terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nanosatélite é Tema de Oficina Promovida Pela SECTI Por Meio do Programa “Inova Maranhão”

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada dia (17/01) no portal da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Governo do Maranhão.

Duda Falcão

Nanossatélite é Tema de Oficina Promovida Pela
SECTI Por Meio do Programa “Inova Maranhão”

SECTI
17/01/2017 - 23:59

Como parte das ações realizadas pelo programa “Inova Maranhão”, por meio da Secretaria de Estado, da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), na última sexta-feira (13), estudantes de graduação, pós-graduação e professores participaram de uma oficina que trouxe como temática a introdução de nanossatélites. O objetivo é capacitar a comunidade acadêmica para participar de um curso de especialização nesta área.

De acordo com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Jhonatan Almada, esta iniciativa também vai contribuir para o desenvolvimento de nanossatélites e os serviços que podem ser gerados neste setor. “É a primeira iniciativa vinculada ao Parque Tecnológico. Queremos apresentar este assunto à comunidade local para adquirimos a capacitação e formação dessas pessoas para que gerem serviços e produção neste setor com benefícios para o estado.”

O curso de especialização de nanossatélites terá duração de 12 meses, as oficinas ocorrem antes e têm a participação de palestrantes de empresas de destaque neste setor e conta com a parceria de outros países como a Dinamarca. Neste evento participaram estudantes da universidade pública do estado (UEMA) e universidade pública federal (UFMA), Universidade Ceuma e Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB).

Os palestrantes foram Rafael Figueroa (Portal Telemedicina) e Igor Portillo, da empresa dinamarquesa (GomSpace). Rafael Figueroa falou sobre os principais componentes utilizados para fazer drones e nanossatélites e finalizou com as formas de captar recursos a fundo perdido para esse tipo de projeto.

Igor Portillo apresentou a GomSpace (empresa de nanossatélites) e contou um pouco sobre a história da empresa, que começou como uma startup formada por três alunos de graduação em 2007. Atualmente a empresa se consolidou e está presente em 50 países e possui mais de 1000 funcionários.

Ele destacou também sobre o cenário atual do setor de nanossatélites e as perspectivas de futuro, relatando sobre alguns casos já desenvolvidos, o que tirou muita dúvida dos participantes.


Fonte: Portal da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Comentário: Pois é tomara leitor, tomara  mesmo que os maranhenses tirem do papel o projeto de um nanosatélite. Porém espero e torço fortemente que caso sim não o faça através dessa empresa dinamarquesa. É inadmissível que com 55 anos de programa espacial não se tenha sequer um grupo neste país capaz de fornecer a plataforma para este nanosatélite. Isto é um tremendo de um absurdo e uma vergonha continuarmos necessitando de empresas como esta GomSpace e a tal ISIS para fornecer essas plataformas. Enfim, fazer o que??? País de merda, programa espacial de merda. Aproveitamos para agradecer ao leitor Brehme de Mesquita pelo envio desta notícia. 

A Samara State Aerospace University (SSAU) e o Programa High-Technology Management School (HTM)

Olá leitor!

A SAMARA STATE AEROSPACE UNIVERSITY (SSAU), umas das melhores universidades na área aeroespacial do mundo, abre o programa de verão denominado High-Technology Management School (HTM)

O curso inclui um pacote de 11 dias na Rússia, incluindo: 

* Tour pela universidade e seus laboratórios de engenharia aeroespacial; 
* Programa cultural na cidade de Samara; 
* Hospedagem e 3 alimentações/ dia; 
* Visita a Moscou e S. Petersburgo; 
* Workshops, palestras e seminários com professores de vários países; 
* Recepção na Rússia até a universidade; e
* Ingressos para eventos culturais locais.

VALOR DO PACOTE: $ 400,00 + Passagem aérea. 
VIAGEM DE GRUPO BRASILEIRO E INFORMAÇÕES: Joales Sousa - https://www.facebook.com/SousaJoales

SSAU Vìdeo: 


Duda Falcão

“É o Maior Centro de Lançamento do Hemisfério Sul”, Diz Coronel Olany

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessantíssima entrevista com o Coronel-Aviador Claudio Olany Alencar de Oliveira, o então na época diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), postada que foi na edição de dezembro do ”Jornal do SindCT“. Vale a pena conferir atentamente esta entrevista.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

ENTREVISTA: COMANDANTE DO CLA

“É o Maior Centro de Lançamento do
Hemisfério Sul”, Diz Coronel Olany

A Torre Móvel de Integração (TMI) de Alcântara pode atender a toda uma família
de foguetes suborbitais. O CLA está preparado “para qualquer atividade de
interesse do Comando da Aeronáutica, IAE e demandas do PNAE”

Shirley Marciano
Enviada especial a Alcântara
Jornal do SindCT
Edição nº 53
Dezembro de 2016

Vista área do complexo do CLA.

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), situado no Maranhão, vem passando por um processo de modernização e de reconfiguração da estrutura, além de haver implantado uma série de medidas de segurança, atendendo assim parte das recomendações da comissão que investigou as causas da tragédia de agosto de 2003 — a explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), que resultou na morte de 21 pessoas da equipe técnica e na destruição da Torre Móvel de Integração (TMI). É o que relata o coronel-aviador Claudio Olany Alencar de Oliveira, comandante do CLA, em entrevista concedida com exclusividade ao Jornal do SindCT na véspera do lançamento do VSB-30, realizado em 7 de dezembro.

