quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Senado Aprova Acordo de Cooperação Entre Brasil e China na Área de Ciência e Tecnologia

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (24/08) no site da “Agência Senado” destacando que o Senado aprovou Acordo de Cooperação entre Brasil e China na Área de Ciência e Tecnologia relacionado com o protocolo complementar para o desenvolvimento do Satélite CBERS-4A.

Duda Falcão

TECNOLOGIA - INTERNACIONAL

Plenário

Senado Aprova Acordo de Cooperação Entre
Brasil e China na Área de Ciência e Tecnologia

Agência Senado
Da Redação
24/08/2016 - 22h09
Atualizado em 24/08/2016 - 22h30

O Plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (24), Projeto de Decreto Legislativo (PDS 21/2016) que trata da cooperação entre Brasil e China na área de Ciência e Tecnologia. O projeto aprova protocolo complementar para o desenvolvimento conjunto entre os países do CBERS-4A, que é um satélite de observação da Terra, resultado de um acordo sino-brasileiro.

No Brasil, o desenvolvimento do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo o INPE, o programa CBERS fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

O acordo entre Brasil e China permite a distribuição global dos dados CBERS, com o objetivo de proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de imagens de satélites. O CBERS-4, lançado com sucesso em dezembro de 2014, tem vida útil estimada em três anos. O novo satélite (CBERS-4A) deve garantir a continuidade do fornecimento de imagens aos usuários dos dados relativos ao programa.

A proposta técnica do satélite, para lançamento em 2018, foi apresentada a dirigentes da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) no mês de abril.


Fonte: Site da Agência Senado

Somos Responsáveis Pelas Gerações de Amanhã. Somos?

Olá leitor!

Segue abaixo mais um interessante artigo escrito pelo Sr. José Monserrat Filho e postado pelo companheiro André Mileski hoje (25/08) em seu no Blog Panorama Espacial.

Duda Falcão

Somos Responsáveis Pelas
Gerações de Amanhã. Somos?

“Quem só tem olhos para os ouros não demorará em disparar a pergunta
fatídica: e daí?” Marcelo Leite, jornalista de Ciência (1)

José Monserrat Filho *

A humanidade costuma ser descrita como o conjunto dos seres humanos que habitam e habitarão o planeta Terra. Ela abrange, portanto, as gerações presentes e futuras. Os mortos não contam, por ilustres que sejam, pois infelizmente já não atuam, embora suas vidas e obras possam ter enriquecido o patrimônio e a evolução da espécie humana. Mas, como frisa Milton Santos, “ficar prisioneiro do presente ou do passado é a melhor maneira para não fazer aquele passo adiante, sem o qual nenhum povo se encontra com o futuro”.(2)

As pessoas de hoje são herdeiras ativas de tudo o que fizeram e criaram as de ontem. Dai que, para o pensador e internacionalista francês René-Jean Dupuy (1918-1997), as pessoas de hoje são responsáveis tanto por suas contemporâneas, como pelas de amanhã. Mesmo sem conhecê-las – é justo acrescentar. Por aí vai o caminho do futuro.

A humanidade tem significado prospectivo, afirma Dupuy. É conceito interespacial e intertemporal. Vai do aqui e agora até o depois, em qualquer lugar do globo.(3) Essa ideia abrangente e ciclópica ganha especial destaque na histórica Declaração sobre as Responsabilidades das Gerações Presentes em Relação às Gerações Futuras, adotada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 12 de novembro de 1997.(4)

Justamente no Artigo 1 a Declaração da UNESCO reza: “As gerações presentes têm a responsabilidade de garantir que as necessidades e os interesses das gerações presentes e futuras sejam plenamente salvaguardados.” O compromisso enunciado não poderia ser mais amplo.

Segundo o Artigo 3, “as gerações presentes devem esforçar-se para assegurar a manutenção e a perpetuação da humanidade, com o devido respeito pela dignidade da pessoa humana”. Para tanto, “a natureza e a forma da vida humana nunca devem ser prejudicadas, sob qualquer aspecto”.  Ou seja, não devemos admitir de modo algum o fim da  humanidade. Mas os perigos e ameaças que a cercam por inteiro são cada vez maiores e mais difíceis de enfrentar. Perpetuar a nossa espécie e a riquíssima vida na Terra – neste exato momento da história humana – é, sem dúvida, o desafio supremo à nossa inteligência e boa fé, a maior tarefa heroica de todos os tempos.

Pelo Artigo 4, “as gerações presentes têm a responsabilidade de transmitir às gerações futuras um planeta não danificado de forma irreversível pela atividade humana. Cada geração que herda o planeta Terra deve atentar para o uso racional dos recursos naturais e assegurar que a vida não seja afetada por modificações prejudiciais aos ecossistemas e que o progresso científico e tecnológico em todos os campos não prejudique a vida na Terra”.

