Agência Espacial Europeia (ESA) Enfrenta a Crise Econômica

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo escrito pelo Sr. José Monserrat Filho e postado hoje (26/11) no blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski, tendo como destaque o orçamento de 10, 1 bulhões de euros proposto recentemente para os próximos três anos, pelo Conselho de Ministros da Agência Espacial Europeia (ESA).

Duda Falcão

Agência Espacial Europeia (ESA)
Enfrenta a Crise Econômica

A Europa aprendeu, espaço não é mais despesa,
é investimento – diz diretor geral da ESA

José Monserrat Filho*

O orçamento proposto para os próximos três anos, de 12 bilhões de euros, ficou em 10,1 bilhões – redução de 1,9 bilhão de euros, equivalente a 8,4%. Foi o que decidiu o Conselho de Ministros da Agência Espacial Europeia (ESA), na reunião de dois dias de intensas discussões e negociações, realizado em Nápoles, Itália, na semana passada, de  20 a 21 de novembro,.

Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se (quase) todos. Tanto que o diretor geral da ESA, Jean-Jacques Dordain, do alto de sua efetiva liderança, festejou o resultado: “É um grande triunfo, a despeito da situação econômica [da Europa]. Foi uma reunião muito difícil, com muito estresse, mas acabou coroada de êxito”.

A alegria de Dordain emanava, sobretudo, de duas deliberações dos ministros: a de construir sucessores para o foguete Ariane 5, líder mundial do mercado de lançamentos de satélites, em especial de telecomunicações, e a de como financiar a participação europeia na Estação Espacial Internacional, que seguirá ativa até 2020. Mas Dordain foi além e tirou do encontro uma conclusão que hoje vale para todos os países do mundo: “Espaço não é mais despesa, é investimento”.

O conselho é formado por ministros da C&T dos países membros da ESA, que atualmente são 20: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça. O conselho se reúne a cada quatro anos para debater e aprovar o plano de financiamento dos programas e projetos da ESA. Este ano, os cortes eram inevitáveis. Mas parece que foram menores do que alguns temiam.

É bom saber: todos os países membros da ESA são obrigados a participar do programa científico, que desenvolve telescópios espaciais e outros instrumentos de pesquisa. Nas outras áreas, cada país elege a que prefere: telecomunicações, navegação, obervação da Terra ou desenvolvimento de veículos lançadores.

Houve cortes no orçamento do programa científico, que, em Nápoles, foi fixado em 500 milhões de euros por ano, para os próximos cinco anos (2013-2017). Esses recursos já foram maiores no passado. Mas não se sabe ainda as missão que serão afetadas.

Houve cortes também no programa de observação da Terra. Seu diretor, Volker Liebig, de acordo com a revista Nature, tinha esperança de receber 1,9 bilhão de euros para quatro anos. Recebeu apenas um bilhão, com os quais terá de construir os satélites de monitoramento ambiental.  O corte é atribuído à redução dos aportes da Espanha, França e Itália, bem como, em parte, à decisão da ESA de investir 808 milhões de euros na nova geração de satélites meteorológicos – os Metop-SG. Para Volker Liebig, agora não será possível desenvolver todos os satélites científicos planejados – uma missão, pelo menos, terá que ser adiada.

Mas, o Programa de Lançadores saiu muito bem na foto. Entre os projetos conflitantes da Alemanha e da França, a solução foi aprovar os dois. O projeto alemão visa a melhorar o foguete Ariane Evolução Midlife 5 (5ME), capaz de transportar cargas 20% mais pesadas do que o atual Ariane 5, e de colocar satélites em órbitas mais elevadas. O projeto francês, por sua vez, tem em mira construir o Ariane 6, considerado mais barato e, portanto, mais competitivo. Os dois projetos receberão, juntos, 600 milhões de euros e serão revisados em 2014. A ideia é lançar o Ariane 5ME em 2017 ou 2018.

Ficou, no entanto, a impressão de uma vitória alemã. Não por acaso, o Presidente da DLR, a agência espacial alemã, Johann-Dietrich Wörner, teve o cuidado de declarar: “Não estamos falando de vitórias, mas de soluções europeias”.