Exemplos das medidas recomendadas e implantadas são o “Prédio SPL”, que concentra as equipes do Setor de Preparação e Lançamento, e um outro prédio em forma de bunker onde motores e foguetes permanecem semienterrados. Inaugurados em janeiro de 2016, eles tiveram sua construção financiada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), a um custo de R$ 16,6 milhões.

“Aqui é o maior centro de lançamento do Hemisfério Sul. Infelizmente nem todos têm essa visão, mas tem uma localização estratégica, com uma importância enorme, não só para a Força Aérea, mas para o país como um todo”, sustenta o coronel Olany. “Hoje o nosso centro se encontra em plena capacidade operacional. Estou passando o comando em janeiro e entrego o CLA com a satisfação de tudo estar funcionando”.

Ao comentar os problemas de financiamento do Programa Espacial, o comandante demonstrou preocupação com a necessidade de reposição da força de trabalho do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE): “Nós temos os recursos humanos altamente especializados que estão em vias de se aposentar. Como a gente vai repor isso daí? Como vai reter pessoal? Então, não é só dinheiro, mas os recursos humanos. Daqui a pouco vamos perder competência humana para execução dos projetos”.

Fotos: Shirley Marciano
Oficiais e técnicos acompanham lançamento em 7/12/16.
Estação meteorológica, “a maior da América do Sul”.

Qual a sua formação e experiência, que o fizeram chegar ao comando do Centro de Lançamento de Alcântara?

Coronel-Aviador Olany - Eu já tenho uma certa experiência atuando na área espacial. Fiz engenharia e pós-graduação no ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica]. Trabalhei no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que é onde são desenvolvidos os projetos de foguetes. Fiz parte do projeto do VLS, do VSB-30 e de várias tecnologias associadas. Isto me deu uma bagagem importante para atuar do outro lado, que é a parte operacional do que é desenvolvido pelo IAE. Fui naturalmente preparado para atuar no CLA. Cheguei em Alcântara em 2013 como vice-diretor e na expectativa de assumir a direção. Então estou praticamente há quatro anos aqui.

Quais foram os principais desafios enfrentados no período em que o senhor esteve no CLA?

Olany - Os principais desafios que enfrentamos nesse período foram a adequação da infraestrutura do centro, atender às demandas do Comando da Aeronáutica, da AEB e também da Alcântara Cyclone Space (ACS). Em 2015 houve a denúncia do tratado da ACS, mas antes disso as obras já tinham parado. Então nós continuamos com o aprimoramento da nossa infraestrutura, modernização dos sistemas que são utilizados numa operação de lançamento, deixando o centro preparado para qualquer atividade de interesse do Comando da Aeronáutica, do IAE e algumas demandas provenientes do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

A TMI, construída para o extinto projeto do VLS-1, está inutilizada ou poderá ser reconfigurada para outros modelos de foguetes?

Olany - Estamos trabalhando nessa estratégia de reconfiguração. A TMI inicialmente foi concebida para atender o projeto do VLS. Porém, ela tem toda condição de atender uma família de foguetes suborbitais, como o futuro VS-43 (que seria o aproveitamento dos motores do VLS-1 do primeiro e segundo estágios para testes de controle), bem como o VS-50, que é um foguete suborbital para certificar o motor do VLM. Então, a torre estaria sendo aproveitada para lançamentos do VS-43 até o VLM. Para foguetes suborbitais, até o porte do VSB-30 e VS-40, nós temos os lançadores móveis e um de porte médio (LPM), que foi danificado no lançamento do VS-40 e a gente está recuperando.

A plataforma utilizada para a Operação Rio Verde veio do Centro de Lançamento de Barreira do Inferno (CLBI)?

Olany - Sim. A plataforma foi trazida de lá porque a que temos aqui foi danificada no incidente ocorrido no ano passado, com o VS-40, na Operação São Lourenço. Então, para viabilizar a Operação Rio Verde nós trouxemos o lançador móvel do CLBI que já era CLA/CLBI, instalamos e configuramos. Agora nós vamos ficar em definitivo com os dois lançadores, porque a perspectiva, por medida de segurança, é de que o CLBI não faça mais lançamentos de foguetes grandes. A cidade cresceu no entorno do centro e, por essa razão, o CLBI não lança mais plataformas suborbitais (que são de porte maior). Vai lançar somente foguetes pequenos e atuar nas atividades de rastreio, em parceria com o Centro de lançamento de Kourou [na Guiana].

Como está a questão da segurança do CLA?

Olany - Com o relatório de investigação de 2003, após o acidente com o VLS-1, houve várias recomendações a serem executadas, e boa parte delas nós já cumprimos. Por exemplo, construímos um prédio de depósito de propulsores em formato de um bunker semi-enterrado, específico para enterrar motores e foguetes. Diferente do que acontecia no passado, quando os motores ficavam no mesmo prédio onde era feita a preparação de integração de foguete.