“O aquecimento global acaba de conquistar 15 medalhas de ouro, feito inédito em 136 anos”, anuncia Marcelo Leite no artigo Ninguém presta atenção aos recordes de temperatura global: “Segundo a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA, a prestigiada Noaa, julho de 2016 foi não só o julho mais quente como foi também o mês mais quente registrado desde 1880. Superou a marca do recordista anterior, julho de 2015, que havia sido o ano mais quente da história, desbancando 2014 – e 2016 deve superar ambos, já se prevê. Todos os 14 meses anteriores a julho de 2016 quebraram os respectivos recordes mensais. Trata-se aqui da temperatura média global, aferida com a ajuda de milhares de estações meteorológicas e satélites.”(5)

Nossa situação, portanto, é nada menos que dramática. Precisamos recompor o planeta com máxima urgência para poder transmiti-lo às próximas gerações em condições bem mais seguras – tarefa ainda longe de ser devidamente encarada.

Há que impedir que o progresso científico e tecnológico danifique a Terra e seu entorno. Danificar ou mesmo destruí-la, pois, como enfatiza o físico Marcelo Gleiser no recente artigo Ainda podemos nos autodestruir – Risco de holocausto nuclear continua a assombrar o mundo, “apesar de parecer coisa do passado, da Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética, a verdade é que a ameaça nuclear persiste e continua sendo a maior que a humanidade poderá enfrentar no futuro”(6).

O entorno da Terra, por sua vez, já está atulhado de lixo espacial, problema grave e complexo ainda não enfrentado com a determinação e o senso de responsabilidade proporcionais às ameaças que só fazem aumentar. Desde 1957, quando a União Soviética lançou o primeiro satélite artificial Sputnik-1, a intensa atividade espacial vem acumulando gigantesca quantidade de detritos de todos os tamanhos. Estima-se milhões de fragmentos e pedaços de satélites, sondas e foguetes voam desvairados pelo espaço, multiplicando-se através de contínuas colisões. São 500 milhões de detritos de até 1 cm, 500 mil de até 10 cm, e 21 mil maiores de 10 cm.(7)

O teste sobre o impacto de projétil hiperveloz contra escudos idênticos aos instalados na Estação Espacial Internacional (ISS), realizado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 10 de junho passado, foi revelador: a esfera de alumínio de 7,5 mm de diâmetro lançada à velocidade de 7 km por segundo (25.200 km por hora) atravessou os escudos, produzindo um buraco de 50 mm de espessura. Até hoje, nenhuma estrutura defensiva suportou o choque de detritos espaciais com 2 cm de tamanho. A colisão com detritos maiores de 10 cm gera consequências catastróficas. O dano pode causar a fragmentação total dos objetos colididos, criando milhares de detritos adicionais.(8)

Um total de 6.700 toneladas de objetos gira hoje em torno da Terra contra 5.000 de dez anos atrás. 100 toneladas de detritos espaciais caíram na Terra só em 2015. São dados da NASA.(9)

É imperioso também impedir que os corpos celestes – a começar pela Lua, os asteroides e os planetas mais próximos da sistema solar – sejam explorados industrial e comercialmente antes de serem submetidos a profunda análise de risco ecológico, sob pena de cometermos lá no espaço os  clamorosos erros e crimes que cometemos aqui na Terra. Isso só iria piorar a vida na Terra.

Quantas pessoas no mundo conhecem a Declaração da UNESCO, que em 2017 completará 20 anos? E quantas delas – sobretudo autoridades e representantes públicos – estão dispostas a cumprir seus princípios?

A pressão dos povos ainda não chegou à luta pela sobrevivência da humanidade.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.

Referências

1) Do artigo Ninguém presta atenção aos recordes de temperatura global, publicado na Folha.com., em 21 de agosto de 2016. Marcelo Leite, repórter especial da Folha de S. Paulo e colunista da Folha.com, especializou-se em jornalismo científico e já lançou inúmeros livros: A Floresta Amazônica (2001), Amazônia – Terra com Futuro (2005), Meio Ambiente e Sociedade (2005), Pantanal – O Mosaico das Águas (2006), Brasil – Paisagens Naturais (2007) e Ciência – Use com Cuidado (2008), entre outros.

2) Santos, Milon, , O Espaço do Cidadão, São Paulo, Edusp, 2014 [1987], p. 161.

3) Dupuy, René-Jean, Avenir du Droit International dans un monde Multiculturel, in Dupuy, René-Jean, Dialectiques du droit international, Paris: A. Pedone 1999, p. 245. Citado por Matias, Eduardo Felipe Pérez, A humanidade e suas fronteiras: do Estado soberano à sociedade global, São Paulo: Paz e Terra, 2005, p. 507.

4) Ver texto completo em: . As responsabilidades das gerações presentes em relação às futuras gerações já foram mencionadas em outros instrumentos: Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural da UNESCO, adotada pela Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1971; Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica, adotadas no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1992; Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, adotada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 14 de junho de 1992; Declaração e Programa de Ação de Viena, adotados pela Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em 25 de junho de 1993; e as Resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas relativas à proteção do clima global para as presentes e futuras gerações, adotadas desde 1990.

5) Ver referência 1.

