Sistema Aprimora Monitor. das Ondas na Costa Brasileira
Olá leitor!
Segue abaixo uma notícia postada hoje (13/03) no site da
“Agência FAPESP”, informado que um Sistema de Monitoramento de Ondas foi desenvolvido
por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e de universidades brasileiras e de uma mexicana visando simular às diversas características das ondas que chegam à Costa Brasileira.
Duda Falcão
Especiais
Sistema Aprimora Monitoramento
das Ondas na Costa Brasileira
Por Luiz Paulo
Juttel
13/03/2013
(Foto: Wikimedia)
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| Executado em supercomputador do INPE, em São José dos Campos, o SIMCos prevê o movimento e a altura das ondas em 61 pontos do litoral; site disponibiliza simulações em tempo real |
Agência
FAPESP – O
monitoramento e a previsão de processos costeiros são atividades que interessam
a diversos setores da sociedade. Dados sobre as ondas marítimas provenientes de
simulações computacionais permitem identificar a geração e a chegada de eventos
energéticos, como ciclones, de modo a orientar atividades navais, de pesca e
exploração de petróleo.
O Brasil
acaba de ganhar uma ferramenta de modelagem matemática voltada a esse tipo de
análise. O Sistema de Previsão e Monitoramento Costeiro (SIMCos) foi
desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE),
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES) e da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) para
simular diversas características das ondas que chegam à costa brasileira.
A plataforma
produz informações sobre altura significativa, altura potencial, período e
direção de ondas que atingem 61 pontos distintos do litoral do país. Os
atributos simulados são gerados a partir de dados de ventos de superfície (10
metros acima do mar).
“Calibramos
o modelo com base na climatologia das ondas dos últimos 30 anos, de 1979 a
2010. Os ventos de superfície foram calculados a partir de um esquema
matemático conhecido como assimilação de dados. Este mistura observações e
resultados de modelos com resolução temporal de uma hora e espacial de 0,3125
grau”, explica o coordenador do projeto Valdir Innocentini, do INPE.
O SIMCos faz
parte do projeto temático da FAPESP “SMCos: sistema de monitoramento e estudos de processos costeiros”.
Iniciado em 2007, o estudo contou com a participação de geólogos, oceanógrafos,
meteorologistas, físicos e matemáticos. Um website, em fase de testes, foi criado pela equipe para
disponibilizar ao público em tempo real as simulações geradas pelo sistema para
os próximos dias.
Ampla Cobertura
O
diferencial do SIMCos não reside na criação do modelo matemático em si, pois
este é amplamente conhecido pelos oceanógrafos. A novidade do projeto é a
implementação dessa modelagem em um sistema que prevê e monitora o movimento e
a altura das ondas em diversos pontos ao longo de toda a costa brasileira.
Outro
destaque é a simulação e o monitoramento da altura potencial da onda nos pontos
analisados. Este cálculo mostra o fluxo de energia presente, um produto do
quadrado da altura pelo tempo entre a passagem de dois picos consecutivos de
ondas.
O
pesquisador do INPE afirma que, muitas vezes, ondas que são baixas em alto-mar,
se possuírem grande altura potencial, tornam-se altas quando atingem regiões
próximas à costa, provocando a movimentação de sedimentos com efeitos erosivos.
Isso representa um perigo para os banhistas e navegantes.
O sistema
brasileiro contempla a simulação da energia contida nas ondas que atingirão
determinado litoral nos próximos cinco dias, em intervalos de três horas. O
SIMCos apresenta ainda gráficos que mostram a probabilidade de se ter ondas
entre 0,5 e 6 metros de altura em cada um dos 61 pontos analisados.
Essas
regiões que integram o sistema foram selecionadas de forma a contemplar toda a
costa brasileira. Segundo Innocentini, rodar o modelo diariamente para todo o
litoral do país seria inviável por causa da elevada necessidade de
processamento computacional.
Em alto-mar,
acima de 100 metros de profundidade, modelos matemáticos conseguem prever o
movimento das ondas continuamente ao redor do globo. “Já em águas rasas, a
velocidade das ondas diminui e a física envolvida no processo se torna mais
complexa, o que dificulta a criação de processos eficientes de simulação e
exige o uso de computadores de alta performance para rodar tais modelos”, conta
Innocentini.
O SIMCos é
executado atualmente no supercomputador Robura, que custou R$ 200 mil e conta
com 120 processadores, no INPE em São José dos Campos.
Próximas Etapas
Os dados
sobre ventos de superfície que abastecem o SIMCos foram extraídos de modelos
atmosféricos, pois não há equipamentos que realizem tal medição ao longo da
costa brasileira.
Innocentini
explica que isso não enfraquece as informações geradas pelo sistema por duas
razões. Uma delas é que esses modelos atmosféricos possuem um elevado nível de
precisão nos dados produzidos. A segunda razão é que os pesquisadores
brasileiros compararam os resultados do SIMCos com informações sobre altura de
ondas provenientes de satélites, boias e modelos matemáticos consolidados que
analisam processos costeiros no oceano Atlântico Norte, obtendo similaridade de
dados em ambos os casos.
O próximo
passo da pesquisa é combinar alguns dados gerados pelo SIMCos com o modelo
hidrodinâmico (MOHID) de circulação costeira, desenvolvido pelo
Instituto Superior Técnico (IST), em Portugal. Este simula as correntes
marítimas mais próximas à costa, as marés, o transporte de sedimentos e a
erosão.
O uso
combinado desses sistemas permitirá a avaliação, por exemplo, do impacto de
empreendimentos humanos no transporte de sedimentos em áreas costeiras.
Eventuais ondas gigantes podem modificar de forma severa a costa de uma região.
Ao longo do tempo, entretanto, outras correntes vão reconstruir gradativamente
a área afetada.
“Se ocorre
alguma interferência humana, como a construção de um porto ou molhes, o fluxo
das correntes reconstrutoras pode ser interrompido e os sedimentos daquela
região não serão mais recuperados. Nosso modelo pode apontar esses casos”,
explica Innocentini.
O SIMCos,
aliado ao MOHID, pode ser empregado ainda na análise do impacto de fenômenos
climáticos como o El Niño e na alteração do nível médio do mar sobre as ondas e
regiões costeiras do Brasil.
Fonte: Site da Agência FAPESP

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