Tem também o prédio de segurança do SPL, onde as equipes ficam concentradas, evitando a dispersão de pessoas andando em setores do SPL sem necessidade. Assim, criamos um processo para garantir a segurança. Hoje cada servidor militar só sai do prédio SPL para outro prédio mediante uma ordem de atividade, sem celulares e sem equipamento. Ou seja, ele vai para executar uma atividade específica por um período de tempo determinado e na sequência retorna ao prédio.

Também reconstruímos no final de 2015 nosso posto médico. Está totalmente equipado, com sala de microcirurgia e laboratórios. Está plenamente em funcionamento. Tem atendimento operacional, emergencial em todas as áreas. Então, para o caso de um acidente, seria o primeiro atendimento. Vale salientar que foram revitalizados sistemas que são utilizados durante uma operação de lançamento, como de telemetria e telecomando.

 Coronel-aviador Olany de Oliveira, comandante do CLA.

Em comparação a outros centros de lançamento, em que posição está o CLA neste cenário? Está sendo bem aproveitada a estrutura existente?

Olany - Temos a estação meteorológica mais bem equipada do país. A informação que me dão é de que seria a maior da América do Sul. Aqui é o maior centro de lançamento do hemisfério Sul. Infelizmente, nem todos têm essa visão, mas aqui tem uma localização estratégica, com uma importância enorme, não só para a Força Aérea, mas considero para o país como um todo.

Não vou dizer que é subutilizado porque uma série de fatores contribui para isso, dentre eles a falta de recursos. Hoje o nosso centro se encontra em plena capacidade operacional. Estou passando o comando em janeiro e entrego o CLA com a satisfação de tudo estar funcionando, como a parte de sistemas, eletrônica, de controle, de inteligência, com toda a parte de lançamento funcionando e com os contratos de manutenção vigentes renovados, além da parte de infraestrutura, processos, onde entra a parte de segurança.

É claro que isso requer uma melhoria contínua. Agora nós estamos num processo de implantação de certificação do centro na área de qualidade e depois vamos buscar uma certificação de ISO 9001. Estamos certificando a parte operacional, mas com vistas a certificar o centro todo. Então estamos investindo bastante em gestão estratégica.

Sobre o intervalo entre um lançamento e outro, é possível atender com um intervalo menor para adequar às necessidades dos experimentadores ligados às universidades?

Olany - O fator que menos influencia é o que depende do CLA. Aprovamos um novo cronograma para as atividades espaciais, e isso será usado. Será feita uma revisão do PNAE pela AEB. Temos um cronograma, mas ele depende do quanto a AEB irá disponibilizar.

Comercialmente, o VSB-30 não é viável no Brasil porque falta demanda. Agora, se tivesse uma pressão dos acadêmicos, empresas privadas, aí a AEB teria que injetar recursos. Na verdade, o programa de Microgravidade pode ser cumprido com o VSB-30, com o VS-40 e outros foguetes. A questão da cadência de lançamento está diretamente ligada aos recursos que a AEB disponibiliza para o IAE e para o CLA. Podemos melhorar, mas a segurança para um lançamento está plenamente operacional. Então, hoje faltam recursos para o IAE, mas não só...

O que mais falta?

Olany - Esse cenário é um pouquinho mais complexo. Nós temos os recursos humanos altamente especializados que estão em vias de se aposentar. Como a gente vai repor isso daí? Como vai reter pessoal? Então não é só dinheiro, mas os recursos humanos. Daqui a pouco vamos perder competência humana para execução dos projetos.

Quantos servidores civis e militares no CLA?

Olany - Em torno de 1.000 pessoas, sendo 87 civis e os demais militares. O CLA tem uma infraestrutura muito grande. Tem essa parte aqui em Alcântara. E lá na Ilha de Santana tem uma estação secundária de telemetria no município de Raposa, além de uma área de apoio administrativo ao lado do Aeroporto. Tenho a Vila Residencial, Rancho, Saúde, e parte operacional em Alcântara e São Luís. A gente depende da maré para manter a rotina de trabalho aqui em Alcântara. Vamos construir em São Luís um atracador flutuante. Aí não dependerá de maré para trazer todo mundo para trabalhar todo dia. Tenho um efetivo que mora em São Luís.

Com relação ao desafio tecnológico da Operação Rio Verde…

Olany - O VSB-30 já é uma tecnologia dominada. Já é qualificado na Europa, já é certificado pela Agência Espacial Europeia. O que a gente aproveita nessas campanhas para testar é a atualização de sistemas que são utilizados aqui no centro, e o próprio IAE desenvolve alguns experimentos. A gente está tentando andar com as próprias pernas, porque você sabe que os outros países não têm interesse nenhum que ingressemos nesse mercado para competir com eles, principalmente quando se trata de lançamento comercial. Queremos crescer, nos solidificar e conquistar nossos espaços.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 53ª – Dezembro de 2016

