quarta-feira, 20 de junho de 2018

Primeiro Cubesat Brasileiro Completa 4 Anos em Operação

Caro leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (19/06) no site oficial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que o Primeiro Cubesat Brasileiro, o  NanosatC-Br1completou ontem 4 anos em operação no espaço.

Duda Falcão

NOTÍCIA

Primeiro Cubesat Brasileiro
Completa 4 Anos em Operação

Por INPE
Publicado: Jun 19, 2018

São José dos Campos-SP, 19 de junho de 2018

O NanosatC-Br1, primeira missão espacial brasileira com o uso de cubesats, completa quatro anos em órbita nesta terça-feira (19/06). O satélite continua a enviar dados dos subsistemas de sua plataforma e carga úteis. As informações são utilizadas em pesquisas sobre clima espacial e fenômenos que impactam a Terra, como a Anomalia Magnética do Atlântico Sul.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em cooperação com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o cubesat também é importante na capacitação de recursos humanos para a área espacial.

O lançamento do NanosatC-Br1, em 19 de junho de 2014, é considerado um marco pelo pioneirismo e incentivo a outras missões brasileiras com cubesats. Entre os atuais projetos, o INPE participa do Itasat, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ainda em parceria com o ITA e, também, com a agência espacial norte-americana (NASA), o INPE está desenvolvendo o SPORT.

CubeDesign

Para incentivar e identificar novos talentos em engenharia espacial, o INPE realiza, pela primeira vez, o CubeDesign, uma competição voltada à inovação e mobilização dos jovens para a ciência e tecnologia. Será de 25 a 28 de julho, em São José dos Campos (SP), com categorias de acordo com o estágio dos participantes, que podem ser alunos do ensino médio e fundamental, universitários e mesmo jovens profissionais de instituições e empresas brasileiras.

Na categoria “CubeSat”, as equipes poderão simular as condições de lançamento e funcionamento operacional do satélite, com foco em cargas úteis, estrutura, supervisão de bordo, suprimento de energia e comunicações. Saiba mais aqui sobre o 1° CubeDesign.

NanosatC-Br1

Gerenciado pelo Centro Regional Sul (CRS) do INPE, em Santa Maria (RS), o projeto NanosatC-Br1 conta com a participação de vários alunos da UFSM, inclusive para a operação do cubesat na estação no CRS/INPE.

“A mesma equipe desenvolve agora o NanosatC-Br2, que se encontra em fase de integração de suas cargas úteis com a plataforma e o software de bordo. Os recursos para o seu lançamento, em fase de contratação, já foram disponibilizados pela AEB (Agência Espacial Brasileira) e deverá ocorrer ainda este ano ou no princípio do próximo. O NanosatC-Br2 possui o dobro de volume, massa e experimentos em relação ao primeiro cubesat”, informa o pesquisador Otávio Durão, do INPE.

A tabela abaixo, enviada por radioamadores no Brasil (Paulo Leite PV8DX; em Boa Vista, RR) e na Alemanha (recepção feita pela estação operada por Rainer Rother) demonstra o recebimento de dados do cubesat na data de seu quarto aniversário em órbita.

Mais informações: www.inpe.br/crs/nanosat/



Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Centro de Lançamento Completa 40 Anos de Atividades de Rastreamento

Olá leitor!

Segue abaixo uma noticia postado ontem (19/06) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), destacando que o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) completou 40 anos de Atividades de Rastreamento.

Duda Falcão

ESPAÇO

Centro de Lançamento Completa 40 Anos
de Atividades de Rastreamento

Estação de Telemedidas e radares Adour e Bearn compõem o complexo
de antenas que garantiram acompanhar mais de 3 mil lançamentos

Por Tenente Cynthia Fernandes
Edição: Tenente Jonathan Jayme
Revisão: Cap. Oliveira
Agencia Força Aérea
Publicado: 19/06/2018 15:00

Fotos: Sargento Johnson / CECOMSAER
Centro completa 40 anos de acordos com
agências e governos para rastreamento.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) completou 40 anos de desempenho de uma atividade operacional vital na área espacial: rastreamento dos veículos lançados a partir do Centro Espacial da Guiana Francesa. Trata-se de um acordo de mútua cooperação entre o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e a Agência Espacial Europeia (ESA). Localizada em Parnamirim (RN), a unidade faz parte do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), da Força Aérea Brasileira (FAB).

