Principal Satélite que Monitora o Brasil Será Desativado


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada hoje 26/11 no site “Apollo11.com”, destacando a desativação do satélite meteorológico americano GOES-10 que cobre o Brasil e a América do Sul.

Duda Falcão

Tempo: Principal Satélite que Monitora o Brasil Será Desativado

Editoria: Espaço - Brasil no Espaço
Quinta-feira, 26 nov 2009 - 07h50

Os institutos de previsão do tempo do Brasil e da América do Sul não vão poder mais contar com as informações geradas diariamente pelo satélite ambiental Goes 10. De acordo com a Agência Atmosférica e Oceânica dos EUA, NOAA, o satélite será desativado até o fim de dezembro, uma vez que seu combustível chegou ao fim.

Satélite Geoestacionário GOES-10 antes de ser
colocado em órbita, quando ainda mantinha a
designação GOES-K - Crédito: NOAA/GOES

Lançado em 1997 com o objetivo de substituir o satélite GOES-9 no monitoramento do clima sobre a costa oeste dos EUA, o Goes 10 foi substituído em 2006 pelo seu gêmeo GOES 11 e até agora tem sido mantido como equipamento de backup no caso de falha dos satélites GOES 11 e GOES 12, os mais importantes satélites de monitoramento sobre os EUA.

Na função de reserva, o satélite foi movido pelo governo americano para a longitude de 60 graus oeste, acima da divisa entre Roraima e o Amazonas e se tornou o principal equipamento de monitoramento das condições do clima na América do Sul e Brasil.

Ao contrário do que foi publicado em sites não especializados, os EUA não vão derrubar o satélite. O artefato está posicionado a 36 mil km de altitude acima da linha do equador e antes que esgote sua fonte de combustível será elevado algumas centenas de quilômetros, em uma região conhecida como cemitério de lixo espacial. Ali, devido ao arrasto na atmosfera ser muito menor que nas baixas altitudes, o GOES-10 levará milhares de anos para retornar à Terra, além de não representar riscos de colisão com outros equipamentos em órbita.

Consequências

Depois que for desativado, o Brasil voltará a utilizar as imagens geradas pelo satélite GOES 12, localizado acima do meridiano 75 W (sobre a tríplice fronteira entre Peru, Equador e Colômbia) e otimizado para registrar as condições climáticas da costa leste dos EUA e Caribe.

Imagem captada da América do Sul no dia
25 de novembro de 2009 mostra uma frente fria
em aproximação ao Rui Grande do Sul

Com a troca, o Brasil perderá a agilidade necessária na observação do tempo. Enquanto o satélite Goes 10 envia imagens ao país com intervalo de 15 minutos, o Goes 12 transmite imagens de três em três horas dessa parte do hemisfério, tornando as decisões sobre as mudanças do tempo mais complexas e sujeitas a mais erros.

Segundo o coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, Luis Augusto Machado, o monitoramento do tempo em algumas áreas será severamente prejudicado. “Os satélites geram informações digitais que são transformadas em dados, como campos de vento, estimativa de precipitação, detecção de queimadas e outros. Com a mudança, todas essas aplicações ficarão comprometidas”, explicou.

Atualmente, o índice de acerto da previsão do tempo no Brasil não supera 85%, mas sem ajuda do Goes 10 esse número poderá cair até para 45%.

Dependência

Apesar dos EUA não cobrarem pelo uso das imagens geradas por sua constelação de satélites GOES, a falta de tecnologia e investimento do Brasil no setor nos deixa totalmente dependente dos norte-americanos. A construção de um satélite nacional demoraria entre cinco e seis anos a um custo estimado de R$ 600 milhões, mas o orçamento médio anual da Agência Espacial Brasileira, AEB, nunca ultrapassou os R$ 300 milhões desde 2005.

Resta saber se até a Copa de 2014 ou às Olimpíadas em 2016, o Brasil já terá preenchido essa lacuna espacial, livrando o país de uma dependência tecnológica burra que nem países mais pobres como Índia ou Paquistão possuem.


Fonte: Site Apollo11.com

Comentário: O blog já havia postado essa notícia ontem (veja a nota O GOES-10 Será Desativado em Dezembro, e Agora Brasil?) e realmente demonstra mais uma vez como esse setor está mal gerido no país. E agora Brasil? Não resta dúvida que apesar do que o ministro Sergio Rezende vem dizendo na imprensa de que o Brasil não será prejudicado com essa situação, o país passará sim por sérias dificuldades simplesmente por falta de um planejamento adequado e realizado por gente preparada e que entenda do assunto. Será que não tinha ninguém durante a negociação com os americanos para questioná-los se haveria uma previsão de quando o combustível do satélite poderia acabar? Lamentável!

Comentários

  1. Sacanagem, pura e simples.
    Além do desenvolvimento de um satélite próprio, o que levaria prazos longos de 5 a 6 anos, uma solução imediata, seria fazer o que foi feito com as telecomunicações nos anos 80, COMPRAR um modelo adequado e lançar alugando alguns destes lançadores potentes internacionais como o Delta V, Ariane V, Longa Marcha ou Soyus. Enquanto isto, desenvolvi um satélite próprio. O Brasil paga pela falta total de planejamento espacial.

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  2. Pois é Ricardo, isso já deveria ter sido feito há uns 15 anos com algum envolvimento da indústria brasileira. Nesse meio tempo estaríamos desenvolvendo o nosso próprio satélite, mas do jeito como as coisas são feitas no PEB, só poderia terminar desse maneira. Infelizmente o Programa Espacial Brasileiro jamais foi estratégico para o governo federal desde sua implantação, e mesmo tendo de reconhecer que houve uma melhora no orçamento do programa durante o governo do LULA, nada de significativo foi feito e continuamos matando mosca a tapa. Uma vergonha!

    Abs

    Duda Falcão

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