Comentário: Interessantíssima entrevista da nossa companheira jornalista Shirley Marciano do Jornal do SindCT com o agora ex-diretor do CLA, e a parabenizo pela iniciativa. Bom leitor, primeiramente devo dizer que o Cel. Olany se equivocou quando disse que os problemas do PEB são a falta de recursos financeiros e humanos adequados, pois na realidade estas são consequências, e não a razão de estamos nesta situação, mas entendo que o coronel devido a sua posição ficou impossibilitado de ser especifico e dizer a verdade a Sociedade, verdade esta que é simples e se traduz na falta de COMPROMISSO do governo com este importante e crucial programa para o futuro de nosso país. Esses vagabundos não estão interessados em construir nação nenhuma, e jamais apoiariam um programa que exige grandes recursos que podem ser melhor utilizados em seus programas populistas de merda, há não ser em alguns projetos pontuais onde seus interesses nefastos se cruzam, como é o caso do satélite Frankenstein SGDC. Entretanto, esta entrevista trás noticias interessantes e a que mais me chamou a atenção foi a que confirma o uso da Torre Móvel de Integração (TMI) do antigo VLS-1 para lançamentos dos novos foguetes de sondagem VS-43 e VS-50, isto é, se ambos saírem realmente do papel. Outra coisa que me chamou atenção foi à afirmação do Cel. Olany de que o CLBI só será usado agora para lançamentos de pequenos foguetes e também na atuação de atividades de rastreio, esta em parceria com o Centro de Lançamento de Kourou, na Guiana. Ora leitor, então como fica a intenção do COMAER de instalar no CLBI o projeto da "Plataforma Hipersônica de Lançamento Orbital (Projeto PhiLO)”??? Não seria esta uma plataforma de lançamento de porte médio??? O projeto passará então para o CLA??? E caso sim, como fica o projeto de transformar o estado do Rio Grande do Norte num centro de desenvolvimento de Propulsão Hipersônica??? Enfim....

Projeto Brasileiro Almeja Colocar Um Nanossatélite na Órbita da Lua em 2020

Olá leitor!

Segue abaixo mais uma interessante matéria sobre a fantástica Missão Garatéa-L, esta  postada na edição de dezembro do ”Jornal do SindCT“. Confira!

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

MISSÃO DE ASTROBIOLOGIA

Projeto Brasileiro Almeja Colocar Um
Nanossatélite na Órbita da Lua em 2020

Garatéa-L tem objetivo de estudar o comportamento de microorganismos e
células humanas no ambiente hostil do espaço profundo. “Nossa ambição é
grande”, diz Lucas Fonseca, diretor do projeto

Alexandre Bezerra
e Antonio Biondi
Jornal do SindCT
Edição nº 53
Dezembro de 2016

Sonda Garatéa II, lançada à estratosfera em 19/12/16

Colocar um satélite na órbita da Lua para realizar experimentos de observação do comportamento de microorganismos e células humanas no ambiente hostil do espaço profundo. É este o projeto Garatéa-L, que reúne cientistas de instituições de ponta do Brasil e pretende lançar em 2020 um nanossatélite, com cerca de 7,2 kg, para observar a reação de tecidos humanos e microorganismos que vivem em condições extremas na Terra — como as bactérias que habitam o interior de vulcões ou as profundezas dos oceanos — no ambiente espacial, com alta radiação solar e variações bruscas de temperatura e pressão.

“Vamos testar os limites da vida em ambiente hostil e a nossa ambição é grande, porque nenhum país da América Latina ou do Hemisfério Sul já realizou uma missão fora da órbita terrestre”, revela Lucas Fonseca, gerente espacial da empresa privada Airvantis e diretor do Garatéa-L. Engenheiro espacial, ele trabalhou na Agência Espacial Europeia e colaborou com a épica missão Rosetta, aquela que em 2014 realizou um inédito pouso suave em um cometa.

“Esse experimento de astrobiologia na Lua tem um ineditismo mundial e pode ajudar a responder perguntas sobre como a vida pode ter começado no universo; ou se a vida pode ter migrado e chegado na Terra de outro lugar; e, futuramente, pensarmos em viagens tripuladas interplanetárias, a partir de dados sobre como a vida pode suportar as condições extremas no espaço”, acrescenta. O nome da missão vem do tupi-guarani: “garatéa” significa “busca-vida”; o “L” foi inserido para indicar que se trata de uma missão lunar.

O projeto multidisciplinar conta com pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da USP de São Carlos, do Instituto Mauá de Tecnologia, dos Institutos de Química e de Oceanografia da USP, do Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Trata-se de uma missão de colaboração internacional, com a participação de duas empresas britânicas, além das agências espaciais Europeia (ESA) e do Reino Unido. O nanossatélite brasileiro será um de quatro experimentos que estarão na nave-mãe inglesa Pathfinder, que será lançada pelo foguete indiano PSLV-C11 da base de Sriharikota, na Índia. A viagem de 384 mil quilômetros deve durar cerca de uma semana, quando, então, o Garatéa-L será expelido da nave inglesa e ficará em sua própria órbita da Lua.

Todos os dados coletados pelo nanossatélite brasileiro serão transferidos para a Pathfinder, que enviará as informações à Terra, havendo a possibilidade de acessá-las de qualquer computador conectado na Internet. São seis meses de contrato entre a equipe brasileira e os ingleses da Goonhilly, empresa privada especializada na comunicação de missões espaciais do espaço profundo, para receber os dados coletados pelo nanossatélite. Passado esse período, os brasileiros poderão pagar por um pacote extra para ter acesso à comunicação por mais tempo.

