Modelo do Interior da Terra Desenvolvido Com a Participação de Brasileiros Ajuda a Prever Terremotos
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria postada hoje (07/11) no site
“Inovação Tecnológica” destacando que pesquisadores brasileiros ajudaram a
criar um novo modelo do interior da Terra que ajuda a prever terremotos.
Duda Falcão
Meio Ambiente
Modelo do Interior da Terra
Ajuda a Prever Terremotos
Com informações da Agência USP
07/11/2013
[Imagem: Wikipedia/Kelvinsong]
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| Para detectar os terremotos, que afetam uma porção muito fina da crosta, é necessário construir modelos bem mais detalhados do que visões gerais como esta. |
Pesquisadores da
Escola Politécnica (Poli) da USP ajudaram a criar um novo modelo do interior da
Terra que abre caminho para prever terremotos com maior precisão.
A pesquisa,
publicada na mais renomada revista de física do mundo, a Physical Review
Letters, repercutiu em várias outras publicações científicas, incluindo a
Science.
O modelo resolve
um velho dilema das pesquisas experimentais sobre o manto inferior da Terra,
camada que fica entre 600 e 2.900 quilômetros de profundidade.
Alguns resultados experimentais sobre a elasticidade do manto contradizem os outros, não
havendo consenso.
O novo modelo teórico, que resolve essas
inconsistências, foi criado com a participação do professor João Justo, da
Poli/USP e de outra pesquisadora brasileira, Renata Wentzcovitch, atualmente na
Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.
Além de aumentar o conhecimento científico sobre
o manto terrestre, o que, por consequência, abre caminho para melhorar a
precisão sobre quando e onde ocorrerá o próximo terremoto e o quão poderoso ele
será, o modelo fornece uma base para os experimentos que estudam o interior do
planeta.
O avanço se deveu ao detalhamento de
características como pressão, temperatura e densidade do ferropericlase,
material encontrado em alguns diamantes naturais e uma das principais
substâncias que formam o manto terrestre.
"Entender o funcionamento do manto, suas
energias, dinâmicas e interações com as demais camadas da Terra, é fundamental
para desvendar os terremotos", diz Justo.
Manto Terrestre
Apesar de ser essencialmente sólido, o manto
também pode ser considerado um fluido, se o tempo de movimentação for calculado
em escalas geológicas.
"O material que forma o manto flui como um
líquido, porém de forma muitíssimo lenta, imperceptível a não ser quando
consideramos o passar de milhões de anos", explica Justo.
Esse movimento em câmera mais do que lenta,
explica o cientista, altera a pressão e temperatura do manto ao longo do
planeta e faz com que o material sofra efeitos físicos importantes.
"Essas alterações nos ajudam a explicar
como ocorre o movimento do 'fluido' que compõe o manto", diz Justo.
Esse vaivém termodinâmico é a chave do
quebra-cabeça: ele está diretamente ligado ao movimento das placas tectônicas,
que ficam no "andar de cima" das camadas da Terra.
Placas Tectônicas
As placas tectônicas são as grandes responsáveis
pelos terremotos.
Elas são formadas por grandes porções da crosta
terrestre que, também de forma muito lenta, estão sempre se movendo, enfiando-se
umas por debaixo das outras.
"O terremoto é o tremor de terra causado
pelo escorregamento de uma placa tectônica em relação a outra," explica
Justo. A costa do Chile e da Califórnia, por exemplo, são áreas de grande risco
de terremotos por serem áreas de encontro de placas tectônicas.
Contudo, as melhores previsões sobre quando os
terremotos vão acontecer ocorrem nas escalas de milhares de anos.
"É possível dizer que haverá terremotos
aqui ou ali nos próximos três mil anos, por exemplo", diz Justo.
Parece trivial, mas tudo é feito com base em
cálculos fundamentados. É que uma placa não desliza sobre a outra com
facilidade. Pelo contrário. "O deslizamento só acontece depois que muita
energia foi acumulada enquanto uma placa exerce pressão na outra, cada uma
apontando para lados opostos. Hoje, conseguimos calcular a quantidade de
energia acumulada, mas não sabemos dizer com precisão até onde ela vai e com
qual força depois que ela for liberada", explica Justo.
Prevendo Terremotos
É por isso que geofísicos ao redor do mundo
correm para medir ondas de terremotos que se iniciaram em regiões distantes do
mundo. Ao calcular o tempo em que se levou para tais ondas chegarem a
diferentes lugares, os cientistas conseguem estimar o ponto de origem do
terremoto.
Não apenas isso, essas ondas ajudam a realizar
uma espécie de "tomografia" do planeta. "Quanto mais rápida ou
mais lenta for uma onda, quer dizer que há uma diferença no material terrestre
por onde ela está passando", diz Justo. "Quanto mais conhecermos do
que é feito o interior da Terra e como o manto se modifica com o tempo, melhor
entenderemos onde e quando os terremotos acontecem."
Justamente nesse quesito, o de descrever as
transformações no manto terrestre, é que o modelo teórico formulado por Justo e
seus colegas contribui para o desenvolvimento da área de geofísica: "Nosso
modelo avança no entendimento das transformações no interior do planeta para
que estejamos um passo adiante, e, quem sabe, possamos prever com precisão de
meses ou dias, onde um terremoto vai ocorrer."
Bibliografia:
Elastic Anomalies in a Spin-Crossover System:
Ferropericlase at Lower Mantle Conditions
Zhongqing Wu, João F. Justo, Renata M. Wentzcovitch
Physical Review Letters
Vol.: 110, 228501
DOI: 10.1103/PhysRevLett.110.228501
Fonte: Site Inovação Tecnológica

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