6) Folha de S. Paulo, Ilustríssima, 14 de agosto de 2016.





Fonte: Blog Panorama Espacial - http://panoramaespacial.blogspot.com.br/

Atualizando Nossas Campanhas

Olá leitor!

Hoje é mais uma quinta-feira do mês de agosto e sendo assim é dia de atualizar você sobre as nossas campanhas em curso.

Bom leitor quanto à “Campanha para Regulamentação das Atividades de Grupos Amadores”, até esta semana 13 grupos já se inscreveram. São eles Auriflama FoguetesBANDEIRANTE Foguetes EducativosCarl SaganCEFABCEFECInfinitude FoguetismoITA Rocket Design, NTAProjeto JupiterUFABC Rocket Design e PEUE (Pesquisas Espaciais Universo Expansivo), Grupo Pionners Grupo: GREAVE. Vamos lá gente, cadê os grupos amadores desse país, vocês não querem se organizar? (OBS: Continuo esperando que os 13 grupos inscritos respondam se há algum entre vocês que tem o interesse de organizar e sediar um ‘Seminário’ para discutirmos as atividades de espaçomodelismo no Brasil?)

Já quanto á “Campanha de Manutenção do Blog”, até o momento apenas cinco colaboradores finalizaram suas contribuições no mês de agosto no vakinha.com.br. Eles foram:

1 - Alysson Nunes Diogenes, Prof. (UP)
2 - Antonio Carlos Foltran, Prof. (UP)
3 - Carlos Cássio Oliveira (presidente do CEFAB)         
4 - José Félix Santana, Prof. (presidente do CEFEC)
5 - Leo Nivaldo Sandoli

OBS: informo aos leitores que ainda não sabem que  a campanha de manutenção do Blog pode ser acessada pelo link: http://www.vakinha.com.br/vaquinha/manutencao-do-blog-brazilian-space.

Enfim... vamos continuar aguardando que a partir da próxima semana haja uma mudança de postura de nossos leitores com as nossas campanhas, para que assim possamos efetivamente continuar contribuindo com o Programa Espacial Brasileiro, e quem sabe, com a permanência do blog online ou a criação do Portal Espacial que é hoje o nosso principal objetivo.

Duda Falcão

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Institutos do MCTIC Vão Receber R$ 190 Milhões Para Modernizar Laboratórios

Olá leitor!

Segue agora uma notícia postada hoje (24/08) no site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) destacando que Institutos do MCTIC vão receber R$ 190 milhões para modernizar laboratórios. Entre esses institutos estão o INPE, CEMADEN, MASTON, LNA entre outros.

Duda Falcão

NOTÍCIAS

Institutos do MCTIC Vão Receber R$ 190
Milhões Para Modernizar Laboratórios

Recursos serão investidos em equipamentos e contratação de pessoal no prazo de
cinco anos. Os projetos foram selecionados por meio de edital e os recursos, não
reembolsáveis, são do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia.

Por Ascom do MCTIC
Publicação: 24/08/2016 | 15:46 
Última modificação: 24/08/2016 | 15:55

Crédito: CNPEM
Com recursos do FNDCT, laboratórios multiusuários
serão modernizados.

A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) vai destinar mais de R$ 190 milhões para 21 institutos de pesquisa vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) investirem em equipamentos, na modernização dos laboratórios multiusuários e na contratação de pessoal qualificado. Os projetos foram selecionados por meio de um edital que teve o resultado final divulgado nesta terça-feira (23). Os recursos, não reembolsáveis, são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e devem ser liberados no prazo de cinco anos.

Entre os institutos de pesquisa do MCTIC, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) vai receber o maior montante: R$ 16,5 milhões. Os recursos serão aplicados nos laboratórios multiusuários e na criação do laboratório de nanotecnologia.

Já o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), contemplado com R$ 7,5 milhões, vai investir no desenvolvimento e na manutenção dos sistemas computacionais (softwares científicos) de apoio às pesquisas, além de atender aos projetos que utilizam o parque computacional do Centro de Processamento de Alto Desempenho no Rio de Janeiro (CENAPAD-RJ) e o supercomputador Santos Dumont.

Segundo o diretor do LNCC, Augusto Gadelha, esses serviços são desenvolvidos por pessoal especializado, que será contratado com os recursos repassados pela FINEP. A equipe vai atuar na melhoria, aplicação e disseminação de novos métodos, tecnologias e softwares na área de modelagem e simulação computacionais.

Tecnologia Nuclear

Também incluído no edital da FINEP, o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vai receber R$ 15,7 milhões. Os recursos serão aplicados na modernização de vários laboratórios multiusuários voltados para pesquisa nas áreas de saúde, meio ambiente, nanotecnologia, radiações e proteção radiológica. Além disso, 12 pesquisadores serão contratados.

"O projeto vem em boa hora. Uma ótima notícia nesse cenário de restrições orçamentárias", avalia o diretor do CDTN, Waldemar Macedo.