Ações Educativas

O Garatéa-L não retornará à Terra e sua vida útil é estimada em dois anos após a chegada à Lua. A órbita escolhida para o nanossatélite fará com que ele decaia gradativamente até que se choque com o solo lunar e se despedace, não tendo mais utilidade.

Um dos objetivos centrais da missão de astrobiologia é difundir o interesse pela ciência entre estudantes. Para isso, estão sendo realizadas ações educativas junto a escolas e universidades, como os dois testes com balão estratosférico carregando experimentos de avaliação do potencial de sobrevivência de células e biomoléculas em condições extremas, acompanhados por estudantes.

O custo estimado do Garatéa-L é de R$ 35 milhões, valor baixo em comparação a missões espaciais com satélites convencionais. Os planos de financiamento estão em fase de conclusão: espera-se que dois terços do montante venham da iniciativa privada e um terço seja de recursos públicos. A estratégia de arrecadação inclui a venda de publicidade e dos direitos de uso do nome e da imagem da missão e o licenciamento da tecnologia que está sendo desenvolvida.

“Uma missão lunar com uma tecnologia de aplicação de exploração do espaço profundo, com o apoio da iniciativa privada e que tenha viés comercial e garanta o retorno do investimento, é só um primeiro passo para uma derivação de muitas outras atividades futuras”, prevê Fonseca. “O sucesso da Garatéa-L pode, sim, trazer uma nova perspectiva de realização de ciência no Brasil”, assegura.

Em 19 de dezembro, o Grupo Zenith, equipe de estudantes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP, que realiza trabalhos extracurriculares de engenharia aeroespacial, deu um passo importante rumo à concretização da primeira missão brasileira à Lua. Eles lançaram um balão estratosférico com colônias de microrganismos e moléculas a 30 Km de altitude. A essa distância do chão, a pressão atmosférica é um centésimo da encontrada ao nível do mar e a camada de ozônio é quase inexistente — condições semelhantes às encontradas na superfície de Marte. A sonda acoplada ao balão foi batizada de Garatéa II por ser o segundo voo a levar experimentos à estratosfera terrestre. “Trata-se de um marco importante no cronograma para o voo lunar, pois a cada um desses experimentos precursores aprendemos mais, e isso aumenta a nossa convicção do sucesso em 2020”, diz Fonseca.

Lucas Fonseca.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 53ª – Dezembro de 2016

SAAB Expande Parceria Com AKAER

Olá leitor

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (23/01) no site “Defesanet.com”, destacando que a empresa SAAB expandiu sua parceria com a empresa brasileira AKAER.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - Gripen NG Brazil - Aviação

SAAB Expande Parceria Com AKAER

DefesaNet.com
23 de Janeiro, 2017 - 15:00 ( Brasília )

Foto: Defesanet

A SAAB, empresa de defesa e segurança, adquiriu mais 10% das ações da AKAER, uma das maiores empresas brasileiras no desenvolvimento de projetos aeronáuticos, atingindo 25% de participação. Juntamente com a expansão da parceria SAAB-AKAER, a AKAER adquire os ativos da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da empresa brasileira de optrônicos Opto Eletrônica S.A.

A SAAB e a AKAER são parceiras desde 2008, quando a empresa brasileira foi contratada pela SAAB para desenvolver peças para a fuselagem do caça Gripen NG – mesmo antes que a SAAB fosse selecionada para as negociações para reequipar a Força Aérea Brasileira. O investimento da SAAB na AKAER começou em maio de 2012, quando a SAAB fez um empréstimo conversível em ações, com uma contribuição de recursos equivalente a 15% da AKAER.

A participação da SAAB na empresa foi ampliada para 25%, e a AKAER permanece independente, além de controlada e administrada pelo fundador e gestor brasileiro. Desde 2012, a SAAB faz parte do Conselho Consultivo da AKAER.

“Nossa parceria com a AKAER é de longo prazo e, por meio do intercâmbio de conhecimento, queremos ampliar nossa cooperação. A parceria traz benefícios mútuos e nos permite dar mais um passo no programa de transferência de tecnologia e no desenvolvimento da indústria de defesa brasileira. Viemos ao Brasil para ficar e isso também significa apoiar nossos parceiros”, diz Ulf Nilsson, chefe da área de negócios de Aeronáutica na SAAB.

A partir do investimento da SAAB na empresa, a AKAER adquiriu ativos da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da Opto Eletrônica S.A, que passa a se chamar OPTO Space & Defense. Com mais de 30 anos, a empresa brasileira de optrônicos obteve o status de Empresa Estratégica de Defesa (EED), em 2013.

O objetivo da AKAER é garantir que as tecnologias optrônicas desenvolvidas pela OPTO ao longo de décadas sejam mantidas sob o domínio de uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), para que possam ser utilizadas nos programas nacionais de espaço e defesa nos próximos anos.

Para garantir a continuidade destas capacidades, a OPTO Space & Defense, que estava em recuperação judicial, manterá todos os seus funcionários e operações no mesmo local, na cidade de São Carlos (SP), polo de optrônica no Brasil. Além disso, a AKAER ampliará o acesso desta divisão a mercados internacionais e desenvolverá produtos de aplicação dual, para que a mesma se mantenha sustentável financeiramente e para que possa expandir suas tecnologias.

