Artigo: O Brasil e o Desafio de Desenvolver um Veículo Lançador Como o PSLV da Índia

Prezados leitores e leitoras do BS!
 
Pois bem, ao navegar pela internet hoje, deparei-me com um artigo interessante que se assemelha a uma proposta publicada há cinco dias pelo Mestre em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea Brasileira (UNIFA), Rodolfo Milhomem, em sua página pessoal no LinkedIn. Diante disso, resolvi trazê-lo para o BS, a fim de discutirmos o tema na próxima quinta-feira (22/01), durante a Edição nº 204 da nossa coluna Espaço Semanal. Fiquem atentos! Confira abaixo o artigo/proposta em questão:
 
O Brasil e o Desafio de Desenvolver um Veículo Lançador Como o PSLV da Índia
 
Por Rodolfo Milhomem* 
 

O Veículo Lançador de Satélites Polares (PSLV), operado pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), é amplamente considerado um dos veículos lançadores mais versáteis e confiáveis em operação atualmente.
 
Sua arquitetura modular, combinando estágios sólidos e líquidos, permite inserções precisas em órbitas polares e síncronas com o sol, tendo sido empregada com sucesso em dezenas de missões internacionais.
 
Considerando a infraestrutura tecnológica atual do Brasil, especialmente o desenvolvimento do motor de propelente sólido S-50 pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), uma proposta hipotética para um lançador inspirado no PSLV brasileiro poderia ser estruturada em torno desse sistema de propulsão.
 
Em uma simulação teórica (baseada em dados públicos de motores da Wikipédia), a configuração sugerida para esse veículo lançador nacional é:
 
- 4 propulsores sólidos (S-50) (acionados simultaneamente com o primeiro estágio)
- Primeiro estágio central: 1 motor (S-50)
- Segundo estágio: 1 motor (S-50)
- Terceiro estágio: motor líquido L-35
 
Capacidade estimada de carga útil: até 1.211 kg até órbita heliossíncrona (SSO, ~500 km de altitude).
 
Essa arquitetura depende de pelo menos quatro elementos técnicos críticos: o voo inaugural do S-50; desenvolvimento de um motor líquido da classe 35 kN; um sistema funcional de navegação inercial; crucialmente, a viabilidade aerodinâmica e estrutural do projeto.
 
O desenvolvimento de tal veículo exigiria coordenação entre o IAE, a Agência Espacial Brasileira (AEB), a FINEP (Autoridade Brasileira de Financiamento para Estudos e Projetos) e a indústria aeroespacial nacional. 
 
Com esse esforço, o Brasil poderia alcançar maior autonomia no acesso ao espaço, reduzindo a dependência internacional e abrindo caminhos para missões orbitais, constelações nacionais de satélites e experimentos científicos de microgravidade.
 
Este é apenas um exemplo do que o Brasil poderia realizar usando seus atuais recursos tecnológicos.
 
Idealmente, motores mais potentes que o S-50 deveriam ser construídos, eliminando a necessidade de foguetes auxiliares, ou, alternativamente, motores menores como o S-30 ou S-43 poderiam ser usados em grupos para lançadores com menor demanda de carga útil.
 
O Brasil não pode se dar ao luxo de ter medo de experimentação.
 
* Rodolfo Milhomem -
Advogado e pesquisador com atuação interdisciplinar em Direito Espacial, Engenharia Aeroespacial e Governança de Tecnologia. Possui mestrado em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea Brasileira (UNIFA), com dissertação voltada ao segmento de veículos lançadores e suas implicações regulatórias, econômicas, industriais e estratégicas no fortalecimento da soberania espacial nacional.
 
Há mais de 5 anos lidera iniciativas em proteção de dados, propriedade intelectual e regulação tecnológica na EdgeSoft, atuando como DPO e assessor jurídico especializado em ambientes de alta complexidade técnica, incluindo o registro e proteção de ativos espaciais (marcas, patentes, softwares, e know-how vinculado à inovação aeroespacial).
 
Atua nas Comissões de Direito Espacial e Aeronáutico da OAB/SP, promovendo o diálogo entre normativas internacionais (COPUOS, WIPO, ITU), segurança jurídica e o avanço do setor NewSpace brasileiro.
 
Sua formação é técnica e abrangente: curso Engenharia da Computação (UNIVESP) e pós-graduação em Engenharia Aeronáutica (UNISUAM), com foco em simulação de trajetórias orbitais, propulsão e previsões de risco via métodos de Monte Carlo. Desenvolvo modelos em Python, SNAP, GMAT, e SGP4, com aplicações em análise de TLEs, debris tracking e sistemas críticos para Space Domain Awareness (SDA).
 
Atua também com governança de inovação, licenciamento open-source (WIPO), e diretrizes de sustentabilidade espacial, contribuindo com pesquisas sobre dual-use technologies, cenários regulatórios emergentes e aquisições públicas estratégicas no setor espacial.
 
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