Ele reforça que, para alguns laboratórios, os recursos são vitais. "O Laboratório de Radiação Gama tem uma fonte de cobalto-60 que precisa ser renovada a cada cinco anos e custa R$ 3,5 milhões. Não tínhamos a menor possibilidade de fazer isso. Esse projeto vai dar uma sobrevida a esse laboratório, que vai ter sua capacidade produtiva restaurada."

O laboratório é utilizado em várias aplicações, como no tratamento de sangue e hemoderivados.

Pesquisas Físicas

A FINEP vai repassar R$ 12,8 milhões para o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) modernizar as técnicas de produção e caracterização de superfícies de monocristais e de materiais avançados, cristalografia, magnetometria, ressonância magnética nuclear, ressonância paramagnética eletrônica, altas energias e detectores de partículas.

Segundo o diretor do CBPF, Ronald Shellard, a aprovação do projeto apresentado à FINEP é essencial para que a instituição não só mantenha, mas também expanda sua atuação com foco nas atividades multiusuárias, em particular no desenvolvimento de instrumentação científica, cuja fragilidade no país é ainda um dos ‘calcanhares de Aquiles' da ciência brasileira.

Clique aqui para acessar o resultado do edital.


Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC)

INPE Promove 1º Workshop de Inovação

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (24/08) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacando que como já havíamos anunciado o instituto promoverá nos dias 25 e 26/08 o "1º Workshop de Inovação".

Duda Falcão

INPE Promove 1º Workshop de Inovação

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Nos dias 25 e 26 de agosto, o 1º Workshop de Inovação irá identificar e divulgar projetos com potencial inovador em desenvolvimento nas diversas áreas de atuação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O workshop permitirá ainda avaliar a oferta e demanda de tecnologia através da interação com universidades, empresas e sociedade.
O evento acontece no Auditório Fernando de Mendonça do Laboratório de Integração e Testes (LIT), na sede do INPE, em São José dos Campos (SP).

Promovido pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do INPE, o workshop também disseminará conceitos e cultura de inovação, propriedade intelectual e transferência de tecnologia, buscando promover parcerias e convênios para o desenvolvimento de projetos de interesse institucional.

NIT é o setor responsável por formular e gerir a Política Institucional de Inovação do INPE de acordo com a legislação vigente. Dentre as suas atribuições, o NIT gerencia todas as questões referentes à propriedade intelectual (patentes, programas de computador etc.), além de parcerias e convênios nacionais.

Mais informações: www.inpe.br/win


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

IAE Inicia Integração de Experimentos Para Operação Rio Verde

Olá leitor!

Segue abaixo agora a nota postada hoje (24/10) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), destacando que o instituto já deu início a integração de experimentos para a “Operação Rio Verde”.

Duda Falcão

IAE Inicia Integração de Experimentos
Para Operação Rio Verde

Publicado: 24 Agosto 2016
Última atualização em 24 Agosto 2016


A Operação Rio Verde, prevista para ocorrer em novembro de 2016, visa cumprir a etapa final da 2a Chamada do 4o Anúncio de Oportunidades (AO) do Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), que financiou o desenvolvimento de cinco experimentos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O sexto experimento foi desenvolvido com a colaboração do IAE, enquanto os dois últimos foram integralmente desenvolvidos pelo IAE.

Entre os dias 15 e 18 de agosto foram realizados com sucesso os testes de recebimento das cablagens de voo e o primeiro teste de sistema integrado, em que foram ligados simultaneamente os oito experimentos que irão ao espaço a bordo o foguete brasileiro VSB-30. Os testes foram realizados nas dependências do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), localizado em São José dos Campos, SP. O IAE é a organização responsável pelo desenvolvimento do foguete, que será lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no Estado do Maranhão durante a Operação Rio Verde.

O Programa Microgravidade

O Programa Microgravidade foi criado em 27 de outubro de 1998 pela AEB com o objetivo colocar ambientes de microgravidade à disposição da comunidade técnico-científica brasileira, provendo meios de acesso, e suporte técnico e orçamentário para a viabilização de experimentos nesses ambientes. O gerenciamento das atividades é de responsabilidade da AEB e conta com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e da comunidade acadêmica nacional pertencente aos cursos de engenharia aeroespacial.

Os Experimentos

Os experimentos são alojados no interior da carga-útil, conforme ilustrado na figura abaixo. A carga-útil compreende a parte superior do foguete VSB-30. Após consumirem 1.550 kg de propelente nos 42 segundos inicias de voo os dois motores-foguetes do VSB-30 são descartados caindo no mar. A carga-útil, contudo, continua seu movimento ascendente atingindo uma altura máxima de 250 km. A altitude de 100 km é considerada o limite superior da atmosfera terrestre. Acima dessa altitude considera-se o vácuo do espaço. A ausência de forças propulsivas, combinada à ausência de atrito com a atmosfera e à eliminação da rotação do veículo em torno de quaisquer dos seus eixos, faz com que sejam estabelecidas a condição de microgravidade no interior da carga-útil. Nessa condição, qualquer objeto solto no interior da carga-útil flutuará. Para o caso do VSB-30 essa condição é estabelecida aos 80 segundos de voo, quando a carga-útil encontra-se a 110 km de altitude, tendo a duração de 6 minutos. Ao reentrar na atmosfera terrestre a carga-útil é desacelerada por atrito e, posteriormente, são acionados os paraquedas com intuito de reduzir a velocidade de impacto com o mar.

Helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) fazem o resgate da carga-útil no mar. Em solo, os experimentos são retirados da carga-útil e entregues aos pesquisadores que os desenvolveram. Na operação Rio Verde o VSB-30 levará ao espaço oito experimentos. São eles:

1. MPM-A: Novas tecnologias de meios porosos para dispositivos com mudança de fase, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os minitubos de calor fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos podem ser utilizados para o controle térmico tanto de equipamentos eletrônicos no espaço como em terra;

2. MPM-B: Novas tecnologias de meios porosos para dispositivos com mudança de fase, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100;

3. VGP2: Os efeitos da microgravidade real no sistema vegetal cana de açúcar, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se de um experimento biológico que tem por objetivo avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana de açúcar;

4. E-MEMS: Sistema para determinação de atitude de veículos espaciais, desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo deste experimento é fazer uso de sensores comerciais para determinação de atitude de sistemas espaciais; 

5. SLEM: Solidificação de ligas eutéticas em microgravidade, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir (300 oC) amostras de 3 materiais distintos. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas;

6. GPS: Modelos de GPS (Sistema de Posicionamento Global) para aplicações em veículos espaciais de alta dinâmica, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Esse equipamento fornece a latitude, longitude e altitude da carga-útil durante todas as fases do voo do foguete;

7. SMA: Sensor Mecânico Acelerométrico, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Servirá para ativação de linhas de ignição, após submetida a uma aceleração entre 4 e 6 vezes a aceleração da gravidade. Com esse dispositivo, ainda em fase de qualificação, objetiva-se elevar a segurança do veículo, evitando-se, por exemplo, que sistemas pirotécnicos sejam acionados, intempestivamente.

8. CCA: Circuito de Comutação e Atuação, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Modelo de desenvolvimento do sequenciador de eventos pirotécnicos e comutação de energia funcional.

Etapas Anteriores

Os experimentos MPM-A, MPM-B, VGP2, E-MEMS e SLEM foram selecionados pela Agência Espacial Brasileira em abril de 2013. Em setembro do mesmo ano foi realizado no IAE o Seminário de Nivelamento, por meio do qual os pesquisadores da UFSC, UFRN, UEL e INPE e os técnicos do IAE trocaram valiosas informações, que permitiram o envio ao IAE do Projeto Preliminar (final de 2013) e Projeto Detalhado (final de 2014) de cada projeto. Em abril de 2014 os pesquisadores visitaram o CLA para conhecerem suas instalações. Entre março e maio deste ano os experimentos foram entregues ao IAE onde foram testados individualmente em condições similares às de voo.

Próximas Etapas

Além dos experimentos, a carga-útil é composta dos subsistemas de recuperação (paraquedas) telemetria e controle, que serão integrados em outubro. Uma vez integrada a carga-útil completa (experimentos, sistema de recuperação e sistema de controle) será submetida a um novo teste de sistema integrado, balanceamento da carga útil, a ensaios para determinação das propriedades de massa e testes adicionais de vibração, que visam simular as vibrações presentes durante o voo real. Durante esses testes, também realizados nas dependências do IAE, todos os experimentos e demais sistemas eletrônicos são ligados e os seus funcionamentos verificados. Findos os testes, a carga-útil integrada é transportada para Alcântara a bordo de avião cargueiro da Força Aérea Brasileira. No CLA ocorre a integração da carga-útil aos dois motores que compõem o VSB-30. A partir da integração do foguete à Plataforma de Lançamento o monitoramento e controle dos experimentos ocorrem através dos umbilicais, conjunto de cabos elétricos e conectores que ligam o foguete à Casamata, local blindado onde ficam abrigados os operadores do centro de lançamento e os responsáveis pela operação dos experimentos e do veículo. Concluída a contagem regressiva, o foguete deixa a Plataforma de Lançamento, automaticamente desconectando-se dos umbilicais. Durante os dez minutos de voo os experimentadores recebem informações dos seus experimentos por meio de ondas eletromagnéticas enviadas pelo sistema de telemetria do foguete. Essas informações são também gravadas pelos sistemas de aquisição de dados de cada experimento, sendo acessadas após a recuperação da carga-útil.

Apresentação

O sistema integrado foi apresentado à Alta Direção do DCTA, Ten Brig Egito, Diretor e Maj Brig Fernando, Vice-Diretor, em visita realizada no dia 16 de agosto, onde o Diretor do IAE, Brig Otero e o Coordenador dos experimentos, Dr. Bezerra, esclareceram às autoridades todos os pontos supracitados e tiraram dúvidas, juntamente com a equipe técnica que os acompanhava



Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Que bom, mais uma notícia boa, estamos nos aproximados da realização de mais uma etapa deste “Programa Microgravidade” da AEB, programa este que nunca funcionou dentro de seus prazos estabelecidos, bem diferente dos projetos europeus de microgravidade atendidos por este mesmo Foguete VSB-30. Vamos torcer para que essa seja uma missão exitosa. Leitor, atenção, fique atento para alguns desses experimentos que estarão abordo.

