Astrônomos Descobrem Barra de Ferro Que Faz a 'Nebulosa do Anel' Lembrar Uma Cabeça de Parafuso

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No dia de hoje (20/01), o portal Inovação Tecnológica divulgou uma notícia sobre a descoberta, feita por astrônomos, de uma 'Barra de Ferro' que confere à 'Nebulosa do Anel' uma aparência semelhante à de uma cabeça de parafuso.
 
[Imagem: Roger Wesson et al. - 10.1093/mnras/staf2139]
Imagem composta em RGB da Nebulosa do Anel (também conhecida como Messier 57 e NGC 6720). O anel externo brilhante é composto pela luz emitida por três íons diferentes de oxigênio, enquanto a "barra" no meio se deve à luz emitida por um plasma de átomos de ferro ionizados quatro vezes.
 
Barra de Ferro Cósmica
 
De acordo com a nota do portal, uma misteriosa "barra de ferro" foi descoberta atravessando o que parecia ser a entrada totalmente livre da icônica Nebulosa do Anel.
 
Mais propriamente, trata-se de uma nuvem em formato de barra, formada por átomos de ferro. Essa barra nebulosa tem um comprimento aproximadamente 500 vezes maior do que o diâmetro da órbita de Plutão ao redor do Sol e, de acordo com os astrônomos, sua massa de átomos de ferro é comparável à massa de Marte.
 
O resultado é que, em vez de ser um anel, como parecia, a nebulosa lembra mais a cabeça de um parafuso de fenda - ou a letra grega teta (Θ).
 
A origem dessa barra de ferro ainda é um mistério, exigindo observações adicionais e mais detalhadas para que sejam aventadas hipóteses melhor embasadas.
 
Mas Roger Wesson e seus colegas de várias instituições apontam para dois cenários possíveis: (1) a nuvem de ferro pode revelar algo novo sobre como se deu a ejeção de matéria pela estrela progenitora que deu origem à nebulosa; (2) o ferro pode ser um arco de plasma resultante da vaporização de um planeta rochoso apanhado na expansão anterior da estrela, embora seja difícil explicar a concentração única desse metal em particular.
 
Capturar Espectros
 
A descoberta se deu graças a um instrumento chamado Weave, instalado no Telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias. Seu núcleo principal consiste em um feixe de centenas de fibras ópticas. Isto permitiu capturar espectros (onde a luz é separada em seus comprimentos de onda constituintes) em todos os pontos de toda a face da Nebulosa do Anel, e em todos os comprimentos de onda ópticos, pela primeira vez.
 
"Embora a Nebulosa do Anel já tenha sido estudada com diversos telescópios e instrumentos, o Weave nos permitiu observá-la de uma maneira inovadora, fornecendo muito mais detalhes do que antes. Ao obter um espectro contínuo em toda a nebulosa, podemos criar imagens da nebulosa em qualquer comprimento de onda e determinar sua composição química em qualquer posição," detalhou Wesson. "Quando nós processamos os dados e analisamos as imagens, uma coisa se destacou com clareza absoluta: Essa 'barra' de átomos de ferro ionizados, até então desconhecida, no meio do anel familiar e icônico."
 
A equipe já está trabalhando em um estudo de seguimento, tentando obter dados com resolução espectral mais alta, para entender melhor como a barra de ferro pode ter-se formado.
 
Saiba mais:
 
Autores: Roger Wesson, J. E. Drew, M. J. Barlow, J. García-Rojas, R. Greimel, D. Jones, A. Manchado, R. A. H. Morris, A. Zijlstra, P. J. Storey, J. A. L. Aguerri, S. R. Berlanas, E. Carrasco, G. B. Dalton, E. Gafton, R. García-Benito, A. L. González-Morán, B. T. Gänsicke, S. Hughes, S. Jin, R. Raddi, R. Sánchez-Janssen, E. Schallig, D. J. B. Smith, S. C. Trager, N. A. Walton
Revista: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Vol.: 546, Issue 1
DOI: 10.1093/mnras/staf2139
 
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