Parceria de R$ 1,1 Bilhão: Brasil Propõe Menos de 4% dos Projetos no ESO
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria postada ontem (13/11) no “Portal
TERRA” destacando que o Brasil propõe menos 4% dos projetos no ESO.
Duda Falcão
ESPAÇO
Parceria de R$ 1,1 Bilhão: Brasil Propõe
Menos de 4% dos Projetos no ESO
Matheus Pessel
Direto de Cerro Paranal
13 de Novembro de 2013 - 08h00
Atualizado às 09h55
Foto: Matheus Pessel / Terra
Desde 2010, quando a gestão do presidente Lula assinou a
intenção de acordo com o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês),
os cientistas brasileiros são tratados como os pesquisadores dos países membros
do consórcio, um dos principais na área de ciência no planeta. Quase três anos
depois e ainda sem ter confirmado a
entrada no projeto, que custará aproximadamente R$ 1,1 bilhão ao longo de 11
anos, o número de propostas de pesquisa apresentado por brasileiros à
instituição ainda é considerado muito baixo pelo observatório. Os astrônomos
que trabalham no Brasil são responsáveis por 3% das propostas apresentadas,
sendo que, se o acordo for aprovado pelo Congresso, o País terá que arcar com
uma parcela cada vez maior dos custos do ESO – um valor que, em 10 anos,
chegará a 7% do orçamento do consórcio.
Foto: Matheus Pessel / Terra
"Do ponto de vista relativo, a fração de projetos
que é aprovada que vêm do Brasil é similar à da França, por exemplo, é
similar a todos os outros países-membros do ESO. Mas o número de propostas que
são submetidas ainda é muito baixo. Isso porque, claro, os astrônomos
brasileiros ainda têm que se acostumar com essa ideia de poder enviar propostas
para cá. Têm que se familiarizar com o que a gente tem aqui, com os
telescópios, os instrumentos que a gente tem aqui", diz Dimitri Gadotti,
astrônomo do brasileiro do ESO.
"Muitas vezes as pessoas não pedem tempo por ainda
desconhecer o que está à disposição. É verdade que existe um certo nível de
complexidade na hora de você fazer uma proposta pela primeira vez. (...) Qual é
o potencial de cada instrumento? O que eu posso fazer?", diz Claudio Melo,
diretor científico do ESO no Chile.
Ele e Gadotti foram ao Brasil fazer workshops para
"quebrar o gelo" com a comunidade científica, apresentar as
capacidades do ESO e mostrar que a aprovação de uma proposta depende muitas
vezes da qualidade do texto, que mostre com clareza que o projeto é bom e que
pode ser executado nos telescópios e instrumentos do observatório.
Gadotti dá como exemplo de proposta bem sucedida feita por
um pesquisador no Brasil a descoberta da mais velha
estrela gêmea do Sol. O projeto da americana Talawanda,
apresentado como parte do pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP),
teve repercussão mundial, pois era como uma “paleontologia” do Sol, que
mostrava como nossa estrela pode evoluir ao longo dos anos.
Astrônomo: Brasil tem que se acostumar com o ESO
Para o diretor-geral do ESO, o holandês Tim de Zeeuw, a
explicação para a baixa participação brasileira pode estar na falta de um
acordo – os cientistas no Brasil estariam inseguros sobre a possibilidade de
utilizar alguns dos melhores telescópios do mundo para suas pesquisas.
"Cada novo Estado-membro demora um pouco para entender o sistema e
conseguir uma fração considerável das propostas de observação apresentadas. É
bem normal. É algo novo e você tem que entender como fazer. O outro motivo, eu
acredito, é que os brasileiros estão um pouco incertos se eles podem ou não
submeter propostas. A resposta é: sim".
Foto: Matheus Pessel / Terra
Para membros do ESO, os brasileiros precisam entender os instrumentos e as capacidades dos telescópios para se integrar à comunidade do observatório. |
Gadotti diz que os cientistas devem notar também que as
vantagens de um acordo com o observatório vão além da prioridade na escolha de
projetos. "Os telescópios do ESO são abertos internacionalmente, então o
Brasil pode participar, mesmo antes do acordo. O que acontece é que se existem
dois projetos que estão empatados e um projeto é liderado por uma pessoa de um
país-membro e outro é liderado por um país que não é membro, se dá prioridade
para o país-membro. Mas não é só nesse sentido, o que acontece é que, uma vez
que o Brasil seja parte do ESO, a interação com os astrônomos daqui, com os
engenheiros daqui, com o pessoal daqui, evidentemente que vai ser muito maior,
então o ganho de conhecimento é incomparável. Isso vai permitir que os
astrônomos brasileiros entendam melhor como funcionam os instrumentos daqui,
entendam melhor o que eles podem fazer com os instrumentos que têm aqui, com os
telescópios que têm aqui. Então podem desenvolver projetos, desenvolver novas
ideias para utilizar os telescópios daqui. E isso não é possível enquanto o
Brasil não tiver sido parte".
"A taxa de sucesso é a mesma dos Estados-membros.
Então a qualidade é tão boa quanto. Está dentro da nossa média. Então, se
mandarem mais propostas, terão mais tempo de observação"”, completa Tim de
Zeeuw.
Foto: Matheus Pessel / Terra
O jornalista viajou ao Chile a convite do ESO.
Fonte: Portal Terra - 13/11/2013 -
http://noticias.terra.com.br/
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