Universidades Oferecem Cursos Para Quem Sonha em Lançar Foguetes
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria postada hoje (09/11) no “Portal
Terra” destacando que universidades brasileiras oferecem cursos para quem sonha
em lançar foguetes.
Duda Falcão
ESPAÇO
Universidades Oferecem Cursos Para
Quem Sonha em Lançar Foguetes
Cartola - Agência de Conteúdo
Especial para o Terra
09 de Novembro de 2013 - 08h57
Foto: Thays Barreto / Divulgação
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| Os futuros engenheiros aeroespaciais da UFABC participam de competições de aerodesign, onde são criados protótipos de aeromodelos. |
Quem nunca sonhou, pelo menos enquanto criança, em enviar
foguetes ao espaço? Em estudar o que existe além do nosso planeta? Muitos
estudantes pensam nessas atividades sem nem imaginar que existe uma profissão
que pode realizar tudo isso: o engenheiro aeroespacial. Agora, falando como
gente grande para quem já tem de decidir o futuro profissional, a profissão é
mais possível do que parece e faz parte de uma área em grande ascensão no
Brasil.
Segundo o diretor de satélites, aplicações e
desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira, (AEB), Carlos Alberto Gurgel
Veras, a área envolve muito mais do que a criação de foguetes e os lançamentos
ao espaço. Existem duas linhas de formação: a engenharia espacial e a
aeronáutica. A primeira estuda tudo o que envolve satélites e foguetes; a
segunda é mais voltada ao estudo de aeronaves.
Durante o
curso, uma área importante é a de materiais avançados, essencial paras as duas
linhas de formação. Os materiais usados para construir tanto aviões quanto
foguetes devem ser leves e resistentes, pois o custo de lançamento de um
satélite é influenciado pelo seu peso: quanto mais pesado, mais ele precisa de
combustível para ser colocado em órbita; quanto maior o satélite, maior será o
foguete necessário para lançá-lo, custando mais. Também são estudados os
sistemas propulsivos, os motores dos foguetes e as turbinas da aviação.
Aprender como todos esses sistemas são controlados também é essencial, pois
esse conjunto é unido em um computador, que serve como um cérebro e é
controlado por um profissional. Quem quiser estudar a área precisa gostar muito
de matemática, química e física. Para Veras, entender de todos esses assuntos é
o que forma o perfil adequado do profissional aeroespacial.
Para os já
formados em profissões da área de exatas que ainda pretendem entrar para o
mundo espacial, existem cursos de pós-graduação em instituições como o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto de Aeronáutica e
Espaço (IAE), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Universidade
Federal do ABC (UFABC).
Veras indica
que há uma falta de profissionais no mercado, que cresce rapidamente. Com o
apoio do Programa Ciências sem Fronteiras e das principais agências espaciais
do mundo, em 2013 e 2014 a AEB coordenará a oferta de 300 bolsas de estudo nas
diversas modalidades da área, incluindo cursos e treinamentos em universidades,
instituições de pesquisa e empresas do exterior, de países líderes na área
espacial.
Universidades
Brasileiras
Com foco na
área espacial, atualmente existem poucos cursos de graduação no Brasil,
oferecidos pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), pelo Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA), pela Universidade Federal do ABC (UFABC),
pela Universidade Federal de Santa Catarina Campus Joinville (UFSC -
Joinville), pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela
Universidade de Brasília (UNB). Nos cursos são abordados assuntos relacionados
a satélites, veículos lançadores (os foguetes) e até antenas de comunicação,
que fazem parte do segmento terrestre.
Anteriormente
a esses cursos de graduação, a maioria dos profissionais saía de uma formação
em outras engenharias, da química, física ou matemática e se especializava na
área. O diferencial do aluno que entra na universidade já na graduação
aeroespacial é que ele aprende as disciplinas básicas das engenharias e depois
já se especializa no setor, onde conhece todos os princípios e técnicas da
construção de um avião ou foguete no início de sua carreira.
Na UNIVAP, o
coordenador do curso de engenharia aeronáutica e espaço, Moacir de Sousa Prado,
explica que o curso com as duas linhas de formação existe desde 2005 e dura
cinco anos. Atualmente, a universidade conta com 70 alunos e oferece 40 vagas
noturnas a cada semestre. Nos primeiros dois anos o aluno estuda disciplinas
comuns a todas as engenharias. Após esse período, passa a estudar as
específicas, como aerodinâmica, controle de aeronaves, segurança de voo,
propulsão. Além disso, os estudantes podem escolher como disciplinas eletivas
as da área ambiental, considerando que aeronaves e foguetes são grandes
poluidores. A universidade mantém laboratórios como um túnel de vento, onde é
construído um modelo físico e pequeno de aeronave e nele é verificado o
escoamento de ar ao redor das asas, além de laboratórios de propulsão, controle
de aeronaves e eletrônica digital.
