Tecnologia Brasileira no Cyclone-4


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na nova edição da Revista Espaço Brasileiro (Jan. Fev. Mar. de 2010) destacando que a AEB e o DCTA estão estudando a possibilidade de usar tecnologia brasileira no foguete ucraniano Cyclone-4.

Duda Falcão

Tecnologia Brasileira no Cyclone-4

Entre os exemplos, destacam-se a propulsão sólida
E a separação lateral

Parte da tecnologia e do conhecimento adquiridos com o Veículo Lançador de Satélites (VLS) podem ser usados no Cyclone-4. “Isso já foi motivo de reunião no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e na Agência Espacial Brasileira (AEB)”, afirma o vice-diretor técnico da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS), João Ribeiro. A propulsão sólida e a separação lateral são um bom exemplo. O VLS tem a separação lateral e o Cyclone-4, não possui. Essa não é uma característica dos foguetes ucranianos.

Importante lembrar que normalmente esse tipo de investimento não é recuperável, em termos de negócios, com lançamentos espaciais. São os governos que investem em prol da autonomia e da capacidade de lançamento, da soberania e da estratégia dos países. Ou seja, não ficar dependente de outros países para lançar seus satélites. “O objetivo final é esse. Isso significa uma força estratégica perante a comunidade internacional”, diz o vice-diretor.

A coréia do Sul, por exemplo, tem parceria com os Russos. O primeiro estágio do foguete coreano é russo. O ultimo estágio do lançador americano Atlas também é russo. Os países estão se unindo por meio de parcerias. Nesse momento a cooperação tecnológica é mais importante que o lucro. É o componente maior, principalmente, para o Projeto Cyclone-4.

Um bom exemplo da importância estratégica de se ter os próprios satélites e lançadores foi a guerra das Malvinas, quando os Estados Unidos usaram um satélite para fazer todo o levantamento meteorológico e apagaram imagens. O Brasil ficou sem as imagens de satélite e a Argentina também. O mesmo pode acontecer com imagens de sensoriamento remoto que hoje são compradas pelo Brasil.

Não ter os próprios satélites e o próprio lançador pode implicar até mesmo na não execução completa da Estratégia Nacional de Defesa apresentada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Para João Ribeiro, “sem satélites ela fica totalmente inviável”.

Extensão - O Brasil é um país de extensão continental, com uma série de necessidades que demandam atividades espaciais. Vigilância de fronteira, inclusive das fronteiras marítimas, das reservas naturais, execução dos programas ambientais, o controle da Amazônia e as comunicações. É uma questão de integração nacional. A situação do Brasil é diferente da de diversos países que não tem tanta necessidade de alcançar autonomia no segmento espacial.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 8 - Jan. Fev. Mar. de 2010 - pág. 25

Comentário: O blog não discute a possibilidade técnica de que isso possa acontecer, caso haja interesse dos ucranianos, mas discute a impossibilidade disto acontecer em um curto espaço de tempo, já que antes teria que ser assinado um acordo de parceria tecnológica específica e posteriormente ser ratificado pelos congressos dos dois países. Coisa que levaria em média algo em torno de quatro a seis anos, após a assinatura do mesmo, principalmente no Brasil. Além disso, muito provavelmente esse foguete não seria chamado de Cyclone-4, já que teria uma nova configuração e conseqüentemente uma nova denominação.

Comentários

  1. Sobre esta colaboração brasileira no projeto , ouvi especulações que para aumentar a capacidade do Cyclone-4 , posteriormente poderia acrescentar boosters , este fornecidos pelo Brasil um derivado do VLS , isso seria tecnicamente viável ?

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  2. Olá André!

    Seja bem vindo. Bom André, é justamente disso que a matéria se refere, ou seja, acrescentar a configuração do foguete Cyclone-4 (muito provavelmente) dois ou quatro motores S43 (boosters) do VLS. Quanto a possibilidade técnica, acredito que seja possível, no entanto, existe ainda a impossibilidade legal, pois como disse no meu comentário não existe nenhum acordo assinado e ratificado para que essa iniciativa se concretize, entende? Além disso, com essa nova configuração o foguete não seria mais denominado de Cyclone-4.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Oi Duda,

    Questiono a vantagem de um arranjo dessa natureza. Qual a grande vantagem tecnológica que vamos agregar? Vamos fazer ("ou dizer que vamos fazer") um hibrído para um produto que já está pronto e operacional.
    Honestamente? Isso parece campanha de marketing. Outra informação que li no texto: VLS e Ciclone 4 não competem entre si. Ok, são projetos distintos... mas e as evoluções do VLS - Cruzeiro do Sul - que em tese trazem muito mais vantagens no domínio tecnológico para o País, como é que fica? Mais uma vez: parece que a idéia é: "tem espaço pra todos", mas na hora da verdade vai valer a lei do mais forte - ou do mais esperto. Ao invés do desenvolvimento teremos mais uma concessão de recursos públicos com resultados questionáveis.

    Um abraço,

    Sengedradog

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  4. Olá Sengedradog,

    Eu entendo perfeitamente a sua colocação e concordo. Lembrando que com o acordo do próprio Cyclone-4, foi cortado da família Cruzeiro do Sul um dos foguetes e se essa idéia de usar os booters (S43) no mesmo for à frente, certamente outro foguete será cortado. No entanto, a boa notícia é que o novo VLM já se encontra em desenvolvimento (veja na entrevista que fiz com o coronel Kasemodel) com um motor-foguete sólido mais poderoso que o S43 (10 toneladas de empuxo). Esse novo VLM está sendo desenvolvido com a DLR alemã inicialmente para atender o vôo do experimento europeu SHEFEX-3, em um vôo suborbital por volta de 2015, mais a intenção é que a partir daí, o mesmo seja capaz de colocar em orbita baixa microsatélites.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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