“O investimento faz parte da nossa estratégia de crescimento e diversificação, e está alinhado com os interesses de defesa nacionais”, disse Cesar Augusto T. Andrade e Silva, presidente e CEO da AKAER.

“Fico muito contente com a demonstração de coragem e visão da Akaer, que soube enxergar o valor das tecnologias e capacidades desenvolvidas pela OPTO. Nossa equipe está ansiosa para dar início a esta nova fase junto à AKAER e à SAAB”, disse Mario Stefani, sócio e fundador da OPTO.



Comentário: Já vi essa novela e nos próximos anos ela vai acabar muito mal para o Brasil. É só esperar pra vê.

Painel Solar Supre Energia Para Satélites no Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo postado na edição de dezembro do ”Jornal do SindCT“ tendo como destaque a tecnologia dos painéis solares empregada em satélites, que, no Brasil, são fabricados pelas empresas Orbital Engenharia, Cenic e a Fibraforte.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

CÉLULAS FOTOVOLTAICAS SÃO A CHAVE

Painel Solar Supre Energia
Para Satélites no Espaço

A parte elétrica dos painéis do CBERS e Amazônia-1 é desenvolvida
pela Orbital, enquanto a estrutura cabe à Cenic e à Fibraforte.
As 3 são de São José dos Campos

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 53
Dezembro de 2016

Foto: INPE
Painel solar do CBERS aberto.

É possível que muitas pessoas já tenham ouvido falar da energia solar para uso geral, mas, sobretudo, para utilização nas residências. Na verdade, isso já é uma realidade em muitas moradias, por ser um tipo de energia mais barato do que a energia convencional. Porém, ainda não é tão acessível, devido ao alto custo de instalação das placas solares. Por ser uma energia limpa — portanto ambientalmente mais recomendável — talvez ela ainda se torne uma fonte importante de energia no país. Mas, por enquanto, ela está muito longe disso.

Porém, em um lugar onde as energias convencionais não estão disponíveis ou não chegam, a placa solar é fundamental para carregar as baterias e fazer um sistema altamente complexo funcionar. Estamos falando dos satélites.

Um satélite lançado ao espaço normalmente tem uma missão a cumprir além do próprio feito de chegar ao espaço e manter-se por lá. Por isso, geralmente possui dois módulos: um de serviço e um de carga útil, ambos formados por vários subsistemas que trabalham integrados. O Módulo de Carga Útil exerce funções relacionadas à finalidade do satélite. Se for um satélite imageador, por exemplo, as tarefas de fotografar a Terra e enviar os dados estarão vinculadas ao módulo de carga útil. Para isso, ele possui câmeras, transmissor de dados de imagem, repetidor do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais e monitor de ambiente espacial. Mas quem se encarrega da operação do satélite é o Módulo de Serviço.

Portanto, o Módulo de Serviço tem entre as suas funções assegurar o suprimento de energia, os controles, as telecomunicações de serviço, a supervisão e outras necessárias à operação do satélite. Os subsistemas que o compõem são: estrutura, controle térmico, controle de órbita e atitude, supervisão de bordo, telecomunicações de serviço e, claro, suprimento de energia. É onde se situa o Painel Solar, formado por células fotovoltaicas. Esse subsistema serve para fornecer energia ao satélite durante toda a sua vida útil no espaço, por meio da absorção dos raios solares. A célula fotovoltaica reage à incidência dos raios do Sol e libera elétrons que são transferidos para um circuito dentro de um painel solar, gerando assim energia elétrica para as baterias.

Uso Espacial

A geração de energia solar não é novidade, nem seu aproveitamento. Porém, o desafio tecnológico está em fazê-lo para uso espacial, que neste caso necessita funcionar em um ambiente hostil de frio e calor e ausência de gravidade, e que precisa suportar as trepidações no momento do lançamento.

Os painéis solares para os satélites da família CBERS foram desenvolvidos pela Orbital Engenharia, empresa sediada na cidade de São José dos Campos e que é a única no país a dominar essa tecnologia. Ela já acumula uma larga experiência no setor aeroespacial, com destaque para os painéis solares, que também foram encomendados para a Plataforma Multimissão (PMM) do satélite Amazônia-1. Os satélites CBERS e Amazônia são desenvolvidos e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A Orbital desenvolve toda a parte elétrica do painel solar, onde são coladas as células solares. O criador da empresa é o engenheiro Célio Vaz, que a concebeu em 2000, quando ele já acumulava uma experiência em quase duas décadas de trabalho como engenheiro da área de suprimento de energia e engenharia de sistemas de satélites do INPE. A estrutura do painel solar é produzida pelas empresas Cenic e Fibraforte, ambas também sediadas em São José dos Campos.

Histórico

* O efeito fotovoltaico foi demonstrado pela primeira vez em 1839 pelo físico francês Edmond Becquerel. Aos 19 anos, ele construiu a primeira célula fotovoltaica do mundo no laboratório de seu pai.

* Em 1883 Charles Fritts construiu a primeira célula fotovoltaica em estado sólido. Ele revestiu o semicondutor selênio com uma fina camada de ouro para formar as junções. A célula fotovoltaica de Charles tinha apenas 1% de eficiência.

* Em 1905 Albert Einstein propôs uma nova teoria quântica da luz e explicou o efeito fotoelétrico em uma de suas teses, pela qual recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1921.

