China Lança GPS Próprio e Avança Como Potência Espacial

Olá leitor!

Segue abaixo mais um artigo do Sr. José Monserrat Filho publicado hoje (04/01) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando que a China lançou GPS próprio e avança como Potência Espacial.

Duda Falcão

China Lança GPS Próprio e
Avança Como Potência Espacial

José Monserrat Filho *
04/01/2013


O Sistema de Navegação e Posicionamento da China, batizado de Beidou – Ursa Maior, em chinês – e de Compass, em inglês (bússola, em português), entrou em operação no dia 27 de dezembro, com serviços públicos e comerciais para a região Ásia-Pacífico, inclusive a Austrália.

O Beidou começou a ser construído no ano 2000 e tem hoje 16 satélites de navegação e quatro satélites experimentais. Oferece precisão de posicionamento de 10 metros e velocidade de 0,2 metros por segundo. Sincroniza os relógios com precisão de 50 nano-segundos. Isso é fundamental para guiar mísseis, dando-lhe vantagem sobre os outros sistemas existentes.

Definido oficialmente como uma das “indústrias estratégicas emergentes” da China, sua meta para 2020 é prestar serviços globais de posicionamento, navegação e cronometragem, com 35 satélites. Quer dizer, disputar o mercado global com os outros sistemas.

Por enquanto, porém, abocanhar os 95% do mercado nacional, hoje dominados pelo GPS (Global Positioning System – Sistema Global de Posicionamento) dos Estados Unidos, já está de bom tamanho. “A China tem grande mercado interno, para onde o sistema Beidou pode levar benefícios  tanto a militares quanto a civis”, afirmou o jornal China Daily.

Aqui, vale o depoimento de Cao Hongjie, vice-presidente da UniStrong, empresa prestadora de serviços globais de navegação por satélite. Ele contou que sua empresa, quando usava o GPS, embora o serviço fosse bom, não se arriscava a desenvolver chips com base nesse sistema, por temer que, de repente, os EUA o desligassem”. E lembrou que os investimentos para se desenvolver um chip são consideráveis. Agora com o Beidou, disse Cao, poderemos desenvolver mais serviços com total segurança. Isso explica muito do sucesso interno do Beidou na China.

Só um caso de rivalidade? – A mídia ocidental tornou a repetir: o Beidou, controlado pelas Forças Armadas chinesas, vem rivalizar com o GPS – criado em 1973 como instrumento militar até hoje operado pelo Pentágono, o Departamento de Defesa norte-americano.

Morris Jones, analista australiano de questões espaciais, considera “improvável” que a China realize “incursões significativas” com seu Beidou em qualquer lugar fora do país. Ele disse à AFP que “o GPS está disponível de graça, é grandemente utilizado, bem conhecido e confiável para o mundo em geral; tem o reconhecimento da marca e, com sucesso, já lutou contra outros desafios”. Para Morris, qualquer ganho comercial do Beidou será para a China como “a cereja do bolo”, pois o novo sistema foi desenvolvido principalmente para proteger a segurança nacional.

Pode até ser. Mas entra pelos olhos a realidade de um mercado para produtos e serviços de navegação e posicionamento de satélites (GNSS) estimado em 124 bilhões de euros (164 bilhões de dólares), em 2008, segundo avaliação de impacto elaborada por um grupo do trabalho da Comissão Europeia, publicado em junho de 2010. Com a agravante de que esse valor poderá dobrar até 2030.

De olho no mercado global dos próximos dez anos, a China tenciona aplicar mais de 40 bilhões de yuans (6,4 bilhões de dólares) no desenvolvimento do Beidou, investimento bem maior que o feito até hoje, frisou o diretor do Escritório Chinês de Navegação por Satélite Ran Chengqi.

O GPS custou 10 bilhões de dólares e só começou a operar por inteiro em 1995. É uma constelação de 24 satélites. Cada um circunda a Terra duas vezes por dia, a uma altura de 20.200km. Assim, a qualquer momento, pelo menos quatro deles são visíveis de qualquer ponto da Terra. Sua precisão de posicionamento é de 20 metros (enquanto a do Beidou é de 10 metros, como vimos).

