Previsão do Tempo: Adeus, Chutômetro

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na revista “VEJA” edição do dia 16/01 dando destaque ao novo programa do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) que aumenta em até 60% a precisão do serviço de meteorologia.

Duda Falcão

Previsão do Tempo: Adeus, Chutômetro

Um novo programa aumenta em até 60%
a precisão do serviço de meteorologia

Rafael Foltram
Revista VEJA
16/01/2013


"Óculos escuros ou guarda-chuva? Para decidirem qual dos dois levar ao sair de casa, muito brasileiros preferiam espiar o céu a consultar os serviços de meteorologia, dado que até agora ambos os métodos pareciam identicamente falíveis. Até agora. Desde o dia 1º de janeiro, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos/ Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) passou a usar um programa de computador que aumentou em 60% a precisão do prognóstico da temperatura para as próximas 24 horas - a margem de erro caiu de 1,4 para 0,6 graus Celsius. Ao contrário do antigo software, com a capacidade de processar não mais de 60 000 dados, vindos basicamente de estações e radares meteorológicos, o novo programa analisa até 1,6 milhão de informações, muitas fornecidas por satélites. O CPTEC/INPE, órgão do governo, já possuía desde o fim de 2010 um supercomputador para previsão do tempo, o Tupã, tido como o quinto melhor do mundo. Mas havia dois problemas que impediam seu aproveitamento: a falta de um programa à altura da capacidade da máquina e a carência de informações para abastecê-la. A chegada do novo software resolveu a primeira questão. É a segunda, porém, que impede o Brasil de entrar para a tropa de elite da meteorologia global - formada por Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, e França. Para alimentarem suas bases de dados, estes países dispõem de uma constelação de satélites, além de milhares de radares e estações meteorológicas - equipamentos ainda escassos no Brasil.

Mesmo assim, as perspectivas para a meteorologia do país são ensolaradas. Por enquanto, o novo programa faz apenas o estudo climático geral do país. Mas em poucos meses, será capaz de analisar regiões específicas. "Sabíamos, por exemplo, que no começo do ano choveria torrencialmente na Baixada Fluminense, mas não tínhamos condições de afirmar que isso ocorreria em Xarém", afirma Osvaldo Moraes, coordenador-geral do CPTEC/INPE. "Agora, o objetivo é chegar a essa exatidão." Se der certo, espiar o céu antes de sair de casa será mais um hábito para ficar no passado.


Fonte: Revista VEJA - pág. 77 - 16/01/2013

Comentário: Gostaríamos de agradecer ao leitor Israel Pestana que enviou essa matéria de tal forma mastigada que veio facilitar o nosso trabalho.

Comentários

  1. Pequena contribuição, se é que ainda não foi publicado. -> Irã vai lançar um foguete que carregará um macaco http://lejournaldusiecle.com/2013/01/17/liran-va-lancer-une-fusee-kavoshgar-5-qui-transportera-un-singe/

    Abrs.

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    1. Segundo a notícia trata-se de um voo suborbital. O Brasil também está testando o projeto SARA e quem sabe se no futuro essa capsula/coifo não seja desenhado para acomodar um macaco. Mas vai demorar um pouquinho.

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  2. Algumas informações sobre o supercomputador Tupã:

    Adquirido em dezembro de 2010, pela FAPESP+MCTI, por R$ 50 milhões da Norte americana Cray, na época era o mais potente do país, ocupando a 29a posição no ranking mundial de supercomputadores.

    Sofreu uma atualização em Junho de 2012, passando de 205 trilhões de instruções por segundo, para 214 trilhões (índice Rmax = 214,2).

    Com uma vida útil projetada de seis anos (portanto até dezembro de 2016), vejam como as coisas evoluem rápido nesta área, o Tupã ocupa hoje a 116a posição, o computador que hoje ocupa a primeira posição nesse mesmo ranking, é da mesma fabricante Cray, porém com um índice Rmax = 17590,0, ou seja, mais de 80 vezes mais potente!

    No Brasil, o computador mais potente hoje, ocupando a 98a do ranking é o Grifo04 da Petrobras, com um índice Rmax = 251,5, fabricado (fabricado?) pela Itaútec.

    Att.

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    1. Nossa, passou do 29º para além do centésimo em 2 anos, quer dizer que em pouco tempo (em termos de tecnologia de informação) o produto tende a ficar quase obsoleto. Tinha ficado na dúvida se o Tupã era fabricado aqui, mas essa dúvida você esclareceu. Relativamente a esse outro supercomputador da Itaútec, é fabricado no Brasil? Sei que o Brasil pode ir bem a nível de engenheiros informáticos, mas quanto à produção de material tecnologico informático como estão? Essa é a tua área então sei que você tem uma idéia.

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  3. Nada de muito empolgante.

    A Cray, Itaútec, e outras "grandes" desse setor, projetam "placas mãe" e integram componentes em servidores e supercomputadores. O importante mesmo, e o que acelera a obsolência, são os processadores que essas máquinas usam, como Intel, AMD, NVIDIA, Fujitsu, IBM.

    Só para dar uma ideia, o maior supercomputador da Rússia, que ocupa a 26a posição do ranking, usa processadores da Intel e da NVIDIA, o que denota a REAL dependência tecnológica que o Mundo está metido. Se os Estados Unidos que os projetam ou a China que os fabricam resolvem parar de fornecer processadores, imaginem o que acontece.

    Até onde eu sei, a Itaútec, é a única empresa nacional que realmente projeta e fabrica esse tipo de componente (placas mãe e servidores). Um supercomputador, de maneira bem simplista, nada mais é do que um conjunto de servidores trabalhando em conjunto. No caso do Grifo04, são 544 servidores, e até onde eu sei, esse é um "filho único".

    Eu não tenho muito mais informações, pois hardware não é minha área.

    Tem uma LISTA DE MICROPROCESSADORES que dá uma ideia de como as coisas evoluem rápido. Nos anos 2000 então, foi e está sendo, um absurdo.

    Abs.

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    1. Está aí outra area estratégica, de importancia vital para investir, e vemos que se aplica a várias áreas do país.

      O Pentagono e a NSA utilizam computadores desses para descodificação, e sei que a ABIN tinha também alguma fama na área de criptologia, mas como o assunto não está diretamente ligado ao setor espacial morre por aqui. Valeu pelas informações.

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