sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Aviões Farão Medidas Para Avaliar Impactos da Poluição no Regime de Chuvas da Amazônia

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (29/08) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que aviões farão medidas para avaliar os impactos da poluição no Regime de Chuvas da Amazônia.

Duda Falcão

Aviões Farão Medidas Para Avaliar
Impactos da Poluição no Regime
de Chuvas da Amazônia

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Durante o mês setembro, período de transição da estação seca para a chuvosa na Amazônia, dois aviões de pesquisa, um dos Estados Unidos e outro da Alemanha, farão voos diários para medidas da poluição urbana e de queimadas e de nuvens na região. Os sobrevoos fazem parte de uma campanha científica internacional, com o suporte de instrumentos em solo, com o objetivo de avaliar o impacto da poluição no ciclo de vida de nuvens, na formação de nuvens de tempestades, no balanço da radiação e no clima da região amazônica. Os aviões farão medidas nos arredores de Manaus e a aeronave alemã percorrerá regiões do Arco do Desflorestamento, próximas, por exemplo, a Porto Velho (RO) e Alta Floresta (MT).

Diversas instituições científicas brasileiras e estrangeiras - Agência Espacial Brasileira (AEB), Agência Espacial da Alemanha (DLR), Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Max Planck e Universidade de Leipzig - e agências de fomento e apoio à pesquisa – FAPESP e FAPEAM – participam e apoiam esta grande campanha científica, reunindo centenas de pesquisadores e pessoal técnico. Além dos aviões, diversos instrumentos em solo, instalados nos arredores de Manaus, farão medidas combinadas para compor um grande banco de dados que já vem sendo compartilhado entre as instituições participantes.

A primeira campanha intensiva de medidas, o IARA (Intensive Airborne Experiment in Amazonia), que integra o Programa GoAmazon, foi realizada no início do ano, com a participação do avião Gulfstream-1 (G-1), do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Nesta segunda campanha, que se inicia na próxima semana, o G-1 volta a campo, em voos combinados, em diferentes altitudes, com os do avião alemão HALO (High Altitude and Long Range Aircraft), que chega a voar a 15 quilômetros de altitude. Os voos das aeronaves irão ocorrer em diferentes situações: céu limpo, com plumas de fumaça e diferentes tipos de nuvens.A aeronave alemã também fará voos de longa distância, cobrindo regiões do Arco do Desflorestamento, com o objetivo de estudar o impacto de áreas de desflorestamento e das queimadas na dinâmica das nuvens.

Os sobrevoos do HALO estão direcionados aos objetivos de pesquisa do projeto ACRIDICON (Aerosol, Cloud, Precipitation, and Radiation Interactions and Dynamics of Convective Cloud Systems), que vem fazendo parceria com o projeto brasileiro CHUVA, coordenado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE e financiado pela FAPESP. Segundo Luiz Augusto Machado, coordenador do CHUVA, e também responsável pelo ACRIDICON, pela parte brasileira, depois do processamento dos dados obtidos em campanha, será possível avaliar os efeitos de partículas e de aerossóis, originados das queimadas e da poluição urbana, nas propriedades microfísicas, químicas e radiativas das nuvens de tempo bom e de tempestades.

Pretende-se compreender com maior profundidade como os aerossóis orgânicos e aqueles gerados a partir da poluição urbana, associados aos fluxos de superfície, influenciam os ciclos de vida de nuvens de chuvas convectivas (intensas e localizadas) e estratiformes (menos intensas e de maior extensão), características da região amazônica. Sabe-se que os aerossóis têm papel central nos processos de nucleação de nuvens e na precipitação. Segundo Machado, os dados extraídos da campanha científica vão permitir compreender como se dão as interações destas partículas com outros componentes atmosféricos e quais são as implicações de seu aumento na atmosfera amazônica.

A expectativa é de que a melhor representação destes processos químicos e físicos na atmosfera possam trazer avanços à modelagem do clima regional e de cenários globais de mudanças climáticas. Também deverá ser possível avaliar com maior precisão como os processos de ocupação, urbanização, associados ao desmatamento e queimadas na região, podem impactar o regime de chuvas da Amazônia.

Projeto CHUVA

Coordenado pelo INPE, o projeto CHUVA iniciou em 2009 para estudar os diferentes regimes de chuva do país, contando com uma série de instrumentos para medidas atmosféricas, entre eles, um radar de alta resolução para medir dados do interior das nuvens. Um sistema de monitoramento e previsão de chuvas operou em todas as regiões que o projeto foi realizado. Nesta edição na Amazônia, o SOS Chuva Manaus também será utilizado na logística das operações aéreas, como já ocorreu no início do ano durante a campanha do IARA, pelo GoAmazon. O sistema de monitoramento pode ser acessado e consultado livremente por qualquer usuário no site http://sigma.cptec.inpe.br/sosmanaus/.



Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

AEB Instala o Primeiro CVT Espacial em Natal (RN)

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (28/08) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) informando que a agência instalou o primeiro CVT Espacial em Natal (RN).

Duda Falcão

AEB Instala o Primeiro CVT
Espacial em Natal (RN)

Coordenação de Comunicação Social (CCS-AEB)

Foto: CLA

Natal (RN), 29 de agosto de 2014 – O primeiro Centro Vocacional Tecnológico (CVT) voltado para o segmento espacial, o CVT Espacial, será instalado na área do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN).

A informação foi dada pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo, aos integrantes do Conselho Superior da instituição, na 68ª Reunião Ordinária do colegiado, realizada nesta quinta-feira (28) no CLBI.

Segundo o dirigente, o projeto está recebendo os últimos ajustes e já tem o aval do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), parceiro na iniciativa. Um dos objetivos do Centro é contribuir para que as ações de capacitação de monitores feitas pelo programa AEB Escola deixem de ser eventos realizados ao longo do ano e passem a ser atividades do programa.

