FINEP - Apoiando a Inovação em Setores Estratégicos
Olá leitor!
Segue abaixo um interessantíssimo artigo escrito pelo
companheiro André Mileski, publicado que foi na edição de outubro da Revista
Tecnologia & Defesa, e postado hoje (11/11) no seu Blog Panorama Espacial,
dando destaque a FINEP e suas atividades de apoio a inovação em setores
estratégicos no Brasil.
Duda Falcão
FINEP - Apoiando a Inovação
em Setores Estratégicos
André Mileski
Revista Tecnologia & Defesa
11/11/2013
Não é incomum encontrar em
projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em
protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma,
direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores
considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás,
energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas,
afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967,
a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o
desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à
Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos
tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a
instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a
expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora
de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu
caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou
ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência,
Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em
relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas
prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas
as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada,
além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados
à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de
liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis
(subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de
investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas
iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de
recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a
projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas
(ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para
apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de
pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros
recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e
infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da
FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos
Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje,
existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o
aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas
fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de
recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em
setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de Defesa
Com base em indicadores de
intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro
grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado
dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa
classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que
a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas
aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à
iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como
investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e
tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao
Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por
exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência
foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande
sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para
determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de
aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também
largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no
projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de
Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco
satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da
indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento
de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a
agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante
significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais
beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP),
hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu
contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões,
principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta
geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul,
registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos
tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados
pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de
Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em
conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo
nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e
Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema
Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos
últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em
vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do
Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram
beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no
Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O
robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo
apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes
para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e
Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de
Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de
P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas,
mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo
Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para
estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de
seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a
inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de
segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas,
e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a
parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de
crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação
tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e,
outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES).
O edital faz parte do Plano
Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes
ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9
bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os
portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados
prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás,
sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova
Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão
espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à
indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores
e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e
subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de
identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas
de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv)
Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras
e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o
resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas
69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras,
e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio
e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada
de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões
disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo
(SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é
natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão
beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova
Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no
futuro.
No início de setembro, outro
meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela
FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A,
e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma
gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores
aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será
constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a
FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na
expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da
venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o
fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores
estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão
a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela
FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia
Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de
Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibrás Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura
Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército
Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos
setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200,
projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar],
hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração
A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que
conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás
Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais
para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do
Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para
foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA -
Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE),
inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a
empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o
desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento
composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e
calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena
empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para
o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a
substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em
Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade
do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos
(SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a
aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado
pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do
CPTEC/INPE: o supercomputador Cray,
batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos
(CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010,
recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP
destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de
meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas
climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o
CPTEC/INPE.
Fonte: Revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013 via Blog Panorama Espacial
- 11/11/2013
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