IAE Realiza Ensaios de Aceleração do Sensor Mecânico Acelerométrico – SMA

Olá leitor!

Segue abaixo agora a nota postada hoje (24/08) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), destacando que este instituto realizou recentemente  ensaios de aceleração do “Sensor Mecânico Acelerométrico (SMA)”, projeto este que teve início a partir de uma recomendação do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

Duda Falcão

IAE Realiza Ensaios de Aceleração do
Sensor Mecânico Acelerométrico – SMA

Publicado: 24 Agosto 2016
Última atualização em 24 Agosto 2016


O Projeto Sensor Mecânico Acelerométrico – SMA teve início a partir de uma recomendação da DLR (Deutshes Zentrum für Luft – Agencia Espacial Alemã) para que o IAE desenvolvesse um dispositivo de segurança capaz de impedir a ignição intempestiva do segundo estágio do foguete VSB-30 quando pronto para o lançamento.

Dessa forma, possui como principal cliente o VSB-30 e está sendo desenvolvido através de uma parceria entre as divisões de Sistemas de Defesa – ASD e de Gerenciamento de Projetos Espaciais – AGE por meio de financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico – CNPq.

Sendo assim, o SMA tem como finalidade impedir a ordem de ignição do motor do segundo estágio de veículos espaciais através da isolação elétrica entre iniciador pirotécnico e fonte de alimentação da rede elétrica. Seu funcionamento permite que tal ordem de ignição somente seja viabilizada por meio da aceleração imposta pelo próprio veículo, em decorrência de seu lançamento, garantindo a segurança, na fase de pré-lançamento, em caso de falha do sistema de alimentação ou de desconexão do umbilical do segundo estágio.

O projeto está passando por processo de certificação junto ao Instituto de Fomento e Coordenação Industrial – IFI e já passou pelo programa de ensaios estabelecido para qualificação. Para finalizar, foram realizados ensaios de aceleração aos níveis de qualificação e aceitação para verificação e comprovação de requisitos no Laboratório de Aceleração da Subdivisão de Ensaios da ASD. Os ensaios foram acompanhados pelo Diretor-Geral do DCTA, Ten Brig Ar EGITO, pelo Vice-diretor do DCTA, Maj Brig Eng FERNANDO, pelo Diretor do IAE, Brig Eng OTERO e demais Oficiais Superiores.

O SMA ainda será submetido a Ensaio de Aceitação em Voo na Operação Rio Verde prevista para outubro de 2016, onde dois modelos experimentais serão embarcados no VSB-30 Micro-G. O projeto tem previsão para conclusão em dezembro de 2016.



Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Bom, bom, muito bom mesmo. Quando observamos algo assim dentro do IAE, uma luz de esperança se acende. Espero que as previsões aqui feitas nesta nota do instituto sejam compridas, para que assim o projeto deste sensor seja realmente concluído dentro do prazo.

Missão Garatéa I: Micróbios Resistem a Passeio de Balão Pela Estratosfera

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante matéria do postada dia (22/03) no site do jornal “Folha de São Paulo”, tendo como destaque a “Missão Garatéa I” do Grupo ZENITH da Escola de Engenharia da USP de São Carlos (EESC-UPS), missão esta já abordada aqui no blog (veja aqui).

Duda Falcão

CIÊNCIA

Micróbios Resistem a Passeio
de Balão Pela Estratosfera

Salvador Nogueira
Colaboração para A Folha
22/08/2016 – 02:00

Viver em Marte não é um desafio tão grande, afinal pelo menos se você for um micróbio duro na queda. Essa foi a principal descoberta de um inovador experimento astrobiológico brasileiro.

Em maio, pesquisadores liderados por Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas, e Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, em São Paulo, levaram diversos micro-organismos para um longo passeio.

Elas foram lançadas numa sonda acoplada a um balão meteorológico, para tomar um banho de sol a 30 km da superfície, onde a maior parte da atmosfera terrestre já ficou pra trás.

Lá, as condições não são muito diferentes das encontradas na superfície de Marte – frio intenso, ar extremamente rarefeito, baixíssima umidade e quantidades cavalares de radiação ultravioleta solar.

A pergunta a ser respondida era: pode algum micróbio terrestre não só sobreviver mas também proliferar nessas condições alienígenas?

A missão “quase espacial” ganhou o nome de Garatéa I, nome tupi-guara ni cuja tradução seria algo como “busca Vidas” – bem apropriado, considerando-se o objetivo de investigar as chances que a vida teria em ambientes hostis fora da Terra.