Graças a essa parceria, o CLBI se tornou uma organização referência no rastreamento dos veículos lançados das plataformas dos centros de lançamento brasileiros e internacionais. A Estação de Telemedidas e os radares Adour e Bearn compõem o complexo de antenas que garantiram acompanhar mais de 3 mil lançamentos das plataformas brasileiras. Sob coordenação da ESA, foram rastreados 231 lançamentos.

Como característica própria, a Estação de Telemedidas do CLBI é a única estação da cadeia de rastreamento da Agência Europeia operada por técnicos e engenheiros não pertencentes ao quadro de recursos humanos da mesma.

Segundo o Diretor do CLBI, Tenente-Coronel Engenheiro Fabio Andrade de Almeida, os 40 anos desse acordo de rastreamento consolida uma forte e duradoura parceria entre as agências espaciais e governos. “O ganho é operacional. O uso continuado dos meios de rastreio e a capacitação adquirida pelos servidores e militares ao longo de décadas trazem para a FAB conhecimento e prática real na área de operações espaciais”, diz.

Dentre as operações espaciais das quais o CLBI participou, destacam-se o lançamento do Ariane V-14 levando a Sonda Giotto, com a missão de fotografar a passagem do Cometa Halley em sua aproximação da Terra em 1986; o Ariane V-158B, levando a bordo a Sonda Rosetta e o robô Philae; e o Ariane VA 236, que colocou em órbita, em 2017, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), operado atualmente pela FAB.

CLBI: referência no rastreamento de veículos espaciais.

A previsão para 2020, de acordo com o Diretor do CLBI, é que a unidade deverá participar da operação de lançamento do Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, sendo o primeiro capaz de realizar observações diretas de planetas fora do Sistema Solar.

Parque Tecnológico

Um parque tecnológico voltado para pesquisas na área aeroespacial deve ser construído nos próximos anos em Parnamirim, em parceria entre a FAB e a Prefeitura do município. No mês de abril, uma carta de intenções foi assinada para criação da unidade.

Denominado Núcleo do Parque Tecnológico Trampolim da Vitória, o documento prevê a intenção de cooperação na unidade que desenvolverá pesquisas e projetos na área da tecnologia aeroespacial. A previsão é que a FAB cederá, mediante contrapartidas, a área para construção da sede do empreendimento.

A expectativa é que o complexo atraia de dez a 15 empresas da área tecnológica, além de contar com a parceria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).


Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Muito interessante essa notícia sobre o Parque Tecnológico do CLBI, e seria muito bom para o PEB as startups espaciais brasileiras ficarem atentas para essa notícia que já foi abordada aqui no blog em abril desse ano. (veja aqui)

terça-feira, 19 de junho de 2018

Brasil Começa a Produzir Tanque de Combustível Para Satélites

Olá leitor!

Segue abaixo uma noticia muito interessante postada hoje (19/06) no site “Inovação Tecnológica” destacando que através do esforço de engenheiros do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Brasil começa a produzir tanque de combustível para satélites.

Duda Falcão

ESPAÇO

Brasil Começa a Produzir Tanque
de Combustível Para Satélites

Redação do Site Inovação Tecnológica
19/06/2018

[Imagens: IPT/Divulgação]
A chapa sendo inserida na prensa de conformação
superplástica a quente. O gás argônio é injetado de
baixo para cima, fazendo a chapa conformar-se ao
molde (parte superior).

Propulsão de Satélites

Engenheiros do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), em São Paulo, estão ajudando a desenvolver os primeiros protótipos de tanque de combustível daquele que poderá se tornar o primeiro sistema de propulsão de satélites totalmente fabricado no Brasil.

O projeto, financiado pela FINEP, é fruto de uma proposta da Agência Espacial Brasileira (AEB) e está sendo realizado pelo IPT e pela startup Fibraforte, uma empresa emergente do setor aeroespacial sediada na cidade de São José dos Campos (SP).

