A Sorte Vai Ser Lançada Para a Presença do Brasil no Espaço
Olá leitor!
Segue abaixo
outra matéria postada hoje (06/12) no site do jornal “O Globo” dando destaque
ao lançamento do Satélite CBERS-3.
Duda Falcão
CIÊNCIA
A Sorte Vai Ser
Lançada Para a
Presença do Brasil no Espaço
Foguete chinês parte na segunda-feira levando satélite que pode
representar o
renascimento do programa espacial brasileiro
Roberto Maltchik
Cesar Baima
Publicado:
6/12/13 - 6h00
Atualizado:
6/12/13 - 13h54
Divulgação/INPE
![]() |
Ilustração de um
satélite da série CBERS na órbita da Terra: lançamento
tapa lacuna de quase 4
anos na capacidade do Brasil de produzir
imagens da Terra desde o espaço.
|
RIO - Uma das mais valiosas
fichas atuais do programa espacial brasileiro terá sua sorte lançada no topo de
um foguete chinês de 46 metros de altura que deve ganhar o céu à 1h26 (horário
de Brasília) da próxima segunda-feira. Se o Longa Marcha 4B for bem sucedido,
ele não só garantirá o início da operação do satélite CBERS-3, tapando uma
lacuna de quase quatro anos na capacidade própria do Brasil de observar a Terra
a partir do espaço, como vai tirar um peso de 2,1 toneladas das costas do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O instituto é responsável
pelo lado brasileiro de um acordo com a China, firmado em 1988, que já levou
outras três equipamentos para a órbita do planeta e é centro de ambiciosa
ampliação que prevê, entre outras ações, a construção e lançamento do primeiro
satélite meteorológico do país.
Depois de cerca de três anos de
atraso, provocado por defeitos em componentes de suprimento de energia sob
responsabilidade brasileira, o CBERS-3 deve alcançar uma órbita a 778 km de
altitude de onde dará 14 voltas no planeta por dia, cobrindo toda sua
superfície a cada 26 dias. Com isso, ele vai recompor o mais importante
programa de produção de imagens da Terra via satélite já desenvolvido pelo
Brasil e que contabiliza o fornecimento gratuito, pela internet, de dezenas de
milhares de observações de áreas desmatadas ou em transformação, seja pela ação
humana ou da natureza.
Importância
Além Das Imagens
Mas a importância do CBERS-3 vai
bem além das imagens de monitoramento. Sua operação representa uma chance de
renascimento do historicamente negligenciado programa espacial brasileiro. Em
caso de sucesso, o primeiro salto será a recuperação da confiança técnica,
abalada pelas falhas que atrasaram o lançamento do novo satélite e que
encurtaram o tempo de vida do seu antecessor, o CBERS-2B, evidenciando a
dificuldade até agora demonstrada pelo Brasil de manter sua tecnologia
funcionando plenamente no espaço.
O segundo é a chance de azeitar
a parceria estratégica com a China, que hoje tem o mais dinâmico programa
espacial do planeta, com o qual luta pela liderança no setor contra EUA e
Rússia. Exemplo disso é que chineses e russos são hoje os únicos capazes de
levar pessoas para a órbita da Terra. Além disso, no último dia 1º a China
lançou sua terceira sonda lunar, prenúncio do envio dos primeiros taikonautas
(astronautas chineses) à Lua, previsto para a década de 2020.
— O sucesso da missão do CBERS-3
é importante por vários fatores. Cria um clima favorável na relação entre os
parceiros, sem dúvida, mas também um clima positivo para que o programa
espacial busque novos recursos — avalia Petrônio Noronha de Souza, diretor de Política
Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira.
Assim, se tudo funcionar
conforme o previsto, o lançamento do CBERS-3 servirá de impulso para a
ampliação do acordo estratégico com a China que permitirá ao Brasil sonhar bem
mais alto no campo do desenvolvimento de tecnologia aeroespacial. Se a parceria
evoluir, brasileiros e chineses poderão produzir em conjunto um satélite
meteorológico de órbita geoestacionária, que fica a 36 mil km de altitude e
exige uma engenharia bem mais complicada. Segundo Petrônio, no entanto, a única
missão nova concreta é o CBERS-4, com lançamento previsto para 2015 e que
“exigirá dois anos inteiros de muito trabalho”.
Desenvolvimento
de Tecnologia
Além disso, de forma inédita, o
Brasil é responsável por 50% dos componentes do novo satélite, desenvolvidos e
fabricados a um custo de R$ 160 milhões para o país, contra 30% de tecnologia
nacional nas missões anteriores. E, também pela primeira vez, uma das quatro
câmeras do satélite foi inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil: o
Imageador de Média Resolução (MUX). Com resolução de 20 metros, ele serve
especialmente ao controle de recursos hídricos e florestais e foi produzido
pela empresa Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A câmera, com 115 kg, tem
todo o aparato de proteção térmica e resistência a impacto para assegurar seu
funcionamento durante o tempo de vida da missão do CBERS-3, estipulada em três
anos. De acordo com o INPE, é um dos projetos espaciais mais sofisticados já
produzidos no Brasil.
Para o coordenador do Segmento
de Aplicações do Programa CBERS no INPE, José Carlos Epiphanio, o CBERS-3 fará
o Brasil renascer, após três anos de paralisia, no mercado de fornecedores de
imagens de satélite de média resolução, com a diferença que elas são gratuitas
para cerca de 3 mil instituições, públicas ou privadas, do país.
— Nosso grande tiro no pé foi
não ter mantido um sistema de satélites de observação nos últimos três anos.
Precisamos ter um programa de satélites sólido, o que não apenas aprimora a
tecnologia no segmento como alimenta uma importante cadeia de geração de
empregos entre os usuários do sistema — diz Epiphanio.
Fonte: Site do Jornal
O GLOBO – 06/12/2013 - http://oglobo.globo.com/

Gostaria de destacar o último parágrafo do artigo:
ResponderExcluir"— Nosso grande tiro no pé foi não ter mantido um sistema de satélites de observação nos últimos três anos. Precisamos ter um programa de satélites sólido, o que não apenas aprimora a tecnologia no segmento como alimenta uma importante cadeia de geração de empregos entre os usuários do sistema — diz Epiphanio."
Ora, se eles sabem disso, porque não fazem alguma coisa a respeito? Ficam assistindo impassíveis esses últimos "governos" sabotarem o Programa Espacial Brasileiro ano após ano.
Então, como "quem cala consente", não têm do que reclamar.