Projeto de R$ 500 MI da ACS Está em Cheque

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada no site “globo.com” do dia (06/01), destacando que o mal engenhado projeto de meio bilhão de reais da ACS está em xeque.

Duda Falcão

PAÍS

Projeto de Meio Bilhão de Reais
para Lançamento Comercial
de Satélites Está em Xeque

Com sucessivos adiamentos, mercado se fecha à
programa em parceria com a Ucrânia

Roberto Maltchik
Publicado: 6/01/13 - 22h45
Atualizado: 6/01/13 - 23h06

RIO - Depois de irrigar com R$ 391,5 milhões ao longo dos últimos seis anos o mais audacioso projeto de lançamento comercial de satélites em solo brasileiro, o governo federal concluiu que é elevado o risco de o negócio simplesmente não se viabilizar e, agora, busca uma saída “estratégica” para justificar o investimento. Além do descompasso orçamentário, a ausência de um acordo tecnológico com os Estados Unidos, a inexistência de data de lançamento e a administração errática da Alcântara Cyclone Space (ACS) no governo Lula levaram o empreendimento — cujo investimento mínimo, para cada país, alcançará R$ 500 milhões — a um ponto crítico, que obrigou o Palácio do Planalto a revisar silenciosamente seu objetivo.

Tratado assinado entre Brasil e Ucrânia, em 2006, previa objetivamente que a ACS seria criada para que o Brasil entrasse no restrito e altamente qualificado mercado internacional de lançamento de satélites, que renderia aos dois países US$ 50 milhões, por lançamento. Seis anos depois, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informa que a “transferência de tecnologia”, integrada à construção do Centro Espacial de Alcântara (MA), em área cedida pela Aeronáutica, “por si só, justifica o investimento”. Ocorre que o tratado que criou a binacional, aprovado pelos Parlamentos ucraniano e brasileiro, não prevê transferência tecnológica.

“A Alcântara Cyclone Space tem por missão o desenvolvimento do Sítio de Lançamento do veículo lançador Cyclone-4 no Centro de Lançamento de Alcântara e a execução, a partir do mesmo sítio, de lançamentos comerciais, bem como aqueles de interesse da República Federativa do Brasil ou da Ucrânia”, diz, textualmente, o enunciado da “missão” da Alcântara Cyclone Space, disponível no site da empresa. Funcionários da empresa e técnicos do MCTI asseguram: não há transferência de tecnologia na fabricação do equipamento.

Trunfo do Brasil

O trunfo do Brasil para desenvolver o programa de lançadores é a localização geográfica de Alcântara, encravada na Linha do Equador. Isso significa não só economia de propelente (combustível) como também mais capacidade para transportar cargas úteis. Porém, lançar comercialmente o foguete Cyclone-4, em construção na cidade ucraniana de Dnipropetrovsk, envolve muito mais que ter um sítio pronto e um foguete construído, o que ainda não existe. Se antes a meta era fazer o primeiro lançamento em 2010, agora passou para 2014.

Entre analistas do mercado espacial consultados pelo GLOBO ao longo de dezembro, o uso comercial do Cyclone-4 não passa de um “projeto”, repleto de incertezas nos campos técnico e geopolítico. E — em tais condições — os grandes clientes deste multibilionário nicho não apostam um centavo.

No campo geopolítico, a ACS não está autorizada a lançar sequer um artefato ao espaço com componente fabricado nos Estados Unidos, pela ausência de um acordo de salvaguarda tecnológica entre Brasil e EUA, barrado no Congresso em 2002, principalmente por força do PT, à época o principal partido de oposição ao governo Fernando Henrique. E cerca de 90% de todos os satélites em operação, hoje, têm componentes americanos.

Até o fim do governo George W. Bush (2001-2009), a doutrina da Casa Branca era não permitir o acordo. Historicamente, os EUA apresentam profundas restrições ao programa de lançadores do Brasil, uma vez que seus componentes têm uso duplo: civil e militar, ou seja, servem a foguetes e mísseis. Paradoxalmente, os EUA reconhecem Alcântara como excelente local para lançamentos, inclusive, de seus próprios foguetes. Mas Alcântara convive com um impasse que envolve comunidades quilombolas remanescentes que vivem na região, e que, ao longo da década passada, literalmente expulsaram a ACS da área previamente reservada à instalação de inúmeros sítios de lançamento: ou seja, falta área disponível para transformar Alcântara num centro internacional de lançamento comercial de satélites.