A FINEP e a AEB selecionaram, em 2015, cinco empresas brasileiras em diferentes áreas de conhecimento para transferência de tecnologia pela empresa vencedora da concorrência internacional para fornecer o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), a Thales Alenia Space. A Fibraforte foi uma delas, dentro de um contrato na área de propulsão para satélites.

Um satélite é composto tipicamente de um corpo básico (também conhecido como bus), no qual se encontram as baterias, os painéis solares, os circuitos de telemetria e a parte de propulsão, e a carga útil, composta pelos equipamentos que compõem a missão, como câmeras, sensores e experimentos científicos. O projeto da Fibraforte se concentra no bus.

Tanque de Titânio

O subsistema de propulsão de um satélite é composto de uma série de elementos, como motores, válvulas, sensores, transdutores de pressão e o tanque de propelente líquido - esta é a seção que está sendo aprimorada agora.

O tanque é o reservatório de armazenamento embarcado no satélite, projetado para uma capacidade volumétrica de acordo com a missão programada. É um dos componentes mais sensíveis do sistema porque ele deve ser o mais leve possível e aguentar a maior pressão para uma determinada carga.

A equipe já conseguiu chegar a um tanque que usa apenas 3,3 quilogramas (kg) de titânio, abaixo dos 4 kg previstos no projeto - o titânio foi selecionado por ser o material mais usado pela indústria internacional.

"O tanque proposto deve armazenar 30 quilogramas de combustível com um volume total de 40 litros: o objetivo é construir um modelo que suporte altas pressões, mas tenha paredes muito finas e pouco peso," explicou André Ferrara Carunchio, pesquisador do IPT.

Hemisfério do tanque já pronto, depois de retirado o molde.

Os dois hemisférios do tanque esférico estão sendo construídos pelo método de conformação superplástica. E o IPT já possui os equipamentos para isso. "Antes do início da produção dos modelos no Núcleo de Estruturas Leves, estávamos empregando uma técnica desenvolvida na própria empresa, mas que demandava muito tempo para finalização das peças: cada casca demorava uma semana para ser fabricada," contou Luis Felipe Pini, da Fibraforte.

Agora, até quatro modelos estão sendo construídos por dia.

"Após a chapa ser inserida na máquina, aplica-se o gás argônio sob pressão na sua face inferior, o que a força ao encontro de uma matriz fêmea, conformando a peça," explicou André. A pressão deve ser controlada para garantir uma taxa de deformação constante, fazendo com que o processo ocorra em regime superplástico - isso torna possível atingir grandes deformações sem a ruptura do material.


Fonte: Site Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Comentário: Bom leitor, se esta noticia não estiver sendo dourada em excesso como de costume, especialmente pela mesma esta sendo ligada ao projeto do inseguro trambolho francês SGDC-1, realmente é uma noticia muito bem vinda, já que toda tecnologia espacial desenvolvida no país é sempre uma benção, apesar do farto histórico no PEB de desprezo dessas tecnologias em favor da tecnologia estrangeira (vide o Projeto SIA refletida no agora Projeto Alemão do VLM-1), seja por estupidez, falta de visão ou mau caratismo. Entretanto se verdade for como diz a matéria acima, é realmente um avanço muito bem vindo.

Ação Contra Parceria Telebras/VIASAT Fica em Manaus

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (18/06) no site “Tele.Síntese” destacando que a Ação contra parceria Telebras/ VIASAT vai ficar em Manaus.

Duda Falcão

DESTAQUE

Ação Contra Parceria Telebras/VIASAT
Fica em Manaus

Por Miriam Aquino
Tele.Síntese
18 de junho de 2018

Foto Murucutu
Manaus, Amazonas.

Duas novas decisões  foram tomadas na semana passada dentro do processo judicial iniciado pela empresa Via Direta, de Manaus, contra a Telebras em relação à parceria com a norte-americana VIASAT, para a exploração do satélite brasileiro SGDC.

No dia 11 de junho, o desembargador Souza Prudente aceitou o recurso da estatal e cancelou o depósito de R$ 5,1 milhões que a Telebras teria que fazer em juízo, mas aumentou a multa diária de R$ 100 mil para R$ 200 mil caso a empresa não mantenha suspensas as operações com a VIASAT.

