O PEB, o Governo, as Empresas, a Orbital e o Motor L15

Caro leitor!

O Programa Espacial Brasileiro (PEB) é coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) desde que a mesma foi criada em 1994, e executado por instituições governamentais tais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na área da educação, e o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), na área de certificação espacial, além das atividades realizadas em universidades e em empresas brasileiras.

Apesar de décadas de governos desastrosos para o PEB desde o início da década de 90 (Governo COLLOR), e de alguns erros de avaliação (em nossa opinião) cometidos por algumas dessas instituições durante os últimos dez anos (veja o caso do CBERS-3), não há como negar o esforço herculano realizado pelos profissionais dessas instituições para pelo mesmo impedir que o PEB entrasse em total colapso.

Profissionais como os Brigadeiros Pantoja, Kasemodel, o Coronel Santana Jr., Waldemar Castro Leite, Luis Eduardo Loures da Costa, Dra. Cynthia Junqueira, no IAE, Petrônio Noronha de Souza, Otávio Santos Cupertino Durão, Gilberto Câmara, Haroldo de Campos Velho, no INPE, Cel. Marco Antonio Sala Minucci, Paulo Gilberto de Paula Toro, Lamartine Nogueira Frutuoso Guimarães, no IEAv, só para citar alguns exemplos, estiveram nesse período e em alguns casos ainda estão envolvidos com projetos de suma importância para o Programa Espacial Brasileiro em diversas áreas do conhecimento.

No entanto, também não podemos esquecer o esforço empreendido por empresas brasileiras no mesmo período para dotar o país de tecnologias essenciais para o desenvolvimento de nosso PEB. Empresas como a ATECH, AVIBRÁS, CENIC, COMPSIS, FIBRAFORTE, FRIULI, MECTRON, OPTO ELETRÔNICA, ORBITAL ENGENHARIA, entre outras, vem desde a década de 60 contribuindo em projetos de desenvolvimento em parceria com essas instituições governamentais.

Vale lembrar que também pela inércia governamental ou quem sabe por motivos escusos, nesse mesmo período empresas e tecnologias que foram desenvolvidas com recursos públicos do povo brasileiro, foram perdidas com a venda de empresas para grupos internacionais num tremendo crime contra o Patrimônio Público Nacional. Esses são os casos, por exemplo, da AEROELETRÔNICA (AEL), EQUATORIAL SISTEMAS, OPTOVAC, OMNISYS ENGENHARIA, entre outras, e o pior disso tudo é que não existe qualquer movimentação do Governo CHUCKY para impedir essas investidas estrangeiras contra o Patrimônio Público Brasileiro que continuam acontecendo cada vez com mais frequência.

No entanto, deixando de lado esse problema que é gravíssimo, e nos voltando ao motivo que nos levou a escrever esse artigo, vamos falar de um projeto que é de suma importância para o PEB e que está sendo desenvolvido por uma dessas empresas genuinamente brasileira, ou seja, a ORBITAL ENGENHARIA, em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Trata-se do projeto do Motor-Foguete Líquido L15, projeto importantíssimo para o futuro do Brasil no espaço, pois o mesmo permitirá que veículos lançadores como o VLS-1 e principalmente o VLM-1, aumentem as suas capacidade de carga útil (satélites), além de permitir a colocação desses satélites em órbita com uma maior precisão do que os atuais motores-foguetes sólidos.

O ORBITAL também está envolvida com outros projetos tão importantes quanto, como os projetos da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM), o Sistema de Alimentação de Motor Foguete a Propulsão Líquida (SAMF), ambos com o IAE, e o projeto de Gerador de Painéis Solares para satélites que é desenvolvido com recursos da FAPESP através do programa PIPE. Lembrando que em 2011 a ORBITAL entregou ao INPE a parte elétrica do gerador do painel solar do satélite CBERS-3 e estar desenvolvendo o gerador do painel solar do satélite científico LATTES.

Abaixo segue as informações sobre o projeto do motor L15 e durante esse mês trarei maiores informações para o leitor sobre os outros projetos da ORBITAL citados nesse artigo.

Principais Aspectos

Maquete da Câmara Regenerativa do
Motor Foguete Líquido  L15
Como já dissemos, o motor-foguete líquido L15 foi desenvolvido pela ORBITAL ENGENHARIA, em parceria com Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), tendo o apoio financeiro da FINEP, visando consolidar tecnologias para serem aproveitas pelos projetos de veículos lançadores do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

O projeto incluiu a tecnologia de fabricação, desenvolvimento de fornecedores e testes em solo, sendo desenvolvidos e fabricados dois modelos desse motor-foguete líquido.

O primeiro foi projetado para estudar várias configurações de motor com mudanças no desenho do injetor de cabeça e no volume da câmara de combustão.

O segundo foi projetado com uma Câmara Regenerativa de combustão para atingir o estado estacionário, sem limite de tempo operacional.

Cabeça de injeção e corte da
Câmara Regenerativa

Especificações do Motor:

O motor converte a energia química contida no líquido propulsor (álcool etílico - etanol e LOX - Oxigênio líquido) dos tanques em uma força propulsora para capaz de gerar um impulso de até 15.000 N.