O presidente disse também que além de um local para formação de recursos humanos, o CVT Espacial contribuirá para que a sociedade local passe a ter outro olhar sobre as atividades espaciais do país e amplie sua visão sobre as necessidades que o país tem de dominar cada vez mais as tecnologias do setor.

CBERS – No encontro Braga Coelho também informou que o quinto exemplar do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS-4, está entrando na etapa final de testes na China e segue em outubro próximo para a base de Taiyuan de onde deve ser lançado em 7 de dezembro.

Também foi apresentado um relatório sobre o estágio das doze parcerias internacionais firmadas pela AEB, destacando as negociações acertadas com o Japão para o lançamento de satélites de pequeno porte a partir da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Os integrantes do Conselho ainda foram informados pelo Major Brigadeiro da Força Aérea Brasileira, Wander Almodovar, sobre os aspectos técnicos que envolvem o lançamento do foguete VS-30, que se realiza hoje (29) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e que será acompanhado pelos conselheiros.

De acordo com ele, pela primeira vez será testado no país um foguete com motor a propulsão líquida. Para ele, o evento é de grande importância, “pois demonstra que o Brasil domina mais uma etapa da competitiva tecnologia espacial”. O Major Brigadeiro destacou ainda que o sucesso do lançamento também será significativo para as indústrias do setor aeroespacial do país, tanto em termos de mercado, quanto da formação de recursos humanos qualificados, uma vez que o motor em teste é totalmente nacional.


Fonte: Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Bom leitor, não estou aqui para fazer oposição sistemática a nossa Agência Espacial de Brinquedo (AEB), mesmo reconhecendo que em sua direção está uma pessoa despreparada e mais comprometida com o seu emprego e com os desmandos e a propaganda enganosa do atual governo, de que com o compromisso que deveria ter com o setor que representa. Diante disto não posso deixar de reconhecer que essa ideia do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) realmente parece ser muito positiva. Isto é, se for conduzida com seriedade, competência e comprometimento de todos os players envolvidos. Agora, quanto às promessas feitas pelo Sr. José Raimundo e apresentadas na nota acima sobre o que acontecerá ainda esse ano no PEB, ainda teremos de aguardar, pois a experiência demonstra que este senhor não merece nenhuma credibilidade. 

FTB Lançado Com Sucesso do CLBI no Dia de Ontem

No dia ontem (28/8), foi lançado com sucesso um Foguete de Treinamento Básico (FTB) do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. O foguete atingiu 32 quilômetros de altura e, conforme previsto, caiu a 16,3 da costa.


Cerca de 100 profissionais participaram diretamente desta missão que foi batizada de “Operação Barreira 10”, e que teve como objetivo treinar as equipes de lançamento e de rastreio do CLBI

Vale lembrar que este foguete FTB foi até agora o ‘vigésimo oitavo’ a ser lançado do território brasileiro, sendo um dos foguetes utilizados tanto no CLBI quanto no CLA para atender os lançamentos do Projeto FOGTREIN (Foguete de Treinamento). Além disso, o FTB faz parte de uma família de foguetes de treinamento desenvolvida pela empresa AVIBRÁS, composta também pelo foguete FTI (Foguete de Treinamento Intermediário) e pelo futuro foguete FTA (Foguete de Treinamento Avançado), este ainda em fase de desenvolvimento.

Duda Falcão 

Triturador de Moléculas

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na edição de agosto de 2014 da “Revista Pesquisa FAPESP” destacando que os “Raios Cósmicos” desintegram ácido fórmico, candidato a precursor de compostos biológicos.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Triturador de Moléculas

Raios cósmicos desintegram ácido fórmico, candidato
a precursor de compostos biológicos

MARIA GUIMARÃES
Revista Pesquisa FAPESP
Edição 222 - Agosto de 2014

© ABIURO
Abundante nas regiões do espaço onde se formam as estrelas, em cometas e em corpos celestes pequenos no sistema solar, o ácido fórmico é considerado um possível precursor de moléculas essenciais à vida. Físicos e biólogos acreditam que, quando interage com fontes de nitrogênio, como a molécula de amônia, ele possa contribuir para formar a glicina – o mais simples dos aminoácidos e um dos blocos químicos que compõem as proteínas, encontradas em todos os seres vivos. Mas ninguém sabe ao certo se a molécula de ácido fórmico sobreviveria no espaço o suficiente para se combinar com fontes de nitrogênio e formar aminoácidos. Se estiver desprotegida, parece que não: um estudo realizado por pesquisadores brasileiros em parceria com franceses e publicado neste ano na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society indica que o ácido fórmico não resiste à ação direta dos raios cósmicos. Em testes que simularam as condições encontradas no espaço, o ácido fórmico foi degradado em água (H2O), monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2). Mais importante do que a ausência de moléculas maiores, o experimento indica que nessas condições ele não subsiste para participar de reações com outras substâncias.

O astrofísico Alexandre Bergantini, pesquisador da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) e autor principal do artigo, conta que o estudo simulou o que aconteceria se raios cósmicos bombardeassem, durante 2 milhões de anos e na presença de água, essas pequenas moléculas pousadas sobre grãos de poeira de até 1 micrômetro, “menor do que o menor grão de poeira encontrado na Terra”, explica o pesquisador. No experimento realizado no Grande Acelerador Nacional de Íons Pesados (Ganil) da cidade de Caen, na França, Bergantini inseriu amostras de ácido fórmico com água em uma câmara de aço inoxidável – em que um equipamento especializado suga todo o ar num processo que pode demorar até uma semana para criar um ultravácuo em baixíssimas temperaturas, cerca de -260 graus Celsius (°C) – e as bombardeou com íons pesados como os de níquel, que viajam o Universo inteiro a altíssimas velocidades, simulando a ação dos raios cósmicos. “Poucos aceleradores de partículas trabalham com íons tão pesados”, explica Bergantini justificando a parceria formada para o estudo. No Brasil, não teria sido possível realizar os experimentos.

