O Planeta Vênus Poderá Receber Uma Enorme Chuva de Meteoros em Julho, Graças à Fragmentação de Um Asteroide

Caros amantes das atividades astronômicas!
 
No dia de ontem (27/01), o portal Space.Com noticiou que o Planeta Vênus poderá receber uma enorme chuva de meteoros em julho, graças à fragmentação de um asteroide que deixou um rastro de poeira em sua trajetória, mas que provavelmente não conseguiremos apreciá-la aqui da Terra.
 
(Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech)
Uma impressão artística de um asteroide se fragmentando em vários pedaços.

De acordo com a nota do portal, o planeta Vênus pode vivenciar uma chuva de meteoros dramática neste verão, resultado da quebra de um asteroide próximo que deixou um rastro de poeira em sua trajetória.
 
A chuva de meteoros está prevista para ocorrer novamente em 5 de julho, mas observá-la a partir da Terra será difícil. Apenas bolas de fogo extremamente brilhantes, com magnitude em torno de –12 a –15 — aproximadamente o mesmo brilho da Lua em nosso céu — serão visíveis a partir do nosso planeta.
 
A origem dessa chuva de meteoros proposta é resultado de uma verdadeira investigação astronômica envolvendo dois asteroides que, curiosamente, compartilham praticamente a mesma órbita. Em 2021, foi descoberto um asteroide próximo da Terra em uma órbita que o leva a passar a até 2 milhões de quilômetros (1,2 milhão de milhas) de Vênus. Depois, em abril de 2025, um segundo asteroide foi encontrado em quase exatamente a mesma órbita.
 
 
Ambos os asteroides, chamados 2021 PH27 e 2025 GN1, pertencem à mesma classe espectral (tipo X), o que significa que eles apresentam as mesmas características quando seus espectros são medidos. Além disso, suas órbitas estão totalmente dentro da órbita da Terra, o que significa que nunca cruzam o caminho do nosso planeta e não representam risco de impacto. Asteroides nessas órbitas pertencem ao que os cientistas chamam de grupo Atira, e são relativamente raros.
 
Por coincidência, o par também possui as órbitas mais rápidas já medidas para um asteroide no Sistema Solar, levando apenas 115 dias para completar uma volta ao redor do Sol.
 
A descoberta de dois asteroides com aparência idêntica e praticamente a mesma órbita parecia coincidência demais para uma equipe de astrônomos liderada por Albino Carbognani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF). Assim, eles passaram a modelar as órbitas dos asteroides retrocedendo 100 mil anos no tempo, para tentar descobrir a origem dessas rochas espaciais.
 
Os pesquisadores suspeitavam que os dois asteroides já tivessem sido um único corpo que se fragmentou. No entanto, as simulações de suas órbitas revelaram que, em nenhum momento, eles chegaram perto o suficiente da Terra, de Vênus ou do Sol para terem sido despedaçados por forças gravitacionais de maré. A hipótese parecia um beco sem saída.
 
Mas a equipe de Carbognani não ficou sem respostas por muito tempo. Eles perceberam que a órbita dos dois asteroides mudou ao longo de 100 mil anos. Em determinado momento, ela se aproximou do Sol — no ponto que os astrônomos chamam de periélio — a apenas 15 milhões de quilômetros (9 milhões de milhas).
 
Isso é cerca de quatro vezes mais perto do Sol do que a órbita média de Mercúrio.
 
Suponha, então, que os dois asteroides tenham sido originalmente um único corpo. Tão perto do Sol, o aquecimento repetido faria a superfície do asteroide “pai” rachar, enfraquecendo sua rigidez interna — especialmente se a rocha fosse pouco mais do que um amontoado de detritos mantidos juntos de forma frouxa.
 
O asteroide original estaria girando enquanto se aquecia próximo ao periélio. Ele absorve calor de um lado e, à medida que gira, irradia o excesso de calor em outra direção. A emissão dessa radiação térmica atua como um empuxo fraco que acelera a rotação do asteroide — um fenômeno conhecido como efeito YORP (em homenagem a Yarkovsky, O’Keefe, Radzievskii e Paddack, quatro cientistas fundamentais para sua descoberta).
 
A equipe de Carbognani sugere que, combinadas com as fraturas na superfície que enfraqueciam a estrutura do asteroide, as forças do efeito YORP foram capazes de acelerar a rotação do corpo original a ponto de fazê-lo se partir em dois pedaços.
 
As simulações indicam que isso pode ter ocorrido entre 17 mil e 21 mil anos atrás, a última vez em que a órbita chegou tão perto quanto 15 milhões de quilômetros do Sol. Se isso estiver correto, então não houve tempo suficiente para que a radiação solar tivesse dispersado toda a poeira lançada ao espaço pela fragmentação do asteroide.
 
“Considerando que as órbitas passam muito perto de Vênus, é natural se perguntar se fragmentos muito pequenos, da ordem de um milímetro, gerados pela fragmentação do corpo original, ainda poderiam estar em órbita ao redor do Sol”, disse Carbognani em comunicado. “Nossas simulações confirmam que isso é de fato possível.”
 
As simulações mostram que Vênus interceptará novamente esse fluxo de poeira — que já teria se espalhado o suficiente para cruzar o caminho do planeta — em julho deste ano. Se isso estiver correto, podemos esperar uma chuva de meteoros sobre Vênus nesse período.
 
Embora a grande maioria das chuvas de meteoros na Terra seja produzida por poeira deixada pelas caudas de cometas, Carbognani faz uma comparação com a chuva de meteoros das Gemínidas, que ocorre em dezembro.
 
“Um caso bem conhecido é o das Gemínidas, geradas pelo asteroide Phaethon, e nossos resultados sugerem que um fenômeno semelhante também poderia ocorrer em Vênus”, afirmou.
 
No entanto, observar o equivalente venusiano das Gemínidas a partir da Terra será difícil.
 
“Para aumentar a probabilidade de detecção, a opção ideal seria a observação direta a partir da órbita de Vênus por meio de uma espaçonave”, disse Carbognani. Infelizmente, não há atualmente missões espaciais operando em Vênus, mas a chuva de meteoros poderá ser observada no futuro pela missão EnVision, da Europa, prevista para lançamento em 2031 ou 2032, ou pelas missões DAVINCI e VERITAS, da NASA, caso avancem na próxima década.
 
Os resultados foram publicados em 17 de janeiro na revista científica Icarus.
 
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