No dia 12 de junho, a juíza federal Maria Fraxe, negou o pedido da União e da Telebras, para que o processo deixasse o fórum de Manaus e passasse a tramitar em Brasília, onde é a sede da estatal.

Para a juíza Fraxe, no entanto, a ação de reparação de dano – impetrada pela Via Direta – deve tramitar no local do dano. Para manter o seu entendimento de que possui competência para apreciar e julgar a ação, a juíza invoca  a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmén Lúcia, que manteve a liminar contra o acordo e não questionou tão pouco a competência jurisdicional do processo.

Multa

Em referência ao depósito de R$ 5,1 milhões, o desembargador Prudente decidiu acatar o recurso das Telebras porque entendeu que o contrato entre as duas partes, sem marcas pretas, havia sido entregue à justiça e, por isso, só deverá prevalecer a multa caso a empresa mantenha a prestação do serviço com os equipamentos da VIASAT, como ocorria em duas escolas públicas em Roraima.

O processo aponta também que a VIASAT constituiu representação no Brasil há um mês da assinatura do contrato com a Telebras, sob o nome de Exede Rio. Para a justiça, as empresas ainda terão que dar mais esclarecimentos sobre essa representação, visto que a Exede Rio só aparece na primeira folha e na última folhas do contrato. “Ainda não ficaram claras para esse juízo as razões do desaparecimento da Exede Rio do bojo do contrato de parceria e as razões para o surgimento de denominações que não constaram da qualificação do instrumento”, escreveu Fraxe.


Fonte: Site Tele.Síntese - http://www.telesintese.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Depois de Filmar Eclipse a 30 km de Altitude, Brasileiros Sonham Mais Alto

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante matéria publicada hoje (18/06) no site do jornal “O Estado de São Paulo”, destacando que depois de astrônomos amadores, estudantes e cientistas do Brasil e dos EUA se aliarem para filmar eclipse a 30 km de altitude, os brasileiros estão sonhando mais alto.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Depois de Filmar Eclipse a 30 km de
Altitude, Brasileiros Sonham Mais Alto

Aliados, astrônomos amadores, estudantes e cientistas de  universidades do Brasil
e dos Estados Unidos  registraram pela primeira o fenômeno em 360° a partir da
estratosfera; agora grupo quer mais parcerias e novos projetos

Fábio de Castro,
O Estado de S.Paulo
18 Junho 2018 | 05h00

O sucesso de uma missão internacional de divulgação cientifica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia aeroespacial e cientistas profissionais de universidades do Brasil e dos Estados Unidos, mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver o primeiro balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial, meteorologia e outras áreas.

Em agosto de 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB), professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três de seus alunos na UnB viajaram para Rexburg, no estado americano de Idaho, para realizar um feito único: registrar o eclipse em 360 graus, a partir de um balão estratosférico a 30 quilômetros de altitude.

Fotos: Projeto LAICAnSat-UnB / Missão Kuaray
Em Rexburg, nos Estados Unidos, o grupo brasileiro se
prepara para lançar o balão estratosférico; minutos depois
ele faria as primeiras imagens em 360 graus de um eclipse.

A missão foi realizada em parceria com as universidades de Montana e North Dakota (Estados Unidos) e financiada por um programa da NASA. Selecionados para o projeto, os brasileiros foram aos EUA financiados por crowdfunding - uma espécie de "vaquinha" virtual. A aventura rendeu um vídeo "full dome" de divulgação científica, que será exibido em planetários e abriu caminho para diversas parcerias científicas.


"A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos fazendo uma nova parceria com a Universidade de Montana para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário", disse Borges ao Estado.

"Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão", disse o pesquisador. Segundo ele, o primeiro teste foi realizado no último sábado, 16. "O projeto começou a sair do papel e das simulações para levantar voo de verdade", afirmou o professor Borges, que é coordenador do projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica). 


Segundo Borges, a proposta de viajar para fazer o registro do eclipse foi feita pelo CAsB. O professor encampou a ideia e acionou seus parceiros das universidades americanas. A Universidade de Montana, que fazia parte do projeto "Eclipse Ballooning Projetct", da NASA, cedeu os balões, o gás combustível e o apoio logístico para que a equipe brasiliense lançasse sua plataforma. A viagem foi batizada como missão Kuaray.

