uso em foguetes de sondagem, com uma queima mais controlada?

      Acho estranho pois temos o exemplo do foguete Scout a combustível sólido que cumpriu sua missão de lançador de satélites a contento durante alguns anos.

      Pode esclarecer?

      Abs.

      Grato.

      Excluir
  18. Oi Marcos,

    Eu não disse que foguetes de combustível sólidos não são eficientes.

    Quando digo foguetes não controlados, estou me referindo ao vetor empuxo, foguetes como o VS-30 e VS-40 não tem vetor empuxo controlados, por isto sua queima precisa ser rápida para que eles adquiram rapidamente velocidade e por conseqüência estabilidade aerodinâmica.

    Este tipo de foguete (sem controle do vetor empuxo) que é ineficiente.

    Foguetes como o VLS e Sonda-IV possuem vetor empuxo controlado, por isto sua queima pode ser mais lenta e por conseqüência a vibração e arrasto do foguete pode ser melhor otimizada.

    Para pequenas capacidades de satelitização, foguetes sólidos são uma boa escolha, tai o Scout que citastes, o Pegasus (EUA), VLS (Brasil), Shavit (Israel), SLV (Índia), Família Mu (Japão) como exemplos do quão combustível sólidos são viáveis e até vantajoso em alguns aspectos para cargas até 500Kg LEO.

    Para cargas até 1500ton também existem belos projetos de combustível sólidos, Taurus (EUA), VEJA (Europa), MV (Japão).
    São todos bons exemplos da validade desta tecnologia. A minha critica foi mais a ideia de usar foguetes de sondagem para lançamentos e não exatamente ao tipo de combustível.

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    Respostas
    1. Oi João,

      Só pra registrar, não respondo postagens de "anônimos" ou "avatares" nos fóruns dos quais participo, apesar de compreender que alguns acreditam não poder se identificar por temer algum tipo de represália (talvez no emprego). Estou supondo de boa fé que quem está me respondendo sobre esse assunto é o Sr. João Dallamuta que se identificou numa resposta anterior.

      Ainda sobre esse assunto. Eu já havia feito uma pesquisa sobre o Sonda IV, quando fiz uma revisão completa no artigo sobre ele na Wikipedia, aqui.

      Especificamente sobre a questão do "controle do vetor empuxo", ele foi aplicado na época sobre as primeiras versões dos motores S40 e S30 (de maneiras diferentes), portanto, é lícito supor que isso poderia ser feito novamente.

      Então, voltando a minha pergunta original: seria possível a um veículo em tudo semelhante ao Sonda IV, usando os mesmos motores em suas versões mais recentes, com controle de vetor de empuxo, e talvez um terceiro estágio menor, colocar em órbita um CubeSat duplo de 2 kg, ou até mesmo um simples, de apenas 1,33 kg?

      Sei que tem muitos cálculos envolvidos, aliás, hoje em dia tem vários simuladores que podem testar tudo em computador, mas só gostaria da opinião de alguém da área levando em conta apenas os empuxos dos estágios usando as versões atualizadas do S40 e do S30, se um veículo semelhante ao Sonda IV, seriam suficientes para colocar esses 2 kg em órbita, ou se ainda precisaria de mais um estágio menor.

      Eu insisto nisso, por julgar que seria um projeto relativamente rápido, de menor custo, pois os componentes já estão ai disponíveis, seriam muito menos componentes que um VLS por exemplo, sem os foguetes auxiliares laterais (que comprometeram os lançamentos anteriores à explosão), e suficiente para o Brasil colocar um satélite nacional em órbita, usando um lançador nacional, estabelecer esse "marco" e finalmente "virar essa página".

      Por outro lado, se a órbita for bem planejada e o satélite for projetado de maneira a ter uma vida útil praticamente “eterna”, o Brasil poderia estabelecer um recorde tipo o satélite mais longevo ou coisa assim, desbancando o Vanguard 1, o que seria bem legal.

      Abs.

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  19. Oi Marcos, eu publiquei como anônimo, porque não me familiarizei com as “manhas” de login do blog.

    Eu acho plenamente possível um pequeno lançador utilizando como base o Sonda-IV. Ele seria os dois primeiros estágios com TVC - Thrust Vectoring Control - e um terceiro estagio estabilizado por spin.

    Seria um foguete de uns 9200Kg de massa de lançamento e uns 20 Kg de capacidade arrisco dizer.

    Apesar de serem necessários cálculos bem complexos de desempenho, existem algumas aproximações que são possíveis fazer de acordo com o tipo de combustível.

    Foguetes de hidrogênio, como o Ariane-5, Space Shuttle, Energia, Delta-V, H-2. Lançam em orbita LEO (300Km baixa inclinação) algo como 4,5% da sua massa de plataforma.

    Foguetes líquido não criogênicos (Querosene ou Hidrazina), como o Soyuz, Delta-2, Ariane-4, Longa Marcha, algo próximo a 2,5% da sua massa de plataforma.

    Foguetes sólidos, como o Scout, VLS, Shavit algo entre 1% a 0,7% dependendo do tipo de envelopamento (aço ou bobinado) e da sua curva de aceleração.

    Se considerarmos pro nosso lançador um número conservador, algo como 0,4% teríamos 36Kg.

    Porem existe outra regra que tem haver com fator de escala.
    Em foguetes pequenos, muitos subsistemas possuem massas fixas ou quase fixas pouco importa o tamanho.

    Eu costumo usar o seguinte exemplo para meus alunos. Os testículos representam 1% da massa de um camundongo de 50g. Se nós adultos tivéssemos a mesma proporção de massa, nossos testículos pesariam 800g. Algo bastante improvável.

