Tanques de Combustíveis do Cyclone-4 Chegam Domingo
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria publicada hoje (06/07) no jornal
“O Estado do Maranhão”, destacando que como já havíamos anunciado os Tanques de
Combustíveis do Cyclone-4 começam a chegar nesse domingo (08/07) ao porto de
Itaqui, no Maranhão.
Duda Falcão
Geral
Tanques de Combustíveis do Cyclone-4
Começam a Chegar Domingo no Itaqui
Equipamentos do foguete,
construído pela empresa
brasileiro-ucraniana
Alcântara Cyclone Space, serão
descarregados do
navio Socol-3 e levados para o CLA
O Estado do Maranhão
06/07/2012
Divulgação
Modelo do foguete que deverá ser lançado do CLA em 2013
Os primeiros equipamentos terrestres de grande porte que
vão proporcionar o lançamento do foguete Cyclone-4, construído pela empresa
brasileiro-ucraniana Alcântara Cyclone Space (ACS), começam a chegar, no
domingo (8), ao porto de Itaqui, no Maranhão, trazidos pelo navio Socol-3, que
tem 103 metros de comprimento por 19 metros de largura, de bandeira de São
Vicente e Granadinas, país da América Central. A carga a ser desembarcada,
procedente da Ucrânia, é constituída de 15 tanques de combustível e seus
acessórios de montagem. Para o transporte de todo esse material para o Centro
de Lançamento de Alcântara ( CLA), serão utilizadas cerca de 20 carretas e guindastes
com capacidade entre 30 e 40 toneladas.
As obras do sítio de lançamento do foguete são de
responsabilidade das empresas Odebrecht e Camargo Corrêa e deverão ser concluídas
até outubro deste ano. Cerca de 1.300 pessoas, entre trabalhadores fixos e
empregados temporários, atuam nas obras. “Essa estimativa inclui técnicos da
empresa e da Ucrânia, além da mão de obra local”, afirmou o gerente
socioambiental da ACS, Josildo Portela.
O primeiro voo do Cyclone-4, tecnicamente chamado de “voo
de qualificação”, está previsto para o fim de 2013. O prédio (TC-100) para a
montagem, integração e teste da carga útil, situado no Complexo Técnico do
Sítio de Lançamento, está entre as partes mais adiantadas da obra. No local,
serão preparados os satélites que sairão já encapsulados da unidade de carga útil
para se acoplarem aos estágios propulsores do Cyclone-4.
Outra obra adiantada é o TC-200, a ser usado para
montagem, integração e teste do veículo lançador. Nessa área, será montado o
Cyclone-4, que tem 40 metros de comprimento, três metros de diâmetro e coifa
(ponta) com quatro metros de largura. O foguete possui uma capacidade de
lançamento de até 500 km de altitude.
O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e o Centro de
Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) têm mantido a média de seis a oito
lançamentos por ano desde 2008. Somente entre março e abril deste ano, o CLA
lançou três foguetes de treinamento básico. Para o próximo mês, está previsto o
lançamento de um foguete de treinamento intermediário e, até o fim do ano,
outro foguete de treinamento básico.
Dados - A Ucrânia é projetista de 67 tipos de satélites e
de 12 sistemas de lançamentos especiais, incluindo uma série de mísseis
balísticos intercontinentais, entre eles o SS-18, além do Kosmos, Dnepr, Zenit
e Cyclone. Projetou, também, 17 tipos de motores de foguete e sistemas de
propulsão de satélites.
O Cyclone-4 que será lançado no Maranhão, vem de uma
série desenvolvida desde 1969 e teve 227 lançamentos, dos quais 222 foram
bem-sucedidos e apenas cinco tiveram problemas de inserção, mas sem nenhum
acidente.
MAIS
ALCÂNTARA CYCLONE SPACE
A presidente Dilma Rousseff assinou decreto esta semana
autorizando a transferência R$ 135 milhões da União para aumento de capital da
Alcântara Cyclone Space (ACS). O dinheiro a ser transferido é do orçamento
público deste ano e do ano passado. Conforme o decreto, R$ 50 milhões são do
crédito ordinário aberto em favor do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (previsto na Lei nº 12.581/2011) e R$ 85 milhões estavam inscritos em
Restos a Pagar (Lei nº 12.595/2012). O aumento de capital da empresa estava
acordado entre o Brasil e a Ucrânia. Segundo o site da ACS, a empresa foi
constituída em agosto de 2006, com investimento inicial de US$ 4,5 milhões de
cada país. O tratado original estabelecia que o Brasil e a Ucrânia deveriam
administrar o capital da empresa até um total de US$ 105 milhões. Em 2008, o teto
do capital da empresa passou para US$ 375 milhões.
