Lançamento de Foguetes Adoece Crianças no Cazaquistão

Olá leitor!

Devido o nosso blog está sendo questionado e às vezes até atacado por leitores anônimos em relação a nossa postura e campanha contra esse desatino chamado Alcântara Cyclone Space (ACS), para encerrar de vez essa conversa mole dos defensores desse acordo desastroso, irresponsável e inconsequente, e mostrar aos ainda em dúvida de que lado está a verdade, trago agora para vocês uma matéria publicada dia 13 de janeiro de 2005 no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando que os lançamentos de foguetes estavam adoecendo crianças e contaminando a população no Cazaquistão.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Lançamento de Foguetes
Adoece Crianças no Cazaquistão

Da Folha de S.Paulo
13/01/2005 - 00h00

Um estudo ainda não-publicado indica que a realização de lançamentos de foguetes a partir do centro de Baikonur, no Cazaquistão, está contaminando a população local. A informação foi divulgada por uma reportagem na revista científica britânica "Nature".

A base é o principal centro de lançamentos administrado pela Rússia. Foi de lá que foram lançados o primeiro satélite artificial (o Sputnik-1, em 1957) e o primeiro homem a orbitar a Terra (Yuri Gagarin, em 1961). A base hoje está mais ativa do que nunca, enviando tripulações e suprimentos à ISS (Estação Espacial Internacional, em sua sigla em inglês) rotineiramente e promovendo o lançamento de satélites.

O estudo foi realizado por cientistas do Centro de Pesquisa Estatal de Virologia e Biotecnologia, em Novosibirsk, Rússia. O grupo, liderado por Sergey Zykov, comparou os registros de saúde de cerca de mil crianças em duas regiões poluídas pelos lançamentos entre 1998 e 2000 com registros de 330 crianças de áreas não-atingidas.

O resultado: as crianças nas áreas atingidas apresentaram duas vezes mais probabilidade de precisar de cuidados médicos durante os três anos da investigação e precisaram de atendimento por um período duas vezes maior.

Os dados vieram da República de Altai, região da Sibéria que sofre contaminações por um combustível de foguetes sabidamente tóxico, chamado dimetil-hidrazina. Ele é usado para alimentar os primeiros estágios de alguns dos lançadores espaciais russos.

"O mais famoso deles é o Proton, foguete que eles usam para transportar cargas pesadas, de várias toneladas", diz José Nivaldo Hinckel, engenheiro do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos.

O Proton, que já teve décadas de uso e serviu para colocar módulos das estações Salyut, Mir e ISS em órbita, continua na linha de frente dos lançadores russos: só neste ano, ele voltará a ser usado para lançar dois satélites de telecomunicações a partir de Baikonur.

Zykov estima que um lançamento típico resulte no derramamento de dezenas de litros de combustível sobre vários quilômetros quadrados de terra.

Questionada pela "Nature", a Rosaviakosmos (agência aeroespacial russa) disse rejeitar as conclusões do estudo de Zykov. O porta-voz Vyacheslav Davidenko diz que a agência monitora constantemente a saúde das populações locais e não encontrou problema algum com o lançamento.

Em editorial, a publicação britânica pede que a Rosaviakosmos banque um estudo independente para avaliar as conclusões obtidas e que Nasa e ESA (agências espaciais americana e europeia) se ofereçam para participar do esforço.

*Brasil *

O foguete ucraniano que será usado no Centro de Lançamento de Alcântara a partir de 2008 para promover lançamentos comerciais usa o mesmo combustível tóxico que causou as contaminações nos arredores de Baikonur.

Segundo um acordo de cooperação assinado entre Brasil e Ucrânia para promover lançamentos de satélites em parceria, o foguete usado será o Cyclone-4, lançador de uma família de mísseis criada durante a Guerra Fria pela União Soviética e agora sob domínio ucraniano.

Ele é alimentado por dimetil-hidrazina, um combustível altamente tóxico. "Isso complica um pouco o manuseio, mas não é tão difícil", diz Hinckel. "O problema é se ocorrer uma falha do foguete logo depois do lançamento, ainda em uma baixa altitude."

