IAE/DLR Cumprem Outra Etapa de Desenvolvimento do VLM

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (29/10) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), informando que o IAE e o DLR (Agência Espacial Alemã) realizaram entre 15 e 19/10 a Revisão de Requisitos de Sistema (SRR) do Projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1).

Duda Falcão

Projeto Veiculo Lançador de
Microssatélites (VLM-1) Cumpre
Mais Uma Etapa de Desenvolvimento

Campo Montenegro, 29/10/2012


O Instituto de Aeronáutica e Espaço e a Agência Espacial Alemã (DLR) realizaram entre 15 e 19 de outubro a Revisão de Requisitos de Sistema (SRR) do Projeto Veículos Lançadores de Microssatélites (VLM-1).  Este evento constituiu a terceira revisão de projeto realizada pelas duas organizações, antecedida pela Revisão de Definição da Missão (MDR) e pela Revisão Preliminar de Requisitos (PRR).

A documentação do IAE e do DLR foi analisada por uma Comissão de Revisão presidida pelo Dr. Rogério Pirk (IAE), conforme a norma do IAE, e constituída pelo Dr. Petrônio Noronha (AEB), Dr. Paulo Milani (INPE) e Dr. Félix Palmério (consultor ad hoc). O Grupo de Projeto foi constituído por 21 engenheiros do IAE, com o apoio de 7 bolsistas do CNPq, e por 9 engenheiros do DLR. O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) foi representado pelo Dr. Niwa, que esteve presente ao evento como observador. O objetivo da revisão era o de avaliar os requisitos de sistema do VLM-1, analisar o projeto de concepção adotado para o lançador e aprovar o plano de verificação dos requisitos. Devido ao caráter binacional do projeto, toda a documentação, as apresentações e as discussões foram realizadas em língua inglesa.

Um dos momentos significativos da revisão foi a visita dos participantes ao Modelo de Engenharia (ME) do Motor S50 nas dependências do Laboratório de Ensaios Dinâmicos (LED). O ME procurou reproduzir as técnicas de fabricação que serão utilizadas nos Modelos de Qualificação (MQ) do S50 e tem como objetivo avaliar possíveis dificuldades e permitir um ajuste ou melhoria do projeto, se necessário. Com cerca de 12t, o S50 será o maior motor a propelente sólido desenvolvido pelo Brasil. Outro evento digno de menção foi o ensaio da ação de elementos pirotécnicos sobre amostras de materiais trazidos pelo DLR. Este ensaio ocorreu na Subdivisão de Pirotecnia da Divisão de Propulsão Espacial (APE) com excelentes resultados.

Com o término desta fase de concepção, o VLM-1 entra na fase de projeto propriamente dito, muito embora alguns subsistemas, como o S50, por exemplo, já estejam em fase mais avançada. Nesta próxima fase, deverão ocorrer as contratações de sistemas e subsistemas completos na indústria nacional. O VLM-1 tem como primeira missão o lançamento da carga útil SHEFEX 3 em 2016.



Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: A notícia é maravilhosa e demonstra que o Projeto está avançando. Entretanto, para aqueles leitores mais atentos, não é necessariamente nova, já que o Brig. Kasemodel havia dito em sua entrevista ao blog recentemente que esta Fase SSR (System Requirements Review) já estava em processo, e agora sai notícia de sua finalização. Vale dizer ainda que segundo o Brig. Kasemodel, o teste em Banco de Provas da Usina Cel. Abner do motor S50 está previsto para acontecer em 2014, mas para que esse objetivo seja alcançado está fortemente dependente de recursos financeiros que devem ser assegurados pelo governo, tanto em volume como em cadência de desembolso. Sendo assim, convoco nossos leitores para unir nossos esforços e tentar impedir que qualquer iniciativa contrária a esse objetivo por parte do Governo Dilma Rousseff e seus Blue Cats seja rechaçada veementemente. Não podemos permitir que venha acontecer com o VLM-1 o que aconteceu nesses últimos 22 anos com o projeto do VLS-1. A estratégia sugerida por mim será iniciada com a Petição da ACS que já se encontra pronta, e em brevíssimo tempo estará disponível para que todos os leitores e amantes do tema e brasileiros de verdade possam apoiá-la, assinando-a e divulgando-a por todos os meios da internet e outros disponíveis. Ainda essa semana espero iniciar o debate sobre a Segunda Petição, esta sobre o PEB como um todo, esperando também contar com o apoio de todos vocês. Vamos fazer barulho, pois precisamos de um apoio muito grande para fazer esses vermes tomarem vergonha na cara. Acrescentando: Que belo motor-foguete (mock-up) é esse S-50, né verdade amigos? Avante IAE.

Comentários

  1. Realmente uma notícia alentadora. Como esse projeto tem o forte envolvimento da DLR como cliente, fico mais otimista que ele seja bem sucedido.

    Vamos acompanhar e torcer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Marcos!

      Verdade amigo, a esperança é grande, mas é como eu disse no meu comentário, não podemos jogá-la a própria sorte. Temos que nos unirmos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
  2. Duda,
    Existe a possibilidade no futuro, o VLM utilizar combustivel líquido?