* A primeira célula fotovoltaica comercial foi lançada em 25 de abril de 1954 nos Estados Unidos, pelos Laboratórios Bell. As células solares foram utilizadas pela primeira vez no satélite Vanguard em 1958, como uma fonte de energia alternativa.

* Em 1959 a NASA, agência espacial norte-americana, lançou o Explorer 6 com grandes painéis solares em forma de asa, os quais empregavam um total de 9.600 células fotovoltaicas. Isso se tornou uma característica padrão na maioria dos satélites e até hoje ainda é a principal fonte de energia utilizada no espaço.

* No início de 1990 a tecnologia utilizada nas células fotovoltaicas utilizadas no espaço mudou do tradicional silício cristalino para materiais semicondutores à base de arsenieto de gálio. Hoje, essas células fotovoltaicas evoluíram para a modernatecnologia de multijunção.

Foto: NASA
O precursor: Explorer-6.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 53ª – Dezembro de 2016

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Grupo Minerva Rockets da UFRJ Posta Nota de Agradecimento ao CEFAB e ao CEFEC

Olá leitor!

Dia 03/01 o emergente grupo de foguetes “Minerva Rockets” da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), postou em sua página oficial no Facebook uma interessante nota de agradecimento a dois grandes guerreiros do Espaçomodelismo Brasileiro que transcrevo abaixo para os nossos leitores.

“A equipe Minerva Rockets vem agradecer publicamente ao Sr Carlos Cassio Oliveira do CEFAB (Centro Experimental de Foguetes Aeroespaciais da Bahia) e ao Prof. José Felix de Santana do grupo CEFEC (Centro de Estudos de Foguetes Espaciais do Carpina).

Ambos pioneiros na área, vem ajudando o grupo com compartilhamento de materiais de estudos de foguetes.

Que 2017 seja um ano de muito avanço no setor aeroespacial basileiro!”

Sr. Carlos Cassio de Oliveira (CEFAB)

O Blog BRAZILIAN SPACE parabeniza aos integrantes do grupo Minerva Rockets pela iniciativa e não poderia aqui deixar de fazer esse registro em reconhecimento a esses dois grandes pioneiros do Espaçomodelismo do país.

Duda Falcão

O Foguete VSB-30 Foi Lançado Hoje Com Sucesso da Suécia

Olá leitor!

Informo aos nossos leitores que enquanto PEB se desintegra nos bastidores políticos de nossa obscura capital federal, o foguete brasileiro VSB-30 da “Operação MAUIS-1” foi lançado com sucesso no dia de hoje (23/01) na Suécia.

O experimento MAIUS-1 (Matter-Wave Interferometry in Microgravity) descrito pelos especialistas como um dos experimentos mais complexos jamais voados em um foguete de sondagem na história da Astronáutica Mundial, foi lançado abordo do VSB-30 as 03:h30 (CET - Central European Time)  do Centro Espacial de Esrange, perto de Kiruna, no norte da Suécia.

Nos próximos dias outro foguete VSB-30 deverá ser lançado para atender outra missão espacial europeia e em breve o Blog divulgará o relatório desta missão de hoje.

Duda Falcão

Brasil Assume de Vez Negociação Espacial Com Americanos

Olá leitor!

Segue abaixo outra interessante matéria postada hoje (23/01) no site do jornal “O Globo” tendo como destaque a negociação em curso do Brasil com os EUA para o uso comercial da Base de Alcântara pelo TIO SAM.

Duda Falcão

BRASIL

Brasil Assume de Vez Negociação
Espacial Com Americanos

Planalto já prepara minuta de proposta para que EUA usem
Centro de Lançamento de Alcântara

Por Eliane Oliveira, Gabriela Valente
e Roberto Maltchik
23/01/2017 - 4:30
Atualizado 23/01/2017 - 9:56

Divulgação/IAE/DCTA
Três décadas de atraso VLS-1, no Centro de Lançamento de Alcântara.
Missão começou em 1979, porém ainda não houve lançamento bem
sucedido Divulgação Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)/DCTA.

BRASÍLIA - Após o fracasso na parceria com os ucranianos para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, que causou prejuízo de pelo menos meio bilhão de reais ao Brasil, o Palácio do Planalto está pronto para negociar o uso da base com os Estados Unidos. A ideia é oferecer aos americanos acesso ao centro de lançamento, cobiçado por sua localização rente à Linha do Equador, que diminui o gasto de propelente em cada empreitada especial, para, em troca, utilizar equipamentos fabricados pelos potenciais parceiros.

O uso dos modernos sistemas espaciais dos Estados Unidos, jamais obtidos pela indústria nacional, porém, não significará transferência tecnológica ao setor privado brasileiro. Pelo contrário: para que a negociação avance, o Brasil terá que aprovar uma lei que indique de forma técnica e pormenorizada a proteção que será dada a todo componente tecnológico manipulado em solo brasileiro. O mesmo texto precisa ser avalizado pelo Congresso americano. Se parte das exigências dos EUA forem alteradas pelos parlamentares do Brasil, e as mesmas forem consideradas insatisfatórias pelos congressistas americanos, não tem negócio.