Fonte: Jornal O Estado do Maranhão - pág. 06 - 06/07/2012
Comentário: Pois é leitor, tá aí a notícia do jornal da
região. É lamentável, mas fazer o que? Aproveitamos para agradecer ao leitor
maranhense Edvaldo Coqueiro pele envio dessa matéria.

Afinal qual o papel do Brasil nessa ACS? Apenas dar a verba e servir como base de lançamento? O foguete ja esta pronto e esta vindo aos pedaços para ser montado aqui?
ResponderExcluirOlá Anônimo!
ResponderExcluirDe forma geral, o acordo prevê 50 por 50%, sendo que o Brasil entra com o sítio de lançamento (obras civis) e a Ucrânia entra com o foguete e equipamentos relacionados, além dos esquipamentos de lançamento, como a torre, entre outros. Além disso o investimento no capital da empresa também é dividido meio a meio. Isso é o que prevê o acordo. Quanto ao foguete, sim, ele virá pronto, mais desmontado para ser montado e integrado em Alcântara.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
Apesar de tudo, será que pelo menos vamos absorver alguma tecnologia para o nosso programa espacial?
ResponderExcluirUm abraço Duda
Olá Carlos!
ResponderExcluirNão, o acordo não prevê qualquer tipo de transferência de tecnologia nem desenvolvimento conjunto. Entretanto, posteriormente foi negociado pelo Raupp, quando ainda era presidente da AEB, um novo acordo que prevê num eventual projeto de um Cyclone-5, a participação da indústria brasileira. Entretanto, isso só vai acontecer se a empresa realmente se firmar no mercado, e a possibilidade disso acontecer é muito pequena.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
bem... estamos na torcida ... discordo de voçê duda pelo simples fato de o governo dilma está literalmente acabando com o VLS , não acho que o brasil está pronto pra embarcar na ''aventura espacial'' sozinho (não com tão pouco investimento) , uma ajuda ''de fora '' como da ucrânia pode ter alguma influência nos nossos literalmente ( com o perdão da palavra) políticos boçais
ResponderExcluirUm lançamento bem sucedido do Cyclone 4 de Alcântara pode causar um grande impacto na opinião pública, e promover um aumento pelo interesse dos brasileiros quanto às demandas espaciais. Se isso acontecer, já terá valido a pena.
ResponderExcluirOlá João Paulo!
ResponderExcluirNão é bem assim amigo, o VLS-1 é um foguete que está pronto, ou seja, não há mais qualquer empecilho tecnológico para o seu lançamento, o que há é um governo que atrapalha cortando verbas. Quanto a parcerias internacionais, não sou contrário, mas não posso aceitar uma acordo 'candiru' como esse acertado com a Ucrânia, e nem a Ucrânia seria o parceiro mais indicado para uma parceria com o Brasil na área de veículos lançadores.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
Olá Anônimo!
ResponderExcluirPode até ser que sim, mas o preço ecológico e financeiro resultante da operação dessa empresa, mostra que será um desastre em todos os sentidos.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
eu prefiro a china ou outro no lugar da ucrânia
ResponderExcluirOlá João Paulo!
ResponderExcluirA China seria um bom parceiro se houvesse essa possibilidade, mas em minha opinião o melhor parceiro seria os russos.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
Duda, concordo integralmente. Foram os russos q nos ajudaram para resolver os 'problemas' no vls, sem contar seus lançadores testados comprovadamente -- o soyuz, o progress, e mesmo o mais novo, o Zenith. hoje, sem dúvida, na gama de lançadores, os rusos sao um dos países mais bem servidos.
ResponderExcluirAgora, devemos ficar atentos com a poluição que esse lançador pode causar em nosso país. Mais um vez reitero, nao quero ver chuva ácida pq de um tecnologia extremamente ultrapassada.
Sou extremamente contra a esse Cyclone-4. Os contras, sao muito maiores que os prós. Abraços duda, e viva sim, aos nosos vls e vlm!