Laboratório nas Alturas - A equipe brasileira foi uma das 55 envolvidas no projeto da NASA, que lançou 34 balões estratosféricos com a meta de realizar experimentos e filmar o eclipse. Esses balões de látex chegam a mais de 30 mil metros - cerca de três vezes a altitude de um avião comercial - e atingem a estratosfera, em temperaturas de até 40 graus negativos e pressão 100 vezes menor que a do nível do mar. Eles são usados para enviar plataformas de pesquisa à estratosfera, funcionando como laboratórios em grandes altitudes, onde são realizados experimentos que não seriam possíveis na Terra, com custo mais baixo que o das missões espaciais. 

A plataforma da equipe da UnB foi testada com o envio de uma câmera especial capaz de filmar o eclipse em 360 graus, enquanto é desenvolvida para diferentes aplicações.

O professsor Renato Borges, coordenador do projeto LAICAnSat,
da UnB, observa um dos protótipos da plataforma impressa em
3D que foi utilizada para filmar o eclipse na estratosfera.

"A missão foi um marco para nós, porque não havíamos feito nada tão completo. Todos os lançamentos que havíamos feito no Brasil envolviam basicamente um processo para gerar um pequeno protótipo da nossa plataforma científica, utilizada para experimentos em grande altitude", afirmou Borges. 

De acordo com o professor, os resultados da missão também geraram um artigo científico que foi apresentado em março, nos Estados Unidos, na conferência do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), a principal associação de engenharia do mundo.

Conhecimento Compartilhado - O presidente do CAsB, Augusto Ornella,  destacou que até a missão Kuaray, diversos eclipses já haviam sido filmados a partir de balões estratosféricos, mas não em 360 graus. Os astrônomos amadores ajudaram em toda a montagem e preparação para o lançamento.

"Foi muito interessante para todos. Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma. Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência", disse Ornella.

Os membros do CAsB acompanham de perto todos os eclipses totais do Sol, segundo Ornella. "Já estamos nos preparando para o próximo, que acontecerá em julho de 2019, na Argentina", disse. De acordo com Ornella, a cooperação do CAsB com a UnB passou a ser contínua.

"Estamos sempre dispostos a colaborar com eles. Agora. estamos mediando o contato com um diretor de cinema, colega nosso, que transformará esse material em um filme em realidade virtual para ser exibido em atividades de divulgação científica e planetários."

Segundo Ornella, a astronomia é uma das ciências que contam com maior interação entre profissionais e amadores. Os profissionais têm conhecimento profundo e acesso a instrumentos científicos sofisticados, mas para utilizar os grandes telescópios por apenas algumas horas é preciso ter um projeto aprovado - e competir por tempo com outros astrônomos.

"Muitas vezes eles não têm o tempo disponível para acompanhar um fenômeno de longa duração, ou que precise ser acompanhado por um ano inteiro, por exemplo. Nós temos instrumentos menores, mas eles ficam à nossa disposição o tempo todo. Além disso, estamos espalhados por todo o planeta, incluindo as áreas menos cobertas pelos grandes telescópios, como o hemisfério Sul. Depois de fazer nossas observações, entregamos tudo para a análise dos profissionais - e por isso há tantas descobertas de amadores", disse Ornella.

Além de Borges e Ornella, a equipe que viajou aos Estados Unidos foi composta pela aluna de mestrado Lorena Tameirão, pela estudante de engenharia mecatrônica Stephanie Guimarães, pelo aluno de engenharia aeroespacial Matheus Filipe - todos da UnB - e pelos membros do CAsB Marcelo Domingues, Arthur Svidzinski e Sérgio Rodrigues.

Após o eclipse, em Rexburg (EUA), o grupo brasileiro
comemora o sucesso da missão: da esquerda para a direita,
Arthur (CAsB), Marcelo (CAsB), Matheus (UnB), Stephanie (UnB),
Renato (UnB), Lorena (UnB), Augusto (CAsB) e Sérgio (CAsB).