O trabalho do grupo da UNIVAP é um descendente do famoso experimento realizado pelos norte-americanos Stanley Miller e Harold Urey na década de 1950. Num aparato vedado, eles submeteram água, metano, amônia e hidrogênio a descargas elétricas e ao longo de dias viram o líquido mudar de cor e verificaram o surgimento de aminoácidos, como a glicina, entre outros compostos orgânicos. Ao mostrar que moléculas que compõem a vida surgem de substâncias inorgânicas em condições extremas, o experimento deu origem a um campo de pesquisa que hoje dispõe de recursos de uma precisão provavelmente inimaginável para Miller e Urey, que punham os elementos em quantidade indeterminada e observavam, em parte a olho nu, o que acontecia. “Nossos experimentos são feitos com uma ou duas moléculas, em escala nanométrica, com dosagem de radiação precisamente medida e controlada”, explica Bergantini. Em seguida às reações, a espectrometria permite detectar exatamente quais moléculas surgiram e em que quantidade.

Nessa busca por detalhar a possível trajetória do ácido fórmico no espaço, os brasileiros obtiveram resultados de certa maneira surpreendentes. “Achamos que a água fosse servir como escudo, mas ela na verdade ajudou a destruir o ácido fórmico”, conta Bergantini. E essa deve ser a situação mais comum, já que a água está disseminada pelo espaço. Mas pode não ser tão fácil assim degradar as moléculas de ácido fórmico. É que nas nuvens onde é encontrado em maior abundância, o ácido fórmico pode estar mais protegido pela matéria que existe ali e não ser destruído tão prontamente – o que lhe daria mais tempo para reagir com compostos contendo nitrogênio e gerar moléculas bióticas.

Laboratório Espacial

Para entender como a evolução química do Universo acontece e dá origem à vida, o astrônomo Sergio Pilling, orientador de doutorado de Bergantini, montou no último ano o Laboratório de Astroquímica e Astrobiologia (LASA) na UNIVAP, em grande parte com financiamento da FAPESP no âmbito do programa Jovens Pesquisadores. “Podemos simular simultaneamente os efeitos dos fótons de ultravioleta e dos elétrons do vento solar, reproduzindo de forma mais verossímil alguns fenômenos espaciais”, conta Pilling. “É possível ainda atingir temperaturas de -263 °C e simular o efeito da radiação espacial em amostras de interesse aeroespacial e aeronáutico.” O laboratório também é mantido com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da própria UNIVAP.

Outros estudos feitos no laboratório recém-instalado em São José dos Campos vêm mostrando resultados diferentes quando ácido fórmico e ácido acético são expostos a luz ultravioleta e raios X, simulando a energia emitida pelo Sol e por outras fontes. “Estamos vendo a formação de outras moléculas além das mais óbvias como CO2”, adianta Bergantini sobre os resultados ainda preliminares.

A Agência Espacial Norte-americana (NASA) anunciou recentemente que nos próximos 20 anos pretende confirmar se há vida no Universo além da terrestre. Pilling concorda com a estimativa. “Acredito que a humanidade está muito perto desse tipo de achado”, diz. Por meio das simulações feitas no LASA, ele pretende contribuir para essa busca, feita também a partir da análise de amostras coletadas por sondas espaciais que têm pousado em corpos celestes ou de material coletado de meteoritos que caem na Terra e também por meio de sinais detectados por radiotelescópios. “Nossas pesquisas procuram acrescentar pistas sobre a formação e a origem da vida, uma vez que simulamos ambientes espaciais onde ocorre a formação de moléculas pré-bióticas como aminoácidos e bases nitrogenadas essenciais para a vida como conhecemos.”

Projeto

Síntese e degradação de espécies moleculares pré-bióticas em atmosferas planetárias, cometas e gelos interestelares simulados (nº 09/18304-0); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Sergio Pilling (UNIVAP); Investimento R$ 459.004,82 (FAPESP).

Artigo científico

BERGANTINI, A. et al. Processing of formic acid-containing ice by heavy and energetic cosmic ray analogues. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. v. 437, n. 3, p. 2.720-27. 21 jan. 2014.


Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - Edição 222 – Agosto de 2014 

Gravidade Zero

Olá leitor!

Segue abaixo um interessantíssimo artigo publicado na edição de agosto de 2014 da “Revista Pesquisa FAPESP” tendo como destaque as missões espaciais que estavam previstas para serem realizadas pelo Brasil no ano de 2014.

Duda Falcão

TECNOLOGIA

Gravidade Zero

Etanol e oxigênio líquido compõem combustível
de foguete suborbital desenvolvido no Brasil

YURI VASCONCELOS
Revista Pesquisa FAPESP
Edição 222 - Agosto de 2014

© LÉO RAMOS
Foguete suborbital VSB-30.

A expectativa é alta nas instalações do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), braço de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), localizado em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O órgão, vinculado ao Ministério da Defesa, planeja lançar no segundo semestre deste ano quatro foguetes suborbitais, que ultrapassam 100 quilômetros de altitude num voo em forma de parábola e propiciam ambiente de microgravidade. O primeiro a ir ao espaço, o veículo de sondagem VS-30, terá como carga útil o chamado Estágio Propulsivo de Foguete a Propelente Líquido (EPL), um conjunto composto pelo primeiro motor-foguete produzido no país a empregar combustível líquido e seu respectivo sistema de alimentação. Esses dois equipamentos, de elevado conteúdo tecnológico, são essenciais para que o país avance no domínio da tão almejada tecnologia de veículos lançadores de satélite. O combustível líquido a ser testado no foguete brasileiro apresenta um aspecto inovador: é formado por uma mistura de etanol feito a partir da cana-de-açúcar e oxigênio líquido, o que inclui o Brasil entre as nações que contribuem para a inovação tecnológica sustentável no setor aeroespacial.

