UFMA/AEB Discutem Situação dos Quilombolas na SBPC

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (24/07) no jornal “O Estado do Maranhão”, destacando que a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e conjunto com a Agência Espacial Brasileira (AEB) discutiram ontem na reunião da SPBC no Maranhão os impactos da construção do Centro Espacial de Alcântara (CEA) sobre as Comunidades Quilombolas.

Duda Falcão

Geral

UFMA Discute na SBPC Impactos
do Centro Espacial de Alcântara

Com a presença do presidente da Agência Espacial Brasileira,
José Raimundo Braga Coelho, e do reitor da UFMA,
Natalino Salgado, foram discutidos ontem os impactos da
construção do CEA sobre as comunidades quilombolas

Thiago Bastos
Da equipe de O Estado
24/07/2012

Fotos/De Jesus
O reitor da UFMA, Natalino Salgado, defende
ampla discussão sobre o Centro Espacial

Representantes das comunidades quilombolas, da Prefeitura de Alcântara e da Agência Espacial Brasileira (AEB) participaram, na tarde de ontem, no auditório central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), de um debate sobre os impactos causados com a construção do Centro Espacial de Alcântara (CEA).

Participaram das discussões o reitor da UFMA, Natalino Salgado, o presidente da AEB, o matemático maranhense José Raimundo Braga Coelho, o representante da Prefeitura de Alcântara, o engenheiro agrônomo Ricardo Lucas Machado, e o coordenador do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial (MABE), Leonardo dos Anjos.

De acordo com o reitor da UFMA, que mediou as discussões, não houve um planejamento para o remanejamento sustentável das famílias que viviam no local, onde atualmente funciona o CEA. Segundo ele, é necessário abrir uma discussão mais ampla sobre o que fazer com as famílias retiradas em 1983, ano de inauguração do Centro de Lançamento de Alcântara ( CLA), dos seus locais de origem, e que foram transferidas para sete agrovilas, localizadas a 14 km de Alcântara.

“Nunca houve um plano efetivo para facilitar a retirada das famílias constituídas por descendentes de escravos do entorno da atual construção do CEA. Por isso, é importante que a UFMA, através da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), promova esse debate, envolvendo todas as partes, desde o poder público em Alcântara até representantes das comunidades quilombolas que, até hoje, vivem na região”, afirmou o reitor.

Políticas Públicas - Já o representante da Prefeitura de Alcântara fez uma análise das principais políticas públicas adotadas junto aos membros das comunidades, voltadas, efetivamente, para a agricultura de subsistência, pesca, cultura, esporte e lazer. Através de fotos, ele citou alguns dos locais beneficiados pelo Município.

“A Prefeitura, em nome do prefeito alcantarense Raimundo Soares do Nascimento, prioriza o auxílio a essas pessoas. Algumas famílias que residem em comunidades quilombolas, como Espera, Cajueiro, Pepital e Só Assim, recebem uma ajuda de custo para utilizarem da forma como quiserem. Nos próximos anos, vamos iniciar um plano denominado Alcântara Sustentável, que vai estimular a produção e o uso da matéria orgânica para o cultivo e colheita de alimentos, além de realizar a coleta seletiva do lixo. Acreditamos que, com essas e outras medidas, vamos amenizar a situação das famílias que, devido à mudança causada pelo CEA, tiveram a renda mensal prejudicada”, declarou.

Críticas - O coordenador do MABE, Leonardo dos Anjos, representante da comunidade quilombola Brito, fez críticas à atual gestão municipal alcantarense, afirmando que boa parte das promessas feitas pelo poder público, em termos de ajuda para a população local, não foi cumprida.

“Até hoje, nós da comunidade Brito vivemos apenas do que produzimos na pesca e na agricultura, além do que recebemos como ajuda de custo do Governo Federal. Isso é muito pouco para dar às pessoas que, por lei, são as donas daquelas terras”, informou o coordenador. Ele ainda fez uma denúncia sobre a venda indevida de terras de propriedade dos quilombolas. “Algumas pessoas estão se apropriando de forma indevida daquelas terras e ganhando muito dinheiro através da venda dessas áreas”, afirmou, sem citar possíveis nomes de pessoas envolvidas.

Investimentos

Ainda na tarde de ontem, durante o debate sobre os impactos da construção do CEA nas comunidades quilombolas alcantarenses, o reitor da UFMA, Natalino Salgado, anunciou investimentos para a cidade, que foram adquiridos através de pedidos feitos pela direção da UFMA.

“Em contato com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, recebemos a informação de que o estado irá construir em Alcântara um Centro Técnico de Ensino voltado para a capacitação profissional da população local. Isso, além de significar uma oportunidade de trabalho para essas pessoas, dá a elas uma fonte de renda importante, sem necessariamente obrigá-las a procurar emprego em São Luís, mantendo, assim, os laços com a terra natal”, informou Salgado.

Presidente da AEB Garante
Lançamento do Cyclone-4

O presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho,
confirma lançamento do Cyclone-4

Em entrevista coletiva realizada na tarde de ontem no Centro Pedagógico Paulo Freire, durante as atividades da SBPC, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, disse que até o primeiro semestre de 2014 deverá ocorrer o lançamento do foguete Cyclone-4, desenvolvido em uma parceria entre o Brasil e a Ucrânia.

“Falta apenas efetuarmos a conclusão do novo Centro de Lançamento de Alcântara [CLA]. Após os testes de lançamento do veículo, o que deverá ocorrer no ano que vem com mais intensidade, a AEB dará a autorização para, enfim, lançarmos o Cyclone-4”, disse o presidente após analisar as condições, segundo ele, favoráveis encontradas em Alcântara para testes espaciais. “A cidade de Alcântara está localizada a apenas 2 graus e 18 minutos de latitude sul da Linha do Equador, o que é benéfico para lançamentos desse porte”.

Quanto aos futuros investimentos, o presidente afirmou que devem ser aplicados, nos próximos anos, cerca de R$ 700 milhões no Centro Espacial de Alcântara, resultado de parcerias entre o Centro Espacial e financiadores privados. “No entanto, é preciso ressaltar que o Governo Federal deveria ser nosso maior parceiro quanto à manutenção e modernização do CLA, o que não ocorre, no momento. Por isso, fomos obrigados a recorrer às verbas privadas para, enfim, inserir de vez o Brasil no cenário das grandes potências, quanto aos projetos espaciais”, finalizou José Raimundo Braga Coelho.


Fonte: Jornal O Estado do Maranhão - pág. 06 - 24/07/2012

Comentário: Na realidade leitor o que fizeram com essa gente foi um tremendo absurdo e a verdade é que desde então muito pouco foi feito para amenizar essa situação. Bem diferente, por exemplo, do que ocorreu com a comunidade que morava na região da Base de Kourou na Guiana Francesa, onde a construção da Base trouxe grande progresso para todos, enquanto em Alcântara restou à truculência do governo, promessas vazias e o desespero dessa pobre gente. A notícia sobre o Cyclone-4 é dispensável, mas parabenizo ao presidente da AEB por ter se manifestado publicamente apontando o culpado por toda essa situação e também a solução para ameniza-la através da iniciativa privada, só fazendo uma resalva de que a falta de investimento adequado por parte do governo no PEB não é algo momentâneo como disse o presidente da AEB, muito pelo contrário, é uma situação que se perpetua há décadas, situação essa inclusive que veio a piorar no atual governo. Aproveitamos para agradecer ao leitor maranhense Edvaldo Coqueiro pelo envio dessa matéria.

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