Comitiva Chilena Visita o CLBI

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (27/10) no site do “Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)” destacando que o centro recebeu a visita de uma comitiva de 95 militares chilenos como atividade de estudo da Escola de Aviação Ávalos Prado da Força Aérea do Chile.

Duda Falcão

Comitiva Chilena Visita Barreira

27/10/2012

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno recebeu visita da Força Aérea do Chile como atividade de estudo da Escola de Aviação Capitão Ávalos Prado. A comitiva, composta por noventa e cinco militares, assistiu palestra institucional do Centro. Nesta oportunidade, foram apresentadas a estrutura organizacional e os meios operacionais do Centro para o exercício da missão prevista no Programa Nacional de Atividades Espaciais.

A comitiva, acompanhada pelo Engenheiro Glauberto Leilson Alves de Albuquerque, visitou a área de Preparação e Lançamento, o Centro de Controle e a Seção de Telemedidas e Telemetria – tríade operacional para realização das atividades de lançamento e rastreio.



Fonte: Site do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)

Comentário: Caro leitor, imagino que essa atividade tenha sido realizada por iniciativa da própria Força Aérea Chilena ou mesmo a convite da FAB, atividade que deve ser corriqueira entre Forças Aéreas amigas. Entretanto, aproveitando a oportunidade, gostaria de abordar um assunto que considero um dos maiores absurdos do Programa Espacial Brasileiro, ou seja, o mau aproveitamento de nossos centros de lançamentos. Na Europa, temos dois centros de lançamentos que anualmente realizam com grande sucesso, para diversos países, em parceria ou em missões nacionais, mais de 60 lançamentos de foguetes de pesquisas civis, militares e estudantis (inclusive de foguetes brasileiros), de balões científicos e de pesquisas Aeronáuticas e de Defesa. São eles o Andoya Rocket Range (AAR), na Noruega e o Centro de Lançamento de Esrange, na Suécia. Enquanto isso no Brasil as atividades ficam restritas a lançamentos de foguetinhos de treinamento e uma vez ou outra ao lançamento de foguetes de sondagem ligados ao Programa de Microgravidade da AEB (de quatro em quatro anos) e de pesquisas do INPE e do próprio IAE ou relacionados com o acordo IAE/DLR. Ora leitor, faça-me uma garapa. É inadmissível, é um tremendo de um desperdício o Brasil tendo os dois mais bem instalados centros de lançamento da América Latina, e foguetes de sondagens disponíveis, não ofertá-los a nações da região ou da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, visando missões conjuntas ou mesmo missões das comunidades científicas desses países. Cadê a tal da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira? Para que essa assessoria serve? Só serve para ratificar o que é definido por esses “Cabecinhas de Panetone” travestidos de paletó italiano? Ou vocês tem iniciativa própria, se mexam, os foguetes estão ai, os centros estão ai, a infraestrutura também está ai e cabe a vocês correrem atrás e não ficar esperando que esses energúmenos tomem a iniciativa. Aprendam com o exemplo dos noruegueses e suecos e façam desses centros um meio rentável para o próprio Programa Espacial Brasileiro.

Comentários

  1. Até onde sei, o Chile tem a maior força aérea da América Latina. Não sei se o programa para lançamento de foguetes também está a cargo do exército no Chile mas, se sim, essa foi uma excelente maneira de deixa-los cientes que o Brasil está procurando avançar no nesse setor. E como falou o Duda, esperemos que essas iniciativas não fiquem por aí mas reforcem a idéia de cooperação latino-americana tornando nossas bases em polos importantes neste hemisfério para catapultar o desenvolvimento espacial no Continente.

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  2. Bom,

    Quanto a sub-utilização dos nossos Centro de Lançamento, estou convicto de que a diferença está na forma de administrá-los.

    Lá fora eles estão sempre vinculados a orgãos ou ministérios relacionados a ciência e tecnologia, e eles precisam vender serviços para faturar, caso contrário, como qualquer empresa deficitária, eles fechariam as portas.

    Acho difícil as grandes instituições de pesquisa internacionais se adequarem as regras da nossa administração militar desses centros.

    E outra, na verdade é o contrário, no último caso, a AEB, pediu "por favor" para a Aeronáutica abrigar o centro de lançamento da ACS quando a negociação da área exclusiva deles não deu certo.

    Qualquer Centro de Lançamento, sobrevive claro de lançamentos (ou assim deveria ser). Quando a Rússia construir o novo Centro de Lançamentos deles, o Cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, vai virar museu, e eles vão perder uma receita enorme, com consequencias sociais terríveis, pois é um País bem pobre.