PROCEDIMENTO

Os pesquisadores prepararam amostras de diversos micro-organismos em dois pacotes iguais – um voaria abordo do balão, lançado com o apoio do Grupo Zenith, da Escola de Engenharia da USP de São Carlos (SP), e o outro ficaria em terra, como controle.

Depois de um voo livre de pouco menos de duas horas pelos arredores de São Carlos, realizado em 14 de maio, a sonda foi regatada no solo. Os cientistas passaram então a comparar os micróbios que voaram e os que ficaram.

A análise quantitativa ficou prejudicada por uma falha técnica no sistema da sonda que colhia as informações ambientais. Ainda assim, o experimento produziu bons resultados qualitativos, pois contrastou amostras de criaturas e moléculas biológicas que fizeram jornadas bastante distintas.

Pelo ineditismo da proposta e o sucesso de sua execução, a missão ganhou segundo lugar num concurso internacional de experimentos científicos em balões, o Globo Space Balloon Challenge. “Mostramos que o conceito de usar a estratosfera como ambiente análogo marciano funciona muito bem”, disse Galante. “Esperamos explorar cada vez mais essa possibilidade, já que é uma maneira relativamente barata e muito completa de testar a resposta de micro-organismos.”

Diversas espécies de micro-organismos foram levadas lá para cima, dentre elas o famoso extremófilo Deinococcus radiodurans – uma bactéria notória por sua alta resistência a doses agressivas de radiação de alta intensidade, como raio X e gama.

Os cientistas esperavam que ela fosse se mostrar a grande campeã de sobrevivência, como testes em laboratório sugeriram, mas na prática a teoria foi outra.

“Ela perdeu comparada com algumas leveduras que isolamos de um vulcão dos Andes, na borda do deserto de Atacama”, conta Galante. “ A D. radiodurans perde quando temos UVB e A, a faixa do ultravioleta dita ambiental. Nesse caso, as leveduras mostraram uma sobrevivência mais alta. Com esse resultado, mostramos que  um ambiente real pode mudar nossa interpretação de quem são os melhores modelos de vida na superfície de Marte ou outros ambientes irradiados por luz estelar”.

Como toda boa pesquisa, ela sempre traz novas perguntas a serem respondidas. No caso, a maior delas é: porque as leveduras se mostraram mais resistentes num ambiente natural? No momento, os cientistas não tem ideia.

Em paralelo, a ideia é realizar novos voos de balão, aprimorando ainda mais a plataforma de experimentos, que poderá ser usada também por outros grupos de pesquisa em colaborações com o pessoal do Zenith.

No lado tecnológico, esses experimentos são vistos como precursores de futuras missões espaciais, lançadas em cubesats - satélites miniaturizados de baixo custo, que devem se valer das tecnologias desenvolvidas para a sonda estratosférica.


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 22/08/2016

SSC Publica Nova Programação Para as Operações MAPHEUS-6 e MAIUS-1

Olá leitor!

A Swedish Space Corporation (SSC) publicou no dia 19/08 em seu site oficial um novo “Programa de Lançamentos de Foguetes e Balões” para a base do “Esrange Space Center”.

Nesta nova programação as "Operações MAPHEUS-6 e MAIUS-1", ambas com foguetes brasileiros VSB-30, foram reprogramadas para serem realizadas entre novembro e dezembro deste ano.

Vale dizer que esta nova programação também prevê a utilização nos próximos anos de foguetes brasileiros em outros projetos europeus, porem é clara a diminuição do uso de nossos foguetes, o que nos causa grande preocupação.

Caso o leitor queira ver esta nova programação da SSC clique aqui.

Duda Falcão

O “Estabaco” Olímpico de Dona Luiza e o Programa Espacial Brasileiro

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo publicado no site revista “Época” dia (21/07) abordando o descaso para com o Programa Espacial Brasileiro e o lançamento de um Livro sobre este tema.

Duda Falcão

RICARDO NEVES

O “Estabaco” Olímpico de Dona Luiza
e o Programa Espacial Brasileiro

Vamos descobrindo que as coisas podem dar mais errado do que imaginávamos.
Será que precisamos de um tombo para acordar do pesadelo?

RICARDO NEVES
21/07/2016 - 18h32
Atualizado 22/07/2016 13h42

No dia 2 de outubro de 2009 nós, brasileiros, recebemos eufóricos a notícia da escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. A festa da delegação brasileira presente à reunião do Comitê Olímpico reunida em Copenhagen, transmitida ao vivo, logo se transformou em um carnaval pelo país afora. Entre 2009 e 2010 aqui no Brasil vivíamos outra realidade, diferente do resto do mundo, especialmente dos Estados Unidos e da União Europeia – atônitos e tateando no escuro na busca de remédios para a crise iniciada em meados de 2008 e que se configurou como a maior e mais complexa das crises econômicas mundiais desde 1930.


Nossas cabeças de brasileiros estavam tranquilas e serenas. Assegurados pelo presidente Lula, estribado em uma aprovação de quase 80%, que lhe conferia uma enorme credibilidade, contemplávamos confiantes o futuro, certos de que a crise por aqui não seria mais que uma “marolinha”.