Neste momento, o Itamaraty negocia o acordo, em caráter sigiloso, com o governo Obama. O MCTI classifica o assunto como “de grande relevância”. O Ministério de Relações Exteriores (MRE), a ACS e a embaixada dos EUA não comentam o assunto especificamente. Até agora, não há solução à vista.

— Precisamos muito disso (o acordo com os EUA) para tornar comercial o sítio de lançamento de Alcântara. O acordo é super importante. Esse assunto é objeto de discussão no Itamaraty, que o analisa com muito cuidado — afirmou ao GLOBO o presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Braga Coelho, que nega a mudança de rumo no projeto Cyclone-4, apesar de inúmeras confirmações no sentido contrário:

— O objetivo não mudou. O objetivo é comercial e estratégico.

Em abril do ano passado, de acordo com a embaixada americana, Brasil e Estados Unidos realizaram um debate “positivo” sobre segurança espacial. Em dezembro, o Ministério da Defesa e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos fizeram nova rodada de negociações, um mês depois de uma delegação dos Estados Unidos visitar Alcântara.

Oficialmente, a ACS não quis se pronunciar. Porém, funcionários da empresa pública binacional reconheceram ao GLOBO que, sem acordo de salvaguardas ou data de lançamento estabelecida e apresentada aos operadores do mercado, não há condições de atrair clientela, que atualmente contrata lançadores nos EUA, na Europa e na Ásia. Ou seja, a cada dia que passa as opções de mercado do sistema ucraniano-brasileiro ficam mais restritas. Restrições que se ampliam considerando a desconfiança do mercado quanto às limitações ucranianas - país descapitalizado depois da crise financeira de 2008 - para o desenvolvimento de novas tecnologias de segurança de voo.

Entraves Administrativos

Um analista do mercado, sob a condição do anonimato, afirma que os grandes fornecedores de Europa e Estados Unidos, eventuais concorrentes da ACS, recebem suporte de suas nações para vender lançamentos para clientes desses países, os principais do mercado mundial. A essas nações, portanto, não interessa a presença de um novo concorrente, em condições geográficas vantajosas.

O governo brasileiro também convive com entraves administrativos para “adaptar os projetos inéditos e complexos em desenvolvimento na Ucrânia às normas construtivas brasileiras”, informa o Ministério da Ciência e Tecnologia.

O que há hoje é um empreendimento em franca expansão no município de Alcântara, com maquinário pesado ucraniano desembarcando no porto da cidade. Também há cooperação técnica Brasil-Ucrânia na implementação de itens no centro de lançamento, comprados na Ucrânia com dinheiro brasileiro. Há, sim, chance de o Cyclone-4 só mandar ao espaço satélites brasileiros e ucranianos. Mas nem o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que opera o programa de satélites do Brasil, tem planos para contratar o foguete, que oferece mais capacidade do que a exigida pelos projetos de satélites desenvolvidos no país.


Fonte: Site do Globo.com - 06/01/2013

Comentário: Nada de se estranhar, já que esse era um desastre anunciado que só poderia ter sido elaborado por um reconhecido de..loide da política brasileira e irresponsavelmente apoiado por um presidente humorista. Entretanto, chamo atenção do leitor que em momento algum o autor dessa matéria toca no problema que há meu ver é o mais grave desse acordo desastroso com a Ucrânia, ou seja, a alta toxicidade desse trambolho tóxico ucraniano. Isso é uma clara demonstração de que a sociedade brasileira não tem nenhum compromisso com o atual movimento em curso no mundo que busca tecnologias alternativas e mais ecologicamente corretas não só na área espacial, estando disposta a se utilizar de qualquer tecnologia ou atividade, mesmo que seja prejudicial ao ser humano e ao meio ambiente. É por essas e outras que não acredito mais nesse país, em seu povo, e na possibilidade de algum dia nos tornamos uma grande nação. Veja o caso de nossa Petição da ACS que até o momento (mesmo nos últimos dias tendo pulado de 195 para 218 assinaturas) representa muito pouco para que possamos ter voz ativa junto a esses energúmenos do governo Dilma Rousseff. Pergunto, será que esses profissionais que se manifestaram nessa matéria já assinaram a petição? Não será com atitudes como essa que construiremos uma grande nação e começo achar que cometi um grande erro quando nos anos 80 retornei ao Brasil. Esse país não tem jeito, e agora sou eu que não tenho jeito a dar na minha situação. Peço sinceras desculpas a minha filha pelo erro que cometi, é o que me resta fazer, além de torcer que ela possa alguma dia criar as condições para seguir sua vida numa sociedade que realmente caminhe em direção a um futuro promissor.

