Programa Espacial: Mutirão de Ministérios
Olá leitor!
Segue abaixo um artigo escrito pelo ministro do MCTI,
Marco Antônio Raupp, e publicada na “Revista Espaço Brasileiro” (Jan – Jun de
2012), defendendo que o Programa Espacial deve ser um Mutirão de Ministérios.
Duda Falcão
ESPECIAL
Programa Espacial: Mutirão de Ministérios
O Programa Espacial Brasileiro não pertence apenas
ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Ele é executado pela Agência Espacial Brasileira (AEB),
mas pertence, acima de tudo ao governo brasileiro, o que
inclui os Ministérios que o compõem, como o das
Comunicações,
da Defesa, da Agricultura, do Meio Ambiente, da
Integração
Nacional, das Minas e Energia, da Educação, da Saúde, e todos
os que têm necessidade de atividades espaciais no
cumprimento
de suas obrigações e programas.
Marco Antonio Raupp
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Os Ministérios das Comunicações e da Defesa já participam
do projeto do primeiro satélite geoestacionário brasileiro de telecomunicações,
a ser construído pela companhia público-privada Visiona Tecnologias Espaciais Ltda,
joint-venture criada em boa hora pela Telebrás, empresa pública, e pela
Embraer, empresa privada. O novo satélite irá prestar serviços inestimáveis aos
dois Ministérios. Ele ampliará em grande escala o Programa Nacional de Banda
Larga, levando a inclusão digital às regiões remotas do país ainda sem acesso à
internet. O equipamento também dará mais segurança e eficiência às redes de
comunicação entre órgãos do Governo Federal e das Forças Armadas, hoje
obrigadas a alugar transponders de satélites de empresas multinacionais. Além
do mais, habilitará o país a vigiar melhor mossas fronteiras e nossas regiões
mais ricas em recursos naturais.
Ao mesmo tempo, já há conversas com o Ministério da
Agricultura sobre possibilidade de construir em conjunto, um satélite
meteorológico, indispensáveis às áreas agrícolas e pastoris, que precisam ser precisas
e competitivas. Esse satélite – de enorme utilidade aos esforços emergenciais
de alerta, prevenção e redução dos desastres naturais – também poderá ser
produzido por nossas empresas, até em parceria com empresas de outros países,
se necessário.
O Brasil, com mais de oito milhões de Km², é o quinto
maior país do mundo em extensão territorial, depois da Rússia (17 milhões),
Canadá (quase 10 milhões); China (9,596 milhões), e Estados Unidos (9,519
milhões). Com 12% dos recursos hídricos mundiais, o país é um dos mais bem
servidos de água, no entanto, ainda necessita aproveitar melhor essa riqueza.
Este recurso é o elemento-chave da estratégia brasileira para promover o
crescimento sustentável e construir uma sociedade mais igual e inclusiva.
Outro privilégio brasileiro, que confere enorme responsabilidade,
é possuir a maior biodiversidade de flora e fauna do planeta. Por isso é
preciso conhecer palmo a palmo o território nacional e suas imensas riquezas
naturais. É necessário proteger, enriquecer e usar, de modo mais sustentável, o
meio ambiente, os biomas e os mananciais em solo, subsolo, rios e oceano.
Tudo isso significa o desenvolvimento de mais satélites
de Observação da Terra. São eles que nos colocam desafios tecnológicos maiores,
como os de observação à distância. Há que contar com novos tipos de sensores,
em especial sensores radar, importantíssimos na Amazônia e na guarda de nossas
fronteiras, pois ignoram nuvens e intempéries. São claramente projetos para
serem executados em parceria com diferentes Ministérios e múltiplos órgãos
federais e estaduais.
Trata-se, portanto, de um grande e inovador mutirão. Esse
é o nome. E, por sua relevância neste momento, ele demanda uma estrutura interministerial,
um Conselho Nacional de Política Espacial, liderado pela Presidente Dilma
Rousseff, capaz de planejar o conjunto de projetos e atividades espaciais
necessárias aos diversos setores, mobilizar os recursos humanos e financeiros
exigidos e acompanhar a sua execução. A ideia chega em boa hora. Este é o
momento de promover uma revolução espacial em nosso país.
Fonte: Revista Espaço Brasileiro - Num. 13 – Jan – Jun de
2012 - pág. 28
Comentário: Bom, à realidade leitor é que esse mutirão interministerial
proposto pelo Raupp nunca ocorreu e sempre o PEB ficou restrito aos Ministérios
da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Essa iniciativa agora proposta pelo Ministro
Raupp é uma ideia muito boa e que já deveria ter sido aplicada há décadas, pois
é uma forma de burlar um pouco a falta de atitude do governo com relação ao
orçamento do programa, aglutinando assim recursos de vários ministérios e
aumentando a possibilidade da realização dos projetos desejados. Entretanto, me
parece (posso estar enganado) que esse caminho escolhido pelo Raupp só
beneficiará a área de satélites do programa, ficando a área de foguetes a ver
navios.

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