Segundo Hinckel, um acidente desse tipo poderia contaminar as regiões circundantes, ameaçando a população local e o ambiente.

Não que isso tenha desencorajado outras nações em épocas anteriores. "Esse é um propelente tradicional. Índia e China usam, alguns foguetes americanos, os europeus chegaram a usar", diz.

Atualmente, entretanto, os cientistas de foguetes estão adotando soluções menos tóxicas e agressivas ao ambiente. "O Ariane-4, europeu, usava dimetil-hidrazina. Quando fizeram o Ariane-5, trocaram para hidrogênio líquido", diz Hinckel. "Os russos também estão desenvolvendo um substituto para o Proton."

Ele questiona o fato de o Brasil adotar essa tecnologia, quando o resto do mundo, ainda que vagarosamente, parece ir na contramão. "Para quem já tem uma infra-estrutura pronta, é mais difícil abandonar essa tecnologia", afirma Hinckel. "Mas para quem está construindo um sistema novo agora, como é o caso do Brasil, talvez valesse a pena já buscar alternativas mais adequadas."

Procurada pela Folha, a AEB (Agência Espacial Brasileira) disse que avaliou a parceria com a Ucrânia à luz do fato de que todos os combustíveis usados no segmento espacial tem algum grau de toxicidade.

"A comunidade científica e tecnológica espacial do país teve conhecimento do tipo de combustível do lançador Cyclone-4 e a AEB tem estimulado estudos sobre os impactos causados ao ambiente pelos combustíveis em uso", disse Vânia Gurgel, porta-voz da agência.


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 13/01/2005

Comentário: Caro leitor, antes que esses energúmenos inventem que eu criei essa matéria, veja você mesmo clicando aqui. Eu já tinha ciência de sua existência e levei anos procurando pela mesma sem conseguir encontrá-la, pois não lembrava do título, e graças ao nosso leitor Ricardo Melo (ao qual agradeço publicamente) finalmente encontrei e trago agora aqui para você. Note o que diz um dos maiores conhecedores no Brasil sobre o uso dessa substância Hidrazina em motores-foguetes, o pesquisador do INPE, José Nivaldo Hinckel. Para mim é assunto encerrado e agora, você que é responsável e ama seu país nos ajude a combater esse desatino assinando a Petição da ACS.

Comentários

  1. É Duda, tudo isso está registrado em várias matérias, como vem sendo discutido aqui no blog a bastante tempo.

    Só não vê, quem realmente não quer.

    Só para registrar um pouco mais das origens histórico sociais dessa situação, a área hoje ocupada pelo Cazaquistão, sempre foi uma área semi-árida habitada por uma população nômade e de cultura semelhante aos nossos "quilombolas" sobrevivendo do extrativismo. Coincidência ou não, eles jogam esse lixo tóxico sobre as cabeças de quem pode menos, ou é socialmente desfavorecido.

    A grande diferença é que aqui, existem metrópoles e até a capital, relativamente próximas ao centro de lançamento de Alcântara.

    É realmente uma situação preocupante, mas "misteriosamente" os chamados "ativistas", parece que não querem ver o que está na cara. Os perigos são evidentes e eminentes.

    Quem poderá nos salvar?

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    1. Pois é Marcos,

      Veja você até que ponto chega a irresponsabilidade dessa gente quando existem interesses (sabe-se lá se excursos ou não) colocando a vida de pessoas humanas (humildes ou não) em risco. Esses energúmenos não tem nenhum compromisso com o país, com o seu povo e com a nossa segurança, seja por pura estupidez ou por interesses políticos e econômicos. Inclusive Marcos, temo muito pelo que possa acontecer durante a Copa do Mundo, pois do jeito que a coisa está sendo conduzida, o evento é um convite ao terrorismo. Diante disso Marcos, já defini com meus familiares assistir toda competição do sofá de casa, onde pelo menos o risco será menor.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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