Projetos Alimentam Conflito em Comunidade Astronômica do País

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada dia (10/11) na no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando que projetos astronômicos estão alimentando conflitos na Comunidade Astronômica Brasileira.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Projetos Alimentam Conflito em
Comunidade Astronômica do País

RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL A CERRO PARANAL (CHILE)
GIULIANA MIRANDA
EM BOSTON (EUA)
10/11/2013 - 16h56

Quando o Ministério da Ciência e Tecnologia negociava a entrada do Brasil no ESO (Observatório Europeu do Sul), em 2010, um grupo de astrônomos de São Paulo lançou críticas.

Para João Steiner, da USP, o valor envolvido era alto demais, e projetos nacionais seriam relegados a uma posição secundária, já que o ESO não concede cota fixa de tempo de observação a ninguém. Pedidos são avaliados um a um --por mérito científico--, e astrônomos brasileiros com menor poder de fogo viriam a ter mais dificuldade.

As críticas levaram a Sociedade Astronômica Brasileira a fazer uma consulta entre seus membros, e a maioria (75%) se disse a favor do acordo com o ESO, com 17% de abstenções e só 8% contra.

Para alguns cientistas, se o Brasil quiser que sua astronomia amadureça, não adianta evitar competição por espaço no ESO. "Hoje a comunidade brasileira tem dificuldade não pela qualidade das propostas, mas pelo baixo número que é submetido", diz Claudio Melo, diretor científico do ESO no Chile. "Se o Brasil se der conta de que o ESO é dele também, esse número vai aumentar."

Para ajudar o país a aproveitar a oportunidade, Melo vem ao Brasil com frequência para ensinar astrônomos a submeterem propostas com maior chance de aprovação.

Com a notícia de que o consórcio americano à frente do projeto do telescópio GMT assediava o Brasil em busca de verba, os europeus rebateram as críticas. Tim de Zeeuw, diretor-geral do ESO, aponta que o projeto americano não inclui direito de acesso a telescópios com poder similar ao do VLT, em operação no Chile, que continuará a ser o maior do mundo até 2020.

Robert Kirshner, astrônomo de Harvard que articula a construção do GMT, reconhece que o consórcio não tem como oferecer tempo em outro observatório, mas pode "discutir a possibilidade de colaborações que ajudem a tornar o GMT uma realidade".

Segundo Cássio Barbosa, astrônomo da Universidade do Vale do Paraíba, defensor do GMT, a intenção do projeto não é sabotar o acordo com o ESO, mas criar uma salvaguarda. "E se o acordo com o ESO não passar? O Brasil ficaria sem acesso a nenhum supertelescópio."

Segundo Márcio Maia, do Observatório Nacional, o que o ESO oferece de especial é tempo no VLT, para o Brasil ter tempo de aprendizado. "Ter acesso a um telescópio gigante sem usar telescópios intermediários antes não vai funcionar."


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 10/11/2013

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