Plataforma Versátil - Segundo Borges, a plataforma científica tem o mesmo padrão de um cubesat - termo que remete às palavras "cubo" e "satélite" em inglês -, um tipo de satélite miniaturizado que é amplamente utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Cada unidade é um cubo de 10 centímetros de lado, que pode ser combinado de forma modular para carregar vários experimentos.

No caso da missão Kuaray, a plataforma carregou a câmera de 360 graus. "Foi um ótimo teste. A plataforma também pode ser utilizada para prestar ou complementar serviços de telecomunicaçoes e transmissão de dados, por exemplo", explicou Borges.

O sucesso animou o pesquisador e seus alunos, que têm o sonho de utilizar sua plataforma em um balão estratosférico estacionário - isto é, que se mantêm fixo sobre um ponto específico da Terra - que teria um número ainda maior de aplicações. Mas a tarefa não é fácil.

"O próximo passo é projetar um sistema para o retorno da plataforma, que é a maior dificuldade das missões com balões. Depois de chegar em grande altitude, a baixa pressão faz o balão estourar e a plataforma cai com um paraquedas. Em todas nossas missões utilizamos um paraquedas redondo, que reduz o impacto, mas tema navegabilidade muito baixa. Queremos desenvolver um perfil aerodinâmico para que possamos prever com precisão a trajetória do voo e o local do pouso", explicou.

Depois da missão Kuaray, Borges estabeleceu um novo convênio com a Universidade de Montana para o desenvolvimento da válvula que permitirá a flutuação do futuro balão estacionário. "Já estamos trabalhando juntos desde o fim do ano passado. A missão nos permitiu vislumbrar novos usos e aplicações da nossa plataforma para o mercado. E essa experiência nos mostrou que, apesar de tudo, não é uma realidade muito distante da nossa."


Fonte: Site do Jornal O Estado de São Paulo – 18/06/2018

Pesquisadores Colombianos Desenvolvem Motor-Foguete Líquido Para Veículo de Apogeu Estratosférico

Olá leitor!

Visitando a página da “7th European Conference For Aeronautics and Space Sciences  (EUCASS 2017)” descobrir um interessante ‘paper’ apresentado nesta conferencia pelos pesquisadores colombianos Florián Andrés (Engenheiro Mecânico da Universidade de los Andes), Urrego P.J. Alejandro (Professor Associado da Universidade de San Buenaventura) e Rojas Fabio (Professor Associado da Universidade de los Andes), todos eles de Bogotá, na Colômbia e ligados ao “Proyecto Uniandino Aeroespacial (PUA)” da Universidade de los Andes.

Pois é então o tal ‘paper’ em questão foi intitulado “Design, Manufacture, Assembly and Testing of a Liquid (LOX and Gasoline) Rocket Motor For a Vehicle With Stratospheric Apogee in Colombia: The SUA II Engine”, ou seja, esses pesquisadores colombianos estão trabalhando no desenvolvimento e teste de um motor-foguete líquido denominado de “SUA II” movido a oxigênio líquido (LOX) como oxidante e gasolina como combustível, para fazer parte de um mix de vários estágios de um veículo com apogeu estratosférico de propulsão sólida e líquida, fabricado e montado com um orçamento muito limitado e usando métodos locais, recursos e indústrias disponíveis na Colômbia.

Ainda segundo o ‘paper’, este Motor-Foguete SUA II é um motor líquido de segunda geração, projetado para fazer parte do primeiro estágio de um foguete de combustão química (o AINKAA VI), que consiste em duas etapas, sendo um motor de propulsão sólida e um motor de propulsão líquida respectivamente, e que está em processo de desenvolvimento, estudo e construção desde 2011 pelo “Projeto Uniandino Aeroespacial (PUA)”. Apesar deste foguete está em um estado bastante avançado de design e construção, ainda há muitos problemas pendentes a serem resolvidos em telemetria, controle, condicionamento, testes e lançamento de uma possível missão, neste caso com alcance estratosférico. Sendo assim, é neste cenário quando surge a necessidade de reprojetar uma otimização do estágio líquido do AINKAA VI, o que resulta na necessidade do desenvolvimento desse Motor-Foguete SUA II.