    Aqui, Os centro não fazem lançamentos, e para "contornar" a situação, eles criam os "Fogtrein", que são até uma idéia legal, como produto da Avibras, mas o fato é que no momento parece que estamos lançando mais FTBs e FTIs do que os foguetes VS com algum experimento relevante.

    Parece que até na alta tecnologia viramos fornecedores de insumos básicos. Exportamos os foguetes e eles fazem todos os experimentos, inclusive os lançamentos por lá.

    Tem que mudar é o modelo de administração. A Força Aérea não é uma instituição que visa o lucro, então a preocupação é simplesmente manter o pessoal e o equipamento de prontidão e treinado para efetuar lançamentos quando vierem a ocorrer, e não sair no mercado em busca de negócios. Por outro lado, os Centros estão sob a administração da Aeronáutica, que tem as suas regras, que nem sempre favorecem os negócios...

    Os Centros de Lançamento deveriam existir visando o lucro. Será que ninguém vê que esse modelo não está funcionando?

    É muito difícil...

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    Respostas
    1. Caro Marcos!

      Você continua não entendendo como funciona as coisas apesar de eu tentar lhe explicar. As atividades espaciais do país estão subordinadas diretamente a Agência Espacial Brasileira (AEB). É ela que define quais são os caminhos a serem seguidos e executados pelos institutos envolvidos com o programa, além de liberar verbas para essas atividades e cobrar as suas aplicações. Assim sendo, apesar do IAE, do CLBI e do CLA serem instituições militares, e também receberem verbas do MD, as atividades espacias realizadas por eles são coordenadas e definidas pela AEB, esta sim ligada ao MCTI que é subordinado diretamente da Presidência da República. É por isso a minha revolta, pois caberia a AEB negociar essas parcerias e essas instituições executá-las. No entanto, eles não fazem isso, ficam deitados em berço esplêndido, esperando que esse energúmenos se mexam.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Duda,

      Eu até entendo. Entendo que alguns julgam que isso funciona ou vai funcionar algum dia desse jeito, sem uma profunda e completa reestruturação de atribuições e subordinações, só que discordo.

      Na minha opinião, desse jeito, não vai funcionar nunca. Por exemplo: a iniciativa de tornar os centros de lançamento rentáveis, tinha que partir da administração e gerenciamento dos próprios centros de lançamento, e não de uma instituição ou órgão de comando acima deles. A AEB, nesse caso, deveria ser tratada como mais um cliente. Um cliente com privilégios, pode até ser, mas um cliente.

      É isso.

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    3. Caro Marcos!

      Os centros não tem estrutura e nem aptidão para fazer esse tipo de trabalho de logística já que são militares, mas enfim, sinceramente eu desisto e não voltarei a tocar esse assunto contigo.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Tudo bem que a AEB não se mexe.
    Mas cade a comunidade científica desse país. São eles que deveriam ter a necessidade de gerar e realizar experimentos.
    Quem tem que fomentar a pesquisa é o MCTI, a SBPC, as Universidades e outros setores como CAPES, FINEP. FAPESP, etc...

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  4. Caro Anônimo!

    Essa é outra história, e para ser mais objetivo, a AEB já deveria ter se desvinculado do MCTI há muito tempo. Devido a sua importância estratégica para o futuro do país, o ideal seria que ela estivesse diretamente ligado a Presidência da República, como uma especie de ministério, o que garantiria a mesma muito mais verba e autonomia.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  5. a AEB já foi vinculada diretamente à presidencia da republica.
    Por que será que foi parar dentro do MCTI?

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  6. Olá Anônimo!

    Simples, porque em algum momento algum de..loide que tinha poder achou que assim funcionaria, infelizmente.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  7. Apenas para registro, sobre o assunto Pesquisa e Desenvolvimento.

    O maior problema não é o tamanho do orçamento, e sim o planejamento. Vejam por exemplo o nosso grande vizinho do Norte. Lá nos States, mesmo com o andamento das eleições presidenciais, já está em curso o planejamento do orçamento para P & D para o ano de 2014 (até lá, eles só precisam executar o que já havia sido definido), isso, apenas nessa área.

    Já aqui, não temos a menor idéia do orçamento NACIONAL para o próximo ano! Que dirá para cada Ministério. Depois tem que votar e transformar em lei (como se estabelecer o orçamento em lei fosse fazer ele acontecer).

    Esse é o escândalo, essa é a grande diferença, e não o tamanho do orçamento.

    Se uma Nação não consegue sequer antecipar o planejamento do seu orçamento, imaginem as instituições intermediárias.

    É isso.

    Bom, acabaram as eleições, hora de planejar. O dia de amanhã...

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