O Sucesso do VS-40M e o Atual Grande Gol do IAE

Olá leitor!

Como as notícias sobre o PEB estão escassas esse final de ano, resolvi xeretar um pouco na net em busca de informações que pudessem ser divulgadas no blog.

Procura de um lado, procura de outro, e quando tudo parecia caminhar para um resultado negativo, principalmente quando você não sabe o que está exatamente procurando, eis que surgiu uma luz, ou seja, o Programa SHEFEX.

Ora leitor se não levarmos em conta o sucesso recente alcançado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com a “Operação Iguaíba”, certamente o grande feito do Programa Espacial Brasileiro (PEB) em 2012 foi a grande impressão positiva deixada pelo versátil foguete brasileiro VS-40M durante a realização bem sucedida da “Operação SHEFEX II”, principalmente com o frustrante fracasso do INPE em lançar em 2012 o satélite CBERS-3.

Vale dizer que o sucesso do VS-40M impressionou tanto aos alemães do DLR que o foguete já foi escalado para uma nova missão prevista para 2014, ou seja, a “Operação HIFIRE 8”, aumentando assim sua demanda de voos em mais um voo para os próximos anos, pois o mesmo já estava escalado para as Operações SARA Suborbital 1 e 2.

Concepção Artística da Carga útil HIFIRE 8

Além disso, existem indícios de que estejam em estudo no DLR à intenção de se fazer mais dois voos do SHEFEX II (Operações SHEFEX IIa e IIb), isso antes do voo do “VLM-1/SHEFEX III” previsto para 2016, onde provavelmente se usaria o nosso VS-40M, mas ainda não há nada de oficial nessa questão.

Bom leitor, mas agora falando do projeto de desenvolvimento que me parece ser atualmente o grande gol do IAE (junto evidente com o projeto do motor líquido L75), já que o VLS-1 agora é mais uma questão de testar em voo as tecnologias já desenvolvidas, o projeto do VLM-1 deverá em 2013 contar com grande atenção dos laboratórios do IAE envolvidos, ai incluído também o Laboratório de Identificação, Navegação, Controle e Simulação (LINCS)”, liderado pelo Dr. Waldemar de Castro Leite, que se não me engano estará não só se envolvendo com o sistema de navegação do foguete, como também com a integração do próprio experimento SHEFEX III com os subsistemas do foguete, trabalho árduo que deverá se estender, espero sem atrasos, até o ano de 2016, já que pelo que foi divulgado anteriormente, o voo de qualificação do foguete será o mesmo do SHEFEX III, o que pessoalmente consideramos muito arriscado.

Abaixo, trago mais informações sobre esse projeto liberadas recentemente pelo DLR alemão.

Duda Falcão



Fonte: Centro Aeroespacial Alemão (DLR)

Comentários

  1. Podemos considerar o lançamento do VLS-1 como um teste para componentes do VLM ? Já que os dois compartilharam parte do sistema elétrico e sensores.

    Abraços

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    1. Olá André!

      O projeto do VLS-1 está mais diretamente ligado ao projeto do VLS-Alfa, onde tecnologias que estão sendo usadas como o SISNAV, as redes elétricas e o sistema de separação da parte baixa do foguetes serão empregadas no VLS-Alfa.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Interessante artigo. Como você falou no principio, as novidades do fim do ano sempre entram em stand by (por causa do periodo de férias), e provavelmente assim que iniciar o novo ano notícias mais incisivas aparecerão.

    Acho muito positivo o fato dos Alemães estarem investindo na qualidade da tecnologia do Brasil, e creio que por causa disso ganhamos aí 'clientes' e parceiros ativos. Pergunto se os dados do programa Sheflex ficarão somente no domínio alemão ou se existe uma partilha e cooperação para além do fornecimento dos foguetes.

    Esperemos que o desenvolvimentos dos satélites e que os experimentos que o PEB irá conduzir nesse ano de 2013 aumentem o leque de propostas do Brasil para atuar nos projetos irrealizados, e que atraia mais a atenção de outros países. Creio que o SARA e o VLM poderão cumprir esse papel, mas só aguardando para ver.

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  3. Olá Israel!

    Não creio, o projeto SHEFEX é alemão e não creio que tenha algo acertado nesse sentido, mas os alemães estão nos ajudando com o sistema de reentrada atmosférica do Projeto SARA.

    Aba

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  4. Por falar em motor L75, os dinamarqueses conseguiram recentemente testar um motor de 65KN, apesar de não parecer que esteja concluído. Creio que dá para ter uma pequena idéia de como será o L75, que terá mais 10KN do que o motor dinamarquês:

    http://www.youtube.com/watch?v=32b3g3UiKkQ

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    Respostas
    1. Israel,

      O pessoal da Kopenhagen Suborbitals trabalha num esquema bem amador.

      São apenas dois caras trabalhando direto no projeto, os demais são voluntários eventuais, tudo com base em doações de pessoas físicas e algumas poucas empresas.

      Enquanto lá, nessas circunstâncias eles já efetuaram o testes desse motor de 65 kN, nós aqui, com todo esse "parque tecnológico", segundo o que foi divulgado, testamos um motor de 5 kN e outro de 15 kN, sendo que nenhum deles nos brindou com um vídeo dessa qualidade sobre o evento...