    Troque testículos por parafusos, conectores, cabos e uma série de itens e um foguete pequeno (camundongo) tende a ter mais massa fixa proporcional (testículos) do que um homem adulto (foguete grande).

    Assim os 36kg LEO do nosso lançador seriam ainda menores, algo próximo a 20Kg é factível e estaria perto do que os japoneses conseguiram com o L-2S que tinha tamanho similar e foi o menor foguete construído.

    Abs

    João Dallamuta

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    1. Beleza João,

      Agradeço pelo emprego do seu tempo em responder e me considero satisfeito. A resposta foi bem detalhada.

      Então, "testículos à parte", podemos dizer que seria possível, usando esse "lançador fictício", colocar um pequeno satélite de uns 2kg numa órbita mais alta que a LEO, e bater o recorde do Vanguard deixando ele lá em cima por algumas centenas de anos (de preferência "vivo").

      É isso que eu digo: um objetivo bem simples e definido. Passível de ser conseguido com recursos técnicos já disponíveis. Com possibilidade de estabelecer um marco mundial (tipo satélite mais longevo do Mundo).

      Muito legal!!!

      Mais uma vez obrigado.

      Grande Abraço.

      Excluir
  20. Oi Marcos,
    Eu concordo com você quando a idéia de definir objetivos mais modestos e cumpri-los integralmente.

    Veja o exemplo do VLS. Na minha opinião ele deveria ter sido projetado desde o inicio sem os 4 boosters laterais, na configuração que costuma-se chamar VLM.

    Tudo bem que seria um foguete de capacidade pequena, talvez 60Kg a uns 400km. Mas seria uma oportunidade melhor de validar todo o projeto. Pense que dos 3 lançamentos fracassados do VLS 2 tiveram problemas nos boosters laterais.

    No próximo lançamento do VLS (Já faz quase uma década que ele não é lançado), haverá tantos itens a serem qualificados. Separação da coifa, acionamento do terceiro estagio, basculamento, manobra de spin-up do quarto estagio, queima do quarto estagio, separação do satélite. Níveis de exatidão na satetilização, entre outras coisas que podem comprometer a missão, ai a cada falha se espera anos pra repetir, simplesmente vamos ter foguete homologado em 2040 e olha lá.
    Quando se esta adquirindo uma capacidade a área espacial, penso que a maneira correta de se trabalhar é fazer sempre da forma mais simples primeiro, como o Japão fez com o L-4S no final dos anos 60, como os indianos fizeram com o SLV no final dos anos 70, como o Irã esta fazendo com o Safir agora. Todos estes foguetes são significativamente menores que o VLS.

    A outra coisa importante alem de simplicidade absoluta é lançar com alguma freqüência.

    Os princípios de engenharia do VLS são corretos, eventualmente uma ou outra modificação entre lançamentos deve existir, mas o grosso do projeto é aquilo mesmo, não muda.

    Então o que deveria ser feito é o governo ter cojones político, colocar uns $100 milhões na mesa e encomendar 5 VLS. lançá-los a cada 12 ou 18 meses e no final de 5 a 8 anos ter o foguete homologado.

    No Brasil fazemos o contrario, o foguete precisa ser testado, a quase uma década que nada acontece e ficamos produzindo Power point de foguetes ainda mais complicados sem qualificar o projeto que estamos trabalhando a 28 anos, não consigo ver inteligência nisto.

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    Respostas
    1. Caro João,

      Folgo em ver que alguém com conhecimento técnico da área, comunga com os meus "chutes" por aqui, pois sou leigo no assunto, apenas um entusiasta, que sempre (desde a juventude), estuda detalhadamente a história da evolução dos foguetes modernos desde a época pré Segunda Guerra.

      Com o subsídio que você nos deu, vou preparar um material, resumindo de forma leiga, para que fique acessível a todos, essa possibilidade real de o Brasil executar uma missão espacial SIMPLES porém completa. Não confundir com essa MECB, que é (no meu ponto de vista), muito mais do que o Brasil pode executar nas atuais condições.

      Grande Abraço!

      Excluir
  21. Deixando de lado o VLS-Beta com diâmetro maior, oque mais me intrigou foi a existência de um terceiro tanque no segundo estágio do Alda (da pra ver na figura, com uma cor meio marrom acima do tanque de oxidante azul), isso pode ser um erro do artista.

    3 tanque, a unica coisa que me vem a cabeça são foguetes PRESSURE FED, ou alimentados pro pressão, isto é ao invés do motor liquido ter uma turbo-bomba ele tem um tanque a mais com gás pressurizado que é usado para empurrar o combustível e o oxidante para fora dos seus tanques e para dentro da câmara de combustão. Isso explicaria o maior diâmetro do primeiro estágio, foguetes Pressure Fed são mais pesados que que os com Turbo-Bombas (Fração Mássica de propelente menor), e precisariam de mais combustível para atingir a mesma órbita coma a mesma carga útil, explicando o aumento do primeiro estágio. Reparem que o Brasil já fez uma coisa nessa linha:

    http://brazilianspace.blogspot.com.br/2011/07/foguete-propelente-liquido-iae-avanca.html

    Entretanto eu estou mais inclinado a acreditar que a imagem como um todo está errada, uma vez que alem de 3 tanques no Beta dá para notar que aparece um motor foguete entre oque seria o tanque de combustível e de oxidante do Beta, e depois do tanque de combustível é possível ver o motor de verdade. Bom considerando tudo: 3 tanques, dois motores etc.. eu sou levado a acreditar que essa imagem não é muito confiável e não foi feita com o esmero esperado.

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