ESO Espera por Adesão do Brasil em Cerca de 6 Meses

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada dia (18/03) no site “G1” do globo.com, destacando que segundo o diretor do Observatório Europeu do Sul (ESO), o holandês Tim de Zeeuw, a instituição europeia espera que o Brasil aprove definitivamente sua entrada neste grupo internacional de astronomia em cerca de 6 meses.

Duda Falcão

CIÊNCIA E SAÚDE

ESO Espera por Adesão Definitiva
do Brasil em Cerca de 6 Meses

Brasil assinou entrada em grupo internacional de astronomia em 2010.
Assunto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Dennis Barbosa
Do G1, em San Pedro de Atacama
O repórter viajou de Santiago ao Alma a convite do ESO
18/03/2013 - 08h54
Atualizado em 18/03/2013 - 12h17

(Foto: Dennis Barbosa/G1)
Tim de Zeeuw
O diretor do Observatório Europeu do Sul, o holandês Tim de Zeeuw, disse em entrevista ao G1 que espera que o Brasil aprove definitivamente sua entrada neste grupo internacional de astronomia em cerca de 6 meses. Em 2010, o então ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou o contrato de adesão, mas o processo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional.

De Zeeuw disse ter informação de que o assunto está no Congresso, e espera que em meio ano tenha sido aprovado, para que empresas brasileiras tenham o direito de executar obras do novo telescópio E-ELT (sigla em inglês para Telescópio Europeu Extremamente Grande), um equipamento de grande porte a ser instalado no norte do Chile.

(Foto: ESO/Divulgação)
Projeto do E-ELT, de cuja construção empresas
poderão participar se o ingresso do Brasil no
ESO for ratificado pelo Congresso

“Se o Brasil demorar mais 10 anos... em algum ponto, o que vamos fazer?”, disse de Zeeuw, quando questionado sobre se há o risco de o Brasil ficar de fora do grupo de pesquisa.

“Serão abertas licitações que vão correr entre 6 e 10 meses. Até seu término, seria útil que o Brasil tivesse ratificado, pois assim não haverá questionamento, caso alguma empresa brasileira ganhe um contrato”, explicou.  “Realmente gostaria de vê-lo ratificado em cerca de 6 meses. Daí estaria bem. De outro modo, começa a complicar. E vocês começam a perder oportunidades para sua indústria. É algo que não ajuda ninguém”, acrescentou o diretor do ESO.

O ESO tem diferentes instalações para observações astronômicas. Na última semana, foi inaugurado o Alma, um conjunto de 66 antenas capazes de captar radiação de objetos frios no espaço.

O próximo grande projeto é o E-ELT. Os países-membros têm o direito de inscrever projetos de pesquisa para uso dos equipamentos, mas estes têm de ser aprovados por uma comissão. Deste modo, cada integrante corre o risco de ter menos tempo de uso dos telescópios do que proporcionalmente vale sua contribuição financeira.

De Zeeuw destaca que os astrônomos brasileiros já têm abertura para inscrições e tiveram índice de sucesso similar ao de outros países. “O ESO está fazendo astronomia, construindo grandes telescópios para fazer grandes questionamentos sobre o universo, que interessam a sociedade. E há uma parceria que é realmente muito boa. (...) É melhor competir, como no futebol e nos jogos olímpicos. Você treina, você compete, e você faz melhor”, defendeu.

E, apesar de não estar na ponta da tecnologia de observação astronômica, o país tem oportunidades de negócios na construção de novos observatórios, segundo o diretor. Ele explica que a gama licitações é muito variada, incluindo “serviços muito básicos, como preparar o topo da montanha para o E-ELT”. “As companhias brasileiras podem mover terra tão bem quanto as empresas chilenas ou europeias. Também vamos ter contratos para a cúpula do E-ELT. É uma estrutura de aço que o Brasil pode construir. Vocês têm indústrias que podem fazer isso”, afirma.


Fonte: Site G1 do globo.com

Comentário: Confesso leitor que estou sem saber o que pensar sobre esse acordo. Se por um lado o mesmo poderia ser benéfico para o Brasil, por outro não acredito na possibilidade de compromisso do governo brasileiro, seja com a presidente DILMA ROUSSEFF, ou com qualquer outro presidente, o que no final poderia nos levar a mais um desastre financeiro com essa história. A comunidade astronômica esta divida entre aqueles que querem o acordo, grupo liderado pela astrônoma Beatriz Barbuy, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP) e o grupo contrário, liderado pelo astrônomo João Evangelista Steiner, também do IAG/USP. Diante disso, tenho uma leve inclinação para o grupo do João Steiner, por acreditar que não haveria compromisso e seriedade por parte do governo brasileiro e isso poderia não só nos levar a perdas financeiras, como também prejudicaria a imagem internacional do Brasil e possivelmente outros acordos astronômicos já em curso, como foi dito pelo astrônomo João Steiner. Mas enfim, no Brasil tudo é possível pelo fato de responsabilidades não serem cobradas, e assim só Deus sabe como toda essa história vai acabar.

Comentários

  1. Bem emblemática a divisão dos pesquisadores. De um lado a Dra Barbuy e do outro o Dr Steiner, que liderou a entrada do Brasil no Gemini e foi responsável por boa parte da construção do Soar. Por essa e outras, penso que o Brasil deve entrar no ESO

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  2. Os que defendem que o Brasil fique apenas com o Gemini e o SOAR nao informam à comunidade que esses observatorios sao os menos produtivos do mundo. Em particular a produtividade do SOAR (4 metros) é uma vergonha: apenas 5 artigos por ano, muito menos dos que os 15 artigos por ano publicados com os pequenos telescopios de apenas 1,6m e 60cm em Minas Gerais. Por outro lado, os telescopios do ESO sao os mais produtivos do mundo, e de fato qualquer dos telescopios VLT do ESO é bem mais produtivo que o Gemini. Quase toda a ciencia por astronomos brasileiros no Gemini é apenas na área da Astronomia Extra-galatica, ou seja, apenas estamos beneficiando a uma parte da comunidade astronomica; ja os telescopios do ESO tem instrumentacao mais abrangente e com tecnologia de ponta. Se quisermos fazer ciencia de fronteira em todas as areas da astronomia temos que ser parte do ESO.

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