O Que Se Passa com o CBERS-3?

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo postado hoje (24/10) o site português “Boletim em Órbita” dando destaque ao problema vivido atualmente pelo satélite sino-brasileiro CBERS-3.

Duda Falcão

O Que se Passa com o CBERS-3?

Rui C. Barbosa
24/10/2012


Prevista para ser colocado em órbita em finais de 2012, a missão do satélite sino-brasileiro está envolta num secretismo com uma ausência quase total de informação relativa ao estado dos preparativos do satélite e do seu lançamento. É de facto uma situação estranha tratando-se de uma missão civil.

O lançamento do CBERS-3 deveria ter lugar entre 20 de Novembro e 10 de Dezembro de 2012, porém recentes problemas descobertos com os conversores DC/DC já durante testes realizados na China vieram alterar os planos iniciais.

Segundo o blogue Brazilian Space no seu artigo "CBERS-3 Corre Risco de Não Ser Lançado em 2012, Será?" datado de 17 de Agosto de 2012, entre 18 e 24 de Agosto cinco engenheiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, incluindo o coordenador do Segmento Espacial do Programa CBERS, foram enviados para os Estados Unidos para a realização de vários encontros para esclarecer as não conformidades e as falhas dos coversores DC/DC (fabricados pela norte-americana Modular Devices Incorporated) e que seriam utilizados nos satélites CBERS-3 e CBERS-4. Estes componentes foram adquiridos em 2007 e 2008 e não foram afectados pelas restrições ITAR.

De notar que o satélite CBERS-2 sofreu do mesmo problema nos conversores DC/DC antes do seu lançamento, o que levou a um adiamento de vários meses.

O CBERS-3 foi submetido a testes de compatibilidade na China entre 29 de Fevereiro e 7 de Março, e a 30 de Março a empresa brasileira Opto Electrônica enviava para a China a câmara MUX que será utilizada a bordo do satélite. Em Junho foram terminados os testes de compatibilidade electromagnética com o foguetão CZ-4B Chang Zheng-4B e em Julho foram realizados os testes de balanceamento, seguindo-se os testes de vibração acústica.

Os problemas com os conversores DC/DC foram relatados em Agosto. Desde então não têm surgido notícias sobre a situação do satélite ou mesmo se o lançamento terá sido adiado para 2013. Sabe-se porém que tem sido feito um grande esforço para que o satélite esteja pronto para a sua missão, nomeadamente com a transferência de mão de obra a operar noutros satélites para a China.

Ficamos a aguardar novidades sobre esta missão e em especial se o lançamento ainda será concretizado em 2012.


Fonte: Site Boletim em Órbita - http://www.zenite.nu/orbita/

Comentário: O assunto é muito relevante e o blog não poderia deixar de dar sua opinião sobre esse fato. Temos muito respeito pelo INPE e por seus servidores e direção e sempre deixamos isso claro em nossos comentários, mas nesse específico caso o INPE cometeu um grande erro. Explico o porquê penso assim: Se já havia um precedente como citado no artigo (talvez com o mesmo fornecedor), se é público e notório que os americanos são completamente contrários ao acordo do CBERS, e se existe opções não americanas do mesmo equipamento, em nossa opinião é no mínimo arriscado contratar qualquer equipamento que tenha como origem os EUA, por mais simples que seja, já que sem ele o satélite não funciona. É preciso que se entenda definitivamente que os americanos tem uma postura forte, efetiva e por muitas vezes antiética e farão qualquer coisa para defender seus interesses, ainda mais nas questões espaciais. Portanto, estamos em guerra e chega de ingenuidade. Gostaríamos de agradecer uma vez mais ao nosso leitor José Ildefonso pelo envio dessa notícia.

Comentários

  1. Olá Duda!

    Desculpe-me a ignorância sobre o assunto, mas se o Brasil possui empresas capazes de produzir um sistema óptico complexo para um satélite por que não é produzido um conversor desse tipo aqui mesmo? Mesmo sem ter tanto domínio dessa “tecnologia” não seria mais seguro tentar produzi-lo por aqui?

    Abs

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  2. Olá Nonato!

    Olha, se no início da década de 90 do século passado tivéssemos nos preocupado com isso, creio que você teria razão, mas como o Programa Espacial Brasileiro desde que os civis assumiram o poder nunca foi levado a sério, hoje em dia não compensa investir nessa tecnologia, já que custaria muito caro para um produto barato e de fácil compra no mercado internacional. É melhor investir em tecnologias mais sensíveis e avançadas.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  3. Parece que o exemplo que vem de cima está se alastrando...

    "Eu não sabia de nada" e "Eu não fui informada".

    Essas são as palavras de ordem em todos os escalões.

    Nada absolutamente, justifica um erro estratégico crasso dessa magnitude.

    Um satélite projetado e construído desde 2007/2008, o que já é um absurdopor si só, pois estaremos, sabe Deus quando, lançando um satélite com CINCO anos de defasagem tecnológica, está preso ao chão por um componente ridículamente simples, e que pelo tempo decorrido, já pode até ter saído do mercado.

    MUITO MUITO lamentável.

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  4. Pow este componente DC\DC deve existir zilhões de empresas que oferecem o mesmo, de americanas até propriamente chinesas.
    Pq o INPE foi escolher logo uma americana, que ja sabe que deu problemas ?
    Ah, pra mim isto é falta de gestão. Num é so recursos financeiros e rh não.

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    Respostas
    1. Creio que não se deve tratar de qualquer DC/DC. Provavelmente teria de estar preparado para as condições e temperaturas que satélites desses normalmente ficam expostos.

      Se se trata mesmo de um dispositivo simples, como todos falam, então eles devem conseguir fabricá-lo. De outra forma, se em teoria é simples mas na prática existem detalhes complexos, então será mais complicado contornar essa situação.

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    2. Olá Israel!

      Como eu disse ao Nonato acima, a tecnologia desse subsistema é simples, mais custaria muito caro para desenvolvê-la no país, não compensando o investimento, já que se pode comprá-lo com facilidade no mercado internacional. Esse investimento deveria ter sido feito a uns 20 anos atrás e hoje é melhor investir em tecnologias sensíveis, especialmente para um país como o Brasil e seus peculiares políticos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
  5. Caro Duda,

    Apresento as minhas maiores desculpas pelo lapso referente à origem da notícia que destaca no seu comentário. Irei corrigir o erro de imediato.

    Com os melhores cumprimentos,

    Rui C. Barbosa
    Braga - Portugal

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  6. Caro Rui,

    Eu lhe agradeço pelo reconhecimento e por ter feito a mudança dando o credito a quem é de direito. Meus sinceros comprimentos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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