A UFABC oferece o curso desde 2007. São disponibilizadas
120 vagas anuais, 60 no turno diurno e o restante no noturno, com duração de 5
anos. Segundo o vice-coordenador, André Luís da Silva, é buscado um equilíbrio
entre as aplicações aeronáuticas e espaciais e, após formado, o aluno pode
também trabalhar na área automobilística e naval, além do setor de alta
tecnologia e integração de sistemas. Entre os laboratórios disponíveis são os
de controle automático, navegação, guiagem e controle e estruturas, além de
softwares de simulação aplicados em áreas como de aerodinâmica e propulsão.
“Quem inicia o curso aeroespacial obtém uma visão integrada e multidisciplinar
de um projeto espacial. Profissionais de outras áreas se especializam em um
tópico. É como se os engenheiros de outras áreas fossem os músicos de uma
orquestra e o aeroespacial fosse o maestro”, explica.
Mercado de Trabalho
Veras, da
AEB, acredita que a tendência é o Brasil investir cada vez mais na área
espacial. “Após começar a melhorar os problemas sociais do País, vão sobrar
mais recursos, como os do pré-sal, que teremos daqui a alguns anos, para a
área. Existem demandas que interessam ao País, como a proteção de nossas
fronteiras e o controle de vazamentos de óleo, que são mais facilmente
executados por satélites”, explica. Para 2015, já existe previsão de lançamento
de um satélite geoestacionário de defesa e comunicação, que controlará parte a
banda larga brasileira e parte a comunicação das forças armadas. O primeiro
satélite será comprado da França. “Para o lançamento de um satélite desse
porte, envolvendo depois a operação do mesmo, 24 horas por dia, são necessários
mais de 100 profissionais. Além disso, dezenas de técnicos irão acompanhar a
construção do satélite na empresa franco-italiana Thales Alenia Space”, diz.
O Brasil ainda
não possuí o seu próprio veículo lançador de satélites, porém existem vários
projetos para quem estiver realmente interessado em trabalhar com o espaço. O
Alcântara Cyclone Space (ACS), consórcio feito entre Brasil e Ucrânia para
lançar foguetes ucranianos no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA),
demandará profissionais brasileiros para operar a base de lançamento e fazer a
manutenção e projeto dos foguetes. O primeiro lançamento está previsto para
2014. Na tarefa de lançar um foguete, geralmente são feitos testes por quase
dois anos, envolvendo de maneira direta cerca de 100 engenheiros aeroespaciais
e 500 técnicos.
O Veículo
Lançador de Satélites (VLS), programa brasileiro que existe desde a década de
60, no qual ocorreu o maior acidente espacial da história, está sendo
reestruturado. Nele, da Silva indica que há uma carência muito grande de
profissionais da área de propulsão e controle de foguetes. Existe também o
Veículo Lançador de Microssatélite (VLM), que lança foguetes de menor porte e
tem uma aplicação comercial. “Por meio dele, o Brasil vai tentar dominar o
setor da propulsão líquida, utilizada pelos Estados Unidos e pela Rússia”, diz.
O programa é de longo prazo: suas previsões são para 2020. Uma grande
oportunidade para quem está iniciando os estudos agora.
O
coordenador do curso da UFSC Campus de Joinville, Juan Pablo Salazar, diz que a
multidisciplinaridade é essencial para o engenheiro aeroespacial. “É um curso
desafiador e estimulante, o aluno tem de gostar da área, além de gostar de
matemática e física. É preciso disposição”, afirma. O profissional também pode
contribuir para outras áreas, gerando produtos econômicos tangíveis, como em
medicina, nas cirurgias feitas à distância, que necessitam da tecnologia de
comunicação. Ou então no monitoramento de solo, em lugares remotos. Mas os
foguetes e satélites no espaço não ficam para trás. “O ser humano está sempre
procurando expandir suas fronteiras e hoje, esse horizonte é o espaço”,
conclui.
Fonte: Site do Portal Terra -
http://noticias.terra.com.br/

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