AEB Escola Lança Concursos de CANSATs e Foguetes

Olá leitor!

O blog BRAZILIAN SPACE tem como objetivo trazer para o seu leitor notícias sobre as atividades espaciais no Brasil, além de tentar estimular debates sobre o tema junto aos seus leitores, sempre tentando buscar uma solução para os problemas que nosso programa espacial tem enfrentado em grande parte pela atuação desastrosa de décadas de governos subsequentes, desde o início da década de 90 do século passado.

Uma de nossas bandeiras sempre foi à educação, pois acreditamos que se o nosso povo tiver educação de qualidade, certamente influenciará muito a médio e longo prazo na construção de uma grande nação.

Assim sendo, desde que o blog foi criado lutamos pelo estabelecimento no Brasil de competições educativas de espaçomodelismo e de ciências afins, pois acreditamos que esse seja o caminho a ser seguido, já que o ser humano precisa de desafios e a história da humanidade é um grande exemplo disso.

Até onde eu sei, o primeiro passo nessa direção foi dado em 1998 com a criação da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) por iniciativa do Prof. Dr. João Batista Garcia Canalle (IF/UERJ), que posteriormente em sua oitava edição (2005) passou a se chamar Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica mantendo-se a sigla OBA.

Apesar dessa iniciativa louvável do Prof. Canalle, e do grande crescimento desse evento por todo o país (ano passado foi realizada a XV competição) com números bastante expressivos de escolas, professores e alunos participantes, sempre achamos que no que dizia respeito à área de astronáutica o evento deixava muito a desejar, especialmente quando o mesmo era direcionado a jovens adolescentes acima dos 13 anos.

Assim sendo, começamos uma campanha aqui no blog para que eventos educativos mais desafiadores e adequados para as diversas faixas etárias de nossos estudantes fossem criados no Brasil, ou por empresas ou como sempre defendemos pela nossa Agência Espacial.

Finalmente em 2012 por iniciativa da pequena empresa Acrux Aerospace Technologies de São José dos Campos (SP) em parceria com a OBA, foi criado o “I Spacecamp do Brasil”, modelo exitoso de educação aeroespacial adotado em todo mundo e que esse ano voltou a ser realizado, dessa vez em Taubaté-SP (a primeira edição foi realizada em São José dos Campos-SP), inclusive com a participação da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Vale destacar também as iniciativas do Núcleo Tecnológico do Agreste (NTA) de Bezerros (PE), e da empresa Coyote Rocket Company, que também realizaram eventos competitivos na área de foguetes, mas que infelizmente não sofreram continuidade, e também a iniciativa da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FIAP), que desde 2010 sob a coordenação do professor José Miraglia (Edge Of Space) realiza com sucesso a “SpaceCup”, competição essa que ocorre anualmente entre os alunos do 3º Ano de “Engenharia e Sistemas de Informação” desta faculdade.

Vale citar também aqui a Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), evento esse que é realizado anualmente e se encontra em sua sétima edição (2013), mas que também utiliza as regras adotadas pela OBA, que em nossa opinião deixam a desejar, a partir dos 13 anos de idade.

Qual foi a minha surpresa (altamente positiva) quando navegando no site do Programa AEB Escola descobrir com grande satisfação que a Agência Espacial Brasileira lançou esse ano dois concursos extremamente significativos nessa área educativa e parabenizo a nossa Agência Espacial por finalmente está no caminho certo.

O primeiro deles é o “Concurso CanSat Brasil”, que na realidade já havíamos anunciado anteriormente o interesse da agencia em criar esse tipo de concurso no Brasil.

O CanSat Brasil será uma competição anual de espaçomodelismo que tem como principal objetivo criar oportunidades para os jovens e instituições de ensino e associativas a que estejam vinculados, para promover o uso de conhecimentos teóricos, técnicos e práticos das disciplinas relacionadas às atividades espaciais, mediante participação em competições que simulam o ciclo completo de um projeto de atividade espacial, incentivando a formação de uma força de trabalho melhor qualificada para a indústria espacial brasileira.

O evento que contará com três categorias: nível fundamental, médio e universitário, sendo uma tremenda de uma oportunidade para estudantes, curiosos e interessados na área aeroespacial realizarem seus próprios projetos de espaçomodelismo e trocar experiências e informações sobre o assunto. Para maiores informações clique aqui.

Já o segundo concurso é direcionado para a área de foguetes e é intitulado de Concurso de Foguetemodelismo, sendo direcionado para estudantes de nível médio e superior. Para maiores informações sobre esse concurso clique aqui.

Caro leitor, mesmo sabendo que muito provavelmente não contribuímos em nada para essa mudança de mentalidade (já que o nosso Blog é desconhecido dessa gente), nos sentimos vitoriosos e felizes e torcemos para que esses dois concursos possam ser tão exitosos quanto os eventos da OBA, alcançando assim os seus números expressivos de participação. Agora sim, estamos no caminho certo para estabelecermos uma cultura espacial entre os nossos jovens e essa em minha opinião é a melhor noticia do PEB em 2013, pelo menos até esse momento. Só falta agora a AEB dar um jeito no Programa Microgravidade e no Programa UNIESPAÇO.

