Satélites e suas Aplicações no Brasil


Olá leitor!

Segue uma notícia postada hoje (20/05) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando na íntegra o artigo do diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela, publicado na quarta edição da AAB Revista.

Duda Falcão

Satélites e suas Aplicações no Brasil


Thyrso Villela

Diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB

20-05-2010


É praticamente impossível imaginar atualmente o mundo sem satélites. Eles estão presentes em muitas atividades de uma forma direta ou indireta. Assistir televisão, se informar sobre a previsão do tempo, saber que regiões do território nacional estão sendo desmatadas ou descobrir como o Sol pode influenciar de maneira drástica a vida na Terra são atividades corriqueiras hoje em dia, mas que têm os satélites como principais responsáveis por elas. De tão associadas ao nosso dia-a-dia elas passam despercebidas por muitos. Isso, de certa forma, impossibilita que a importância dos satélites seja reconhecida de modo claro por vários setores da sociedade. Pior, nem sempre são percebidos os potenciais de riqueza que os satélites e suas aplicações podem gerar. Existem vários tipos de aplicação relacionados a satélites. Os mais comuns são aqueles ligados às comunicações, às atividades militares, ao meio ambiente, que englobam sensoriamento remoto e meteorologia, à navegação e posicionamento, às aplicações científicas, responsáveis pelo avanço colossal do conhecimento humano e pela percepção de que o meio ambiente em que vivemos é também influenciado pelo Sol, Via Láctea e outras regiões longínquas do universo.

Em termos econômicos, o mundo dos satélites não se restringe apenas à construção desses artefatos. Outros três setores também são responsáveis pela geração de riqueza envolvida nesse segmento de alta tecnologia e alto valor agregado: os equipamentos de solo, necessários para a operação e controle dos satélites, os lançadores e os serviços associados às aplicações que eles possibilitam.

A indústria de satélites apresenta números que mostram a sua importância econômica: em 2007, por exemplo, aproximadamente 257 mil pessoas estavam empregadas em atividades relacionadas a satélites nos EUA; ela cresceu em média 14% por ano no período entre 2003 e 2008, de acordo com a Satellite Industry Association, e gerou uma receita de cerca de 144 bilhões de dólares americanos em 2008. Desse montante, 3% vêm dos lançamentos desses artefatos, 7% de sua construção, 32% relacionados ao segmento solo e 58% aos serviços e aplicações que esses satélites proporcionaram. Espera-se que para 2009, cujos dados ainda estão sendo compilados, o crescimento do setor em relação a 2008 tenha sido da ordem de 19%. São números expressivos que mostram a relevância desse setor para a economia.

Dominamos, no Brasil, vários segmentos da construção de plataformas para satélite, mas ainda precisamos avançar na construção de cargas-úteis, como as relacionadas a sensoriamento remoto, meteorologia e experimentos para aplicações científicas de um modo geral. O segmento relacionado às cargas-úteis é onde se concentram, em geral, os maiores avanços tecnológicos e as maiores inovações. Algumas dessas inovações são testadas em satélites científicos. Eles servem para avançar as fronteiras do conhecimento humano, proporcionar o treinamento rápido de pessoal para a área espacial e para desenvolver novas tecnologias, como foi o caso das células solares de tripla junção testadas pela primeira vez no espaço em uma missão cientifica e que hoje são largamente usadas em vários tipos de satélites.

Os satélites e as aplicações decorrentes de seu uso são importantes devido ao grande potencial que têm para solucionar problemas de alto interesse da sociedade, como aqueles ligados à defesa civil, e de impulsionar o crescimento de vários setores da economia, por meio, por exemplo, de spin-offs. A atividade ligada a satélites gera empregos em vários setores da economia, não se limitando apenas àquelas diretamente ligadas ao próprio setor. Portanto, é urgente que a atividade espacial seja bastante estimulada no Brasil. Mesmo contando com poucos profissionais em comparação com outros países, o Brasil tem hoje um capital humano, tanto nos institutos de pesquisa e universidades quanto nas empresas, altamente qualificado e capaz de responder a esse desafio. É necessário que todos percebam essa importância, de modo que argumentos imediatistas não sejam lançados contra o objetivo de se dominar as tecnologias associadas a essa atividade.


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Muito interessante esse artigo do senhor Thyrso Villela, pois o mesmo descreve com propriedade a importância dos satélites para a sociedade moderna. O Brasil continua pecando gravemente na condução de seus projetos de satélites, causando atrasos e em alguns casos atrasos astronômicos sem precedentes na história. Isto ocorre mesmo nos projetos mais favorecidos, como é o caso do CBERS, muito devido à falta de consciência de nossa sociedade e principalmente da nossa classe política (Governo e Congresso), totalmente ignorante, cega e insensível ao mal que está causando ao futuro do país. Lamentável.

Comentários

  1. Muitos acham que aplicar dinheiro na area espacial ,nos estamos jogando dinheiro fora, por exemplo na cidade onde eu moro S.J. dos Campos, o que seria da cidade se não fosse a criação do CTA e como conseqüência varias industriais da area aeroespacial,não é por acaso que a cidade é um dos principais polos de tecnologia da America Latina ,como conseqüência temos uma boa qualidade de vida aqui, umas das melhores do pais.
    Infelizmente nem todos pensam assim .

    Olá Duda Falcão , quero parabenizar você pelo blog ,procuro acompanho as atualizações todos dias,quero compartilhar um site que achei por acaso ,é um site sobre lançadores espaciais e misses ,o interessante é que tem muitas fotos dados técnicos sobre todos os sistemas até hoje produzidos , tem ate fotos de programas mais secretos como Condor argentino ,o lançador sulafricano e iraquiano,iraniano .O site é mantido por um alemão.

    http://www.b14643.de/Spacerockets_1/index.htm

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  2. Olá André,

    Este é um problema que PEB enfrenta no seu dia-a-dia, já que o mesmo não é devidamente promovido como deveria e até o momento não alcançou nenhum resultado de grande relevância que chamasse à atenção da sociedade. O desconhecimento é tanto André, que grande parte do povo brasileiro nem sabe que temos um programa espacial e muito menos para que serve. A ignorância e quase que total e caso queiramos mudar isso nos próximos anos, muita coisa ainda há ainda de ser feita, apesar de seus quase cinqüenta anos de existência (2011). Obrigado pela dica do site, irei checar com prazer.

    Forte abraço

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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