A campanha de lançamento do VS-30/EPL, batizada de Operação Raposa, está prevista para começar em 12 de agosto no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), situado a 30 quilômetros de São Luís, a capital maranhense. Se tudo ocorrer como programado, o foguete deverá ser lançado ao espaço depois de três semanas, no início de setembro. Além dele, o IAE planeja lançar ainda este ano o veículo suborbital VS-40M. Esse foguete, projetado no início dos anos 1990, lançará no espaço o Satélite de Reentrada Atmosférica (Sara), que abrigará uma série de experimentos em microgravidade. Nessa condição, é possível realizar vários tipos de experimentos científicos destinados, por exemplo, a conhecer melhor a estrutura de proteínas para criar novos medicamentos. Com a ausência de gravidade, os cristais de proteínas ficam maiores porque na Terra o crescimento deles é limitado. Conhecendo melhor a estrutura das proteínas que fazem parte de um parasita é possível desenvolver fármacos mais eficazes contra várias doenças. Na microeletrônica, a microgravidade propicia o preparo mais fácil do silício ultrapuro para estudos de semicondutores.

© LÉO RAMOS
Foguete sonda IV, em São José dos Campos.

O último lançamento, previsto para o segundo semestre, do qual estão sendo preparados dois foguetes, é do tipo VSB-30, um bem-sucedido veículo suborbital construído em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (Deutsche Zentrum für Luft- und Raumfahrt, ou DLR, na sigla em alemão). Dotado de dois propulsores, o VSB-30 fez seu voo inaugural há 10 anos, em outubro de 2004. Desde então já foram lançados com sucesso 14 foguetes.

Grupo Seleto

“O Brasil tem um programa consistente de desenvolvimento de foguetes suborbitais. Esses veículos espaciais de baixo custo são ideais para a realização de pesquisas científicas da atmosfera e da ionosfera e para o estudo de novos materiais e de processos em ambientes de microgravidade”, afirma o pesquisador e chefe da subdiretoria de espaço do IAE, coronel Avandelino Santana Júnior. “Esses foguetes também ajudam na formação de recursos humanos para a área espacial e têm se mostrado o objeto ideal para a manutenção de programas de cooperação com instituições estrangeiras de pesquisa desse setor.” Desde o início de suas atividades, no fim dos anos 1960, quando ainda era chamado de Instituto de Atividades Espaciais, o IAE já desenvolveu sete diferentes modelos de foguetes suborbitais: Sonda II, Sonda III, Sonda IV, VS-40, VS-30, VS-30/Orion e VSB-30. Esse feito insere o país no seleto grupo de nações que dominam a tecnologia de fabricação desses veículos, ao lado de Estados Unidos, França, China e Inglaterra. O emprego de um propelente líquido à base de etanol (ou álcool etílico) para mover os seus motores é, segundo Santana Júnior, mais um avanço na área. “Até onde temos conhecimento, é inédito o uso de etanol como combustível líquido em veículos desse gênero.”

O desenvolvimento do Motor L5, movido a etanol e oxigênio líquido (LOX), é fruto de um programa de pesquisa em propulsão líquida iniciado no IAE há cerca de 15 anos. Seu objetivo final é movimentar foguetes orbitais, empregados para colocar satélites no espaço, com um combustível líquido mais seguro do que o propelente à base de hidrazina, um líquido corrosivo e tóxico, que precisa ser importado. O etanol e o oxigênio líquido, por sua vez, são menos agressivos ao ambiente, mais fáceis de manusear e emitem baixo nível de fuligem. O L5 foi concebido e projetado pelo IAE com recursos da Agência Espacial Brasileira (AEB), enquanto o sistema de alimentação do motor-foguete (Samf) foi desenvolvido pela Orbital Engenharia, empresa de São José dos Campos, e viabilizado por meio de recursos públicos de aproximadamente R$ 2 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Um passo importante rumo ao lançamento do Estágio Propulsivo de Foguete a Propelente Líquido (EPL) foi dado em dezembro de 2013. Os engenheiros do IAE e da Orbital realizaram com êxito um teste em solo do modelo de voo desse estágio. Na ocasião, verificou-se que todos os componentes do sistema funcionaram conforme esperado. O ensaio consistiu da queima em um banco de prova do motor L5 integrado ao sistema de alimentação, equipamento responsável por armazenar e injetar a mistura de etanol e oxigênio líquido no motor.


Depois do sucesso do ensaio em solo, o conjunto de propulsão líquida precisa ser testado numa operação real de voo – e esse é o objetivo da Operação Raposa. No lançamento programado para o início de setembro, o VS-30/EPL irá decolar movido por um estágio propulsor dotado de combustível sólido. Vinte e quatro segundos depois do lançamento, esse motor se desprenderá da carga útil – no caso, o EPL, que sofrerá ignição. O motor L5 converterá a energia química contida no combustível armazenado nos tanques – etanol e oxigênio líquido – em uma força propulsora para gerar um impulso de cinco quilonewtons, energia suficiente para empurrar um bloco de cinco toneladas.