    Um abaço.

    em tempo: ABAIXO A ACS

    ResponderExcluir
  3. Olá Carlos!

    Não só existe, como já estão certas que serão criadas versões que substituirão o motor-foguete sólido S-44 do terceiro estágio, por um motor-foguete líquido L5, ou mesmo L15. Além disso, está se negociando a possibilidade de se utilizar um motor-foguete líquido de origem sueca nesse mesmo terceiro estagio, para quando o foguete estiver sendo utilizado em missões europeias.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  4. Eu só espero que no contrato de desenvolvimento do motor S-50, não haja qualquer salvaguarda que impeça o Brasil de utilizá-lo de maneira dual, quando e como lhe convier. A mesma observação vale para todos os demais itens importantes, como: SISNAV, motores líquidos etc.
    Hoje, sei que não há necessidade, nem interesse e nem foco no uso que não pacífico dessas tecnologias. Porém, os itens devem estar disponíveis em NOSSA prateleira para uso conforme nossas necessidades ocasionais.

    Abs,
    Élvio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Elvio,

      Quanto a isso, acho que você pode ficar despreocupado.

      Os foguetes a combustível sólido, são uma opção eminentemente militar, pois toda a comunidade científica da área sabe que os movidos a combustível líquido, apesar dos problemas inerentes, são muito mais potentes e controláveis.

      Acho que o único outro País a investir em foguetes grandes movidos a combustível sólido foi a India, e mesmo assim combinando com motores líquidos usando a super poluidora Hidrazina (vide projeto ACS).

      O lançador Indiano de maior sucesso é o PSLV. Eles tem um maior, mas com boosters enormes movidos a combustível líquido (também super poluidor), mas tem tido várias falhas, não sendo tão confiável.

      Nesse PSLV, eles usam o, até aqui, maior motor de combustível sólido existente, com 2,8 metros de diâmetro e cerca de 138 toneladas de combustível.

      Só a título de curiosidade, gostaria de saber o diâmetro do S50, visto que o peso divulgado no artigo é de 12 toneladas, ou seja, cerca de 1/10 do motor Indiano...

      A essa altura, na minha modestíssima opinião, o PEB, em relação aos veículos lançadores, deveria ter apenas dois objetivos: finalizar o VLM e torná-lo um produto comercialmente viável e começar a "faturar" com ele e com seus "irmãos menores" (os foguetes da família VS) e partir com tudo para a propulsão líquida.

      Mas acho que vamos continuar mesmo é com esse amontoado de projetos prometidos em paralelo que nunca chegam a se tornar realidade.

      Orçamento para todos, claro que nunca vamos ter, mas eles insistem, insistem e insistem. Fazer o que? Mesmo que mudem os governantes, o "desgoverno" vai ser o mesmo. Então se o pessoal responsável pela condução do programa, não tomar as rédeas com planos mais plausíveis e de acordo com as limitações conhecidas, nada vai mudar.

      Abs.

      Excluir
  5. Olá Élvio!

    Toda a tecnologia espacial ela é dual e mesmo que exista contratos que proíba a sua utilização militar (o que eu não acredito), numa eventual necessidade não haveria como impedir o uso do S50, já que o conhecimento (know-how) está presso aos engenheiros brasileiros que estão trabalhando no projeto.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  6. acho que o melhor desse projeto que se vislumbra, e que provavelmente já deve ter sido visualizado pelos projetistas,será aproveitar a tecnologia de foguetes em clusters do VSL, que diga-se de passagem talvez seja das melhores heranças desse atribulado projeto vls, pela sofisticação e complexidade de execução; e criar um poderoso foquete com clusters de S40, TECNOLOGIA ESSA que já esta pronta, bastando juntar, coisa pra levantar 1.5 toneladas.

    ResponderExcluir
  7. Olá Luiz Chaves!

    O VLM-1 não terá uma concepção em clusters como no VLS-1. Na realidade ele será desenvolvido em sua primeira versão com dois motores-foguetes sólidos S50, montados no primeiro e segundo estágios do foguete e um terceiro estágio com um motor-foguete sólido S44, igual ao usado no quarto estagio do VLS-1. Em versões posteriores o terceiro estagio sólido deverá ser trocado por um motor-foguete líquido L5, ou mesmo o motor líquido L15, dependendo da missão. Existe tratativas com os Europeus para que esse terceiro estagio, em missões europeias, seja trocado por um motor-foguete líquido de origem sueca. Na realidade Luiz, a concepção em clusters só voltará ser usada no VLS Alfa, tá ok?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  8. Para tudo! rs
    Com tantas perspectivas para o desenvolvimento de foguetes, nacionais. Porque então se gasta tanto dinheiro no tal projeto Cyclone4??

    Poderia alguém me explicar o que há por traz do tal cyclone? O que ele tem que o Brasil não consegue desenvolver sozinho, ou com parcerias, caso tivesse o orçamento que será gasto nele?

