Além de Vidas - Conhecendo uma Equipe SAR Diferente


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na mais recente edição da revista “Tecnologia & Defesa” (número 120) destacando o grande serviço prestado pela “Equipe de Salvamento e Resgate em Atividades Espaciais (SAR-IAE)”.

Duda Falcão

Unidades

Além de Vidas - Conhecendo uma Equipe SAR Diferente

Fotos: SAR-IAE

Existe um segmento dentro de todo o amplo processo de uma operação de lançamento de foguetes de pesquisas, principalmente, muito pouco conhecido. Embora seja realizado, na maioria dos casos, longe dos olhos do publico ou dos meios de divulgação, a tão importante quanto uma ignição bem sucedida e um vôo que atinja os objetivos programados. Esses engenhos espaciais levam a bordo uma serie de experimentos que só podem ser realizados nas condições de altitudes a que atingem, dependendo do seu modelo, que, não raro, representam investimentos de milhões de dólares, alem de muito tempo em pesquisas laboratoriais. Dessa forma, cumprida a etapa de permanência em ambientes de baixa gravidade, por exemplo, quando retornam, precisam ser recuperados. Afinal, mais ate que valores financeiros, ha a questão do conhecimento, do aprendizado e dos benefícios que podem gerar para um sem numero de campos de atuação.

E um trabalho feito nos mais variados lugares e tipos de terrenos. No Brasil, dado o posicionamento de seus dois Centros de Lançamentos, em Parnamirim (RN) e Alcântara (MA) o comum e acontecer no mar e, as vezes, a grandes distancias da costa. Só esse fato já bastaria para mostrar a sua complexidade, mas outros detalhes atestam a necessidade de se manter um grupo de militares especializados na tarefa e que pertence aos quadros da Força Aérea Brasileira (FAB).

DIFERENCIADO

Muito embora as atividades espaciais sejam parte da vida cientifica brasileira ha décadas (ainda que não na quantidade desejável ou ideal), apenas recentemente , em 2003, foi decida a criação , dentro da estrutura de SAR (Search and Rescue - Busca e Salvamento ) da FAB de um grupo voltado para aquelas finalidades . E, naturalmente, isso se deu dentro do atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de São Jose dos Campos ( SP), funcionando através do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Assim, a Equipe de Salvamento e Resgate em Atividades Espaciais, ou simplesmente, SAR-IAE, reflete a preocupação da instituição em, acompanhando a evolução e os avanços técnicos do setor, contar com uma unidade preparada para a execução de missões que requerem, também, um alto nível de interação e de familiaridade com o próprio assunto. Na verdade, os integrantes do SAR-IAE são parte de toda a sistemática que envolve uma operação.

Os recursos humanos da equipe têm a mesma formação básica de qualquer membro do sistema SAR da Força Aérea, podendo serem acionados para o atendimento de ocorrências afeitas ao serviço de salvamento , porem, isso não a comum de acontecer. Dessa forma, em um período médio de 60 dias (ha também o curso de Resgate, tipo expedito, de 30 dias), todos passaram pelos estágios de treinamentos de sobrevivência em lugares inóspitos como selva e mar, natação e mergulho autônomo, pára-quedismo, infiltração e exfiltração ou acesso e saída em condições de extrema dificuldade - operações helitransportadas -, diversas modalidades de salvamento e prestação de socorros a vitimas e, em alguns casos, ate mesmo táticas especiais de combate. Designado para servir no SAR- IAE, no entanto, o militar passara a receber outros e novos ensinamentos que o ire diferenciar em relação aos demais "gorros - laranjas". A partir desse momento, devera aperfeiçoar-se intensivamente para o cumprimento de um trabalho mais especifico e minucioso.


