EUA e Europa Negociam R$ 1 Bilhão do Brasil Para Construir Telescópios Gigantes
Olá leitor!
Segue abaixo uma
matéria publicada dia (10/11) na no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando
que EUA e Europa negociam R$ 1 bilhão do Brasil para construir Telescópios Gigantes.
Duda Falcão
CIÊNCIA
EUA e Europa
Negociam R$ 1 Bilhão do Brasil
Para Construir Telescópios Gigantes
RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL A CERRO PARANAL (CHILE)
GIULIANA MIRANDA
EM BOSTON (EUA)
10/11/2013 -
01h30
Dois dos três
projetos de telescópios mais ousados do planeta estão pleiteando, juntos, quase
R$ 1 bilhão em ajuda do Brasil.
Concorrentes,
ambos permitirão ver pela primeira vez com detalhes a atmosfera de planetas
fora do Sistema Solar, para buscar "gêmeos" da Terra, e medir a
expansão do Universo em tempo real. E a disputa por descobertas futuras já incendeia
rivalidades dentro da comunidade astronômica brasileira.
O menor dos
projetos, o GMT (Giant Magellan Telescope), terá um espelho de 25 metros de
diâmetro --duas vezes e meia o tamanho do maior espelho de aumento usado hoje
num telescópio.
A FAPESP
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) anuncia na quinta
detalhes do acordo que negocia para entrar do projeto, liderado por um
consórcio americano. Desembolsando US$ 40 milhões (R$ 92 milhões), a agência
obteria uma cota de 5% do tempo de observação no GMT.
Editoria de
Arte/Folhapress
O outro projeto
em busca de auxílio brasileiro é o E-ELT (European Extremely Large Telescope),
um monstro de 39 metros de diâmetro a ser construído pelo ESO (Observatório
Europeu do Sul). O governo federal assinou em 2010 um acordo em que se
compromete a desembolsar € 270 milhões de euros (R$ 836 milhões) em dez anos.
Dentro do ESO,
que já está acolhendo astrônomos brasileiros mesmo antes da ratificação, o
Brasil não tem cota fixa; tem de disputar tempo de telescópio com os outros 14
países do observatório.
O acordo, porém,
garante acesso não só ao futuro E-ELT, mas também ao VLT (Very Large
Telescope), o maior telescópio óptico do mundo hoje, e ao Alma, o mais poderoso
conjunto de radiotelescópios do planeta.
O acordo com os
europeus foi aprovado anteontem pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara
dos Deputados, mas precisa ser ratificado pelo plenário no Congresso para ter
efeito. Pelos termos do acordo, o Brasil começa a pagar o valor total com
parcelas menores, que crescem ano a ano.
As três
primeiras parcelas já estão vencidas e somam € 47,5 milhões (R$ 147 milhões).
Se o acordo for ratificado, o país precisará quitar o valor.
Tanto o GMT
quanto o E-ELT têm término previsto para depois de 2020, situam-se em montanhas
no Chile e operam na região óptica do espectro de luz --as ondas
eletromagnéticas que o olho humano é capaz de captar.
O terceiro
observatório gigante com projeto em andamento é o TMT (Telescópio de Trinta
Metros), idealizado por astrônomos californianos. Hospedado no Havaí e com
inauguração marcada para 2018, o aparelho está com financiamento atrasado e
buscou apoio de chineses, indianos e japoneses.
Como o GMT e o
E-ELT serão os únicos observatórios desse porte no hemisfério Sul, porém, é
provável que entrem em concorrência direta por descobertas no céu austral, que
de modo geral é mais rico que o boreal.
Editoria de
Arte/Folhapress
A participação
brasileira em cada um dos projetos está sendo negociada por grupos que já são rivais
no país, o que despertou um clima de animosidade na academia.
Enquanto
defensores do acordo com os EUA dizem que a filiação ao ESO sai cara demais,
opositores dizem que os americanos não oferecem acesso a nenhum telescópio
antes de o GMT ficar pronto.
Fonte: Site do Jornal
Folha de São Paulo - 10/11/2013


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