Proj. de Nanosatélites do INPE. Ainda Há Alguma Esperança

Olá leitor!

No dia 17 passado, completamente desmotivado com a atual situação do PEB e com notícias cada vez mais desastrosas (veja o caso do Governo do Rio que comprou um metrô que não encaixa, notícia essa que deve ter virado chacota em todo mundo), resolvi buscar alguma luz com um dos grandes profissionais do nosso Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Assim sendo, em contato informal via e-mail com o pesquisador Otávio Durão, coordenador do Projeto do NanosatC-Br1 do instituto, voltei a me animar com as notícias passadas por ele sobre esse importante projeto para o PEB.

Assim sendo, transcrevo na íntegra abaixo leitor o texto enviado ao blog pelo Dr. Durão, fazendo uma descrição da atual situação desse projeto e de outros atualmente em curso que é muito animadora.

Duda Falcão

Nosso programa de nanosatélites está indo muito bem. O nosso primeiro cubesat está tendo seu lançamento contratado agora para um lançador chinês para o primeiro trimestre de 2013. Não pudemos lançá-lo de carona com o CBERS-3 em Novembro porque isto contrariaria a lei internacional da ONU que todo artefato espacial deve reentrar na atmosfera em até 25 anos após a sua vida útil. Na altitude do CBERS-3, a 780 km., com a massa de um kg. e com a área de arrasto, ele levaria cerca de 33 anos para reentrar após o lançamento, o que exigiria uma vida útil de 8 anos para se enquadrar. Embora haja cubesats há mais de 9 anos voando, isto é uma exceção. Neste novo lançamento a reentrada se dará 22 anos após o lançamento, a 600 km., o que também é melhor para o experimento científico (esta altitude mais baixa). No Google, se você entrar com a palavra chave NanosatC-Br1 você já poderá encontrar bastante material sobre o projeto. Estou colocando abaixo uma foto do modelo de engenharia da plataforma, que foi adquirida da empresa holandes ISIS. Nela vamos inserir uma placa com 3 cargas úteis: dois circuitos integrados projetados no Brasil para uso espacial (com proteção à radiação) e um magnetômetro, para medidas do campo magnético na anomalia do Atlântico Sul. A placa está sendo testada na UFRGS e entrará em fabricação final este mês ou no próximo. A estação de solo também já está operacional em Santa Maria, no INPE/CRS e poderá ser usada por outros cubesats em UHF/VHF e banda S.

Em Setembro devemos receber uma segunda plataforma, desta vez 2U para uma segunda missão já definida com cargas úteis científicas e tecnológicas, para lançamento em 2014. Iremos montar uma outra estação de solo aqui em São José dos Campos, no ITA.

Em cooperação com o INPE-CRN e a UFRN estamos desenvolvendo uma missão proposta como uma alternativa ao sistema SCD atual e com o uso de uma plataforma 8U, totalmente redundante e um transponder de coleta de dados em fase final de testes. A FINEP já nos deu recursos para a compra desta plataforma que deverão estar disponíveis ainda este ano. Com a integração do transponder a ela e os teste sendo bem sucedidos poderemos partir para modelos de vôo destes satélites com massa total de 8,4kg. Acreditamos que este transponder e esta plataforma podem também ser de interesse em outras aplicações civis e de defesa, principalmente quando usada em constelação (comunicação, sistema de identificação automático de embarcações e outras com diferentes cargas úteis). Pode-se estar também com isto criando-se uma demanda operacional para o VLM ou VLS para lançamentos múltiplos.”

Otávio Durão

Modelo de engenharia da plataforma do NanosatC-Br1

Comentário: Pois é leitor, como você mesmo pode notar, esse programa do INPE não parece sofrer da falta de recursos financeiros como ocorre em grande parte dos projetos do PEB, e se seus prazos forem alcançados como espera o Dr. Durão, certamente teremos avançado bastante nesse tipo de tecnologia, e ao mesmo tempo criando uma demanda operacional para o futuro VLM-1. Parabéns ao Dr. Durão e toda sua equipe. Entretanto, o que me causa ainda uma insatisfação com relação a esse projeto é a necessidade da importação dessa plataforma, pois em nossa modesta opinião é inadmissível que ainda não tenhamos no país uma empresa que forneça esse tipo de plataforma. 

Comentários

  1. É lamentável estarmos comemorando projetos de nanosatélites que nem são brasileiros, quando digo que nem são brasileiros me refiro a estrutura eletrônica embarcada e outros perífericos e isso porque é um nanosatélite, o qual em países desenvolvidos é feitos por estudantes de universidades para fixar os conceitos aprendidos em sala de aula!

    Mas enfim pelo menos estamos trabalhando com alguma coisa que tem o nome satélite! Antes isso do que nada! Mas não podemos dar por satisfeitos devemos cobrar as autoridades brasileiras!

    Acho que é pedir muito para o meu santo, se pelos tivessemos uma mídia manipuladora que alertasse a podridão que existe no cenário político, como aqueles marajás de Brasília andaM enganando o povo eu já estaria agradecido. Pois assim o povo iria voltar as ruas para reivindicar seus direitos faria oposição e etc.

    Mas enquanto a nossa mídia continuar mostrando que cara bem de vida é o rapaz malandro com três mulheres, jogador de futebol ou ladrão(ultima novela da GLOBO) que EXEMPLO ESSA PORCARIA DE MIDIA está dando PARA O POVO BRASILEIRO.

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  2. Olá Anônimo!

    Não é bem assim amigo, o NanosatC-Br1 é um nanosatélite concebido e desenvolvido no Brasil, pois a plataforma não passa de uma caixa com um subsistema de suprimento de energia, já os esquipamentos do satélite foram desenvolvidos no Brasil. Entretanto concordo contigo, como disse em meu comentário acima, que é inadmissível que essa plataforma ainda não seja produzida no país. Entretanto, após ter postado essa nota, já recebi notícias de que se está formando uma empresa brasileira para fornecer esse tipo de plataforma. Aguarde por maiores informações em breve.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Sim, apesar do entusiasmo ao ver que ao menos têm a intenção de começar por alguma coisa, ao ver esta plataforma e seus componentes, sinto muito mas a pensar em termos espaciais vê-se que esta tecnologia usada, a julgar pelos componentes expostos está totalmente ultrapassada e poderia ser dez vezes mais leve com capacidade 100 vezes maior! Desculpem mas como tudo aqui no Brasil tudo é desperdício e custos gostaria de saber o orçamento efetivo para uma empreitada como esta para poder ter um parâmetro de comparação com o que existe por aí sesm a chancela do dinheiro público mal aplicado!
    (Em tempo, para conseguir a autenticação da mensagem quanto sufoco!)

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  4. Olá Anônimo!

    Não sei precisar se realmente é uma tecnologia ultrapassada ou não, até porque a foto acima não passa de um modelo de engenharia e não de vôo, além é claro de não ser um especialista da área. Entretanto, não acredito que seja e que os parâmetros determinados para o projeto devem estar dentro dos conformes.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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