O tema sempre esbarra na proteção à soberania nacional, uma vez que setores do Centro de Lançamento de Alcântara poderiam ficar inacessíveis aos técnicos brasileiros justamente pela proteção à propriedade intelectual do país parceiro. Foi esta a argumentação, que provoca polêmica entre diferentes setores dentro e fora do governo, que impediu o avanço da primeira tentativa de acordo, costurada ainda no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

PROPOSTA ANTERIOR EMPERROU

À época, a proposta não avançou no Congresso Nacional. Os parlamentares consideravam o acordo desequilibrado e conflitante com as leis brasileiras. A maior crítica é que o governo dos EUA manteria controle sobre áreas segregadas em território brasileiro.

Agora, o país deve apresentar uma nova versão de Acordo de Salvaguardas Tecnológica ao Parlamento. O Ministério das Relações Exteriores avalia junto aos ministérios da Defesa. Ciência e Tecnologia e Agência Espacial Brasileira os termos que podem ser oferecidos aos americanos. A ideia é ser pragmático e propor um acordo que permita acelerar um acordo definitivo.

MANDEL NGAN / AFP
Donald Trump durante coletiva na CIA.

José Serra, ministro das Relações Exteriores, confirmou que oferecerá aos americanos um acordo. Segundo ele, esta é uma das primeiras providências nas relações com o novo presidente americano, Donald Trump.

— Vamos tomar a iniciativa de propor a reabertura de negociação em torno de vários acordos e tratados que não se concretizaram. Um deles se refere à base de Alcântara. O assunto foi muito debatido no passado e, agora, vamos tentar uma parceria — revelou José Serra.

O primeiro passo para que o diálogo avance foi dado com uma medida prática: o Planalto obteve vitória no Congresso para retirar da Casa o texto rejeitado há quase 15 anos. Como os Estados Unidos sempre foram resistentes à ideia de uma negociação que flexibilize o acesso de brasileiros aos locais sensíveis à proteção tecnológica, os diplomatas daqui devem entregar uma proposta sem tantas exigências. Assim, acreditam, o dispositivo de segurança nacional tem maior chance de não ser derrubado pelos parlamentares americanos.

Em dezembro, o plenário da Câmara de Deputados aprovou o fim da tramitação do texto antigo. Já neste mês, os ministério das Relações Exteriores e da Defesa começaram a elaboração de um novo acordo.

Em 2004, logo depois do incêndio nunca totalmente esclarecido que matou 21 técnicos e engenheiros que trabalhavam no lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) brasileiro, e, em 2012, quando o acordo com os ucranianos já dava os primeiros sinais de fracasso, o Brasil tentou retomar o acordo com os americanos. O Itamaraty fez as tratativas em absoluto sigilo, mas, em julho de 2013, entretanto, esse início de negociação foi suspenso.

As conversas estariam estavam avançadas, mas naufragaram por causa da redução no ritmo do diálogo bilateral entre o governo Dilma Rousseff e os americanos, depois da revelação que o serviço de inteligência dos Estados Unidos espionou o governo brasileiro.

— Há disposição para buscar soluções alternativas. A assunção de novo governo nos EUA poderia representar oportunidade para uma reavaliação do cenário, buscando-se ambiente de flexibilidade de lado a lado, em que novos entendimentos possam prosperar — contou um técnico do governo a par do assunto.

Sem citar nomes, José Serra criticou o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que optou por um acordo com a Ucrânia, para o lançamento de satélites da base de Alcântara, que ainda enfrenta obstáculos domésticos. O principal deles é a resistência das comunidades locais à expansão do centro de lançamento, hoje dentro do perímetro da base militar. O acordo com a Ucrânia foi rompido e ainda deixou um problema para o Brasil: como houve denúncia unilateral do tratado, ou seja, o Brasil optou sozinho por não prosseguir na empreitada com o país europeu, a Ucrânia pode — e já ameaçou fazer — exigir ressarcimento pelos prejuízos causados pela parceria mal sucedida.


Fonte: Site do Jornal o Globo - http://oglobo.globo.com

Comentário: Como disse em meu comentário anterior, temo muito pelo que possa acontecer com esta iniciativa devido às pessoas envolvidas, pois tá em jogo aqui o futuro do Programa Espacial Brasileiro. Isto é, se resta realmente ainda algum futuro para o PEB. E principalmente por está à frente nas negociações um nacionalista extremo e extremamente esperto como o Donald Trump. Aliando a isso a moral discutível e a incompetência deslavada desses vermes que nos representam, é bem provável que estejamos caminhando para um total e completo desastre, o xeque-mate nas nossas aspirações de se tornar uma potencia espacial. Entretanto, como o leitor Sr. Heisenberg disse com sapiência em seu comentário na matéria anterior, um acordo deste tipo com os americanos não é só necessário como desejável para o CLA, desde que seja elaborado por gente competente, comprometida e séria da Comunidade Espacial Brasileira, mas leitor é ai que esta o problema. Afinal, dificilmente essa comunidade será convidada para participar da elaboração desse acordo, já que não há seriedade e comprometimento em nenhum desses energúmenos, os interesses deles nesta história leitor são outros. Entretanto vale lembrar que só quem morre de véspera é PERU, e, portanto, vamos aguardar os acontecimentos e rezar, rezar muito, pois as perspectivas não são nada boas.