Alemanha e França também divergiram quanto ao que fazer após o quinto e último voo do Veículo Automático de Transferência (ATV, na sigla em inglês) à Estação Espacial Internacional, em 2014. Esse transportador de carga não tripulado, criação europeia no valor de 450 milhões de euros, foi a contribuição da ESA ao fncionamento da Estação Espacial. Que fazer com o ATV? Proposta alemã: adaptar sua tecnologia com propulsão e aviônica (sistemas eletrônicos) para fornecê-lo à cápsula tripulada Orion da NASA, destinado a transportar astronautas para além das órbitas terrestres. Proposta francesa: a Europa deve desenvolver seu próprio projeto. Deu Alemanha de novo. Os ministros resolveram compartir os custos da Estação Espacial e seguir desenvolvendo a unidade de propulsão do Orion. Para Wörner, a decisão tem duas vantagens claras: 1) é o bilhete de entrada da ESA na Estação Espacial; e 2) Torna a ESA forte parceiro dos EUA na exploração espacial tripulada. Cabe notar: a Alemanha é o principal parceiro da Estação Espacial, contribuindo com 537 milhões de euros para as suas operações – cerca de 40% do total dos aportes.

O projeto Orion terá a participação extra do Reino Unido, que não costuma apoiar voos tripulados. Os britânicos entrarão com 16 milhões de euros para o desenvolvimento das telecomunicações e da tecnologia de propulsão.

A exploração espacial por robôs foi mantida, com a participação essencial da Rússia nas duas missões da ESA, denominadas ExoMars, a serem lançadas em 2016 e 2018. Uma vai medir os gases da atmosfera de Marte, enquanto a outra vai buscar sinais de vida na superfície do planeta vermelho. A ROSCOSMOS, agência espacial russa, comprometeu-se a realizar os dois lançamentos com foguetes Proton e assim cobrir a lacuna deixada pela Nasa ao deixar a missão em 2011.  Quanto à exploração robótica da Lua, a Alemanha, às vésperas da reunião de Nápoles, comunicou que estava se afastando da missão do módulo lunar, por não conseguir o apoio de outros países para reunir os 500 milhões de euros necessários ao projeto. Ainda conforme a Nature, Wörner considerou o caso “uma decepção”. Porém, logo emendou, de certo para não agravar a questão: “Mas não uma grande decepção”.

De qualquer forma, tudo indica, a Alemanha saiu fortalecida de Nápoles. Ela responderá pela maior parte dos recursos da ESA para os próximos anos. Dos 10,1 bilhões de euros do orçamento aprovado, nada menos de 2,6 bilhões virão de Berlim. Ou seja, um quarto do total. Os outros três quartos ficarão distribuídos entre os 19 outros países membros.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB)


Fonte: Blog “Panorama Espacial - André Mileski - 26/11/2012

Comentário: Veja bem leitor, em minha opinião não se mede resultados pelo que é dito e sim pelo que é realizado. Assim sendo, não posso concordar com o que disse (segundo o Sr. José Monserrat Filho) o diretor-geral da ESA, o Sr. Jean-Jacques Dordain,  de que a Europa só aprendeu agora que espaço não é mais despesa, e sim investimento. Essa declaração não faz sentido algum, já que os resultados da ESA nos últimos 30 anos demonstram que os países europeus já tinha essa visão há décadas e o fato de continuar investindo pesado em uma época tão complicada economicamente, demonstra claramente que essa visão está mais que solidificada. Visão esta que falta a um certo pais sul americano que a 52 anos vem brincando de fazer Programa Espacial. Ta aí Dona DILMA, a seriedade, a responsabilidade, a competência e principalmente o comprometimento que falta em seu governo e a seus energúmenos de plantão, oradores de porta de botequim, travestidos de paletó italiano e comedores de pizza. Uma clara demonstração de que governos comprometidos podem conduzir com a iniciativa privada o desenvolvimento de suas sociedades e de seus países e regiões. Lamentável!

Comentários

  1. Numa crise dessas proporções uma redução orçamentária de menos de 10%, só mostra a importância dada ao programa espacial pelo governo de TODOS esses países.

    Só não vê quem não quer...

    #inveja

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  2. O que me admirou também foi o fato de vários países independentes terem entrado num acordo, sem grandes conflitos, delineando uma diretiva sólida. Se eles conseguem porque o Brasil não consegue?

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  3. A resposta é relativamente simples.

    Enquanto lá, mesmo nos países mais desenvolvidos, os políticos são austeros, usando aviões comerciais e questionando preços de hotéis em suas viagens, alguns trabalhando por um salário simbólico se comparado com os nossos, tudo visando o bem comum e o benefício das suas respectivas nações, aqui, sequer conseguimos nos entender como dividir os recursos vindos do petróleo, que é um recurso não renovável.

    Tudo porque aqui, como sabemos, os políticos continuam ganhando salários de Marajá (incluindo aí o Sr. Collor, claro), só se importando com o próprio benefício, depois com os da família, depois com os dos amigos, depois com os conhecidos...

    É muito triste dizer, mas mesmo com alguns problemas de corrupção e mau uso do dinheiro público por lá, vide escândalos na Itália e as aposentadorias na Grécia, são infinitamente menores que os nossos por aqui.

    Novamente: #inveja

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