Movida pelo propelente líquido, a carga útil descreverá uma trajetória parabólica, própria dos foguetes suborbitais, até cair no mar. A missão será considerada exitosa se tanto o sistema de alimentação do motor-foguete quanto o motor L5 funcionarem perfeitamente em voo. “Estamos confiantes de que o lançamento será um sucesso”, diz o engenheiro do IAE Eduardo Dore Roda, gerente das linhas de foguetes VS-30 e VSB-30. “O propelente líquido permite uma queima controlada, o que é ideal para foguetes lançadores de satélites. O último estágio desses veículos normalmente utiliza propulsão líquida, que permite controlar a inserção do foguete em órbita”, diz ele. Segundo Roda, o domínio dessa tecnologia em motor-foguete de pequeno porte, como o VS-30, é um estágio significativo na direção do desenvolvimento de motores maiores. Os foguetes orbitais completam pelo menos uma trajetória inteira ao redor da Terra em altitude acima de 100 quilômetros.

O sucesso da linha de foguetes suborbitais do IAE tem extrapolado as fronteiras do país. Das 14 missões já realizadas com o modelo VSB-30, 11 partiram do Centro de Lançamento de Esrange, situado a 200 quilômetros do Círculo Polar Ártico, próximo à cidade de Kiruna, na Suécia – as outras três missões partiram de Alcântara, no Maranhão. O projeto desses veículos nasceu no início dos anos 2000. “Eles foram fabricados em conjunto com o Centro Aeroespacial Alemão para atender a uma demanda do Programa Microgravidade da Agência Espacial Europeia (ESA). Até aquela época, o DLR utilizava foguetes britânicos Skylark para enviar seus experimentos ao espaço, mas a produção do veículo seria descontinuada e os alemães precisavam de um veículo que o substituísse”, revela o engenheiro Eduardo Roda. O VSB-30 foi projetado para levar uma carga útil de 400 quilos a 260 quilômetros de altitude, com tempo de microgravidade superior a seis minutos. O voo dos foguetes suborbitais é de curta duração e durante alguns minutos ele se encontra em condição de microgravidade. Nesse breve período, uma série de experimentos científicos pode ser executada.

© SWEDISH SPACE CORPORATION (SSC)
Lançamento do VSB-30 V14 em novembro de 2011,
no campo de Esrange, na Suécia.

Até o momento, as agências espaciais do Brasil, Suécia, Noruega e Alemanha, além da própria ESA, já fizeram lançamentos com o VSB-30. Mais dois veículos serão lançados em outubro e novembro deste ano a partir do Centro de Lançamento de Andoya, na Noruega, e um terceiro deverá ser lançado do Brasil em 2015, no âmbito do Programa de Microgravidade da Agência Espacial Brasileira. “O foguete de sondagem é uma alternativa barata para a realização de experimentos científicos em ambiente de microgravidade. E o VSB-30, um veículo suborbital com dois estágios a propulsão sólida, é um foguete muito bem-sucedido”, afirma.

A cooperação entre o IAE e o DLR alemão remonta a 1969, quando o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, foi usado para o lançamento de experimentos científicos do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, da Alemanha. A cooperação se fortaleceu nos anos seguintes e redundou na construção do VSB-30, produzido integralmente no IAE e com 70% de seus componentes fornecidos por parceiros comerciais brasileiros. “O acordo entre o IAE e o DLR para o desenvolvimento comum de um foguete de sondagem de dois estágios com base no motor S30 já existente no Brasil surgiu em 2000. Quatro anos depois, em 23 de outubro de 2004, o VSB-30 concluiu com sucesso o seu voo de qualificação”, relembra o coronel Avandelino Santana Júnior.

Há dois anos, o DLR empregou em suas missões outro foguete suborbital nacional, o VS-40M, mais potente do que o VSB-30. Dotado de dois estágios propulsivos e capaz de transportar uma carga útil de 500 quilos a 640 quilômetros de altitude, o VS-40M levou ao espaço o experimento hipersônico alemão de reentrada atmosférica Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment). Esses experimentos avaliam, entre outros objetivos, o comportamento de materiais usados na construção de veículos espaciais tripulados quando submetidos às severas condições de reentrada na atmosfera terrestre.

© THILO KRANZ (DLR)
Lançamento do VSB-30 V16 em abril de 2012,
do campo de Esrange, na Suécia.

Sistema Inercial

A reentrada é também um dos objetivos do Sara, fabricado no IAE e que será lançado do Centro da Barreira do Inferno em novembro deste ano, a bordo do VS-40M, na Operação São Lourenço. O satélite é uma plataforma espacial para experimentos em ambiente de microgravidade, destinado a operar a 300 quilômetros de altitude por, no máximo, 10 dias. Depois desse período, o Sara fará sua reentrada na atmosfera e cairá no oceano Atlântico, de onde será recuperado para avaliação dos experimentos levados ao espaço. “Entre os vários experimentos a bordo do Sara, vale destacar o teste de um sistema inercial, que, no futuro, deverá equipar o VLS-1”, afirma o engenheiro Nelson Snellaert Tavares, gerente do projeto do VS-40M. Esses sistemas de orientação são responsáveis pelo guiamento do veículo.

Equipado com dois propulsores com propelente sólido, o VS-40 fez seu voo inaugural em 1993. Ele foi concebido com o propósito de testar em voo o funcionamento, no vácuo, do motor S44, similar ao quarto e último estágio do VLS-1 – o outro propulsor do VS-40, batizado de S40, equivale ao terceiro estágio do VLS-1. Cinco anos depois, uma segunda unidade do foguete foi lançada de Alcântara. Devido ao bom desempenho desses dois voos, o IAE concluiu que o veículo poderia ser aplicado para experimentos em ambiente de microgravidade e ser mais um dentre os foguetes de sondagem desenvolvidos pelo órgão. “Em 2008, o DLR mostrou interesse pelo foguete. Apesar de naquela época o VS-40 já ser um veículo muito confiável, fizemos modificações e melhoramos sua segurança de operação, de montagem e de integração. Daí, ele passou a ser denominado VS-40M, uma versão modificada da original”, diz Tavares.