Antes do Beidou, o GPS já tinha dois outros rivais: o GLONASS, da ex-União Soviética e depois Federação Russa, e o Galileo, da União Europeia. O uso do GPS generalizou-se pelo mundo, mas receia-se que o sistema norte-americano seja, de repente, desligado por decisão militar unilateral, como aconteceu durante as guerras no Iraque. As outras grandes potências tendem a não aceitar essa situação de insegurança e dependência numa área tão estratégica.

Cabe citar mais dois sistemas nacionais, o da Índia (IRNSS) e o do Japão (QZSS), ambos de atuação apenas doméstica.

O GLONASS (Globalnaya Navigatsionnaya Sputnikovaya Sistema, em russo) começou a ser criado em 1976 pela então URSS e teve sua constelação concluída pela Federação Russa, em 1995, mesmo ano em que o GPS passou a funcionar a todo o vapor. Hoje, o GLONASS consome um terço do orçamento espacial russo. Já assinou acordo e se instalou na Universidade de Brasília, e atua no Brasil, sobretudo em São Paulo, com notória agilidade comercial.

A cooperação Brasil-Rússia em torno do GLONASS ganhou destaque nos atos assinados durante a visita da Presidenta Dilma Rousseff a Moscou, em 14 de dezembro de 2012. Ficou lavrado que os Presidentes dos dois países “estimularão (…) suas agências governamentais e institutos de pesquisa a estudar a possível ampliação da participação brasileira no desenvolvimento e uso do sistema de navegação por satélites GLONASS, tal como estabelecido no Programa de Cooperação entre a Agência Espacial da Federação da Rússia (Roskosmos) e a Agência Espacial Brasileira (AEB), firmado em 15 de fevereiro de 2012.

O GPS e o GLONASS são, claro, filhos da Guerra Fria, ou seja, têm origem e controle militar. Ambos dispõem de 24 satélites, mas os do GLONASS são distribuídos de modo equidistante em três níveis orbitais com oito satélites em cada um. A mais recente versão, o GLONASS K, completou a necessária cobertura global só em outubro de 2011. Sua vantagem, na comparação com os outros sistemas, é de ser gratuito na resolução máxima, em decímetros. O Galileo deverá cobrar tarifa de precisão ao iniciar suas operações, previstas para o  ano de 2017.

O Galileo foi idealizado como projeto civil, ao contrário do GPS, GLONASS e Beidou. E acena com vantagens relevantes: maior precisão (a confirmar em testes), maior segurança (poderá transmitir e confirmar pedidos de ajuda em emergências) e menos propensão a problemas (pode testar automaticamente sua própria integridade). E mais: poderá operar em conjunto com os outros dois sistemas já existentes, o GPS e o GLONASS, ampliando a cobertura de satélites.

O Galileo terá 30 satélites. Na realidade, 27, pois três deles ficarão em reserva para casos de necessidade. Quando estiver em ação, o sistema terá dois centros de controle, um perto de Munique, na Alemanha, e outro em Fucino, na Itália. Só para tornar o Galileo operacional, agora em 2013, foi requerida a verba adicional de 1,9 bilhão de euros (2,51 bilhões dólares). Isso significa que o sistema europeu, no final das contas, deverá custar algumas vezes essa quantia.

As oportunidades de mercado parecem amplas e variadas. A Comissão Europeia trabalha em seis áreas prioritárias identificadas na já referida avaliação de impacto que acompanha seu Plano de Ação sobre aplicações dos sistemas globais de navegação por satélites: aplicativos para celulares e telefones móveis; transporte rodoviário; aviação; transporte marítimo; agricultura de precisão e proteção do meio ambiente; proteção civil e vigilância.

O Beidou, em verdade, é capítulo essencial de um programa espacial bem maior e mais ambicioso, que inclui a construção de uma estação espacial até o final da década e ainda o plano eventual de enviar uma missão tripulada à Lua.

A China, país mais populoso do mundo, ainda tem cerca de 400 milhões de habitantes para retirar da pobreza e da miséria, e incluir no mercado interno, como já fez com outros 300 milhões. O país cresceu como nenhum outro nos últimos 20/30 anos e hoje cresce a um ritmo menor, mas ainda invejável. Continua atrás dos EUA e da Rússia em campos estratégicos como o espacial, mas deles se aproxima rapidamente.