A formação do elemento SAR a basicamente igual
em todas as unidades do tipo. Entretanto, o pessoal
do SAR-IAE passa por outras especializações

As características maiores do emprego do SAR-IAE vão exigir que seus componentes estejam habilitados, entre outros, a lidar com equipamentos de use subaquático e que abrangem sistemas de comunicação, mergulho com mistura enriquecida (que proporciona um maior tempo de permanência sob a água), veículos submersíveis motorizados (DPVs) e orientação. Isso, porque, quando de uma recuperação de cargas de foguetes, as providencias em campo não significam simplesmente sair mar adentro atrás do objetivo. Há que se determinar o ponto mais exato possível da queda, efetuar a localização (que pode demandar horas de mergulho enfrentando correntezas), fazer a sua reflutuaçao e, em seguida, o içamento com todas as medidas de segurança. Nessas oportunidades, mantido o "modus operandi", o imprescindível apoio aéreo e proporcionado pelos helicópteros H-60L BlackHawk, do 70/8° GAv "Esquadrão Harpia", de Manaus (AM), cujas tripulações já são bastante acostumadas com missões chamadas de SAR-Amazônico. Atuam sempre em duas equipes e, em varias ocasiões contam, também, com o auxilio de navios da Marinha.

As habilitações técnicas incluem
o manejo de diversos tipos de
equipamentos subaquáticos como
o DPV, empregado a localização de
cargas submersas

Por outro lado, as qualificag6es adicionais dos profissionais do SAR-IAE não se limitam ao resgate de experimentos espaciais. Durante um período de especialização que pode chegar a dois anos ate ser declarado plenamente operacional (e isso explica o fato de a equipe contar com somente 13 membros, ate agora), o militar aprende, ainda, matérias como Proteção Radiológica (vital para poder acessar cargas ativas) e Descontaminação, onde vai usar e dominar o aparelho de Raio-X portátil, traje anti-bombas e etc.

A participação em todas as fases do planejamento
de um operação inclui, por exemplo, ações como
a instalação de flutuadores no drone alvo Skua

OUTRAS AÇÕES

Organizado em segues de administração, equipamentos, manutenção, emergências de operações de defesa, o grupo tem um cotidiano concorrido em função de ser utilizado em situações distintas; dai a complementaridade da grade de estudos do pessoal. Sua participação a obrigatória em campanhas de ensaios e homologação de veículos aéreos não tripulados (VANTs); para a destruição de artefatos falhados (mísseis e bombas) no Campo de Provas Brigadeiro Veloso (CPBV), em Cachimbo ( PA), que eles classificam como "descontaminação"; em exercícios com alvos aéreos manobráveis (recuperação dos drones ); e ações de Alerta - SAR em plataformas de lançamentos, onde também a de sua responsabilidade a segurança física do perímetro adjacente para coibir presenças não autorizadas.

A equipe participa das campanhas de ensaios
dos diversos projetos de VANTs, embarcada no
helicóptero "paquera", como no caso do Acauã

Em sua sede, o SAR-IAE acompanha, em todas as suas etapas, o desenvolvimento dos projetos a serem implementados para poder coordenar o seu apronto e adestramento visando o planejamento de seu emprego, ao mesmo tempo em que efetua o controle de manutenção e aprestamento de homens e material. Ministra cursos para bombeiros, policiais e militares e realiza o Alerta-SAR nos ensaios de produtos de alta periculosidade como motores de foguetes e material bélico, quando aciona seus veículos, uma ambulância - UTI e um carro de socorro e suporte especialmente desenhados e fabricados.

Integrantes do SAR-IAE operando
abordo de navio da Marinha

Na usina Coronel Abner, onde são produzidos os motores de foguetes e que fica nas imediações do DCTA, a equipe acompanha, do inicio ao fim, a masseração, ou a obtenção de propelente solido. De uma forma, talvez, mais imperceptível aos olhos leigos, a permanência nessas instalações, o "coração da tecnologia aeroespacial brasileira", também serve para o aprimoramento de um dos fatores essenciais e que se refletem na eficiência do SAR-IAE: o "espírito de equipe”.

Para ações de Alerta-SAR em situações localizadas
e de alto risco a equipe dispõe de viaturas próprias

T&D


Fonte: Revista T&D - núm. 120 - março de 2010 - Págs. 94, 95, 96 e 98 via site do IAE

Comentário: É muito bom saber que o IAE conta com uma equipe com esta nas operações de lançamento realizadas pelo instituto. Parabéns ao SAR-IAE pelo trabalho que vem realizando e a revista Tecnologia & Defesa por nos trazer uma matéria tão esclarecedora sobre esta unidade da Força Aérea Brasileira (FAB).

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