Sonho de Muitos, Realização de Poucos - 2


Olá leitor!

A era espacial é um processo que foi iniciado a mais de 50 anos atrás pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e pelos Estados Unidos da América. Durante este período de mais de meio século, diversos países decidiram entrar na corrida pelo domínio das tecnologias espaciais, tão necessário para o desenvolvimento científico e tecnológico de suas sociedades. Hoje, mais de 20 países do mundo já contam com suas atividades espaciais em curso sendo o Brasil uma dessas nações que vem desenvolvendo programas direcionados as pesquisas no espaço.

O Programa Espacial Brasileiro que teve início no longínquo ano de 1961 tornado-se o quarto a ser implantado no mundo (somente mais novo do que o russo, o americano e o francês), desde a sua criação vem enfrentando diversos problemas estruturais e de recursos que impediram e ainda impedem o seu desenvolvimento em prol da Sociedade Brasileira.

Hoje dia (22/04) importante dia para a Astronáutica Americana em que estava previsto para ocorrer o lançamento de Cabo Canaveral (por um foguete Atlas 5) do avião espacial não tripulado X-37B da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos), uma espécie de mini-shutlle, solicito a você leitor que aproveite esta oportunidade para fazer reflexões sobre o atual estágio de nosso programa espacial.

Space Plane X-37B (sonho de muitos, realização de poucos)
aguarda em Cabo Canaveral posicionado na coifa do foguete
Atlas 5 o seu lançamento - (Foto: www.space.com)

Interessante notar aqui leitor (claro que numa menor escala), que apesar todos os problemas enfrentados pelo PEB e de estarmos anos luz atrás dos americanos e de outras nações do mundo, o Programa Espacial Brasileiro vem (é verdade não como gostaríamos e poderíamos se houvesse vontade política e competência gerencial) pelo menos tentado acompanhar desenvolvendo tecnologias sensíveis que certamente foram aplicadas pela Boeing/USAF em seu X-37B. Refiro-me a projetos como SIA (Sistemas de Navegação Inercial para Aplicação Aeroespacial), o Projeto SARA Orbital (Reentrada Atmosférica), o Projeto de Motores a Propulsão Líquida do IAE, o programa de novos materiais entre outros.

Entretanto, apesar disto é visível e vergonhoso o atraso alcançado pelo PEB em relação às nações como a Índia, o Paquistão, o Iran, a Coréia do Sul, a Coréia do Norte citando os países de desenvolvimento tecnológico parecido com o brasileiro sem levar em conta países como a China, França, Japão e os países europeus em conjunto na ESA (Agência Espacial Européia). Lembrando ao leitor que desse grupo de países citados acima, com exceção da França, todos iniciaram seus programas depois do Brasil, tendo como o exemplo mais radical o programa espacial da Coréia do Sul que tem pouco mais de sete anos. Lamentável.

Duda Falcão

Comentários

  1. Prezados senhores, um país que se diz potencia regional , lider no hemisferio da america do sul, se engana a si própria enquanto não possua tecnologia de persuasão militar.Foi notório no episodio do Haiti nossa pequenina capacidade de mobilização militar e decisório..os EUA foi capaz em vinte e quatro horas de mobilizar forças suficientes para se contrapor as emergencias alí exigidas.E vejam não foi só capacidade militar...foi sobretudo indecisão demonstrada em relação ao o que fazer no momento.O brasil que for que lidere nossa nação no momento tem de saber de pronto ok executar...o poder decisório para essas situações tem de ser previamente delineadas.

    Usei o episodio do Haiti para chamar a atenção dos senhores para o quanto estamos perdidos no que tange ao que queremos no mundo.Pelo pouco que entendo ...e gostaria que o blog me brazilianspace.

    Como é organizado a AEB...?(ela traça as metas)?
    Quem contrata os fornecedores?A Aeronautica?
    Quem monta os foguetes ? o CTA ?
    Quem faz as pesquisas tecnológicas
    ? As universidades?

    Não sei, porem se for assim acho meio confuso o ambiente produtivo.Isso sem falar no contexto que esses orgãos atuam com diretores que não são da área e protegidos por partidos politicos que estejam no poder transitoriamente.

    Parabens aos idealizadores do blog por mante-lo sempre atualizado..com noticias e comentários..sds

    ResponderExcluir
  2. Olá Benito,

    Vamos as suas dúvidas:

    Como é organizado a AEB...?(ela traça as metas)?

    A AEB Benito é uma Autarquia federal vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que é responsável por formular e coordenar a política espacial brasileira. Também é de responsabilidade da AEB a elaboração e coordenação da aplicação do Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que inclusive está nesse momento sendo reformulado para um novo período de 10 anos.

    Sob a administração geral da AEB, o Programa Espacial Brasileiro conta com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCT) e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Este último é responsável pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv) pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). Essas instituições dão suporte a todas as atividades que se desenvolvem em torno da área espacial.

    Quem contrata os fornecedores?A Aeronáutica?

    Normalmente sim no que diz respeito ao programas do IAE e do IEAv é o Comando da Aeronáutica através de recursos do Ministério da Defesa (MD).

    No caso do INPE é a AEB através de recursos passados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

    No entanto, existem outras fontes de recursos em ambos os casos como a da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) entre outras fontes que são abertas tanto para os programas dos institutos do governo envolvidos no PEB, como também para empresas privadas e universidades que apresentam projetos de interesse do PEB.

    Quem monta os foguetes? o CTA ?

    É sim Benito, na realidade conhecido agora como DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). No entanto este departamento é composto por diversos institutos e os que diretamente trabalham com o PEB são:

    Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE): responsável pelo desenvolvimento dos foguetes, plataformas espaciais e tecnologias associadas.

    Instituto de Estudos Avançados (IEAv): responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de vanguarda como a propulsão a laser, a propulsão a ar aspirado, propulsão nuclear e projetos como o avião espacial hipersônico 14-X, entre outros projetos.

    Quem faz as pesquisas tecnológicas? As universidades?

    Depende da área Benito. No caso de foguetes, plataformas espaciais e tecnologias associadas é o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) ligado ao DCTA.

    No caso de satélites, tecnologias associadas, pesquisas espaciais de ordem climática, geofísica, astronômica, astrofísica é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que é ligado ao MCT.

    No caso de tecnologias de vanguarda como propulsão a laser, propulsão a plasma, propulsão a ar aspirado, propulsão nuclear e projetos como o avião espacial hipersônico 14-X é o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ligado também ao DCTA.

    Além disso, existem projetos em parceria que estão em andamento entre estes institutos governamentais com empresas e universidades brasileiras como também existem projetos frutos de iniciativas próprias tanto de empresas como de universidades e em alguns casos com o envolvimento de instituições internacionais. Acompanhem esse movimento inovador dessas instituições através das notícias postadas no blog diariamente.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Da Sala de Aula para o Espaço

Top 5 - Principais Satélites Brasileiros

Por Que a Sétima Economia do Mundo Ainda é Retardatária na Corrida Espacial