Comentários

  1. Essa ACS realmente foi uma grande furada, será que eles não se envergonham? Não é possível...

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  2. Caro Carlos!

    Políticos no Brasil não tem, nuca tiveram e jamis terão vergonha na cara, faz parte do jogo, e esse é um dos grandes problemas da classe política desse país.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Bom,

    A mim parece um caso de perspectiva.

    Num País como a Suiça, sem dúvida não enfrentaríamos tantos problemas. A vida lá seria nascer, crescer, trabalhar, se aposentar, e esperar a morte aos 150 anos.

    Nada de carnaval, nada de futebol, nada de corrupção, nada de denúncias, nada de nada...

    Que chato!

    Lá ninguém precisa pensar muito sobre a solução dos problemas, pois eles quase não existem...

    Que cômodo !

    Vamos lá gente. Leventar, sacudir a poeira e dar a volta por cima! Quantas vezes for necessário.

    Abs.

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    Respostas
    1. Caro Marcos!

      Se eu pudesse já estaria na Suiça a muito tempo, ou talvez mesmo na Austrália, como a minha irmã, rsrsrs.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Na Suíça o sistema democrático é semidireto.

      "Nesses sistemas de democracia semidireta, além da existência de representantes eleitos que tomam a maior parte das decisões em nome dos cidadãos, estes também têm a oportunidade de influenciá-las através de iniciativas populares, plebiscitos e referendos (ratificação de decisões de representantes)"

      Imagina se aqui o povo pudesse meter o nariz na decisão dos políticos. Imagina se o povo tivesse que aprovar em plebicito questões como alterações no Planalto e aumento dos salários dos políticos. No Brasil existe um muro político que separa cidadão normais dos deputados (que têm imunidade parlamentar - algo ridiculo).

      O povo precisa de saber se associar com as decisões políticas ao invés de se distrair com outras coisas e querer pensar que os políticos resolverão (ainda por cima quando tudo está favorável para eles). Nessas questões de poder não existem almas caridosas.

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    3. ANALFABETO VOTA INFELIZMENTE!

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  4. Só para adicionar informação, essa notícia também ocupou a primeira pagina inteira do jornal O GLOBO, aqui do Rio de Janeiro. É um dos maiores jornais daqui.

    Abraço,

    Eduardo

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    1. Aí está. De uma forma ou de outra a notícia é divulgada. Daí porque acho ser importante o blog não parar e nem a reivindicação contra o atual acordo com a ACS. Esperemos que mesmo tudo venha à tona.

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  5. E nada falando do desastre ecologico q esse foguete causa. me irrita ver o greenpeace tentando travar o desenvolvimento de energia nuclear do brasil, e nao movendo uma palha sobre esse trambolho!

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    1. Mas alguém já telefonou pro Greenpeace e tentou agendar uma conversa "ao vivo" ???

      Ou ao menos mandou um email sobre a nossa petição ?

      Afinal eles são bem mais conhecidos que nós...

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    2. Já fui ao site deles e postei o link do video e da petição.

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  6. "Precisamos muito disso (o acordo com os EUA) para tornar comercial o sítio de lançamento de Alcântara. O acordo é super importante — afirmou ao GLOBO o presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Braga Coelho".

    Duda,
    Será que para não "pagar o maior mico" da história o governo Dilma acabe aceitando certas condições do governo americano, como por exemplo interromper o desenvolvimento dos nossos lançadores e outras tecnologias espaciais?

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  7. Caro Carlos!

    Não acredito nisso, mas tudo é possível no mundo desses energúmenos e nesse caso só mesmo liderando um movimento que vá a Brasília e fuzile todo eles. Rsrsrs.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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