Entrada do Brasil em Organização Européia Gera Polêmica


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (07/05) no site do jornal “O Estado de São Paulo” destacando que a possibilidade do Brasil gastar R$ 1,24 milhões em 20 anos para fazer parte do European Southern Observatory está dividindo o meio científico do país.

Duda Falcão

Ciência

Entrada do Brasil em Organização Astronômica
Européia Cria Polêmica

País gastaria R$ 1,24 bilhão em 20 anos para fazer parte
do European Southern Observatory, grupo formado por
14 nações da Europa que opera grandes telescópios nos
Andes chilenos; ministro escreveu carta declarando
intenção do Brasil de participar

Herton Escobar - O Estado de S.Paulo
07 de maio de 2010 0h 00


A possibilidade de o Brasil entrar para uma das principais organizações da astronomia divide o meio científico nacional. Em fevereiro, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, escreveu para a cúpula do European Southern Observatory (ESO) dizendo que o País estava "profundamente interessado" em se juntar ao grupo de 14 países europeus. A proposta, aparentemente benéfica, revoltou parte da comunidade astronômica brasileira.

"É um absurdo, uma irresponsabilidade", diz João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). "Fiquei indignado." Segundo ele, a participação na ESO custaria ao Brasil R$ 1,24 bilhão nos próximos 20 anos, o que comprometeria a continuidade de projetos nacionais importantes em curso - além de ser incompatível com a realidade orçamentária brasileira.

"Parece-me inconcebível concordar que um país ainda em desenvolvimento pague essa quantia de dinheiro para países desenvolvidos fazerem boa ciência", diz Steiner, em uma longa carta de protesto enviada ao ministro Rezende no início deste mês.

A ESO é responsável pela construção e operação de vários telescópios de grande porte nos Andes chilenos. Entre eles, o Very Large Telescope (VLT), um conjunto de quatro telescópios de 8 metros de diâmetro que podem funcionar como um enorme telescópio de 32 metros.

Na semana passada, o grupo anunciou que vai construir também no Chile o European Extremely Large Telescope (ELT), o maior telescópio do mundo, com um espelho refletor de 42 metros de diâmetro.

Sociedades - Ao entrar para a organização, o Brasil ganharia acesso a esses instrumentos. Hoje, o País é sócio de dois grandes telescópios no Chile, chamados Soar (de 4 metros) e Gemini (8 metros), não ligados à ESO. Steiner teme que o custo de entrar para a ESO desvie recursos e prioridades desses projetos, essenciais para a astronomia brasileira. Diz ainda que o ministro passou por cima da comunidade científica ao escrever para a ESO sem consultar os pesquisadores.

Rezende disse ontem ao Estado que o convite partiu da própria ESO e que a carta foi apenas uma maneira de abrir formalmente as negociações com os europeus. "A decisão de aprofundar essa negociação vai depender da comunidade científica", disse. "Desde o início ficou claro que o ministério não decidiria nada por conta própria."

Segundo o ministro, a participação na ESO custaria, a princípio, cerca de R$ 50 milhões por ano. Um grupo de três especialistas (dois astrônomos e um diplomata) está sendo montado, a pedido da ESO, para negociar os termos (e custos) de uma eventual parceria. "Se quisermos ser competitivos em astronomia precisamos estar ligados a esses grandes projetos internacionais", disse. "O Brasil pode ser mais ambicioso do que é hoje."


Fonte: Site do jornal O Estado de São Paulo - 07/05/2010

Comentário: Não resta dúvida que a participação brasileira num programa com este seria benéfica desde que não viesse a comprometer os projetos já em curso no país. O blog entende que caso o astrônomo João Steiner esteja correto quanto ao custo desta participação, a entrada neste projeto não deveria se realizar, pois certamente prejudicaria os projetos em curso, aumentando a falta de foco que chega as raias da loucura na administração pública. Essa verba estaria sendo melhor aplicada se a mesma fosse utilizada para novos projeto astronômicos e em parceria com projetos espaciais de interesse da classe astronômica brasileira. Quer um exemplo senhor ministro? O Projeto ASTER.

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