De quantos GNSS o planeta precisa? “Logicamente, apenas um único GNSS é preciso. Vários provedores utilizam desnecessariamente o espectro de radiofrequência, seus satélites ocupam posições orbitais e seus lançamentos podem muito bem aumentar o problema do lixo espacial. Mas defender o funcionamento de apenas um sistema é ignorar realidades históricas, políticas e econômicas. Há razões militares para a existência do GPS, do GLONASS e do Beidou mas a economia e a política também são relevantes e certamente estão presentes no Galileo civil. No entanto, à medida que cresce a dependência do GNSS, há vantagens na multiplicidade de sistemas. Em havendo interoperabilidade, ou podendo os usuários acessarem mais de um sistema, cria-se uma redundância útil. O GNSS é inerentemente frágil. O lixo espacial pode abater satélites, assim como podem fazê-lo as tempestades solares. Essas últimas, junto com interferências terrestres, naturais ou artificiais, também podem desintegrar um GNSS ou um sinal ampliado,” escrevem o escocês Francis Lyal e o norte-americano Paul B. Larsen.¹

Dilema do século XXI – Ocorre que uma coisa é haver vários sistemas interligados em redes parceiras, capazes de ser acessados e operados simultaneamente em benefício geral; outra coisa é haver, como hoje, sistemas prontos para entrarem em ação num conflito militar de consequências imprevisíveis, movimentando até armas de destruição em massa – de que ainda temos em quantidade demencial (19 mil ogivas nucleares existem atualmente no mundo, sem falar nos estoques de armas químicas).

A crescente e já imensa utilidade pacífica da navegação e posicionamento por satélite permite supor que ainda neste século poderemos alcançar um nível de cooperação internacional capaz de nos livrar das guerras e catástrofes de extermínio em massa. Ou será que só nos resta o 21 de dezembro de 2012 da previsão maia, apenas adiado para um futuro “mais favorável”?

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB)

1) Lyall, Francis, and Larsen, Paul B, Space Law – A Treatise, England: Ashgate, 2009, p. 401


Fonte: Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Pois é leitor, enquanto a China avança a passos extremamente largos com o seu programa espacial e economia, aqui no Brasil, sem que ninguém faça absolutamente nada, somos obrigados a ver um bandido condenado pelo Supremo Tribunal Eleitoral ser reconduzido ao cargo de Deputado Federal. Esse é o país que estamos construindo, esse é o país do governo da presidente DILMA ROUSSEFF e das diversas legendas políticas que militam no Congresso e nos bastidores da nossa obscura capital federal. Terra de ninguém, cópia da antiga Chicago (um pouco mais light e menos violenta), onde a bandidagem mandou e desmandou durante as primeiras décadas do século passado. Num horizonte como esse, perdoe-me os otimistas de plantão, mas como podemos ter esperança de algum dia construir uma nação de verdade? Sinceramente não acredito nisso.

Comentários

  1. Relativamente ao GPS dos chineses, oferece vantagens não só a nível civil mas também militar. O Brasil contando com a tecnologia Russa, quando poderiam tentar formular um sistema próprio para usar na américa latina. Uma total falta de visão estratégica.

    Sobre o tal deputado, um escândalo!! Perderam totalmente a vergonha na cara.

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  2. Bom,

    Sobre tudo que foi comentado, a China nada mais faz do que garantir a sua segurança e soberania nacional, ao não depender de nenhum sistema GPS externo, pois é basicamente isso que pode, nos dias de hoje, tornar inúteis as forças armadas de um país.

    Quanto aos descalabros do nosso País, incluindo a recente posse desse Sr. e para quem não sabe, o "governo" acabou de, sem nenhum alarde, desviar R$ 11 BILHÕES, 2 do BNDS e 9 de um fundo de emergência, para cobrir os rombos das roubalheiras e das obras inúteis, nesse "superavit fantasma", não sou nem um pouco otimista.

    Aliás, quanto a otimismo, essa situação toda está longe de gerar algum tipo de otimismo, mas é como eu digo, só me motiva a denunciar mais, a tocar ainda mais fundo nas feridas, a martelar no assunto de uma "rebelião branca" contra esse estado de coisas.