Suas características principais são:

Dimensões e Tipo:

• Tipo da Tubeira: "contorno do Bico" tipo sino
• Diâmetro da Tubeira de saída: 265 mm
• Longitude de Tubeira: 170 mm

Operacional:

• Altitude Máxima: 10 km
• Pressão do Combustível: 28.5 atm
• Pressão Oxidante: 23.5 atm
• Índice de Fluxo de Massa do Combustível: 2.44 kg/s
• Vazão do oxidante: 3.82 kg/s
• Temperatura de Combustível: 30°C
• Temperatura do oxidante: -183C
• Pressão da câmara : 16.5 atm
• Pressão máxima da câmara: 18.5 atm

Dimensão e Massa:

• Dimensão: 600x350x350 mm
• Massa: 25 kg

As peças da Câmara Regenerativa

Interface:

As interfaces externas dos motores foram projetadas visando o foguete de sondagem VS-15, já que esse foi o foguete escolhido para o teste em voo desse motor, mas pode ser compatível com muitos outros tipos de foguetes de sondagens e veículos lançadores como o VLS-1 e VLM-1.

Teste:

O ensaio em banco do motor foi realizado no APE (Divisão de Propulsão Líquida do Instituto De Aeronáutica e Espaço – IAE), sendo que todas as peças do motor foram testadas individualmente antes do teste do motor completo.

O funcionamento do motor em
instalações de bancada

Durante o ensaio do motor, os dados críticos foram obtidos e avaliados a fim de melhorar o projeto da Câmara Regenerativa. É importante salientar que todas as partes do motor foram fabricados no Brasil.

Os próximos passos do projeto serão os testes da Câmara Regenerativa em instalações de bancada e execução de um teste em voo com o motor montado no foguete de sondagem VS-15.

O motor montado na bancada

Vale dizer leitor que o domínio da tecnologia de propulsão de motores foguetes líquidos proporciona um elevado nível de desenvolvimento que poderá ser utilizado, no futuro, pelo Brasil, para lançar satélites e também missões tripuladas ao espaço.

A Cabeça de Injeção em teste a frio

Isto é, se não continuarmos levando ao poder políticos tão ruins e tão irresponsáveis quanto a presidente CHUCKY e seus Blue Cats, o que em nossa opinião não será nada fácil, já que existem ainda muitas pessoas que mesmo após 23 anos de muito blá-blá-blá sem resultado continuam ingenuamente acreditando em uma 'saída negociada' com esses energúmenos, facilitando a vida deles e perpetuando toda essa situação sabe Deus por quanto tempo mais, mas infelizmente é o que resta fazer ou desistir da luta. Qual é a sua opção, ficar calado e dizer amém como a maioria, ou lutar por um Brasil novo? A reflexão é sua.

Duda Falcão


Fonte: Com informações do site da Orbital Engenharia

Comentários

  1. Ainda há esperança no programa espacial brasileiro!

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  2. Eu tava pensando aqui Duda:por que você não escreve um artigo sobre o PEB no HypeSciense?,que é um site de divulgação cientifica e se eu não estiver enganado o site tem mais de 1 milhão de acessos por mês.

    Eu já vi alguém escrever um artigo sobre um foguete brasileiro lá,mas faz tempo.Não sei como funciona pra se publicar um artigo lá,mas é como se fosse escrever um artigo na wikipédia.

    Sugiro que você entre em contato com o HypeSciense para se informar como se publicar um artigo lá.O e-mail de contato é hype@HypeScience.com na parte de baixo do site está esta informação de contato.

    O link do site é:
    http://hypescience.com/

    Com certeza vai valer a pena se você conseguir publicar um artigo lá sobre os problemas que o PEB enfrenta.Aí você pode aproveitar até pra colocar a petição pública no seu artigo.

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  3. Ótima notícia! Espero que todos os testes com este motor sejam bem sucedidos e que se conclua rápido, também para esse departamento se concentrar a fundo no L75.

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  4. o ideal seria que essas empresas tivessem que depositar em um banco específico, contolado pelo MD,todo o processo de engenharia e fabricação que tenha sido financiado ou sido encentivado por instituiçoes publicas nacionais.

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    1. Caro Luiz Chaves,

      Grande parte do desenvolvimento que é feito hoje consta com o apoio dos institutos de pesquisa nacionais (INPE, IAE IEAv), seja com informações tecnológicas ou com auxílio nos processos de revisão ao longo do projeto. Em ambos os casos, o instituto recebe uma cópia da documentação para análise. Dessa forma, todo o desenvolvimento acaba sendo compartilhado. Um dos problemas é que algumas pessoas dentro dos institutos ainda acreditam que TODA a tecnologia e fabricação precisa ficar dentro do instituto, o que dificulta o desenvolvimento de uma indústria espacial no brasil (normalmente dificuldades financeira) e muitas vezes a empresa se vê obrigada a realizar tais fusões para evitar quebrar. Grande parte das empresas citadas como 100% nacionais encontram-se com dificuldades financeiras. Felizmente está havendo uma mudança de visão política (para um cenário similar ao americano por exemplo) onde os institutos passa a ser os responsáveis por pesquisa e testes e as empresas por desenvolver as tecnologias de fabricação, muitas vezes usando ou complementando os resultado das pesquisas do instituto. Vou continuar torcendo por essa mudança.

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  5. ótimas noticias !!! devagar se vai ao longe mesmo que tenha algumas pedras no caminho , e essas pedras tem nome e sobrenome

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