Olá Tassio!
ExcluirVale lembrar que o Zenit não é russo, é ucraniano! Se não me engano, apenas o estágio superior é russo (Blok-D ou Fregat) e o motor do primeiro estágio também(RD-171). O resto é construído pela Yuzhnoye e a Yuzhmash, mesmas fabricantes do Cyclone-4. http://en.wikipedia.org/wiki/Zenit_rocket
Olá Heverton, eu tenho lido sempre q posso noticias da roscomos no site [http://www.russianspaceweb.com/index.html] o melhor sobre os dados da historia/atual dos lançadores e equipamentos espaciais russos.
ExcluirConfesso q fiquei muito -- muito! -- surpreso de saber q alguns estagios do aclamado Zenit, que já li coisas como "mais moderno" e "inovador" tbm sejam obras de construtoras ucranianas.
Provavelmente [se o lançador for como estou pensando] os estágios fabricados pelos ucranianos [2º - 3º] ou nao usam a hidrazina -- se estiver errado, me corrija por favor -- ou entao nao são capazes de causar desastres ecolocicos como o seu irmao menor o cyclone-4.
De qualquer jeito, comprar uma tecnologia estagnada, q ja li de comentarios aq no blog, nao aprovada mesmo pelo gigante Sergei Korolev, se trata de um erro tremendo -- ambiental e economico -- erro este q Não pode ocorrer em nossa nação.
Mas nossa, gostei de saber. Heverton, se vc poder, eu tbm gostaria de saber como anda o desenvolvimento do lançador pesado Angara, e tbm se a roscomos planeja ainda utilizar os lançadores do buran, o Energia senao me engano.
Abraços cara!
Então Tassio, os ucranianos tem um know-how excelente na área espacial, e ano passado eles foram o 5° país que mais teve lançamentos no mundo. Apesar do Dnepr estar sendo meio que deixado de lado por causa do preço, o Zenit é um veiculo muito interessante, potente e confiável para o mercado. O problema do Cyclone-4 é realmente o combustível, já que em outros aspectos ele parece ser um foguete bem vantajoso, devido a alta confiabilidade do Cyclone-2 e 3. A carga útil pra GEO é um pouco pequena mesmo, mas pra LEO é um valor relativamente bom.
ExcluirQuanto ao Angara, pelo que eu li o pessoal da Khrunichev irá enviar a primeira versão (1.2 PP) para o Cosmódromo de Plesetsk até dezembro desse ano, esperando lança-lo em 2013. A versão mais potente (Angara 5) eles esperam conseguir lançar ano que vem também. O complexo em Baikonur será completado em 2014.
Já o Buran... Ficou no passado mesmo. Pelo que eu saiba, eles não tem planos de reativar o programa devido aos altos custos. Temos que nos contentar com a herança dele, que é o... Zenit! O Buran usava 4 Zenits como foguetes auxiliares (imagine a potência!). Depois que o programa foi cancelado, eles adaptaram o Zenit como veículo lançador. Outra herança é o motor RD-170, o mais potente já construído, sendo mais forte que o F-1 do Saturn V. Após umas modificações, ele originou o RD-171 (do Zenit) e o RD-180 - versão menor usado pelo foguete americano Atlas V.
Abraço!
Heverton, nossa, nem sei como agradecer. Fiquei feliz em saber que finalmente os russos fizeram um motor tao potente assim, aliás, mais que o motor do incrivel satun-V. nossa, impressionante! e que ele é o zenit!!
ExcluirAgora entendo pq chamam ele de "inovador"!!
E que bom que a versao Angara 5 já tem previsao para 2013 tbm, nossa, to impressionadissimo. será q eles pensam agora em enviar uma carga paga para a lua, que dispõem de um um motor tão poderoso?
Abraços heverton!!
Olá Tassio!
ResponderExcluirPois é amigo, acredito que o melhor parceiro sem dúvida nessa área seria os russos. Não digo em foguetes completos, afinal não é necessário, mas em partes do foguete (como desenvolvimento de motores-foguetes líquidos e sólidos) e em infraestrutura, como a conclusão da banco de testes para motores-foguetes líquidos de 400kN, negociado anteriormente e não concluído.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
Duda, e sobre a Esa, seria interessante manter as conversas com ela sobre o lançador medio Vega? Ele acabou de ser testado aq na Guiana senao me engano, e me parece promissor para substituir o cyclone-4 aq mesmo, nessa plataforma q está sendo concluida.