    Eu cheguei a ver isso acontecer. um dos nossos estados da federação que eu visitei algumas vezes por motivos profissionais, chegou ao "fundo do poço". Só então, por não restar outra alternativa, os políticos locais tiveram que reformular tudo e fazer as coisas de forma minimamente corretas.

    Att.

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  3. Vamos separar os segmentos espaciais e terrestres.

    O segmento espacial, satélites, lançadores, estações de controle são basicamente tecnologias militares com grande uso civil.

    E mesmo no caso do Galileo que é de natureza civil (mais por razoes políticas, porque na pratica as forças armadas européias serão fortemente beneficiadas pelo programa), ainda existe uma razão estratégica para ele existir.

    Um calculo simples. Se uma constelação tem 24 satélites com vida útil de 8 anos por espaçonave, são 3 novos lançamentos todo ano por anos e décadas. Isto é um fator de previsibilidade importante para a industria espacial, seja ela de satélites, equipamentos de suporte, lançadores.

    O Galileo, GPS, Glonass e Beidou são verdadeiros relógios ajustadores de demanda para a industria espacial local e isto é importante.

    No Brasil onde a uma década não de lança um VLS e programas como a PMM caminham a conta gotas com subsistemas importados da “potencia espacial” Argentina, sabemos bem o que é não ter planejamento mínimo de nada e seus efeitos sobre a cadeia de fornecimento que sustenta o programa.

    Outro segredo de programas como o GPS é o segmento terrestre de uso civil.

    Quanto de dinheiro a industria americana concentra fabricando chips, aplicativos, novas formas de uso para a tecnologia GPS?

    Se o Glonass faz a mesma coisa e em alguns aspectos até mais (é mais preciso da faixa civil), porque a industria russa quase nada lucra com ele, salvo em reservas de mercado como a que obriga carros fabricados na Rússia a terem receptores Glonass?

    A resposta esta na incapacidade da industria russa de eletrônica de consumo de produzir dispositivos a serem incorporados em navegadores, celulares, rastreadores, agricultura de precisão etc..

    A indústria russa não tem esta capacidade, mas a chinesa tem e embora ainda exista um estigma de qualidade quanto a produtos chineses isto é transitório, lembrando que marcas como Toshiba, Mitsubishi, Sony, Sanyo já foram um dia de baixa qualidade e duas décadas depois era sinônimos da melhor tecnologia em eletrônica de consumo.

    Os chineses vão chegar lá, em alguns setores já chegaram.

    O Beidou ainda demora mais de uma década para ser maduro e a sua marca ainda não tenha o apelo da marca “GPS” que assim como Xerox e Kodak foram sinônimos do negocio em que atuavam, não vejo porque os chineses não serem um importante player neste negocio depois de 2025.

    Sobre o Brasil no programa Glonass ele serve na pratica para uma coisa apenas.

    Aplicação militar. Aplicações civis podem ser obtidas de forma muito mais baratas com acordos comerciais com a industria do GPS.

    Se amanhã uma guerra na América do Sul estourar é possível que os EUA degradem a precisão do sistema GPS para varias dezenas de metros na região, impedindo que armamento de precisão seja guiado por GPS na faixa civil. Sendo um parceiro do programa Glonass o Brasil em teoria poderia utilizá-lo militarmente em uma faixa de precisão submétrica o que permite direcionar armamentos com receptores Glonass.

    Porem isto depende em ultima analise de um aval político russo, que pode também mudar a precisão do sistema na região.

    No mundo real das guerras é comum acordos serem rasgados. Os franceses fizeram isto varias vezes por exemplo, com Israel no final dos anos de 1960 em apoio aos árabes (que lhes forneciam petróleo) em 1982 fornecendo os códigos dos Exocet Argentinos aos britânicos. Com Kadafi assinaram um acordo estratégico (igual ao que fizeram no governo Lula para vender o Rafale) e três anos depois foram lideres da coalizão que tirou Kadafi do poder.

    Vamos supor que exista um cenário de conflito militar na America do Sul e interesses militares brasileiros estejam de lados opostos aos da Venezuela.

    Nossos “parceiros estratégicos russos” vão ficar de que lado. Nos bolivarianos que compraram alguns bilhões de dólares de armas deles na ultima década ou de nós Brasileiros que até agora compramos 12 helicópteros e algumas dúzias de mísseis Igla?

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