Sens. Remoto Aplicado à Mitig. e Monit. de Des. Naturais

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo escrito pelo pesquisador Carlos A. Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, publicada na Revista Espaço Brasileiro (Jan – Jun de 2012), sobre a tecnologia de Sensoriamento Remoto aplicada à mitigação e monitoramento de Desastres Naturais.

Duda Falcão

PESQUISA

Sensoriamento Remoto Aplicado à Mitigação
e Monitoramento de Desastres Naturais

O início do século XXI registra um número
elevado de desastres naturais associados a
causas hidrometeorológicas.  Esses eventos
provocam mortes além de grandes perdas
econômicas e ambientais em todo o mundo.

Carlos A. Nobre
Secretário de Políticas e Programas
de Pesquisa e Desenvolvimento (MCTI)

Imagem de satélite

De acordo com a Organização das Nações Unidas International Strategy for Disaster Reduction (ISDR), os desastres ocorridos em todo o planeta durante o ano de 2011 atingiram um recorde de perdas financeiras de aproximadamente 366 bilhões de dólares.

Estima-se que 201 milhões de pessoas foram afetadas em decorrência de 302 desastres registrados. Desse total de afetados, calcula-se que 106 milhões são de vítimas de enchentes/enxurradas, 63 milhões de seca e 34 milhões de tempestades. O número de vítimas fatais está estimado em aproximadamente 30.000 pessoas.

The International Disaster Database (EM-DAT) mostra que durante o período de 2000-2009 o Brasil registrou o maior número de desastres naturais da América do Sul, totalizando um número de 55 desastres. Dentro de um universo de 308 desastres observados nesse período, o Brasil contabiliza 17,86% dos desastres ocorridos no continente e apresenta um número de mortes de igual a 1336 pessoas. A situação no Brasil se agrava quando comparado somente os anos de 2010 e 2011. Nesse período o número de desastres no país superou 20% de todas as ocorrências registradas no continente (quatorze ocorrências de um total de sessenta e seis). Nos anos de 2010 e 2011 foi registrado um número de morte igual a 1373 pessoas no país.

Mitigação de desastres naturais pode ser obtida fazendo uso de sensoriamento remoto, que pode mostrar características sobre a frequência esperada, caráter, e magnitude dos eventos perigosos em uma determinada área. Muitos tipos de informações que são necessárias na gestão de desastres naturais têm importantes componentes espaciais. Portanto, imagens de satélite e fotografias aéreas se tornam uma ferramenta poderosa para apoiar a gestão de desastres naturais. Sensoriamento Remoto combinado com Sistemas de Informação Geográfica podem fornecer uma base de dados a partir do qual análises de desastres ocorridos podem ser feitas. Estas análises combinadas com outras informações sócio-econômicas podem produzir mapas de risco, indicando quais as áreas que são potencialmente perigosas. A identificação de áreas de risco deve ser o alvo principal para os tomadores de decisões.

Imagem de satélite do Rio de Janeiro

Entre todos os tipos de desastres que ocorrem no Brasil, as inundações e deslizamentos de terra são os mais danosos, pois podem afetar pessoas, infraestrutura e o ambiente natural. Estes processos Hidrodinâmicos e Geodinâmicos ocorrem de diferentes maneiras e em vários ambientes. Eles são perigosos uma vez que a energia cinética associada ao rápido escoamento dos rios e intenso fluxo de detritos das encostas podem causar mortes e muitos prejuízos econômicos. Enchentes e movimentos de massa são geralmente causados por longos períodos de chuva que produzem acumulação de grandes valores de precipitação, seguido de uma precipitação extremamente intensa que ocorre em um curto período de tempo.

Os danos causados por inundações e deslizamentos de terra podem ser mitigados se os planejadores e tomadores de decisão tiverem um sistema inteligente para prever a ocorrência de tais processos hidrometeorológicos, e também para identificar as áreas que serão afetadas. Neste caso, o sensoriamento remoto pode ser utilizado para analisar a topografia, o uso da terra e as outras características da superfície. Por outro lado, o sensoriamento remoto da atmosfera pode ser usado para fornecer informações sobre a quantidade de chuva e algumas características de quão grave é um evento de precipitação que pode desencadear um desastre natural.

Região serrana do Rio de Janeiro em 2011

O uso de sensoriamento remoto como uma ferramenta para apoiar os interessados e tomadores de decisão serão demonstrados na apresentação. Algumas particularidades como a identificação de tempo severo, mapeamento de áreas de risco, levantamento da topografia, planejamento urbano e outros serão ilustrados com exemplos de imagens atmosféricas e da superfície.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 13 - Jan a Jun de 2012 - págs. 22 e 23

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