Proteção Resistente e Leve
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria publicada na “Revista Inovação
em Pauta” da FINEP (edição de Jan, Fev, Mar e Abril de 2013) destacando que o
Brasil começa a dominar a tecnologia de materiais compósitos, importantíssima
para as áreas de veículos lançadores e de Defesa.
Duda Falcão
NOVOS MATERIAIS
Proteção Resistente e Leve
Materiais
compósitos a base de fibra de carbono são uma tecnologia
guardada a sete
chaves por países desenvolvidos. Leves e resistentes,
as estruturas
fabricadas com eles também são bons isolantes térmicos,
o que
potencializa seu uso nas indústrias de Defesa e Aeroespacial.
Pela primeira
vez, as Forças Armadas e empresas do setor químico
uniram-se para
desenvolver seus próprios materiais compósitos,
com produção 100%
em território nacional.
Fabíola Bezerra
Revista Inovação em Pauta
Jan, Fev, Mar e Abril de 2013
Quando uma bala atinge uma estrutura blindada, cria uma onda de
choque que pode provocar uma fratura na superfície de impacto, formando estilhaços.
Um dos materiais de melhor desempenho para impedir o avanço da munição é a
aramida à base de fibra de carbono, de grande resistência mecânica e térmica,
devido à forte interação de suas moléculas. Países desenvolvidos detêm, por
interesses estratégicos, a matéria-prima, chamada de poliacrilonitrila (PAN), e
a tecnologia de fabricação da fibra, que atualmente é importada a custos
elevados. A mais popular delas é a Kevlar, da empresa DuPont, produzida para
fins comerciais desde os anos 60. Devido a iniciativas de pesquisadores das
Forças Armadas e de empresas do setor químico, o Brasil está prestes a
produzir, em território nacional, materiais compósitos à base de aramida e
outros polímeros que possam substituí-la.
Devido à sua leveza e resistência térmica, são inúmeras as
aplicações que os materiais compósitos podem alcançar em diversos setores industriais.
No setor espacial, a tecnologia é empregada na fabricação de diversos
componentes dos sistemas de propulsão de veículos lançadores, como motores de
foguete. Na exploração de petróleo em águas profundas, o material pode ser
usado na fabricação de tubulações, em substituição aos tubos de aço. Os materiais
compósitos também podem estar presentes nas pás dos geradores de energia
eólica, em implantes médicos e chassis de automóveis.
Novas Demandas
No entanto, os maiores anseios partem do setor de Defesa, que
visam a produção de materiais balísticos resistentes em alternativa ao Kevlar,
para coletes à prova de balas, revestimento de carros de combate e estruturas de
aeronaves. Dois exemplos de demandas militares que seriam beneficiadas pela
fabricação nacional da fibra aramida são o Programa Guarani, de modernização do
Exército brasileiro, que desenvolve uma nova família de blindados sobre rodas,
e o cargueiro militar KC-390, da Embraer, a maior aeronave brasileira, que
precisa ser de material leve para transportar grande quantidade de carga.
“Tecnologia é
Empregada
também na
fabricação de
motores
de foguete”
O Centro Tecnológico da Aeronáutica tem três projetos apoiados pela
FINEP para a produção de materiais compósitos. Um deles pesquisa a substituição da fibra de carbono
tradicional por carbeto de silício, substância de propriedades semelhantes à
aramida, muito utilizada na indústria de abrasivos, devido à sua altíssima
dureza. “Estamos aprendendo a fazer o nosso compósito. A vantagem é que o
material a base de carbeto de silício ainda não existe no mercado, o que constitui
uma grande inovação”, explica o chefe da Divisão de Materiais da Aeronáutica, Carlos
Alberto Cairo.
Outros projetos tentam substituir a fibra de carbono por fibras
de polietileno, tipo de polímero de alto peso molecular. Em 2010, a Braskem,
fabricante de resinas termoplásticas, anunciou o primeiro material à base de
polietileno, a fibra Utec, que também recebeu apoio da FINEP. A expectativa é
de, em 2013, iniciar a produção em escala industrial para suprir a demanda do mercado,
estimada em 1.000 a 1.500 toneladas ao ano.
Outras empresas que podem se beneficiar da produção do material
compósito no Brasil são as fabricantes dos compostos cerâmicos e adesivos
utilizados para juntar todos esses materiais numa única peça resistente. Em
2007, a Adespec, líder de mercado em adesivos e selantes, foi selecionada no
edital de subvenção econômica da FINEP com o projeto Desenvolvimento de Adesivos
Especiais de Alta Performance.
Nos dias 17 e 18 de outubro de 2012, o Departamento de
Tecnologias Aeroespaciais e de Defesa (DTAD) da FINEP promoveu o 1º Seminário
sobre Tecnologias de Blindagem Balística. Estiveram presentes o conjunto de pesquisadores
dos Institutos de Pesquisa Militares, além de empresas atuantes do setor. O
apoio da FINEP ao desenvolvimento de materiais compostos, em especial aqueles à
base de fibras de carbono, tem sido perseguido desde o primeiro edital de
subvenção lançado em 2006, quando então se buscou apoiar materiais desse tipo
para estruturas leves aeroespaciais.
Fonte: Revista “Inovação
em Pauta” - Núm. 15 - Págs. 72 e 73 - Jan, Fev, Mar e Abril de 2013
Comentário: Pois é leitor essa é mais uma grande
notícia e da mesma forma espero que essa tecnologia não seja perdida no caso da
venda dessas empresas a grupos estrangeiros.
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