Duda Falcão 

Comentários

  1. Boas iniciativas.

    Tenho insistido na importância das escolas técnicas e também no fato da falta de valorização dos cargos técnicos aqui no Brasil.

    Em países mais adiantados, a Alemanha é um exemplo, os cargos técnicos são muito valorizados, sendo a diferença tanto salarial, quanto de projeção social entre um cargo técnico e um cargo de "nível superior", muito pequena.

    Esta semana fiquei sabendo que estão querendo transformar uma das melhores escolas técnicas do País, a CEFET/RJ numa faculdade, o que vem a provar que infelizmente as pessoas continuam com a visão errônea de que um curso técnico é um "curso inferior" e precisam porque precisam transformar os "cursos inferiores" em "cursos superiores".

    É lamentável essa visão, que praticamente obriga aqueles que tem a vocação para a parte mais prática dos projetos a abraçar cursos chamados "superiores", que não são a sua real vocação.

    Eu depositava esperanças em competições na área aeroespacial entre escolas técnicas, mas com esse tipo de mentalidade, fica difícil...

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  2. Corroborando a afirmação, acabou de passar uma reportagem constatando que o Brasil tem mais médicos por habitante do que seria necessário para a sua população total.

    Por outro lado, pessoas morrem por aplicação intravenosa de substâncias erradas, como sopa?? e café com leite ????

    Ou seja, para os técnicos sobram salários baixíssimos, formação deficiente e desvalorização social.

    No entanto um técnico da área de saúde lida com as mesmas vidas humanas que um cirurgião que opera o cérebro de alguém.

    O mesmo ocorre em várias outras áreas.

    Para refletir.

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  3. Otimo ver como alguns estão acertando e canalizado esforços para tornar mais difundida a realidade do programa espacial. Folgo por ver algumas instituições do governo com projetos e a intervir em outros que têm tido alguma amplitide no quesito de tornar a 'cultura aeroespacial' não somente algo informativo mas também divertido. Sem duvida o contato dos jovens com esses projetos dá uma perpectiva tecnica e mais animadora do que é trabalhar com foguetes. Mas quem está verdadeiramente de parabéns são essas pequenas iniciativas privadas que têm se esforçado tanto por levar o conhecimento aos jovens que tornaram programas simples em algo mais complexo e que têm dado frutos. É assim que se consegue chamar jovens para a vocação.

    Imagino que exista fãs de ufologia, de esportes, de caça, e rali's, etc. Agora o campo está cada vez mais solido para aqueles que se interessarem por foguetes e qualquer coisa ligada a tecnologia espacial.

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  4. Esperança é o que temos, do contrário não estariamos vizitando o Blog, queria saber do Duda, Você acredita que algum dos partidos politíticos existentes no Brasil teria uma visão melhor para o PEB, se acredita, qual deles?

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  5. Olá Digotorpedo!

    Respondendo a sua pergunta, não, até porque não existe partidos políticos no Brasil e sim legendas políticas que são utilizadas por esses energúmenos na luta pelo poder. É por conta disso que é necessário uma mudança cultural e ela passa primordialmente pela sociedade. Enquanto isso não acontecer, continuaremos tendo o governo que merecemos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  6. Precisamos de um "Chaves" no Brasil.

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    1. Olá Digotorpedo!

      Não diria isso. O que o Brasil realmente precisa é de uma mudança cultural.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  7. a competição também atinge o nível técnico.

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    Respostas
    1. Olá Felipe!

      Creio que sim, mas sugiro que entre em contato com a AEB para você tirá essa dúvida, tá ok?

      Boa sorte

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Oi Felipe,

      Não sei se você tem acompanhado, mas já comentei em vários artigos anteriores sobre essa questão.

      Sou um fã das escolas técnicas, e acho que os técnicos devidamente formados deveriam ser muito mais valorizados no nosso País, em todas as áreas inclusive na aeroespacial.

      Infelizmente no geral eles lembram do "ensino médio", mas não destacam as escolas técnicas, que é uma coisa além no meu ponto de vista, ou seja, é o ensino médio normal mais um curso técnico em paralelo, portanto num mesmo período, o pessoal de escola técnica tem uma formação mais abrangente.

      Estive vendo no site da AEB, e realmente eles não fazem essa distinção, então nesse primeiro momento, o pessoal de escolas técnicas deve competir na categoria de ensino médio, o que pode ser uma vantagem.

      Como não há essa distinção, sugiro que vocês das escolas técnicas, batalhem por ela, pressionem os diretores das escolas técnicas para mandar uma "enxurrada" de solicitações lá para a AEB para criar uma categoria específica para as escolas técnicas.

      Um abraço.

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