A missão inaugural do VS-40M aconteceu em 22 de junho de 2012, quando foi lançado do Centro de Lançamento de Andoya, na Noruega, levando a bordo o experimento Shefex II, avaliado em € 7 milhões. “A missão atingiu plenamente os seus objetivos”, diz o gerente do projeto VS-40M. Segundo o engenheiro Nelson Tavares, os alemães já demonstraram interesse em adquirir um novo foguete e o IAE também foi sondado por uma empresa internacional do setor aeroespacial interessada em uma unidade do veículo. “Já estamos pensando em melhorias e otimizações futuras a fim de tornar o VS-40M ainda mais competitivo do ponto de vista comercial para órgãos e empresas que necessitem de vetores para voos suborbitais e em ambiente de microgravidade”, diz ele.



Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - Edição 222 – Agosto de 2014

Comentário: Pois é leitor, apesar do artigo ser interessante e trazer informações que talvez alguns de nossos leitores desconheçam, não é preciso ser um entendido no assunto para perceber que em relação às missões citadas o artigo está completamente fora de órbita. No entanto, vale dizer que esse era mesmo o cronograma de missões suborbitais que estavam previstas pelo IAE para serem realizadas no ano de 2014, além é claro das operações de voo simulado e do teste de voo tecnológico, ambos do Projeto do VLS-1. Assim se levarmos em conta que esse artigo tenha sido escrito por volta de maio/junho e só publicado agora, podemos inocentar o autor do artigo. Na realidade leitor quem tem uma presidentA como DILMA ROUSSEFF não precisa de inimigos e portanto o resultado não poderia ser outro. Representante exemplar do populismo exacerbado e da estupidez administrativa de uma classe corrupta e sem qualquer credibilidade perante aqueles mais esclarecidos (infelizmente minoria da minoria), essa senhora desde que assumiu o governo só fez boicotar com seus cortes no orçamento, ano após ano, toda a programação das instituições envolvidas com o Programa Espacial Brasileiro, além de apoiar o desastroso acordo espacial com a Ucrânia. Não é por acaso que de seis em seis meses o IAE e as instituições envolvidas com os lançamentos são obrigados a se reunirem (normalmente no CLA) para reprogramar as missões previstas, situação esta que ocorreu por diversas vezes durante o período de governo dessa senhora (erva daninha) que infelizmente está no poder de nossa pátria. Diante disto, das missões citadas, a única que realmente irá acontecer em 2014 (no final da tarde de hoje) é a “Operação Raposa”, e mesmo assim não da forma como estava inicialmente prevista pelo IAE e pela Orbital Engenharia, como já abordado por mim em um de meus comentários no dia de ontem. Vale também esclarecer que as duas outras missões (além da missão do SARA) citadas neste artigo (as do foguete VSB-30) são referentes às missões previstas pelo 4º AO (Anuncio de Oportunidade) do Programa Microgravidade da AEB, que na realidade inicialmente tinham previsão de lançamento para julho de 2014 (1ª Chamada) e julho de 2015 (2ª Chamada), tendo inclusive este anuncio também previsto o lançamento de um terceiro VSB-30, este para maio de 2016 (3ª Chamada). Enfim leitor, com os governos que temos e com a mentalidade política vigente, a única coisa certa no PEB é que não há nada certo.

Em Busca de Galáxias Muito, Muito Distantes

Olá leitor!

Segue abaixo uma pequena e interessante entrevista com a astrônoma brasileira da NASA, Duília Fernandes de Mello, publicada no site da revista “GALILEU” no dia (26/08).

Duda Falcão

Em Busca de Galáxias Muito, Muito Distantes

A pesquisadora da NASA Duília Fernandes de Mello, eleita a profissional
brasileira da área de ciências que mais de destacou em 2013, diz que
gostaria de saber ser existe mesmo vida inteligente em outros planetas

POR ANDRÉ BERNARDO
26/08/2014 - 18H08
ATUALIZADO 18H08

(Foto: Tommy Wiklind, Reprodução)
Espaço, só de longe: "Nunca quis ser astronauta.
Não gostaria de ficar confinada" 

Médica? Não. Bailarina, nem pensar. Sempre que alguém perguntava à jovem Duília Fernandes de Mello o que ela queria ser quando crescesse, a resposta estava na ponta da língua: astrônoma. O interesse veio da curiosidade sobre como as sondas espaciais conseguiam fotografar planetas distantes e como aquelas fotos iam parar nos jornais e revistas da Terra apenas alguns dias depois. “Quando minha mãe soube disso, me levou ao Observatório da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi lá que eu me apaixonei ainda mais pela Astronomia e decidi que era isso que queria para minha vida”, conta. Aos 50 anos, Duília acaba de ganhar o Prêmio Diáspora Brasil, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores aos cientistas brasileiros que mais se destacaram no exterior. Hoje, ela dá expediente em um dos centros de estudo mais importantes da Nasa, o Goddard Space Flight Center (GSFC), em Maryland. Lá, a sua função é, quem diria, analisar as fotos tiradas pelo telescópio Hubble.

P: Por que o número de mulheres na ciência ainda é tão reduzido?

O número de mulheres cientistas é baixo em todo o mundo. No Brasil, é até razoável; melhor do que nos países do Norte, como Alemanha, Inglaterra e Suécia. O único jeito de mudar isso é mostrando para meninas e meninos que mulheres também fazem ciência. O número de mulheres na NASA é baixo, mas, na faixa etária mais jovem, vem crescendo. A NASA tem um programa que se propõe a incentivar o equilíbrio de gênero e diversidade.

P: O que significou ver seu talento reconhecido pelo seu próprio país com o Prêmio Diáspora Brasil?