ExcluirTbm, senao me falha a memoria, ambos possuem mais ou menos a mesma carga paga; creio que seria muito melhor.
oq vc acha? Sobre os russos, sim, seria incrivel para nosso PEB, mas com nosso [des]governo...
abraços meu caro!
Olá Tássio!
ResponderExcluirTecnicamente eu não sei lhe responder, talvez sim, talvez não, mas politicamente mesmo que houvesse interesse do Brasil, não acredito que houvesse interesse da ESA, até porque eles gastaram alguns milhões de euros para construir a infraestrutura de lançamento do Vega na Base de Kourou, e assim não faria sentido essa negociação, já que o lançamento de Kourou também é competitivo. Além disso, temos de parar em tentar encontrar soluções paliativas para o Cyclone-4. Se o governo Dilma tivesse realmente seriedade e compromisso com o PEB, não teria feito na semana passada o absurdo de liberar R$ 135 milhões para esse desastroso acordo com a Ucrânia. A verdade é que esse dinheiro seria mais que suficiente para finalizar o VLS-1, adiantar muito o projeto do VLM-1 e ainda sobraria recursos para ser aplicados em outros projetos.
Caro Tássio, o Brasil hoje está desenvolvendo 3 motores-foguetes líquidos (L5, L15 e L75) e o motor-foguete sólido S-50. Tem projetos para desenvolver o motor-foguete líquido L1000 (cluster formado por quatro motores L75 montados em cacho) e o motor-foguete sólido P40 de quarenta toneladas. Se realmente o governo Dilma tivesse seriedade e comprometimento com esse projetos, investimentos no projeto SIA, em recursos humanos, no projeto do banco de provas para motores-foguetes líquidos de 400kN e numa nova usina para motores-foguetes que comporte testes de motores-foguete sólidos como o P40, em três anos teríamos o VLS-1 e VLM-1 prontos e seguindo um cronograma sério e bem elaborado, poderíamos até em 8 anos tem um foguete muito mais eficiente e ecologicamente correto do que esse trambolho tóxico ucraniano.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
Oi Duda, mais uma vez concordo com vc em tudo.
ExcluirE nossa, é sempre bom ter mais informações sobre nosso PEB, meio que eu fico feliz e triste ao mesmo tempo, de saber que temos homens e mulheres serios capitaneados por gente que "não quer nada com a hora do Brasil".
E sim, é mesmo, acho q a Esa não se interessaria mais, e tabm, é muito melhor investirmos em nós mesmos.
Abraços!!
Pois é Tassio!
ResponderExcluirO grande problema é o governo, e quando esse empecilho não existir mais o salto tecnológico será grande. Entretanto, poderá ser tarde demais, pois o abismo já é muito profundo.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)
O investimento que o Brasil está fazendo é na base de lançamento. O pais não vai precisar de uma base de lançamento quando os lançadores brasileiros estiverem funcionando?
ResponderExcluirEntão o investimento é necessário. E, ainda vai sair lucrando 50% com o acordo com a Ucrânia.
Claudio Zabatonov
Curitiba - PR
Olá Cláudio Zabatonov!
ResponderExcluirSeja bem vindo. Bom amigo, você parece não demonstrar ter muito conhecimento sobre o assunto. Não confunda o sítio de lançamento da mal engenhada empesa bi-nacional Alcântara Cyclone Space (ACS), que é direcionado a esse trambolho tóxico ucraniano Cyclone-4, com o sítio de lançamento do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), pertencente ao Comando da Aeronáutica (COMAER), que é direcionado aos lançadores brasileiros (VLS-1, VLM-1) e onde já se encontra a Torre Móvel de Integração-TMI (veja a matéria aqui no blog. Procure pela matéria intitulada: "Andamento das Atividades da Operação Salina"). Apesar do sitio da ACS está numa área alugada pelo COMAER a ACS, próximo ao CLA, são sítios distintos, tá ok? Quanto ao tal lucro que você se referiu, não existe, já que o acordo é uma tremenda furada e essa empresa não tem futuro nenhum no mercado internacional de lançamento de satélites comerciais. Nem mesmo é levada a sério pela concorrência.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)