      Nessas horas, é que eu me pergunto. Será que o problema está mesmo no "governo"? Gente, esse motor do vídeo foi feito num galpão. Eles não usam nenhum laboratório sofisticado. Simplesmente usaram a quantidade enorme de documentação existente para atingir o seu objetivo.

      Mas talvez essa seja a diferença. Lá eles tem UM objetivo, que é realizar um voo soborbital tripulado. O que eu classifico como no mínimo ROMÃNTICO. Então eles estão indo de passo em passo, construindo TODA a infraestrutura necessária, incluindo motores híbridos, motores a combustível líquido, como esse do vídeo, uma plataforma de lançamento flutuante, dois bancos de testes estáticos de motores, a capsula a ser usada no voo, etc, etc, etc.

      Eu fico muito impressionado, apesar dessa missão um tanto ou quanto (a meu ver) fora de propósito, com o tanto que eles já realizaram, e tudo fartamente documentado com tão poucos recursos.

      Dá o que pensar.

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    2. Opa!

      Faltou dizer que a missão original na qual esse projeto se baseia, a Mercury-Redstone 3 (Freedom 7), usava um foguete Redstone, cujo motor, segundo as informações disponíveis, tinha entre 350 e 400 kN de empuxo...

      Claro que os parâmetros dessa missão devem ser muito mais modestos, tipo a capsula deve ser muito mais leve, não só devido as tecnologias de material como também de projeto, mas mesmo assim, é um parâmetro. Como foi basicamente um desses foguetes que colocou em órbita o primeiro satélite americano, podemos dizer que: só com um motor a combustível líquido com empuxo superior a 400 kN, pode ser considerado como apto a ser usado nos primeiros estágios de um foguete com aspiração de colocar uma pequena carga em órbita.

      Att.

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  5. Amigos

    Com relação a dizer que é necessário um motor de 400 kN para se colocar uma pequena carga em órbita, é um equívoco.
    O lançador Diamant A colocou um satélite em órbita e o motor do primeiro estágio o Vexin produzia um empuxo de 283 kN, presurizado a gás por um gerador de propelente sólido, vejam http://orbitalaspirations.blogspot.com.br/search?q=diamant+a
    O Vanguard americano utilizava no primeiro estágio um motor, o X-405 com um empuxo de 135 kN. Vejam o documento http://ntrs.nasa.gov/archive/nasa/casi.ntrs.nasa.gov/19740072500_1974072500.pdf
    O tamanho do motor é função da carga útil e do tipo de sistema de controle a ser utilizado, o Vanguard é um projeto de referência, falhou no seu primeiro lançamento mas no terceiro colocou um satélite em órbita. Estes projetos entre outros deveriam servir de inspiração.

    Miraglia
    www.edgeofspace.org

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    Respostas
    1. Oi Miráglia,

      Fico cada vez mais abismado com a quantidade e informações e primcipalmente o nível de detalhe que se encontra na internet sobre esses assuntos...

      Se tiver um tempo, por favor, responda essa minha pergunta ai em baixo, sobre um "estudo de caso" muito incipiente, sobre se poderíamos colocar em órbita um pequeno satélite de uns 2 kg, usando uma combinação de motores movidos a combustível sólido que possuímos hoje em dia, tipo um VS30 em cima de um VS40 e mais alguma coisa...

      Abs.

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  6. Olá Eng. Miraglia!

    Verdade amigo, fora o fato de que os motores podem ser montados em cacho, como prevê o IAE usar o motor L75 no veículo VLS-Beta e nos outros da família Cruzeiro do Sul.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  7. Uma diferença "básica" entre o L75 e o TM65 é que o primeiro usa turbobomba, o segundo é pressurizado por gás inerte. Por uma série de fatores, o L75 leva vantagens sobre o motor dinamarquês, principalmente no que diz respeito ao que se acostumou chamar de "arrasto tecnológico" de um projeto.

    Saudações.

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  8. É como comparar o programa VLS com o Tronador argentino. Nosso projeto é cientificamente e tecnológicamente mais avançado.

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  9. O L75 é um projeto profissional visando aplicações profissionais sendo desenvolvido por profissionais. O resto é conversa fiada.

    Miraglia
    www.edgeofspace.org

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  10. Opa!

    Gostei disso, pois a discussão esclareceu algumas das minhas dúvidas.

    Mas hoje em dia, a minha inspiração, e o foguete Scout e não nesse momento, o Vanguard, pelo simples fato de que os nossos projetos profissionais e bem elaborados de motores a combustível líquido, estarem muito no início e pelo visto sem muita prioridade desse nosso "governo".

    O foguete Scout por outro lado, envolvia tecnologias que nós teoricamente, já dominamos, que são motores de combustível sólido. Gostaria que o Miráglia ou outro que tenha o conhecimento necessário, esclarecesse o seguinte:

    Seria possível hoje ao Brasil, contando apenas com os motores já existentes, tipo montando um VS-30 em cima de um VS-40 e talvez mais algum estágio extra, colocar um satélite de uns 2 kg em órbita, tentando reproduzir o feito do Vanguard 1, que está lá em cima até hoje e deve ficar lá ainda por um bom tempo?

    Abs.

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  11. VLM for Shefex III - Composite Structures in Space Transport

    http://www.dlr.de/fa/Portaldata/17/Resources/dokumente/Innovationsbericht_2012_gedruckte_Version.pdf [see page 26]

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