Empreiteiros felizes com a caderneta lotada de encomendas para Copa e Olimpíada pelos governos federal, estaduais e municipais: estádios novinhos e um sem-número de obras, principalmente para mobilidade, em 12 cidades; banqueiros vivendo felizes o mundo do juro lá em cima e o crédito fácil e subsidiado; pelo menos um quarto dos brasileiros recebendo algum um tipo de bolsa ou subsídio público; o varejo bombando como “nunca na história deste país” vendendo TVs de tela plana e smartphones aos milhões. Junte-se a tudo aquele sentimento oficial e público de termos tirado o bilhete premiado simbolizado pela descoberta de petróleo no pré-sal. O Brasil só podia ser feliz. Tínhamos a melhor das perspectivas de aparecer bem na foto como anfitriões dos mais inesquecíveis megaeventos planetários representados pela Copa 2014 e pela Olimpíada 2016.

Não tinha chance de dar errado. Mas vamos descobrindo que as coisas podem dar mais errado do que poderíamos imaginar. Agora, não deixa de ser emblemático o “estabaco” que dona Luiza Trajano, a empresária ícone do otimismo que vivemos até recentemente, sofreu ao se voluntariar para carregar a tocha olímpica.


Nós, brasileiros, precisamos ir mais fundo em nossa autoanálise e reconhecer como perdemos completamente os rumos como nação. Nossa incapacidade completa de formular quaisquer ideias ou visões verdadeiramente estratégicas. Incapacidade que segue nos aprisionando na maldição de ser para sempre o “país do futuro”.

Fico perplexo ao perceber tantas chances que desperdiçamos, tantas coisas que fomos capazes de jogar pela janela. Deparei recentemente com um livro que realiza um histórico do Programa Espacial Brasileiro. Trata-se de livro publicado por uma pesquisadora brasileira estranhamente lançado por uma editora em Portugal. Compreensível? Talvez pelo fato de em nosso país as editoras se interessarem mais pela demanda por livros de colorir para adultos e de autoajuda escritos por padres pops.

Não sou daqueles que dizem tolamente que “o Brasil precisa é de saneamento básico e não de foguetes”. Pelo contrário. Entendo que um país que investe ampla e seriamente em ciência e desenvolvimento tecnológico é uma nação capaz de reter um amplo leque de cérebros, criando reserva de inteligência que pode ser mobilizada e dedicada a solucionar os mais variados tipos de problemas.


Tecnologista sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro, Ana Lucia Villas-Boas, socióloga e ph.D. em ciências sociais, pela agonizante Universidade Estadual do Rio de Janeiro – agonizante porque o estado do Rio de Janeiro se encontra falido e a referida universidade corre o risco de ser simplesmente extinta –, faz em seu livro, intitulado Programa Espacial Brasileiro: militares, cientistas e a questão da soberania nacional, mais propriamente uma autópsia do que uma análise atual do que é nosso programa espacial.

(Foto: Divulgação)
Livro Programa Espacial Brasileiro

Um país com nossas características geopolíticas não poderia jamais abrir mão de ter uma política de Estado e de investir seriamente em um programa aeroespacial. Longe de ser traduzido em “lançar foguetes”, um programa aeroespacial é uma iniciativa transversal que acaba tendo aplicabilidade, impacto e repercussão nos mais diversos segmentos da sociedade e do mercado, não apenas na questão militar.

A análise de Villas-Boas, compreendendo desde os tempos que se seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial, demonstra que a nação brasileira já teve líderes, tantos civis quanto militares, muito mais qualificados do ponto de vista de formular visão estratégica.


O que restava do Programa Espacial Brasileiro até a virada de século foi virtualmente liquidado após a tragédia da explosão da base de Alcântara, em 22 de agosto de 2003, quando morreram 21 engenheiros e técnicos. De lá para cá, tanto a administração de Lula quanto a de Dilma jamais foram capazes de ter um mínimo de compreensão ou sensibilidade para o caráter estratégico de um programa aeroespacial.

Os números falam por si. Hoje, em um país de dimensões continentais e mais de 200 milhões de habitantes, restam pouco mais de 1.000 profissionais envolvidos com as atividades de nosso setor espacial. Para ser mais exato, na verdade, em 2013 eram contabilizados 822 civis, 176 militares e 107 colaboradores externos. O que seguramente torna a comunidade brasileira de profissionais do setor aeroespacial radicada no exterior maior do que a que vive aqui.

Talvez o que nós, brasileiros, estejamos mesmo necessitados é de um “estabaco” como o de dona Luiza para acordar de vez deste sonho errado, deste torpor que virou pesadelo. Nosso futuro acabou. É tempo de uma nova geração de líderes políticos, empresariais e cívicos.


Fonte: Site da Revista Época – 21/07/2016

Comentário: Pois é, quem sabe esse artigo ajuda na reflexão daqueles que realmente se importam com os rumos de nossa Sociedade, mas ainda estão dormindo em berço esplêndido.