Vale dizer que o Motor- Foguete SUA II de segunda geração foi desenvolvido a partir do Motor-Foguete PUA-1L-6S-2000N que foi projetado e construído pela primeira vez em 2011 por pesquisadores de PUA e, posteriormente, devido a falhas e problemas de design, diferentes projetos de pesquisa propuseram mudanças construtivas.

O motor PUA-1L-6S-2000N com a sua
carcaça de revestimento de teste.

AINKAA VI

O Motor-Foguete SUA II foi projetado para ser o primeiro estágio do foguete AINKAA VI, foguete este de dois estágios com alcance estratosférico (+12 km a.s.) em desenvolvimento desde 2011 pelo PUA. O segundo estágio deste veículo será composto por um motor de combustível sólido (tipo candy) Kappa Delta Uniandes, desenvolvido pelo mesmo grupo de pesquisa.

O AINKAA VI é proposto como um veículo de baixo custo desenvolvido e montado completamente com técnicas e métodos de fabricação disponível no mercado colombiano. Este veículo também pretende tornar-se o primeiro foguete de propulsão líquida colombiano a atingir uma altitude estratosférica.

Renderização gráfica do foguete AINKAA VI com seus dois estágios.

A expectativa dos pesquisadores da PUA é de que o desenvolvimento e a otimização de seu próprio propelente líquido servirão como base para missões posteriores com maior apogeu, até que consiga consolidar um veículo capaz de colocar um objeto na órbita da Terra. Saiba mais lendo ‘paper’ pelo link acima.

Pois é leitor, enquanto o Brasil patina em sua própria estupidez, falta de visão e incompetência, mais um país sul-americano entra na briga na área de foguetes, visando com isto no futuro ter o seu próprio lançador orbital. É claro que os colombianos ainda estão no começo de um trabalho que precisará de muitos anos ainda para obter resultados significativos, porém demonstra com isso já ter uma chama acessa entre seus pesquisadores.

Quem sabe esse artigo possa interessar a diretoria da nossa Brazilian Association of Rocketry (BAR) a ponto dela fazer um convite oficial ao pessoal do "Proyecto Uniandino Aeroespacial (PUA)", para que eles participem de alguma forma do próximo Festival Brasileiro de Minifoguetes 2019.

Duda Falcão

domingo, 17 de junho de 2018

Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro Se Reúne Para Reunião Plenária

Olá leitor!

Segue abaixo uma noticia postado dia (15/06) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), destacando que o Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB) se reuniu dia 15/06 para sua segunda Reunião Plenária em Brasília.

Duda Falcão

ESPAÇO

Comitê de Desenvolvimento
do Programa Espacial Brasileiro
Se Reúne Para Reunião Plenária

Estrutura interministerial tem como objetivo
potencializar o Programa Espacial Brasileiro

Por Tenente Felipe Bueno
Revisão: Major Alle
Edição: Agência Força Aérea
Publicado: 15/06/2018 20:55

Fotos: Sargento Bianca Viol/CECOMSAER.

O Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB) se reuniu pela segunda vez na tarde desta sexta-feira (15/06) no Palácio do Planalto, localizado em Brasília (DF). O grupo, conduzido pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, debateu e apresentou soluções relacionadas a área espacial no país.

O Comitê, que foi formalizado por meio do Decreto 9.279 de 6 de fevereiro de 2018, tem validade até 02 de fevereiro de 2019. A publicação criou o CDPEB que tem por objetivo criar diretrizes e metas para a potencialização do Programa Espacial Brasileiro. A coordenação dos trabalhos é feita pelo Ministro Chefe do GSI da Presidência da República e participam do Comitê como membros os Ministérios da Casa Civil; da Defesa; das Relações Exteriores; do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.


O Ministro Chefe do GSI, General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen, valorizou o avanço e os benefícios que o Programa Espacial Brasileiro pode trazer. "Estamos na metade da caminhada, metade das decisões que precisavam ser apresentadas pelos grupos de trabalho foram concluídas hoje e a outra metade será apresentada até agosto. Para um país tão grande como o nosso, que tem o dever de democratizar a comunicação, de dar acesso a esse maravilhoso mundo digital que vivemos, esse é um belíssimo passo. Além de tudo, vamos poder ganhar em outras questões como a preservação ambiental, áreas econômicas como agricultura, pesca, navegação, controle do espaço aéreo. Isso abrirá um leque enorme de possibilidades", disse.