Fiquei muito honrada e aproveitei para agradecer ao Brasil pelo investimento feito na minha carreira desde a graduação até o doutorado. Sempre procurei retornar esse investimento. O projeto “Mulher das Estrelas”, por exemplo, é fruto disso. Nasceu como um fã-clube que três meninos brasileiros fundaram há 6 anos e, hoje, é uma página no Facebook onde respondo perguntas de crianças e jovens sobre Astronomia.

P: O governo brasileiro incentiva a Astronomia como deveria?

Nos últimos 10 anos, o investimento vem sendo grande e a formação de novos doutores foi alta. A comunidade ainda é pequena, são cerca de 600 astrônomos, porém, o acesso aos fundos de pesquisa existe e vejo a sociedade astronômica brasileira com bastante orgulho. Pode melhorar se o Brasil aderir ao maior observatório do mundo, o Observatório Europeu do Sul. A entrada alavancará nossa astronomia e teremos uma comunidade bem competitiva.

P: Que avaliação tem do programa espacial brasileiro?

O programa brasileiro continua muito lento e está custando a se recuperar do desastre da explosão em Alcântara, em 2003. O que falta é coragem de investir em ciência espacial. Não dá para fazer ciência espacial com recursos modestos. Ou se investe muito ou se faz parceria com quem investe muito. Mas as parcerias precisam ser levadas a sério e, principalmente, ter uma política a longo prazo, que não seja vulnerável à situação política do país.

P: Em 2018, a Nasa pretende lançar o Telescópio Espacial James Webb (JWST), o mais potente já fabricado. O que nós podemos esperar dele?

O JWST será revolucionário. Ele é conhecido como o sucessor do Hubble, mas, na verdade, será bem diferente do Hubble. E vai procurar responder a perguntas bem diferentes também. Estaremos buscando pelas primeiras estrelas e primeiras galáxias. Além disso, ele terá um papel importante também na busca de exoplanetas, ou seja, de planetas localizados fora do nosso Sistema Solar.

P: Se a senhora pudesse escolher, qual dos grandes mistérios do Universo gostaria de desvendar?

Gostaria de saber ser existe vida inteligente em outros planetas. Quem sabe eles não saberiam as respostas para todos os outros mistérios? Não existe evidência científica que sugira que a vida seja algo único do nosso planeta. Como conhecemos apenas um tipo de vida, estamos procurando por planetas que sejam semelhantes à Terra e que estejam na zona habitável, nem muito perto da estrela e nem muito longe dela.

AS DESCOBERTAS DE DUÍLIA

Saiba quais foram as maiores contribuições da astrônoma brasileira para o estudo do espaço:



Fonte: Site da Revista Galileu - 26/08/2011 - http://revistagalileu.globo.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Lançamento do VS30 V13 Previsto Para o Dia 29 Ago

Olá leitor!

Segue abaixo a nota postada hoje (28/08) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com novas informações e fotos sobre o lançamento do foguete VS-30 da Operação Raposa no dia de amanhã.

Duda Falcão

Lançamento do VS30 V13
Previsto Para o Dia 29 Ago

Publicada em 28/08/2014 13:23
Atualizada em 28/08/2014 13:38

Está previsto para o dia 29 de agosto de 2014(sexta-feira), às 16 horas, o lançamento do foguete VS-30 V13, durante a Operação Raposa, que ocorre no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

O veículo VS-30 V13 será utilizado para testar em voo a carga útil denominada EPL (Estágio Propulsivo Líquido) que é composta por um motor foguete a propelente líquido (Motor L5), desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e um Sistema de Alimentação (SAMF), desenvolvido pela empresa brasileira Orbital Engenharia. O EPL funciona com combustíveis líquidos, oxigênio líquido e etanol, que são ecologicamente corretos, capacitando o Brasil a prosseguir no desenvolvimento de motores líquidos maiores, capazes de transportar cargas úteis mais pesadas em maiores altitudes.

A principal finalidade desse lançamento é a capacitação das equipes do IAE e do CLA para a operação de motores a propelente líquido, servindo de base para o desenvolvimento de futuros veículos lançadores de satélites.

É um experimento inédito no País e não há requisitos de desempenho do foguete com relação ao voo. Os principais requisitos de sucesso dessa missão são:

1. dispersão do ponto de impacto no mar dentro das áreas de segurança estabelecidas pela segurança de voo do CLA;

2. ignição do EPL;

3. transmissão e recepção dos dados de voo do VS-30 V13 e dos seus experimentos, por telemedidas;

4. rastreio da trajetória de voo do VS-30, por radares.

Apesar do desempenho do Motor L5, em conjunto com o EPL, ser bem conhecido em solo, por ter sido intensamente testado no IAE, somente com os dados de voo é que haverá confirmação do funcionamento desse motor em condições de ar rarefeito em altitudes elevadas.

Outro grande diferencial desse voo é a parceria da empresa Orbital Engenharia, que desenvolveu os componentes mecânicos e sistemas eletrônicos embarcados que servem para acionar o Motor L5, com recursos recebidos da FINEP.

Para aquisição dos dados de voo estão sendo utilizadas várias redundâncias dos meios de rastreio do CLA, do IAE e da Agência Espacial Alemã (DLR), pois não haverá recuperação da carga útil e os resultados dos experimentos serão recebidos por telemedidas.

Além do experimento EPL, o VS-30 V13 levará a bordo um sistema GPS para uso espacial, desenvolvido em cooperação com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A Agência Espacial Brasileira (AEB) forneceu o suporte financeiro para o desenvolvimento de ambos os projetos.

A Operação Raposa está sendo apoiada pela AEB e conta com participação de diversas organizações militares subordinadas ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) – IAE, CLA e CLBI, ao Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) - Segunda Força Aérea (II FAE) e Quinta Força Aérea (V FAE) e o 1º Comando Aéreo Regional (I COMAR) e à Marinha do Brasil.



Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Gostaria de acrescentar ao comentário que fiz hoje a tarde que independente desse teste não está sendo realizado como foi programado inicialmente, devido ao cancelamento do projeto do motor L15, a sua importância é indiscutível e não se pode colocar isto em dúvida, não só pelos motivos óbvios, mas também porque o motor L5 teria de qualquer forma de ser qualificado em voo, já que o planejamento do IAE é usá-lo como o quarto estágio do VLS-1 em substituição do motor S-44 de propulsão sólida, o que acrescentará uma melhor confiabilidade nas missões de lançamento. Assim sendo, o Blog BRAZILIAN SPACE se junta a esta enorme corrente positiva desejando sucesso desde já ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), aos pesquisadores do instituto e a empresa Orbital Engenharia. Avante VS-30/EPL.

FAB Lança Foguete Nesta Tarde (28) no Rio Grande do Norte

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota publicada hoje (28/08) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), informando sobre o lançamento que ocorrerá na tarde de hoje do CLBI de um Foguete de Treinamento Básico (FTB).

Duda Falcão

FAB Lança Foguete Nesta Tarde (28)
no Rio Grande do Norte

Operação permite treinar profissionais da área espacial

Publicado: 28/08/2014 12:13h

O diretor do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), Coronel Maurício Lima de Alcântara, explica os objetivos e a importância da operação de lançamento do foguete de treinamento básico. O militar também destaca as próximas operações previstas. Ouça a entrevista: 



Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Quais serão esses experimentos que segundo o diretor do CLBI serão lançados durante o Fórum? Será um avanço leitor? Teremos de aguardar para saber mais.

Foguete Nacional Com Combustível Líquido Está Previsto Ser Lançado Pela Primeira Vez Amanhã em Alcântara

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota publicada hoje (28/08) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), informando sobre a Operação Raposa que se realizará no dia de amanhã no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Duda Falcão

Foguete Nacional Com Combustível
Líquido Está Previsto Ser Lançado
Pela Primeira Vez Amanhã em Alcântara

Publicado: Quinta, 28 de Agosto de 2014 - 13h03
Última atualização em Quinta, 28 de Agosto de 2014 - 13h25


Está previsto para esta sexta-feira (29/8) o lançamento do foguete VS-30 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) durante a Operação Raposa. A atividade coordenada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), organização subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), foi iniciada no último dia 12 de agosto em Alcântara. O objetivo da operação é realizar o lançamento do foguete de sondagem VS-30 V13, a partir do CLA, portando dispositivos embarcados do IAE, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da empresa Orbital Engenharia.

Em seu 13º vôo, o VS-30 traz como diferencial em sua carga útil o Estágio Propulsivo a Propelente Líquido (EPL-ME) desenvolvido pela Orbital Engenharia em parceria com o IAE. Além do combustível líquido da carga útil, o foguete levará um GPS de aplicação espacial da UFRN e um dispositivo mecânico de segurança concebido no IAE, denominado Chave Mecânica Acelerométrica (CMA). “Com o sucesso da operação, novas possibilidades de desenvolvimento de motores foguetes a propelente líquido são abertas para aplicação em outros veículos aeroespaciais fabricados no país”, afirma o Coronel Aviador Avandelino Santana Júnior, Coordenador Geral da Operação Raposa.

A previsão é que o VS-30 seja lançado no final da tarde de sexta-feira em direção ao Oceano Atlântico. A Marinha do Brasil (MB) atuará no isolamento do tráfego marítimo e na comunicação com os navegantes, bem como o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) realizará a interdição do tráfego aéreo na região.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO FOGUETE VS-30 V13

Comprimento total: 10,84 metros
Massa total: 1,8 toneladas
Diâmetro (1º Estágio): 0,557 metros
Diâmetro (carga útil): 0,438 metros

Experimentos Embarcados:

1) Estágio Propulsivo a Propelente Líquido (EPL) – Orbital Engenharia e IAE
2) GPS Espacial – UFRN
3) Chave Mecânica Acelerométrica – IAE


Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Bom leitor está chegando o momento que todos nós esperávamos desde que o Brasil começou as pesquisas em propulsão líquida no INPE, ainda no início da década de 90 do século passado. Finalmente teremos a oportunidade de observar em voo um estágio movido à propulsão líquida inteiramente desenvolvido no Brasil e de forma exitosa, pelo menos é o que todos nós esperamos. É verdade que esse feito já deveria ter sido realizado há pelo menos uma década, mas há que se dizer também que a sua realização neste momento é quase um milagre, se levarmos em conta os desastrosos governos que o país teve de conviver desde Fernando Collor de Mello.  É preciso dizer também que apesar dessa missão representar algo de muito positivo para o nosso país e para o PEB, na realidade esta configuração atual do foguete não é a ideal para configurar um estágio líquido. Isso porque o antigo SAMF, ou EPL (Estágio de Propulsão Líquida) como é nomeado agora, foi dimensionado para trabalhar com o Motor-Foguete Líquido L15 e não com o Motor-Foguete Líquido L5, que tem apenas 1/3 do empuxo. Dessa forma, o EPL/L5 visa apenas testar a funcionalidade do estágio e na configuração atual ele não consegue ainda superar o próprio peso que é de cerca de 800 kg e gera 500 kgf. Em resumo leitor, o cancelamento do projeto do Motor-Foguete L15 (por falta de recursos financeiros) e por tabela o do projeto do Foguete de Sondagem VS-15, prejudicou tremendamente o andamento das pesquisas de propulsão líquida no país, mesmo o IAE (por razões obvias) não reconhecendo isto publicamente. Enfim, mais um souvenir do desastroso governo DILMA ROUSSEFF.