    Gostaria de pensar que uma coisa não afeta na outra, mas com tantos contingenciamentos de verbas que a gente vê. Não seria melhor concentrar investimentos no desenvolvimento de tecnologias nacionais, ou em parcerias que tivéssemos uma maior participação no desenvolvimento?



    ResponderExcluir
  9. Olá Cabral!

    Veja bem o acordo assinado com a Ucrânia foi feito por motivos políticos, pois com a saída do Roberto Amaral do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) por incompetência e por falar demais, o LULA precisava encontrar um lugar para ele, já que o mesmo era um dos cabeças do PSB, partido que fazia parte na época (e creio que ainda faça) da força tarefa de apoio ao governo no Congresso.

    Acontece que com essa decisão o MD (Ministério da Defesa) que vinha negociando na época com os Russos o aprimoramento do projeto do VLS-1 ou mesmo um projeto novo de lançador, foi obrigado a encerrar as negociações e engolir goela abaixo esse desastroso acordo.

    O acordo é um desastre como um todo, mas é preciso dizer que o Cyclone-4 é um foguete que não compete com os projetos de foguetes brasileiros atualmente em curso e os previstos, pois ele tem uma capacidade de carga bastante superior aos brasileiros. Entretanto, compete com o veículos lançadores Brazucas na questão da luta por verbas, e pior, está ganhando essa luta.

    Como não há como impedir o acordo, fizemos uma Petição Pública exigindo do governo mudanças no acordo ou o detrato do mesmo, caso essas mudanças não seja aceitas pela parte ucraniana.

    Assim sendo, estaremos postando em breve aqui no blog a Petição e esperamos contar com a sua assinatura e a sua divulgação, tá ok amigo?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  10. Duda e PessoAll,

    Acabei de receber um email do IAE, esclarecendo algumas das minhas dúvidas. Segue o trecho importante:

    "Na sua concepção a sigla \"VS\" foi adotada para denominar os projetos de \"Veículos de Sondagem\" após a desativação dos foguetes da família \"Sonda\". Atualmente, prefere-se denominar os foguetes da família \"VS\" como \"Veículos Suborbitais\".
    A sigla \"M\" indica a existência de alguma \"Modificação\" no projeto original, como exemplo, o veículo VS-40M que possuiu empenas diferentes para atender às especificidades da missão Shefex II.
    No próprio site do IAE, no link de \"Projetos\" (http://www.iae.cta.br/?action=projetos), encontram-se disponíveis informações históricas dos veiculos VSB-30 e VS-40. O veículo VS-30/Orion foi projetado para atender uma demanda do DLR, em aproveitamento à disponibilidade de foguetes americanos Orion na Alemanha."

    Grande Abraço.

    ResponderExcluir
  11. Olá Marcos!

    É isso aí amigo. Well done.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  12. Olá Duda, lembro de ter lido alguma coisa sobre este motor de origem sueca mas eu não tenho uma memoria tão boa, seria este o motor sueco que estaria sendo desenvolvido para substituir o ultimo estagio, AVUM (Attitude Vernier Upper Module) de origem Ucraniana que equipa o Foguete Vega ?
    Lembro de alguma coisa desse tipo mas fui procurar não achei nenhuma referencia, devo estar confundindo as coisas.

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá André!

      A informação que eu tenho é de que esse motor seria um pequeno modulo orbitalizador de propulsão líquida desenvolvido pela Corporação Espacial Sueca (SSC), que atuaria como uma especie de quarto estagio. Entretanto, acredito que isso esteja ainda em discussão, tá ok amigo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
  13. Pequena contribuição.

    1) - Miriam Belchior debaterá participação da sociedade na elaboração do Orçamento - http://correiodobrasil.com.br/miriam-belchior-debatera-participacao-da-sociedade-na-elaboracao-do-orcamento/537471/#.UI_TGuQmdRw

    Não sei como funciona ao certo a elaboração do orçamento com participação papular, mas achar uma forma de pressionar o governo a manter verbas para o Programa Espacial Brasileiro é muito importante e esse tal orçamento participativo parece ser ao menos uma porta de entrada. Não custa tentarmos entender ao menos como funciona.


    2) - Orçamento 2013: sociedade pode apresentar sugestões pelo e-Democracia. A Noticia > http://www2.camara.leg.br/radio/materias/ULTIMAS-NOTICIAS/428627-ORCAMENTO-2013:-SOCIEDADE-PODE-APRESENTAR-SUGESTOES-PELO-E-DEMOCRACIA.html Portal para sugestões > http://edemocracia.camara.gov.br/

    Por fim - Cancelada reunião do Conselho de Altos Estudos sobre política espacial brasileira - http://correiodobrasil.com.br/cancelada-reuniao-do-conselho-de-altos-estudos-sobre-politica-espacial-brasileira/537706/

    ResponderExcluir
  14. Valeu Anônimo!

    Contribuições importantes.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Da Sala de Aula para o Espaço

Top 5 - Principais Satélites Brasileiros

Por Que a Sétima Economia do Mundo Ainda é Retardatária na Corrida Espacial