Nesta segunda reunião plenária, foram discutidos temas como a nova governança, acordos de salvaguardas tecnológicas, criação de empresa pública, plano de marketing, entre outros. O primeiro encontro da cúpula foi em 1º de março deste ano.


O Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, participou da plenária representando o Ministério da Defesa e reforçou que o desenvolvimento na área espacial pode trazer, não só na área militar, mas para toda a sociedade brasileira. "O espaço para o Brasil é muito importante pelas nossas dimensões e pelo fato de termos imensas áreas com muitas riquezas sem explorações. A melhor maneira de controlar tudo isso é através do espaço, e estamos entrando nessa tecnologia. Esse Comitê de Desenvolvimento vem justamente para desatar os nós que haviam em diversas estruturas do Brasil. Nesta reunião, vimos que os esforços têm sido efetivos e estamos avançando rapidamente", concluiu.

Confira a matéria em vídeo:



Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Foguete Autofágico Consome a Si Próprio Como Combustível

Olá leitor!

Segue abaixo uma noticia curiosa postada dia (15/06) no site “Inovação Tecnológica” destacando que Foguete Autofágico testado por engenheiros escoceses e ucranianos consome a si próprio como combustível

Duda Falcão

ESPAÇO

Foguete Autofágico Consome
a Si Próprio Como Combustível

Redação do Site Inovação Tecnológica
15/06/2018

Foguete Que Se Consome

Um foguete que consome a si próprio como combustível: este é o conceito que está sendo testado por engenheiros da Escócia e da Ucrânia.

Os foguetes hoje usam tanques para armazenar o combustível e o oxigênio necessários para impulsioná-los, e o peso do conjunto tipicamente é muitas vezes maior do que o peso da carga útil que o foguete leva ao espaço. Isso reduz a eficiência do veículo de lançamento e também contribui para o problema do lixo espacial.

Por isso, Vitaly Yemets e seus colegas estão propondo a construção de foguetes como motores "autófagos" - ou autofágicos -, que consomem sua própria estrutura à medida que sobem, permitindo levar mais carga útil e diminuindo os detritos deixados no espaço.

E não é uma ideia teórica: A equipe já construiu e fez funcionar o protótipo do motor sem tanque de combustível, demonstrando ainda que esse motor pode ser acelerado e desacelerado.

[Imagem: Vitaly Yemets et al. - 10.2514/1.A34153]
O motor-foguete autofágico, que consome a si mesmo como
combustível, já está sendo testado em escala de laboratório.

Motor-Foguete Autofágico

O motor autofágico consome uma haste de propelente que tem combustível sólido do lado de fora e oxidante no interior. O combustível sólido é um plástico forte, como o polietileno, de modo que a haste é efetivamente um tubo cheio de oxidante em pó. Quando a haste é inserida no motor quente, o combustível e o oxidante vaporizam-se, formando gases que fluem para a câmara de combustão. Isso produz impulso, bem como o calor necessário para vaporizar a próxima seção do propelente.

O motor pode ser acelerado, desacelerado e mesmo desligado simplesmente variando a velocidade na qual a haste é inserida no motor, uma capacidade rara em um motor sólido. O protótipo de motor-foguete funcionou em queimas com duração de até 60 segundos nos testes de laboratório.

"Embora ainda estejamos em um estágio inicial de desenvolvimento, temos um berço de testes no laboratório e estamos trabalhando com nossos colegas para melhorá-lo ainda mais. O próximo passo será garantir mais financiamento para investigar como o motor poderia ser incorporado em um veículo de lançamento," disse o professor Patrick Harkness, da Universidade de Glasgow.

Bibliografia:

Autophage Engines: Toward a Throttleable Solid Motor
Vitaly Yemets, Patrick Harkness, Mykola Dron, Anatoly Pashkov, Kevin Worrall, Michael Middleton
Journal of Spacecraft and Rockets
DOI: 10.2514/1.A34153


Fonte: Site Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Comentário: Interessante notícia que deve ser do interesse das equipes que trabalham com propulsão de foguetes no Brasil. Isso que é inovação, sensacional, mais ainda apenas um conceito que precisa ser melhor avaliado.